Notas iniciais
Olá meus queridos!! Eu estou desmaiando de sono aqui e preciso acordar muito cedo para viajar, então não posso conversar muito, estou postando agora por que não queria deixa-los esperando muito... Então espero que gostem!

Observei todo o corpo de Oliver imediatamente ficar rígido com o que eu disse. Antes eu não saberia dizer ao certo o que se passava em sua mente, não reconheceria o medo presente em sua expressão, não leria tão bem a fúria por trás dos olhos, pensaria que era dirigida a mim, antes sequer sabia que cada reação em Oliver era movida apenas pelo o intuito de me proteger.

Minha mente tinha entrando em choque quando atendi ao celular e quando escutei a voz de Ivo e não a de Roy. Eu escutei o cumprimento em tom gélido tão presente em sua voz, era interessante como uma pessoa tão fria poderia inclusive colocar certo deboche ao falar e mais ainda demonstrar sua elegância, cordialidade até mesmo nas ameaças. Ele não fez rodeios, foi direto e logo falou que estava com Roy, com seu ar zombeteiro perguntou o quanto eu demoraria ainda para me juntar a pequena festa que ele estava dando, disse que eu não poderia faltar, não quando tínhamos um convidado de honra e seria completamente rude da minha parte, eu podia escutar os protestos de Roy, eu podia ouvi-lo gritar que eu não fosse em seu socorro, mas que outra coisa eu poderia fazer? Deixa-lo nas mãos daquele psicopata? O que eu supostamente deveria fazer?

Voltei a encarar Oliver tentando por em ordem meus pensamentos. Suas mãos que haviam segurado as minhas com intenção de me tranquilizar agora emitiam um forte aperto de forma completamente inconsciente.

– Oliver. – Murmurei puxando minhas mãos e o despertando.

– Você não vai até aquele verme. – Falou sua expressão mudando para pura determinação, seu tom era duro, eu poderia ver que convencê-lo seria uma batalha, mas a possibilidade de perder essa batalha sequer poderia existir. – Sem chances disso acontecer, Felicity.

– Oliver, ele está com Roy. – Murmurei em tom desesperado e tentando a todo custo fazê-lo entender. – Ele está com meu irmão, eu não posso apenas ignorar. Tudo o que peço é que pense em Thea, eu sei que você iria até o inferno para mantê-la segura.

– O que é outra coisa se não o inferno que a espera se for? – Murmurou, soava quase desesperado. – Eu não vou deixar que vá. Não apenas por mim, não apenas para mantê-la por perto, para mim, mas por que eu quero te proteger, eu não pude fazê-lo antes, e eu juro por Deus que não deixarei isso acontecer agora.

– Oliver...

– Não. – Balançou a cabeça fortemente. – Peça-me qualquer coisa, eu farei por você, mas você não irá até ele. – Suas mãos alcançaram meu rosto aproximando de si. – Não pode ser sequer considerado, entendeu?

– É Roy.

– É você! – Murmurou erguendo a voz e me surpreendendo com a força presente nela. – É você. – Repetiu então seus olhos suavizaram-se. — Como você tem certeza? Que ele está com Roy. Como você pode ter tanta certeza? Pode ser apenas uma emboscada. – Perguntou tentando se agarrar a qualquer coisa.

– Por que eu o escutei. – Argumentei. – Eu escutei os gritos dele, os gritos do meu irmão. – A mera lembrança me fez voltar ao fato de que Ivo o tinha e que quanto mais demorávamos, mas sua mente perversa trabalhava em quebrar o tédio e a coisa mais próxima que ele tinha era Roy.

– Eu não estou falando de ignorar. – Murmurou soando quase tão desesperado quanto eu. – Eu sei do que Ivo é capaz, mas trata-se de pensar com cautela, de criar um plano. De agirmos com prudência. – Explicou. – Você não pode simplesmente ir ao seu encontro, não podemos apenas dar a Ivo o que ele quer, e ele quer você, não Roy.

