Felicity's Secrets
21 Capítulo 20
Notas iniciais
POV FELICITY
Observei o rosto de Roy passar por várias transformações em questão de poucos segundos, recuei um passo imaginando as coisas que estavam passando em sua mente agora, todas horríveis. Eu não podia ver julgamento em seus olhos, eu não conseguiria ver decepção, eu não seria mais sua Lis, daqui a diante ele não me veria como antes, e isso me matava.
– Roy. – Murmurei hesitante. Ele estava estático, seu rosto, seu corpo, tudo. Seus olhos viajaram pelo meu rosto e pela segunda vez no dia encarei com pesar seus olhos encherem-se de lágrimas, ele não as derramou, não dessa vez, com uma respiração profunda seu olhar percorreu meu rosto, meneou a cabeça e desviou o olhar, que ele não pudesse me encarar dizia muito. Ele estava envergonhado, sentia vergonha pelo o que eu havia me tornado. – Roy. – Chamei-o novamente, seus olhos fecharam-se fazendo com que meu coração apertasse, ele era incapaz de olhar para mim, virou-se levando ambas as mãos a cabeça e eu dei um novo passo recuando diante sua rejeição. – Roy, eu sinto muito. Eu entendo que esteja envergonhado. Eu entendo que tenha nojo de mim.
Ao escutar minha última frase ele finalmente voltou-se, seu olhar era dominado agora por incredulidade e pura revolta.
– Eu não tenho nojo de você Lis. – Sua frase somada ao apelido que havia me dado desde criança fez com que eu o encarasse surpresa e emocionada. – Eu nunca teria nojo de você. – Murmurou em tom mais firme. – Eu tenho vergonha. – Assumiu. – Eu tenho muita vergonha de mim. Por ser a razão de você ter feito isso, e eu estou puto. – Sua voz se elevou. – Estou puto comigo por nunca ter sido capaz de protegê-la e com Ivo por ter feito isso com você e Helena. – Murmurou em tom forte. – Eu sempre soube o que ele fazia Lis, o que fez com ela, eu nunca pude fazer nada por ela, mas sempre pensei que ao menos você estava salva, eu não deveria ter me escondido atrás de você. – Sussurrou voltando a se afastar. – Eu deveria saber melhor, Deus só em pensar nas coisas que ele deve ter feito com que você passasse, só em pensar em você vivendo quatro anos de inferno por minha culpa, de imagina-lo tocando em você... Disso eu tenho nojo! Nunca de você. – Aproximei-me dele tentando toca-lo para acalma-lo, ele me lembrava Oliver agora, ele estava tremendo e parecia perto de explodir.
– Ele nunca me tocou. – Prometi envolvendo seu braço, ele me lançou um olhar triste.
– Não tente esconder essas coisas de mim Lis, eu não suportaria ouvir metade do que você passou. – Confessou. – Mas não minta para mim. Eu não mereço que você suavize as coisas, eu sei como elas são.
– Eu não estou mentindo Roy. – Murmurei procurando seus olhos com os meus, mas ele insistia em desviar. – Isso me confunde também. Roy. – Chamei-o segurando seu rosto e forçando-o a me encarar. – Vai ser assim agora? Você não vai conseguir me olhar nos olhos daqui a diante?
– Você não deveria querer me encarar. – Murmurou. – Seu namorado está certo. Cada palavra que ele disse é verdade, você deveria querer distância de mim.
– As coisas que fiz foram justamente por nunca querer isso. – Retruquei. – Você é meu irmão, eu te amo. Você fez burrada, mas fui eu que tomei a decisão de intervir, você não ficaria parado se fosse o contrário, eu sei disso. Oliver me ama, ele me protege e vem em minha defesa, ele faz exatamente o mesmo que faço com relação a você e o que você faria por mim, amar alguém é isso, é querer tomar suas dores para si.
– Você disse que ele te salvou. – Observou-me. – Como?
