Notas iniciais
Olá!! Sem muito tempo para falar no momento, mas agradeço a atenção de vocês tanto para fic quanto para mim nas MP, eu desejo um Feliz Ano Novo para todos e espero que gostem do capítulo!

POV OLIVER

Desliguei a chamada antes que Ivo pudesse fazer outro comentário ou se recuperasse do choque que havia sentido ao saber que eu havia chegado até aqui e que não recebeu nenhuma notícia de nenhum de seus homens que estavam vigiando o prédio. Aguardei com falsa tranquilidade que a porta fosse aberta, deixar que Felicity fosse ao seu encontro foi umas das coisas mais difíceis que eu já fiz e ainda assim como Diggle havia explicado foi necessário, apenas em um momento como esse que Ivo se revelaria como realmente é, se tínhamos qualquer chances de reunir alguma prova era agora.

A porta foi aberta com certa hesitação e eu logo entrei com passos decididos, fui empurrado ainda mais para o centro por mãos desconhecidas e lancei um olhar atento e direto para Felicity, ela me encarava assustada, lágrimas teimosas enchiam seus olhos, mas a força que possuía impedia que elas descessem, engoli em seco ao perceber a marca em seu rosto que sem dúvida alguma era de um tapa e fechei os punhos em busca de um controle que eu não possuía, ela estava machucada e a culpa era minha, eu jamais deveria ter deixado que fosse, o que mais ele havia feito? Percorri meus olhos por sua figura assimilando o fato de que estava amarrada a cadeira e procurando por sinal de qualquer outra agressão. Escutei vagamente Ivo mandar um de seus homens sair e verificar o que estava acontecendo lá fora.

– Eu estou aqui Sr. Queen. – A voz sarcástica chamou meu nome com deboche, à contra gosto desviei meus olhos de Felicity e o encarei, ele estava atrás do sofá no centro da sala, o braço erguido mostrando que portava uma arma apontada para mim, em uma situação como essa eu deveria sentir meu coração disparar movido pelo medo, deveria sentir pânico, o instinto de sobrevivência deveria me guiar a fugir ou implorar por minha vida, Ivo havia matado Helena e muitos outros, matar alguém não era algo que ele lamentava ou hesitava, se ele tinha uma arma apontada para mim, não havia dúvidas de que tinha intenção de usa-la, mas eu não sentia meu sangue agitar, eu sentia-o congelar aos poucos, e uma tranquilidade real e inquietante me dominar, eu estava frio, por que eu não via uma arma apontada para mim, eu via o homem que torturou uma jovem, que transformou e destruiu sua vida e seus sonhos, que se aproveitou de uma de suas várias qualidades e transformou em defeito, em fraqueza, por amar demais Felicity foi um alvo fácil para ele, e eu o odiava por cada ano que ela passou sujeita ao medo do que ele faria se algum dia estivesse livre, do que ele faria quando finalmente acabasse com seu jogo de gato e rato, do que fez quando ela se apaixonou, eu o odiava por cada dor que infligiu e o faria pagar por cada cicatriz que deixou nela, visível ou não, eu poderia morrer ao fazê-lo, mas não antes de fazê-lo sofrer pelo o inferno em que ele transformou a vida dela, de algum jeito essa noite Felicity não teria mais que se preocupar com Ivo. Eu garantiria isso.

– Eu sei que vendo uma mulher como essa em sua frente é difícil manter sua atenção em qualquer outra coisa... – Sorriu. – Mas com uma arma apontada para si é necessário definir algumas prioridades.

– Ela é minha prioridade. – Murmurei sem hesitar. A resposta pareceu aborrecê-lo, mas logo sua expressão voltou à mesma de antes, puro deboche.

–Então por que barganha por seu irmão? – Ergueu uma sobrancelha. Desviei meus olhos até Roy acompanhando o movimento com queixo feito por ele e notei com certo horror o quanto ele havia sofrido com a fúria de Ivo, apenas fúria explicaria o estado em que ele se encontrava. Se não estivesse amarrado ele mal se sustentaria contra a cadeira, erguia a cabeça com extrema dificuldade, sua atenção estava em Felicity que o encarava com tristeza e pânico.