– Cada momento que passamos aqui argumentando, pensando em uma saída alternativa... Roy corre perigo. Eu não posso permitir isso, Oliver eu acabei de enterrar uma amiga, eu não quero, eu não consigo enterrar um irmão também.

– Sr. Queen. – A voz quebrou nosso contato, Oliver se afastou e girei minha cabeça imitando o próprio Oliver que encarou Diggle que havia o chamado. – Algo está errado?

– Ivo sequestrou Roy. – Oliver murmurou indo direto ao assunto. – Ligue para seu contato em Coast City e descubra como isso aconteceu, era para ele está protegido 24 horas, eu quero nomes. – Exigiu.

– Sim, senhor. – Diggle assentiu se afastando.

– Você tinha pessoas o protegendo. – Murmurei confusa e admirada.

– Ele é importante para você. – Deu de ombros parecendo estar mais calmo após a entrada de Diggle. – É como eu disse, precisamos agir com cautela.

– E o que nós fazemos? – Perguntei sem achar uma saída. Ele respirou fundo, então percebi que ainda estava tão perdido quanto eu, suas mãos me puxaram para si em vez de me responder, seus braços me envolveram e me deixei me perder por uns instantes no conforto dos seus braços.

– Vamos encontrar outro jeito. – Murmurou contra minha cabeça. – Conversaremos com Diggle e ele nos guiará, ele sabe lidar com esse tipo de situação.

– Essa é a típica situação em que não podemos contar com a polícia. – Murmurei, eu queria soar positiva, mas eu não conseguia no momento, eu conhecia a personalidade de Ivo, ele era um jogador, ele manipulava e imaginava os passos que viriam a seguir, éramos marionetes. – Não podemos fazer nada que faça com que Ivo reaja e desconte em Roy.

– Eu sei. – Concordou. – Eu tenho certeza que Diggle encontrará uma maneira de chegarmos até Ivo sem que envolva você está próxima dele. – Murmurou. Continuamos apenas mais alguns segundos envolvidos em nosso abraço, eu me recusava a derramar lágrimas, eu não poderia deixar o desespero me guiar agora, eu temia um novo encontro com Ivo, mas se isso fosse acontecer eu lhe não daria a garota chorona que ele sempre esperava que eu fosse, assim como Ivo eu tinha minha própria máscara, depois de conhecer Oliver, de conviver, de me entregar a ele, eu pensei que jamais colocaria a máscara novamente, uma das razões que me guiava a nunca ter esperanças antes, a nunca sonhar com o príncipe no cavalo branco era o medo da decepção, medo de tudo dar errado, e veja onde eu estava agora. Eu estava nos braços do meu príncipe, mas havia levado uma bela queda do cavalo branco.

A volta de Diggle fez com que mais uma vez nos separássemos, mas dessa vez a mão de Oliver permaneceu em minhas costas, servindo-me como apoio. Em poucas palavras ele falou que não havia conseguido entrar em contato com nenhum de seus homens, ele pediu que eu repetisse as palavras de Ivo e observei suas sobrancelhas juntarem-se, eu podia escutar as engrenagens movendo-se em sua mente, podia perceber que algo estava se formando e pude sentir a explosão de Oliver quando ele murmurou:

– Eu acho que devemos dar a Ivo exatamente o que ele quer.

[...]

Subi o último degrau com a sensação sufocante de estar sendo vigiada, mas mais do que a sensação eu sabia que estava sendo. Eu podia sentir vários olhares em minhas costas desde o momento que entrei no prédio e subi cada degrau, eu sabia que Ivo estava se precavendo, ele seria um estúpido se não fizesse, e Ivo podia ser considerado muitas coisas, exceto estúpido. Parei em frente à porta e deslizei minha mão sobre a madeira fria, eu podia ver a ironia em cada gesto seu, ele estava em meu antigo apartamento, quando voltei a ligar para o número de Roy e ele atendeu não demorou em dizer onde estava, lembrou-me que odiava pegadinhas e que eu já havia o decepcionado o bastante, que tudo o que esperava de mim era honestidade a partir de agora.