– Eu não pensei que poderia ser amada por alguém, e estava conformada em ter que trabalhar para Ivo para sempre ou até que ele encontrasse outra obsessão. – Encolhi-me internamente diante a ideia. — É horrível como em algumas noites eu desejava que alguma outra garota fosse seu alvo e não eu. Oliver era meu cliente, não o julgue por isso Roy. — Murmurei percebendo a forma com que se tencionou. – Ele não é nem um pouco como os outros, ele me protegeu e graças a ele eu fugi de Ivo. – Isso chamou sua atenção. – Não tenha esperanças, fugir trouxe maiores problemas, talvez não para mim, mas para os outros.
– Você também disse que a morte de Helena foi sua punição. – Lembrou-se, baixei minha cabeça e me afastei, olhei para minhas mãos me lembrando do dia em que encontrei Helena, como se eu mesma a tivesse matado. – Como pode ser isso?
– Ivo ficou furioso como fato de eu ter largado tudo. – Expliquei. – Ele vem me encurralando, para cada ação uma reação, ele atirou em Sara. – Murmurei, ele me encarou confuso. – Amiga de Oliver, você a viu no outro dia. A verdade que o tiro não para ter sido nela, mas em mim. – Seus olhos saltaram assustados. – Ele estava irritado com uma tentativa de Oliver fazer com que Ivo me deixasse livre. Falhou, ele atirou e Sara me salvou, então ficamos cada vez mais atentos a ele, Oliver descobriu quem se tratava meu cafetão... – Uma careta se se formou em seu rosto, doía dizer essas coisas a ele. – E ele visitou Sara, mais uma tentativa de me intimidar do que realmente machuca-la, suponho. A necessidade de te tirar de Central City veio pela minha fuga, eu sabia que ele não deixaria por menos, então me preocupei com você...
– Mais uma vez. – Murmurou entre dentes.
– Não apenas você Roy. – Sussurrei. – Por todos com quem eu me importo, fiquei focada em especial em Sara por causa de sua visita ao hospital e me esqueci de Helena, então a encontrei morta. – Minha voz tremeu. – Durante toda uma semana evitei qualquer contato com você, por que ela está morta e eu nunca tirarei da minha cabeça que é minha culpa. – Ele meneou a cabeça com ferocidade.
– É minha culpa, tudo isso, é minha falta. – Falou surpreendendo-me com a força com que dizia.
– É perda de tempo agora argumentarmos isso. – Murmurei. – É como você disse, algumas pessoas apenas são más, não há motivo por trás, não há por que, apenas são. E Ivo é doente, ele a matou para me ensinar uma lição. Agora estamos todos em perigo e eu não sei como agir, mas eu preciso. – Respirei fundo e voltei a alcança-lo envolvendo suas mãos. – É vital que você permaneça baixo do seu radar.
– Pare de me proteger. – Pediu.
– Não pense em te proteger. – Murmurei aflita. – Pense em como se você tivesse protegendo a mim, ele sabe que se ele te tem eu estarei voltando e fazendo o que ele quiser, então, por favor, mantenha-se seguro ok? Para me manter segura também. – Por um longo tempo ele não me respondeu, mas então ele assentiu. – Não faça nada estúpido Roy, ir atrás dele fará mais mal do que bem, só facilitará as coisas para ele. Se você realmente quer me proteger você se manterá seguro, entende?
– Sim. – Murmurou. – Não farei mais nada estúpido, eu prometo.
– Bom. – Sorri, ele ainda estava tenso, eu podia notar em seus traços e em seus ombros, acariciei um ombro e ele me encarou com receio. – Eu ainda recebo abraços?
– Sempre. – Murmurou antes me envolver em um abraço forte. – Eu sinto muito Lis. – Sussurrou enquanto eu esfregava suas costas. – Você nunca deveria ter vivido assim.