– Por que ele é sua prioridade. – Respondi dando de ombros. – Acredito que você seja um homem de palavra, um psicopata na maioria do tempo, mas não promete algo não vá realmente fazer e combinamos uma troca, libere o garoto. – Exigi. Ele riu, uma risada fria e sarcástica.

– Eu sou um homem de palavra Sr. Queen. – Seu braço nunca mudou de posição, sempre manteve a arma em minha direção. – Você pode perguntar a Megan... Desculpe, se eu não me engano você gosta de chama-la de Felicity. Um nome alegre, invoca esperança, Megan sempre foi mais adequado para mim. – Apontou para o outro homem que havia ficado e se mantinha atrás de mim. – Eu vou liberar o tão estimado Roy, honestamente eu não entendo por que tanto sacrifícios por alguém como ele, eu já teria deixado com que ele arcasse com todos os seus problemas sozinho, mas se assim é desejado, eu farei a troca, não sou o monstro que eu tenho certeza Megan pintou, eu sou capaz de ter compaixão Sr. Queen. – Não retruquei, não era necessário que eu usasse mais do que um olhar para demostrar o quanto eu acreditava no que dizia. — Então liberarei o irmão, assim que me certificar que você não preparou nenhuma surpresinha para mim. – Voltou a olhar por sobre meu ombro. – Revista-o. – Ordenou.

Não demorou e fez com urgência o que lhe havia mandado, optei por voltar minha atenção para Felicity que desviou seus olhos de Roy para mim, eu podia sentir a súplica em seu olhar, o que ela queria que eu fizesse... Eu jamais poderia fazer, ela queria que eu levasse Roy em segurança e fosse junto, mas eu jamais poderia deixa-la para trás, nunca. Quando se deu por satisfeito parou ao meu lado e acenou afirmativamente para Ivo, que lhe ordenou com outro aceno que se retirasse. Mais tranquilo Ivo assumiu uma postura mais cômoda e deu a volta ao sofá sentando-se como se aceitasse a um convite para o chá, a arma pendia em sua mão com displicência, mas eu não era tolo ao ponto de imaginar que estava com a guarda baixa.

– Você pode solta-lo, Sr. Queen. – Murmurou com calma. – E leva-lo até apenas o corredor, feche a porta atrás de si e deixe que o garoto faça algo digno e rasteje por si só até estar seguro, ou até para isso precisará de sua irmã para ajuda-lo? – Encarou Roy que engoliu em seco, estava claro que Ivo queria humilha-lo, Ivo queria deixa-lo impotente, com raiva de si mesmo. – O que acha rapaz? Precisa de sua irmã para guia-lo pela mão?

– Eu não preciso que fique em meu lugar. – Roy respondeu com esforço. – Liberte Felicity. – Felicity estava estranhamente calada, era como se soubesse que qualquer coisa que dissesse só pioraria tudo.

– Ela nunca esteve nos planos. – Ivo negou com um meneio de cabeça e um sorriso, então voltou a me encarar. – O que está esperando Sr. Queen? – Não respondi, caminhei com calma até Roy e me apressei à solta-lo, eu podia ver que desejava protestar, mas algo fez com que se mantivesse calado, eu podia imaginar um olhar de advertência vindo de Felicity, quando esteve livre tentou ergue-se por si só, mas estava claro que Ivo havia o agredido demais, que sofria dolorosamente, mais do que queria demonstrar, o apoiei em ombro e lançando um olhar atento a Ivo lhe dei as costas, não era confiança, apenas sabia que Ivo tinha planos antes de me matar, agora era muito cedo para ele.

– John Diggle. – Sussurrei em tom baixo para Roy, ele me encarou com olhos confusos antes da porta ser fechada a poucos centímetros de seu rosto.

– Agora... – Ivo ergueu a voz e apontou para a cadeira em que Roy estava antes. – Você poderá me dizer como passou por meus homens.