Encarei a madeira descascada e respirei fundo, estava na hora da máscara, estava na hora de virar Megan mais uma vez, eu odiava ter que fazer isso. Estar com Oliver significava finalmente voltar a ser Felicity, mas não seria mais assim. Eu havia deixado Felicity com Oliver. Quando empurrei a porta que estava entreaberta meu olhar caiu sobre a figura masculina sentada confortavelmente em meu sofá, um copo em sua mão, de alguma forma minha mente assimilou que o copo era caro, definitivamente não me pertencia. Ivo encarou-me avaliando e ergui meu queixo não me deixando abalar, eu estava consumida em desespero por dentro, tudo gritava para eu vasculhar cada lugar do pequeno apartamento em busca de Roy, não levaria muito tempo, mas eu não ganharia muito espaço antes de ser capturada então tudo o que eu podia fazer era inclinar minha cabeça e erguer uma sobrancelha insolente.

– Confortável? – Perguntei apenas para trabalhar minha voz, Ivo veria o silêncio como sinal de medo.

– Não tanto quanto gostaria. – Retrucou. – Precisa fazer algumas melhorias minha querida.

– Vamos fingir um pouco de cortesia e falarmos sobre mobília? – Murmurei ainda mantendo ar indiferente. – Vai me oferecer um pouco de bebida também? Talvez delicadamente sugira que me sente, sempre buscando meu conforto, é claro.

– É claro. – Assentiu como se levasse em consideração minhas palavras. – Eu ofereceria uma bebida, mas ambos sabemos que recusaria, eu soube que não gosta de se sentir vulnerável. Mas não vai declinar ao meu pedido para que se sente não é mesmo? Eu sempre estive preocupado com seu conforto minha querida e mesmo daqui eu posso ver suas mãos tremer, posso notar sua palidez e a ausência de cor em seus lábios, se eu pudesse arriscar um palpite, eu diria que mesmo tentando ser a mulher forte e provocativa você está muito perto de desmaiar. – Seu sorriso veio vitorioso e cheio de si, ele sabia que estava certo, que eu estava em meu maldito limite, que estava dominada pelo medo. A quem eu poderia enganar? Não a ele. – Mas eu tenho que assumir, você é o inferno de uma boa atriz.

– Onde está Roy? – Perguntei sem tomar um segundo sequer argumentando sobre o que havia dito. – Onde está meu irmão?

– Assim está melhor. – Murmurou seguro de si levando a bebida aos lábios. – Eu falei que seria melhor sermos honestos um com o outro não é mesmo? – Senti seus olhos viajarem por meu corpo e segurei a ânsia ao ler o desejo vil presente neles. – Eu me lembro de ter pedido que sentasse. – Falou em tom imperativo. – Não vai fazer como eu desejo?

– Eu acredito que se as coisas acontecem apenas pelo fato de alguém desejar algo... – Murmurei atraindo sua atenção. – Você já estaria morto.

– Sim. – Assentiu. – Exceto que palavras não tendem a ser fatais, armas sim, mas se você quiser um claro exemplo do poder de fogo de uma arma tudo o que eu preciso fazer é ordenar. – Seu tom mostrava que sua paciência estava se esgotando. – Então terei uma bala indo de encontro ao cérebro viciado do tão estimado Roy, agora... Eu acho que pedi que se sentasse.

Engoli em seco ao escutar sua ameaça e assim como exigiu avancei até a poltrona posicionada ao lado do sofá, esta era nova, não se parecia nem um pouco com a que a velha que eu tinha, que merda Ivo andou fazendo nos últimos dias? Criando o cativeiro perfeito?

– Está percebendo como funciona? – Perguntou se erguendo e colocando seu copo cuidadosamente em cima do pequeno círculo que protegia o vidro da pequena mesinha de centro de possíveis manchas, mais algo novo, parou em minha frente seu corpo inclinando-se enquanto apoiava uma mão em um dos braços, recuei o máximo possível contra o estofado enquanto encarava seus olhos frios. – Eu mando. Você obedece. E logo em seguida é recompensada.