– Eu prefiro pensar no que eu ainda tenho a viver do que eu já vi. – Murmurei tentando tranquiliza-lo. Ele afastou-se apenas para analisar meu rosto, mas ainda sem me soltar.
– Oliver? – Veio à pergunta em apenas um nome, mas cheia de significados, assenti sem conter o sorriso.
– Ele me faz feliz. – Murmurei surpreendendo a nós dois. – Mesmo nos momentos de profunda tristeza e tudo isso apenas pelo fato dele estar comigo.
– Isso é especial. – Roy falou por fim. – E tudo o que eu sempre quis para você.
– E eu para você. – Retruquei. Seu sorriso morreu, ele não acreditava que fosse capaz ou merecesse algo semelhante e isso me chateava.
– Vá atrás do seu namorado. – Aconselhou-me. — Ele deve estar ansioso e preocupado lá fora. Eu acho justo que depois do tempo que ele nos deu, eu possa fazer o mesmo e deixar você as sós por alguns momentos. – Eu ia protestar, mas então vi a verdade atrás das palavras e que estava estampada em seu rosto, ele precisava digerir tudo, ele precisava de um tempo a sós. Assenti e lhe dei mais um abraço rápido antes de ir até a porta. Quando olhei para fora Oliver estava sentando em dos balanços de criança, sua figura alta no assento infantil me fez sorrir, sua cabeça estava baixa e encarava os próprios pés, só ergueu seu olhar quando me sentei no balanço ao lado, posição contrária a sua de forma que pudéssemos encarar um ao outro de frente, ao recuar um pouco o balanço.
– Hey. – Murmurou suavemente.
– Hey. – Devolvi com a mesma suavidade.
– Então... – Olhou-me com curiosidade e certa preocupação.
– Então... Que ele precisa de um momento para absorver tudo. – Murmurei.
– Ele precisa de um momento. – Repetiu, eu podia sentir a desaprovação em sua voz. – Ele te julgou? Se ele fez isso...
– Ele não me julgou, muito pelo contrário. – Murmurei o surpreendendo. – Você precisa dar um tempo a ele Oliver, ele se culpa, eu entendo você ficar do meu lado, mas você não precisaria de um tempo se sua irmã chegasse em você e jogasse tudo isso?
– Ok. – Assentiu. – Eu vejo seu ponto. – Sorri observando seu rosto e não resisti ao ato de abraça-lo mesmo ainda sentada, puxei uma das correntes que sustentava o frágil balanço, encostei minha cabeça em seu ombro e agarrei seu braço, algo ali me fazia voltar ao passado, algo fazia com que isso fosse estranhamente familiar.
– Isso já aconteceu. – Murmurei, era para ser uma pergunta, mas mais parecia uma afirmação, eu senti seu braço tencionar. – Eu já o conheci antes não é mesmo?
– Eu me lembraria se já tivesse te visto antes. – Murmurou, mas seu tom de voz mostrava não estar 100% certo do que falava. – Cabelos loiros, sorriso provocativo, olhos azuis e tudo.
– Eu não sou loira. – Falei automaticamente. – Isso veio depois. – Senti sua postura mudar, ele voltou-se um pouquinho para trás com o intuito de me encarar.
– Quanto depois? – Ele sabia que eu me referia a partir do momento em que eu havia me tornado prostituta.
– Não muito. – Respondi puxando-o de volta e voltando a encostar minha cabeça no seu braço forte. – A sensação é muito familiar. – Murmurei fechando meus olhos, por apenas um momento eu queria permanecer assim, longe dos problemas. Oliver me fazia sentir segura.
POV OLIVER
A sensação é muito familiar.
Senti-a relaxar enquanto eu ficava cada vez mais tenso. A sensação era familiar para mim também, tanto que chegava a ser inquietante. Busquei com afinco de onde vinha, mas eu não tinha certeza, eu me lembraria se já tivesse a conhecido antes certo?! Já tivesse tido semelhante contato com ela, eu não achava possível tê-la encontrado antes e não me lembrar, não até que um interruptor se acendeu de repente e tudo veio em minha mente. Guiando-me para quase cinco anos atrás.