POV TOMMY

Encarei o celular em busca de novas informações, mas ele seguia sem nenhuma mensagem ou ligação desde o momento em que Felicity, Ollie e seu segurança John Diggle saíram. Eu sabia que Felicity havia saído sozinha do prédio por precaução, tinha visto a despedida do casal e desejado que jamais me visse diante uma situação como aquela, Ollie me explicou em poucas palavras o que estava acontecendo e pude sentir a angústia, o medo de que algo acontecesse com Felicity em seu timbre de voz, sua expressão, em cada gesto seu. Se eu tinha alguma dúvida dos sentimentos de Ollie por sua garota, agora não havia nenhuma dúvida de que ele era completamente louco e apaixonado por Felicity Smoak.

– Nada? – Sara perguntou sentando no braço do sofá em que eu estava, eu estava morto de preocupação com os dois, queria participar mais de perto do quer que seja que eles estivessem planejando, mas nenhum deles queriam mais um envolvido, por Felicity sequer Oliver e Diggle se aproximariam de Ivo. Meneei a cabeça em uma negativa para a pergunta de Sara, ela soltou um suspiro preocupado e se ocupou de acariciar meus cabelos.

– Onde está Thea? – Perguntei notando a ausência.

– Trancada em seu quarto. – Respondeu, puxei suas pernas descendo-a até meu colo. – Ela se sente culpada.

– Por quê? – Perguntei com o cenho franzindo, estava confuso.

– Parece que ela ajudou Felicity a ir embora, ela acha que isso teria evitado que Oliver fosse até ela e por consequência sugerisse que fosse até seu irmão dando a Ivo o exato local onde Roy estava. – Explicou.

– Conhecendo Ollie ele já tinha em mente levar Felicity até Roy enquanto julgasse que ambos estavam protegidos. – Dei de ombros. – Não há culpados.

– Há sim. – Me contradisse, seu semblante sério. – Ivo, ele é o culpado de tudo, temos que falar com meu pai, temos que fazê-lo acreditar.

– Seu pai não pode mover todo o corpo de polícia baseado apenas em algo que dissermos. – Suspirei. – Não há provas, poderíamos acionar a polícia agora, sim ele seria pego no ato, mas Oliver e Felicity estariam vivos no final disso tudo?

– Até ponto o que fazermos pode piorar? – Perguntou. – Agir por si só? Que garantias há que no final disso tudo eles estarão vivos?

– Sinto-me tão impotente. – Confessei. – Tudo o que pude foi enviar meus seguranças para ajudar.

– Você acha que eles conseguiram ajudar Ollie a se aproximar de Ivo antes que ele percebesse? – Perguntou-me estreitando os olhos. Apertei sua mão enquanto pensava no assunto, Diggle chamou alguns de seus amigos e levou meus seguranças consigo, eles poderiam não contar com o apoio policial, mas estavam tendo o melhor apoio tático possível.

– Sim. – Respondi finalmente. – Diggle disse que montaria uma equipe. Eu confio nele.

POV DIGGLE

Ajustei o dispositivo de escuta enquanto observava o prédio com cuidado, os seguranças estavam a postos para o momento em que Roy saísse do apartamento de sua irmã, a partir dai tudo o que eu precisava era confiar que Oliver saberia conduzir Ivo até uma confissão, a maior dificuldade era que dentro do apartamento de Felicity ele estava por conta própria, ele sequer havia levado uma escuta temendo irritar Ivo e por consequência machucar Felicity.

A princesa saiu da torre. – Franzi o cenho ao escutar a voz irritante falar em meu ouvido através da escuta. – O pobre coitado mal se mantém em pé.

– Você acabou de chamar o irmão dela de princesa? – Perguntei quando me dei conta de quem ele se referia. – Este não é um momento de piadas.

Você quer saber qual é a piada? – Perguntou em tom rabugento, seu sotaque se fazendo mais presente. – Chamar o Deadshot para atirar tranquilizantes, eu estaria rindo se não estivesse tão contrariado.