– Eu sugiro que adestre um cão. – Murmurei antes que pudesse me conter, eu o odiava, eu estava aflita por Roy, mas isso não me impedia de me sentir furiosa com tudo que vinha acontecendo, por mais uma vez estar nesse maldito apartamento, por estar a mercê dele. Ele soltou um riso irônico, mas logo sua expressão voltou a se fechar.

– Eu não preciso de um cão, eu tenho você. – Retrucou. – Sempre funcionou antes, você apenas precisa se lembrar de quem está do outro lado segurando sua guia. – Trinquei os dentes e mordi uma resposta. Ele notou, claro que notou, mas não disse nada mais, tudo o que fez foi endireitar-se e chamar por quem estivesse por perto, seu lacaio apareceu rápido, ansioso por atender seu pedido, trouxe uma poltrona igual a minha e colocou exatamente em minha frente, franzi o cenho cada vez mais confusa, seu olhar recaiu sobre mim.

– Você deve ter notado que tomei um pouco de liberdade. – Voltou a pegar seu copo e bebericar. – Eu odiei sua decoração, mandei reformar algumas coisas, e troquei sua antiga poltrona, claro no momento em que parei em frente notei o desiquilíbrio em ter apenas uma poltrona, então rapidamente trouxe outra, eu odeio que as coisas não estejam em equilíbrio, que estejam fora do lugar, além do mais onde mais seu irmão sentaria? – Perguntou, mas sua pergunta não era para mim, não era para alguém em especial, mas no momento em que ele falou o mesmo homem que havia trazido a cadeira veio arrastando Roy consigo, ergui-me rapidamente antes de sentir mãos fechando-se em meus ombros e puxando-me contra o encosto da cadeira, lutei com elas, nãos sabia de quem era e de onde haviam surgido, não poderiam ser de Ivo que encarava meu desespero com fascínio, mas ainda parando entre o sofá e a mesa de centro, meus olhos encaravam Roy que me devolvia o olhar com desespero, tentava gritar, mas haviam o amordaçado, tentei me a todo custo alcança-lo, mas logo senti minhas mãos sendo atadas a cadeira. Ivo esperou que eu me acalmasse, eu havia gritado, mas logo minha boca havia sido tampada, movi-me inquieta até que percebi o quanto ele estava se divertindo, convenci-me a me tranquilizar e rezei para que ao fazê-lo Roy também se acalmasse, mas ele parecia completamente dominado pela aflição, implorei com o olhar até que ele finalmente se acalmou, a mão que cobria minha boca logo se retirou confiando em minha aparente calma. Os homens que haviam surgido desapareceram tão rápido quanto vieram.

– Apenas um olhar. – A voz admirada de Ivo dominou o recinto. – Tudo o que precisou foi apenas um olhar, eu tenho que confessar eu estou totalmente fascinado com a relação de você dois, é óbvio que qualquer um dos dois daria a vida pelo outro, mas ainda assim você ousou dar-me as costas e arriscar a vida do seu precioso irmão. –Murmurou encarnando-me diretamente. – O que faz com meu fascínio alterne agora para sua relação com o Queen, como pôde ter ido tão longe? Você costumava me temer Megan. O que aconteceu? Conheceu seu herói? Eu me lembro de uma conversa onde havia me dito que não acreditava em contos de fadas, você mentiu para mim?

– Deixe-o ir. – Murmurei ignorando sua pergunta. – Eu não preciso usar muito de minha inteligência, eu sei o que você quer, eu estou disposta a ficar, a fazer como desejar, você não precisa mais mantê-lo aqui.

– Eu não vejo assim. – Negou se sentando no sofá e apontou para Roy. – Precisa me desculpar pela mordaça, mas eu acho gritos algo completamente irritante e desnecessário. Nunca entendi a necessidade deles uma vez que ninguém virá ao seu socorro. – Murmurou olhando para Roy e voltou a me encarar. – Você cometeu um erro, vários na verdade, a única maneira de ensinar a alguém que errou e que não deve repetir o erro é punindo-o, eu já deixei seu irmão livre uma vez, esse foi meu erro, você me mostrou que foi um erro quando mesmo mantendo seu irmão salvo você fugiu, acredito que essa inclusive foi minha punição. – Explicou. – Então não vou mais repeti-lo. Agora você errou, você fugiu, então dessa vez eu preciso puni-la.