Esse estava começando a ser um fodido dia. A vaca da minha adorável esposa não entedia que esse casamento que eu havia arranjado não passava de uma maneira que eu havia tido de manter a empresa em minhas mãos, ela a todo o momento tentava seduzir-me e fazer com que eu ceda a sua vontade, eu já havia pedido a separação, já havia dado a entender que não queria seguir adiante, mas ela agia como uma estúpida, o contrário do que ela realmente era, Isabel era tão esperta que chegava a ser irritante, tudo nela era irritante, eu poderia me sentir atraído pela figura feminina se não soubesse que se tratava da amante do meu pai, o fato em si era o suficiente para não sentir outra coisa se não repugnância por ela. Com sua atitude esquiva com relação ao divorcio resolvi não insistir por mais alguns meses, não até a ter a garantia de que não perderia a empresa, mas vinha sendo um inferno de casamento de conveniência. Irritado com mais uma de nossas brigas e frustrado por Thea se negar a atender mais uma de minhas ligações peguei uma garrafa de whisky como companheira e me apressei em chamar por Diggle, ele me lançou um olhar que mostrava repressão, mas eu estava me fodendo se essa não era hora de começar a beber, quando ele se casasse com uma cobra igual a que eu tinha em casa ele poderia me julgar por estar bebendo antes da 10:00 da manhã.
Enrolando meu terno em um braço observei a antiga fábrica que pertencia à família. O Glades não era o melhor lugar para se criar algo, não no momento, mas eu não estava dando a mínima, uma boate minha iria atrair o máximo de pessoas dessa cidade não importando onde eu a instalasse, e olhando para o prédio eu estava cada vez mais convencido de que poderia dar certo, transformar a antiga fábrica do meu pai em uma boate era algo irônico que cabia a forma que eu me sentia no momento, voltei a levar a garrafa aos lábios e olhei para trás encontrando John Diggle fingindo que estava olhando para todos os lados exceto para mim, eu não me importava se parecia um trapo no momento, um perdedor, eu honestamente não ligava. Quando passei a andar e ele me seguiu eu gritei uma ordem para não me seguir, ele com toda certeza não gostou da ideia, mas a respeitou. Eu não sabia ao certo para onde eu ia, ou sabia na verdade, eu procurava o antigo campo de baseball que meu pai sempre me trouxe, mas de alguma forma, ou talvez por culpa da bebida minha orientação era um lixo, acabei em uma praça, um lugar que seria ideal para se levar o filho se não parecesse a cena de um crime, mas no momento eu não estava muito exigente, por um momento minha visão embaçada me impediu de focar o balanço, mas de forma desajeitada eu consegui sentar no banco, poderia ceder a qualquer momento, mas eu não era exatamente um gênio no momento, mantive minha cabeça baixa enquanto encarava meus sapatos e demorei alguns segundos para perceber que alguém havia se aproximado, a principio julguei ser Diggle, mas quando olhei para a figura solitária que havia sentado ao meu lado, mas de frente para mim, notei que ela era pequena e feminina demais para ser meu segurança. Senti vontade de recuar um pouco o balanço para vê mais além do seu perfil.
Seu rosto quase não era visível devido ao capuz do moletom verde que cobria sua cabeça, algumas mechas escuras escapavam dele, e tive relance de um par de olhos azuis que me encararam apenas com leve indicio de curiosidade antes deles baixarem encarando seus próprios sapatos. Eu não era de conversar, a garota era nova demais para mim, então não devia chamar minha atenção, mas o breve momento em que pude ler seus olhos eu percebi uma profunda tristeza entrelaçado a eles, fiquei curioso, ela era muito nova para ter semelhante olhar, eu sabia reconhece-lo por que o via no espelho todas as manhãs depois de acordar. Então antes que pudesse me conter me vi conversando com a estranha garota.