– Apenas faça seu trabalho. – Murmurei sem paciência.

Quando você fizer o seu. – Retrucou. – Que eu imaginei ser tirar o garoto do prédio. – Segurei uma resposta dura e optei para fazer como havia falado e ordenei que tirassem Roy do prédio. Quando escolhi uma equipe para proteger Oliver e Felicity, o nome Floyd Lawton foi o primeiro que veio a minha mente, por muito tempo quando eu era mais do que um mero segurança o cacei por sua incontável lista de crimes e assassinatos, o apelido “Deadshot” veio junto com sua reputação de assassino implacável, mas quando finalmente o pegamos o governo viu que ele tinha muito mais a oferecer com suas habilidades sem que fosse na prisão, o desgraçado tinha um humor irritante e assinou o acordo apenas feliz pela ironia que era deixar de ser caçado para ser algo de que precisávamos, eu o trouxe hoje por que sabia que trabalhando para o governo ou não, ele não hesitaria se tivéssemos que quebrar uma ou outra regra essa noite, na verdade ele estava ansioso por isso.

Pode me dizer por que eu não posso simplesmente entrar e tirar a loira de lá? – Perguntou. – Seria tudo mais prático. Eu faria tudo mais rápido, em menos tempo e com tempo para procurar uma de suas amigas para o fim da noite.

– Por que queremos fazer tudo certo. – Respondi. – Queremos prender Ivo, não mata-lo. – A risada veio como resposta.

Se isso fosse verdade eu não estaria aqui. – Falou. – Ivo é um filho da puta de quem ninguém sentiria falta, no fundo vocês estão torcendo para que eu seja impudente. – Queria protestar, mas ele não estava de todo errado, Oliver poderia matar Ivo com as próprias mãos, tudo o que precisava era da chance, eu não lamentava a morte de alguém como Ivo, mas não queria que meu chefe fosse para a cadeia para isso, no fundo eu sabia que mais do que uma equipe de resgate éramos uma de limpeza, alguém precisava se livrar do corpo de Ivo no final dessa noite, eu duvidava que ele teria outro fim que não fosse a morte, a questão era: Qual de nós o mataria?

Interrompi meus pensamentos com a aproximação de Roy arrastado por dois seguranças de Tommy, o rapaz me encarou assustado.

– Você é Diggle? – Perguntou incerto olhando para mim e em seguida para os outros homens, escutei o suspiro sem paciência de Lawton que permanecia em sua posição em cima de outro prédio, ele havia feito maioria do nosso trabalho apenas de lá, eu entrei junto a Oliver no prédio certificando-me de me livrar do restante, mas no andar de Felicity ele esteve sozinho, era uma boa coisa que sempre o mantive fazendo uma ou outra aula de luta, mas ele sabia o básico, não tinha nenhuma experiência, ele poderia enfrentar Ivo?

Encarei Roy que matinha seu olhar focado ao meu e assenti. O rapaz precisava de cuidados imediatamente.

– Você está salvo. – Garanti. – Leve-o até Sr. Merlyn. – Odernei para um de seus seguranças. — Ele saberá o que fazer.

– Eu não me importo comigo, eu quero saber da minha irmã. – Retrucou. – Você pode salva-la?

– Esperamos que sim. – Respondi. – Se não, você pode ter certeza que lá em cima está o único homem que não sossegará até garantir isso.

POV FELICITY

Resisti à vontade de fechar os olhos e fingir que esse não passava de um pesadelo.

Mais um.

No meu primeiro ano eu tive muitos deles, em alguns momentos eles pareciam tão reais que eu não sabia se realmente estava dormindo, mas então algumas vezes eu me dava conta de que eles eram reais, por que minha vida havia se transformado em um pesadelo, então quando tudo se repetia a noite quando eu fechava meus olhos... Tudo se fazia ainda mais assustador. Mas agora parecia ser um daqueles pesadelos em que você fecha os olhos e se esforça para acordar, mas por mais que implore, que mesmo descrente reze, eu chore desejando que termine, ainda assim quando você abrir os olhos você encontrará encarando diretamente seu monstro, sem nenhuma chance de fuga, nenhuma compaixão, nenhuma mão será estendida, não haverá misericórdia, nenhum apelo te salvará, o pior de tudo era que agora meu pesadelo não era apenas meu, meu pesadelo envolvia Oliver, e inferno se isso não fazia de tudo ainda mais assustador.