– A mim. – Murmurei sem me alterar. – Punir a mim, Roy não precisa estar aqui.

– Mais uma vez você está errada minha querida. – Fingiu paciência. – Roy é sua punição.

– E Helena? – Perguntei deixando a raiva se mesclar ao medo e desespero. – O que ela foi?

– Um passatempo. – Deu de ombros. – Um lembrete. – Fingiu pensar antes de continuar. — Um meio para um fim.

– Você é doente. – Murmurei entredentes.

– Alguns não chamariam assim, certamente eu não. – Murmurou.

– Você é louco. – Continuei. – Um psicopata.

– Não deveria estar reunindo sua energia para implorar pela vida dele? – Apontou um dedo para Roy parecendo genuinamente confuso. – Realmente quer perder tempo me ofendendo, olhe para ele. – Sugeriu com coleguismo. – O pobre coitado parece que vai mijar nas calças. Vamos Megan, faça-me um favor, deixe-me escuta-la implorando. – Reuni meu ar enquanto escutava os protestos abafados de Roy. Ivo o encarou com impaciência. – Eu juro que não entendo como você trocaria sua vida por ele. Tão irritante. – Ergueu-se e se aproximando de Roy.

– Afaste-se. – Murmurei ao mesmo tempo em que sua mão alcançava a mandíbula de Roy a apertando. – Ivo.

– Patético. – Murmurou observando Roy. – Disse que faria tudo o que eu quisesse, como se fosse uma escolha, por quatro anos foi sua escolha, não mais, talvez eu faça aqui, em sua frente, há esse ponto o garotinho sabe que a irmã é uma puta. – Sorriu. — Eu me diverti um pouco enquanto você não chegava, contei algumas boas histórias sobre você. – Encarou-me rapidamente, me concentrei em olhar a Roy que me encarava com pesar. – Histórias que apenas ouvi... Ainda não pude prova-la, infelizmente, estava tentando ser um cavalheiro, mas posso fazer em sua frente. – Voltou a encarar Roy. – Assim eu não preciso apenas dizer o quanto sua irmã é boa no que faz, ele poderá ver. Soa encantador não acha? — Perguntou me encarando. — Eu mencionei o quanto ela me rendeu durante esses anos? – Perguntou a Roy. – Eu mencionei quantos clientes por noite? Mencionei o fato de que ela é uma das preferidas? Certamente por fazer tudo o que lhe é mandado. Ela não é incrível?

– Por quê? – Perguntei finalmente cedendo ao desespero e procurando algo para distrai-lo, eu precisava fazê-lo. – Por que levar isso tão longe? Por que tanto interesse em uma garota qualquer do Glades? Não faz sentindo. – Ivo voltou-se para mim, sua mão largando o rosto de Roy, por um momento tudo o que fez foi me analisar com atenção.

– “Ir tão longe”. – Repetiu como se saboreasse as palavras em sua boca. – Acredito que já percebeu que sou um homem muito paciente, quando você falar em ir tão longe me remete aos anos em que a possuo. – Quis negar, quis gritar que eu não era dele, não era um objeto seu, mas me mantive quieta apenas com o intuito de deixa-lo falando, qualquer coisa que tirasse sua atenção de Roy. – Você se lembra da primeira vez em que nos conhecemos? – Perguntou como um velho amigo. – Eu não estou me referindo quando veio até a mim pedindo para que esquecesse a dívida de seu irmão. – Sorriu ao perceber que eu havia me esticado a fazer referência ao mesmo dia em fui disputada. – Claro que não. – Continuou. – Eu me refiro a primeira vez que a vi, não me admira que não tenha me visto ou que se lembre, você estava saindo da escola, eu estava procurando alguma garota em potencial, garotas que não se importariam eu trocar um pouco de sexo por dinheiro, no Glades sempre há garotas assim, um local perdido onde predomina a desesperança, eu vi várias garotas, saias curtas, sorrisos lascivos e que adoravam ser paqueradas, vestidas com apenas o essencial, mas então eu a vi, uma luz em meio a tanta escuridão, você sorria, parecia ansiosa para voltar para casa, cabelos brilhantes e roupas que não chamariam a atenção de um homem se ele estivesse paquerando as tais garotas, eu a vi. – Murmurou com a admiração. – Tão pura, uma flor branca no meio de tantas outras mortas, definitivamente uma luz em um local sombrio. – Eu estava sem palavras, dominada pelo pânico em saber que sua obsessão vinha de muito antes. Ele sentou-se no sofá parecido perdido em lembranças, um dedo coçando o queixo. Lancei um olhar a Roy certificando-me de seu estado mental, mas ele parecia tão perplexo quanto eu. Quando voltei meu olhar até o de Ivo sua expressão havia se transformado, era algo mais como calculista. – Você me pergunta por quê. – Murmurou. Voltou a dar de ombros como se fosse óbvio. – Para manchar o que era puro, tingir a flor branca em vermelho carmesim, tão profundo, tão forte, até que não houvesse mais nenhum traço de pureza. Eu queria quebrar seu espirito e apagar a luz que eu vi, domina-la até ceder a escuridão. – Ergueu-se voltando a ficar em minha frente, suas mãos indo até os braços da poltrona voltando a me cercar, dessa vez não recuei, ergui meu queixo negando-me a lhe dar qualquer poder. — Mostrar quem é o mais forte? Sim, talvez. Está na natureza do ser humano, quer que ele admita ou não a de subjugar o outro, mas a verdade é que a resposta para sua pergunta pode até mesmo ser muito simples. – Seu dedo alcançou meu rosto o tracejando, estava levando tudo de mim não me afastar o máximo que a cadeira permitisse. – Por quê? Basicamente por que eu quis.

– Você é bem mais doente do que eu imaginei. – Sussurrei. – E um covarde, não se trata de mostrar quem possui mais poder ou força para subjugar alguém, trata-se de aproveitar minha situação e inclina-la ao seu favor, sua mente doentia pode dizer que você é o mais forte, que você conseguiu me dominar, que eu estou quebrada. Por um momento pode ter sido assim, mas nãos mais, eu me recompus, eu não sou o lixo que você sempre quis fazer com que eu pensasse que fosse. – Sua mandíbula movimentou-se tensa, mostrando que rangia os dentes. – Você pode ter feito coisas sujas comigo, mas isso não faz de mim suja, pelo contrário. Eu posso estar aqui agora, por que eu tenho alguém por quem lutar e que lutariam por mim, quem lutaria por você Ivo? Mesmo seus homens, nos momentos que eles podem ficar sozinhos apenas com seus pensamentos... Eles desejam sua morte. Ninguém sentiria sua falta, a verdade é que o mundo seria bem melhor sem pessoas como você. Sem você.

No momento em que terminei minha frase sabia que nada estaria vindo de bom, sabia que não sairia impune por enfrenta-lo assim. Em questões de segundos ele saiu de sua posição confortável e eu senti meu pescoço deslocar com a força do tapa, todo meu rosto ardeu, a dor queimando, pude escutar os protestos de Roy enquanto matinha minha cabeça inclinada esperando sua próxima ação, eu conhecia seu jeito de agir, esse tapa veio em meio a raiva, antes que pudesse se controlar, minha punição ainda estaria vindo, de forma mais orquestrada, a raiva, a humilhação começou a borbulhar dentro de mim, isso era o que eu queria esconder de Roy, e agora ele estava presenciando.

– Desculpe. – Escutei o tom suave de sua voz pedir ao mesmo tempo em que seus dedos tocaram meu rosto, agia como se essa fosse a primeira vez que havia me agredido. – Não era assim que eu havia planejado seu castigo. — Ergui minha cabeça para encontra-lo agora de costas e voltando sua atenção para Roy. Abafei um grito quando dessa vez atingiu Roy com um soco. – Essa. – Murmurou ofegante apoiando-se a cadeira de Roy. – É a maneira como pensei. Para cada ato que cometeu, seu irmão irá sofrer uma pequena pena, não atingirei seu rosto, tenho planos para alguém com um rosto assim, como você bem sabe.