– Então Sr. Queen. – A voz de Ivo voltou a chamar minha atenção. Quando ele segurou sua arma apontada para Oliver eu havia ficado tão nervosa, eu já não podia prever os movimentos de Ivo, eu não sabia se era apenas um blefe, ou se ele atiraria, então meu coração acelerou – Não pretende responder minha pergunta? Isso é algo rude. Eu não gosto dessa atitude, Megan sabe disso, outra coisa que ela sabe é como gosto de punir. – Observei com receio Oliver ficar tenso diante sua provocação. Eu temia por ele, é claro que eu temia por mim também, mas eu se uma coisa que eu havia aprendido esses anos é que de alguma forma eu seguia em frente, machucada por dentro, sonhos destruídos, mente e alma quebrada, uma casca do que eu era, mas de alguma forma eu sobrevivia, eu não tinha certeza se conseguiria me erguer novamente se algo acontecesse com Oliver. O encarei com um apelo em meu olhar, eu precisava que se acalmasse, eu precisava de seu autocontrole como nunca precisei antes.

– O que você quer que eu diga. – Perguntou com uma pontada de rispidez enquanto sentava na cadeira que antes havia sido ocupada por Roy, justo como Ivo ordenou, mas como se esse fosse um ato natural que ele havia pensando em fazer desde o começo, Ivo não mandou que o amarrasse, seu capacho havia se retirado tão logo havia revistado Oliver, mas Ivo não voltou a chama-lo, com uma arma e Oliver desarmado ele não se sentia ameaçado. – Você acreditaria que sozinho eu me livrei de todos os seus homens que vigiavam o prédio? – Ivo não o respondeu apenas manteve seu rosto em sua habitual mascara de frieza. – Então me diga Ivo, como cheguei aqui?

– Você gosta de provocar Oliver. – Ivo sorriu cordialmente. – Posso chama-lo assim não é mesmo? Eu sinto que Megan faz com sejamos íntimos a esse ponto.

– Felicity. – Corrigiu-o.

– Como queira. – Murmurou sem perder a compostura e seu sorriso aumentou como se achasse a exigência de Oliver quanto ao meu nome algo engraçado. – Olhe para ela, você entrou aqui, todo príncipe encantado, pronto para salvar sua donzela, seguro de si mesmo diante uma arma, e altivo, mas me diga Oliver, em algum momento ela abriu a boca? Ela murmurou uma palavra que seja? Um protesto... Mesmo um sussurro? Ela chamou seu nome em timbre baixo e emocionado? – Inclinou a cabeça sabendo que no momento tinha toda a atenção de Oliver. – Não. E você sabe por quê? Por que ela está aterrorizada, ela é inteligente, sempre foi, ela sabe que um protesto e sua punição será prolongada, que qualquer coisa que diga apenas fará de tudo muito pior. Ela não é do tipo calada, ela sempre teve uma língua afiada, mas agora ela está calada, por que o medo está corroendo sua mente, não por ela, eu a preparei bem esses anos para saber que qualquer coisa que venha será humilhante, desconfortável, doloroso, mas passageiro, ela teme por você. – A conclusão veio com um cerrar de mandíbula, ele me lia muito bem, ele me conhecia, mas ele não gostava do que estava vendo. O olhar de Oliver recaiu sobre o meu ele queria me tranquilizar, dizer que tudo ficaria bem, mas ele não podia, não agora. – Você viu como seu irmão saiu daqui. Acha que aquilo era para puni-lo ou a ela? A quem você acha que irei punir devido a suas ofensas, Oliver? Você? O que doerá mais em você, te machucar, ou machuca-la?