– Pare. – Gritei quando Roy se encolheu mais uma vez ao sentir um novo soco chegar. – Deixe-o em paz!

– Eu estou apenas começando, minha querida. – Sorriu friamente antes de voltar a atacar Roy.

POV IVO

Observei o garoto se encolher de dor ao quando o agredi novamente, Megan não mais gritava para que parasse, ela era rápida em perceber as coisas, sempre foi, e logo percebeu que seus gritos me estimulavam. Eu tinha planos para os irmãos, eu tive há quatro anos, mas cedi aos apelos femininos e o liberei, eu poderia ter a enganado, ter obrigado ela a se prostituir e em seguida fazer o mesmo com seu irmão, o grande senso de proteção que um tinha pelo outro sempre seria minha moeda de maior valor, mas deixei-o livre esperando assim de alguma forma ganhar sua confiança e fazer com que viesse até a mim, eu queria que se sentisse atraída pelo mundo de escuridão em que vivíamos, mas a única vez que veio até a mim foi no dia em que barganhou por Roy. Eu não poderia deixar de aproveitar a oportunidade de ganhar dinheiro em cima de uma virgem, então não a toquei, esse foi meu primeiro erro.

Meu segundo erro foi ter deixado que sentisse uma falsa liberdade, deveria tê-la restringindo mais, ela não deveria ter tido um emprego, uma amiga, um apartamento seu. E por fim jamais deveria ter deixado que continuasse vendo ao Queen, tão logo tinha percebido que os dois estavam fazendo mais do que foder, quando percebi que ela estava se importando com ele... Eu deveria ter agido de forma mais agressiva, meu lado racional afirmava que mata-lo não seria simples como com Helena e qualquer outra alma esquecida do Glades, nunca descansariam até encontrar um culpado, pessoas ricas nãos são esquecidas em suas mortes, pelo contrário, é na morte que mais são lembradas, elas nãos viram números, mas o lado mais imprudente de mim recriava um novo plano sempre que pensava nele, mesmo que fosse apenas em seu nome, o que eu não daria para me livrar daquele bastardo. Agora eu estava apreciando a arte da vingança, de escutar a voz feminina pedir, implorar para que eu acabasse logo com isso, ela ainda não estava implorando, mas eu podia sentir que estava quase lá, eu podia sentir que seu ponto de ruptura estava quase sendo alcançado.

Interrompi o curso do meu soco ao escutar o som do toque do celular. A encarei com um sorriso enquanto ela me devolvia o olhar com óbvia confusão, ela não esperava que fossemos interrompidos por uma ligação, mesmo que já soubesse o que estava por vir.

– Eu posso perceber que isso a confunde. – Murmurei abrindo e fechando minha mão, quantos socos eu havia dado? Mais do que eu poderia me lembrar. – Por que manter o celular do seu irmão ligado, estando sujeito a ser rastreado. – Murmurei. – Mas não faz muito sentindo me esconder quando sei muito bem que você contou ao seu amante que estaríamos aqui. Oh sim, claro que eu sei que é ele mesmo sem chegar perto do celular, estou dando um pouco de tempo para que ele se perca em sua própria mente imaginado o que eu estou fazendo, o que me mantem ocupado. – Sentei-me. – Você não acha que isso me surpreende não é mesmo?

– Por que deveria? – Perguntou sem parecer realmente querer escutar minha resposta. – Eu fugi de Oliver, com a ajuda de um amigo.