Segurei minha respiração com a ameaça velada. O silêncio de Oliver pareceu agrada-lo, pois se moveu ainda mais confortável no sofá.

– Eu devo confessar que estava ansioso por isso. – Moveu o dedo formando um círculo abrangendo nós três. – Esse encontro. Eu tive um ou outro probleminha com os clientes e minhas putas antes, mas nada que me irritasse tanto quanto o envolvimento de vocês dois. Vamos lá, vocês precisam concordar comigo, o cliente se apaixonando pela prostituta? Parece uma versão pobre de um clássico dos anos 90, feito apenas para emocionar garotas tolas que ainda acreditam em finais felizes e no amor verdadeiro. Minha Megan nunca foi uma garota tola, ela sempre foi incrível, sempre tive fascínio por sua capacidade de erguer seu queixo petulante dia após dia não importando o quão suja estivesse. Infelizmente tudo o que fiz foi admirar sua personalidade, seu corpo apenas de longe, conte-me Oliver, ela é tão boa quanto dizem?

– Já chega. – Murmurou em tom brusco.

– Você pode me dizer, eu não tenho ciúmes daqueles que possuem seu corpo. – Riu. – Seria péssimo para os negócios, o seu erro foi querer ir além. – Encarou-me com atenção e voltou seu olhar até Oliver. – Solte-a. – Exigiu nos surpreendendo. Por um momento Oliver ficou parado imóvel, sabia que dali nada sairia de bom. – Eu disse para solta-la! – Pela primeira vez nessa noite Ivo ergueu sua voz, mostrando o quanto o seu humor estava alterado. – Por favor. – Completou em tom mais ameno voltando a erguer seu braço mirando dessa vez em mim. Ele sabia que isso faria com que Oliver movesse. Oliver não teve outra opção se não fazer como havia mandado, mesmo sem saber ao certo no que sua ordem implicaria, suas mãos foram ágeis e amáveis quando me soltou, quando me coloquei de pé sua mão segurou a minha, mas assistir qualquer contato entre nós dois não estava nos planos de Ivo. – Agora se afaste. – Oliver recuou ainda que relutante dando-me mais espaço, os olhos de Ivo acompanharam cada movimento seu e alternava entre nós dois, meu coração seguia um ritmo anormal, estava disparado e movido pelo pânico. – Megan querida, se aproxime.

– Não! – Veio o protesto de Oliver.

– Não foi um pedido Sr. Queen. – Ivo murmurou voltando sua mira para ele, encarei Oliver enquanto tremia. – Megan, venha até mim.

– Felicity. – Escutei sua súplica de Oliver seguida do tom impaciente de Ivo.

– Agora.

Obriguei meu corpo a se mover e caminhei até ficar em frente a Ivo, eu podia sentir o olhar desesperado de Oliver em minhas costas, podia sentia a tensão que havia e formado premeditando que algo de terrível iria acontecer. Eu queria apenas fugir e leva-lo comigo, ou apenas que ela pudesse ir, eu nunca quis machucar Oliver dessa maneira, nunca quis decepciona-lo, junto a Roy, ele era a última pessoa a qual eu suportaria ver o olhar de nojo.

– Ajoelhe-se. – Mais uma vez senti minha respiração ficar suspensa ao entender qual era o seu próximo movimento, o arfar de Oliver me fez perceber que ele também o havia feito, a vergonha e humilhação rapidamente me atingiu até que eu me tornasse fria.

– Felicity, não. – Oliver pediu. Não tentei encara-lo, meus olhos fixaram-se aos de Ivo que exibia um sorriso contente, como um gato que finalmente decidira parar de brincar com o pobre rato e que agora estava pronto para devora-lo. – Felicity, não faça isso.

– Sempre será sua escolha minha querida. – Ivo exibiu um sorriso que transmitia até mesmo certa simpatia. – É claro que não a obrigarei a fazer isso, você pode se ajoelhar e proporcionar ao seu amante um show do que você já fez para vários outros, ele inclusive, ou você pode optar por não fazê-lo, claro que você pode dizer não, mas você sabe tão bem quanto eu que para cada ação sua haverá uma reação para seu amante não é mesmo? Eu não serei tão bondoso quanto fui com seu irmão, eu posso afirmar que o peso dessa arma já está me cansando, e que só a soltarei depois de descarrega-la.

– Oliver. – Murmurei. Eu queria que minha voz tivesse saído firme, eu queria poder dizer que eu ergui meu queixo e mantive alguma dignidade, mas vinha voz saiu tremente e eu só havia murmurado seu nome, Ivo matinha ele na mira e eu sabia que não estava blefando, Ivo já sabia como eu agiria, sabia qual seria minha reação. – Feche seus olhos. – Pedi. Eu não queria que ele visse isso, eu não queria que essa fosse sua lembrança de mim.

– Não! Afaste-se dela! – A raiva estava presente em sua voz, junto ao pânico. – Felicity não faça isso!

– Desculpe, Oliver, mas eu não posso te perder. – Murmurei ajoelhando-me diante Ivo, seu sorriso me dava nojo, sua mão livre movendo-se até seu cinto lançou calafrios por minha espinha.

– Eu não acho que ele poderá fechar os olhos minha querida, você em ação é algo bonito de se ver, eu posso afirmar isso. – Sua nova revelação apenas fez com a náusea que eu sentia aumentasse. – Oliver é um homem poderoso não é mesmo, e como tal gosta de assistir. – Seu olhar desceu até meu, a euforia do que estava prestes a fazer dominando e nublando completamente sua mente, ao me encarar Ivo cometeu seu primeiro erro, sua atenção desviada até a mim fez com que seus olhos que antes estavam tomados pelo desejo fossem cobertos pelo choque quando o corpo de Oliver se jogou sobre o seu, recuei ainda no chão enquanto os homens se enfrentavam, em uma luta confusa, eu encarava aflita Oliver ser atingindo por Ivo, mas se recuperar rapidamente e enfrenta-lo igualmente, Oliver poderia lidar com ele se não fosse o fato de que o capanga que todo a noite esteve dentro do apartamento conosco e sob ordens de Ivo não entrasse na sala movido pelos sons que os homens faziam ao se enfrentar.

Movida pelo desespero chutei suas pernas sem, no entanto, conseguir alterar seu equilíbrio e tendo apenas o poder de irrita-lo. Com um movimento brusco e cheio de força me lançou com aborrecimento fazendo com que minha cabeça atingisse a quina mais próxima, vendo-me como um problema resolvido apressou-se a ir ao auxílio de seu chefe, minha visão embaçada fez com que fosse difícil discernir quem estava levando vantagem durante a luta, quando finalmente pude focar pude notar primeiro que Ivo se erguia do chão enquanto Oliver era arrastado por seu brutamonte e em segundo meus olhos moveram-se até a arma de Ivo, não em sua mão como esteve até momentos antes do ataque de Oliver, mas no chão a poucos metros de onde eu estava, precisou apenas ver a faca ser erguida pelo punho do homem que segurava Oliver para me impulsionar com velocidade extraordinária até a arma e no momento que a alcancei pega-la desajeitadamente fazendo com que se disparasse e atingisse o teto.

O tirou chamou a atenção dos três homens, ainda segurando Oliver pelo pescoço e mantendo uma faca contra ele o capanga de Ivo assumiu uma postura defensiva. Ivo me encarou incrédulo enquanto observava eu ergue a arma até mantê-lo como mira.

– Você não quer brincar com isso minha querida. – Alertou-me.

– Solte-o. – Exigi. – Mande que o liberte agora!

– Entenda como as coisas são. – Murmurou com calma e erguendo uma mão apontando para Oliver. – Eu tenho seu amante com uma faca em seu pescoço, apenas uma ordem minha, e ele estará morto. Não é você que dá as ordens.

– Entenda como as coisas são. – Repeti sua frase. – Eu tenho uma arma mirando em sua direção, basta um arranhão no pescoço do meu amante e você não viverá para comemorar.