– Não seja tola. – Desmereci sua mentira. – O homem é louco por você, você já tentou “fugir” dele e ele a alcançou antes que pudesse sair da cidade, eu sei disso por que eu estava pronto para chegar até você quando ele apareceu, Oliver Queen sempre está sabotando meus planos. Se você está aqui é por que ele concorda, por que ele acredita que pode mudar isso, e que está tão certo disso que arriscou nada mais do que sua vida para isso. Eu já esperava por esse movimento, esperava que entrasse em contato comigo, que a usasse para me distrair, mas me diga uma coisa. – Pedi a encarando duramente. – Você realmente acha que se não a toquei até agora foi por que me instigou a conversar? Por que me distraiu acreditando estar tomando tempo para que ele venha intervir por você? – Sua boca se abriu, mas nenhuma resposta saiu. – Quando eu disse que faria com visse, não estava me referindo apenas a Roy, estou aguardando nosso outro convidado, seu salvador. – Voltei a encarar o celular em cima da mesa de centro. – Acho que o deixei esperando o bastante não é mesmo?

– Você vai se arrepender disso. – Prometeu.

– Eu não posso imaginar isso acontecendo. – Falei antes de alcançar o celular e levar a minha orelha. – Sr. Queen, é uma honra. – Murmurei cordialmente. – Devo confessar que demorou mais do que eu previ.

Eu não costumo ter pressa em negociar com criminosos. – Retrucou.

– Mesmo pela mulher que supostamente ama? – Perguntei. – Qual é sua oferta Sr. Queen, tentará pagar sua dívida? Irá apelar pelo meu lado humano? Irá se oferecer em seu lugar? Eu tenho quase certeza que será isso. Vamos, não me decepcione escolhendo outra opção, eu adoro está certo.

Eu não estou aqui por Felicity. – Murmurou me surpreendendo, seu tom era o mesmo de um negociador querendo avaliar e diminuir preços da mercadoria desejada.

– Não? – Perguntei. – Você realmente está tentando me decepcionar Sr. Queen, então me diga, o que você deseja?

Eu quero barganhar pelo garoto. – Continuou sem se alterar. – Liberte-o. – Ordenou.

– E o que exatamente eu ganharia em troca? – Fingi interesse.

A mim. – Respondeu. – Proponho uma troca, você o libera e eu assumo seu lugar.–Encarei Megan ao escutar sua proposta, ela parecia aflita por seu amante, escutava apenas um lado da conversa e claramente estava confusa. – Temos um acordo Ivo?

– Essa sua mania de herói ainda fará com que termine com uma bala alojada em sua cabeça. – Murmurei friamente, a raiva de não estar certo me consumindo. Eu não gostava de não ser capaz de premeditar o próximo passo, agia com calma, como se estivesse no controle da situação, ele não estava no controle, eu estava.

Temos um acordo? – Perguntou sem se abalar com minha ameaça.

– Por que acredita que eu aceitaria isso? Eu tenho os dois exatamente onde quero. – Murmurei decidido a não ceder.

Por que você gosta de drama. – Murmurou simplesmente. – Você gosta de ter um show, você gosta da ideia de me ver diante de si pronto para apelar por seu lado humano e liberta-la, acontece que eu sei que você não tem um lado humano, que você não irá liberta-la, então aceitará a troca por que se pergunta o que diabos eu estou tramando, você também é arrogante ao ponto de pensar que nada mudará o fato de que ela está com você, você acha que no final a vitória está ao seu favor e quer me ver perdendo. Agora eu vou perguntar apenas uma vez mais: Nós temos um acordo?

– Está bem. – Concordei tentando controlar minha fúria. – Esteja aqui em 15 minutos Sr. Queen ou pode esquecer seu maldito acordo.

Então abra a porta. – Ordenou. – Por que eu já estou aqui.

Notas finais
Eu realmente estou ansiosa para saber a opinião de vocês, então se não for pedir muito fico no aguardo dos comentários, eu espero que tenham gostado e desde já peço desculpas por qualquer erro, como quis postar o capítulo agora não pude contar com minha beta (Ela precisa dormir) e revisei sozinha agora, morta de sono, então não tenho certeza se não deixei algo passar, mais uma vez espero que tenham gostado, e desde já lembro que faltam apenas mais dois capítulos fora o epílogo.... Xoxo LelahBallu