– O que você acha que acontecerá após minha suposta morte? – Ergueu uma sobrancelha. – Acha que você viverá para comemorar?

– Talvez não eu, eu não me importo, mas muitas outras o farão por mim. – Respondi. – Não pense que conversar comigo está tirando minha atenção Ivo, recue. – Murmurei quando deu um passo se aproximando. Ele parou assentindo.

– Está bem. – Concordou. – Solte-o. – Ordenou para o homem que sustentava Oliver, ele pareceu querer questionar sua ordem, mas um olhar de advertência de Ivo o impediu. Relutante ele soltou Oliver que se afastou apenas alguns passos, como se estivesse incerto sobre minha própria atitude e não querendo dar espaço para que ele pudesse agir e surpreende-lo.

– Felicity?- Chamou meu nome aflito.

– Seu amante está livre Megan, você já pode baixar essa arma. – Ivo murmurou.

– É Felicity. – Falei em tom duro. – A porra do meu nome é Felicity.

– Você já tem o que quer, você pode ir. – Falou em tom duro, eu queria fazer isso, parte minha sabia que Ivo estava recuando hoje apenas para lutar amanhã, apesar disso eu queria apenas ir embora, mas todo o meu corpo estava rígido, eu não conseguia me mover, minha atenção agora estava totalmente em Ivo, o ódio começado a borbulhar em meu sangue e substituindo o pânico, pela primeira vez eu tinha a oportunidade que dezenas de pessoa desejavam ter, alguns não sabiam que era Ivo a quem culpar por seu sofrimento, mas eu sabia, eu sempre tive o seu rosto para memorizar junto ao seu nome, eu sempre soube quem ele era e as coisas que fazia, e agora eu estava como nunca estive antes tentada, pela primeira vez eu me via diante o desejo incontrolável de mata-lo.

Sua atenção logo se fixou a minha mão que segurava a arma, a única parte do meu corpo que me traia, eu estava tremendo e ele havia notado. Um pequeno sorriso se fez presente em seus lábios após constar minha fraqueza, julgava estar ganhando terreno novamente.

– Pare. – Ordenei quando o observei voltar a se aproximar ainda que hesitante, mas com confiança renovada.

– Vamos ser realistas... Felicity. – Murmurou ainda com seu pequeno sorriso. – Você nunca disparou na vida, mesmo que atire, algo de que eu duvide muito, as chances de me atingir são mínimas...

– Se você quer lutar contras às chances, é sua vida. – Retruquei.

– Não o escute Felicity. – Oliver pediu.

– ... E ainda assim você não vai atirar em mim. – Falou confiante nos ignorando. – Seu precioso Roy já está a salvo, Oliver, seu amor, não corre mais nenhum perigo. Você age em defesa de alguém, você é incapaz de agir por si mesma, você protege aos outros, nunca se protege, com todos o que ama a salvo quem restou para defender? – Notar seu sorriso se abrir ainda mais me irritou. Irritou-me por que estava certo, eu não era capaz de mata-lo pelas coisas que fez por mim, eu sempre fui a garota que busca proteger aos que ama, sempre fui em defesa de outros, na minha história eu sempre fui minha heroína e vilã. Ciente de que o que dizia estava me abalando Ivo voltou a lançar sua pergunta, certo de que bastava ela para fazer-me sucumbir. — Por quem você atiraria? – Murmurou fazendo com que uma nova onda de ódio me atingisse e tudo o que eu visse fosse vermelho.

Vermelho intenso.

Puro vermelho escarlate.

Vermelho que ainda me assustava a noite quando eu fechava os olhos.

Vermelho sangue.

Sangue por todo lugar, deslizando pelo frio piso de um banheiro.

Vermelho que lembrava morte.

Vermelho que lembrava ela.

– Por Helena. – Murmurei antes de escutar o eco de um segundo tiro ressoar pelo apartamento.

Notas finais
Prontinho. Espero que tenham gostado e fico no aguardo de vocês nos comentários, Xoxo LelahBallu.