– Você não deveria ficar sozinha aqui. – Murmurei a surpreendendo.
– É muito tarde para isso. — Murmurou com um rápido encolher de ombros, seu rosto ainda voltado para baixo. – Você também não deveria.
– Eu posso me proteger. – Sussurrei, ela não entendeu que eu poderia ser um perigo para ela.
– Eu também. – Retrucou.
– Você é muito nova para ter que se proteger. – Argumentei, um riso irônico e pequeno veio de seus lábios.
– Eu tenho que fazê-lo. – Foi tudo o que disse, por um longo tempo ficamos em silêncio, eu queria desviar minha atenção dela, mas eu não consegui, assisti ela encostar sua cabeça na corrente que sustentava o banco como se tivesse cansada e mais uma vez me vi cortando o silêncio.
– Dia difícil? – Perguntei surpreendendo-me pelo o quanto eu queria saber sobre ela. Um leve aceno veio como resposta.
– Eu tenho uma decisão difícil a fazer. – Comentou.
– Se é tão difícil não a tome. – Murmurei franzindo o cenho.
– Outra pessoa depende dessa decisão. Se eu for ao lugar que estou pensando em ir... – Murmurou em tom de voz fraco. – Não tem volta. – Completou.
– Então pense apenas em você. – Eu não tinha certeza de que exatamente eu estava a aconselhando. – Você mesmo disse que você tem que se proteger.
– Você também parece está tendo um péssimo dia. – Optou por desviar de assunto.
– Péssimo ano. – A corrigi. Encarei a bebida em minha mão direita e voltei a encarar seu perfil. – Eu ofereceria um pouco da minha bebida, mas não acho que você tenha idade.
– Você é muito responsável para um bêbado. – Comentou. – Talvez eu devesse começar com você.
– Como? – Perguntei não entendendo a última parte.
– Nada. – Negou rapidamente. – Eu estou divagando, eu não tenho dormido direito e estou resfriada, não estou no meu melhor juízo.
– Mais um motivo para não tomar essa decisão. – Falei antes de erguer minha mão, ela recuou automaticamente com medo permitindo-me mais um vislumbre dos seus olhos, mas ficou mais calma quando pousei minha mão em sua testa, ela estava fervendo. – Você precisa de um hospital.
– Eu preciso de muitas coisas. – Assentiu. – Mas eu não vou a um hospital. – Falou em tom decidido, retirei minha mão, e finalmente soltei a garrafa que estava em minha outra mão a jogando fora. Em uma atitude totalmente fora do que eu costumo ser e agir segurei a corrente do lado oposto e atrai para mim, mais uma vez a surpreendi, ainda assim ela não recuou, parecia acalorada, mas eu tinha certeza que o resultado era mais pela febre do que por uma reação a mim, pousei minha outra mão em sua cabeça e a atrai até meu ombro, ela estava desconfiada, estava tensa.
– Você pode dormir. – Murmurei suavemente. – Feche os olhos, você pode confiar em mim, por alguns momentos esqueça sua grande decisão, você está segura. – Senti uma profunda respiração vir dela e finalmente um fraco aceno afirmativo. – Eu vou te proteger.
Demorou apenas alguns poucos segundos até que ela realmente relaxou, e eu poderia afirmar que dormia, sua febre ainda me preocupava, mas eu poderia resolver isso quando ela acordasse, insistiria em leva-la a um hospital, descansei meu queixo em cima de sua cabeça, não era certo, eu nem tinha certeza se ela era de maior e alguém poderia interpretar isso errado, mas permaneci assim por mais alguns momentos, até que uma outra garota loira se aproximou, exibia um uniforme de lanchonete, falou que conhecia a garota e que seu irmão a estava procurando, a acordei suavemente, mas ela parecia ainda mais doente, orientei a garota a leva-la a um hospital e dei dinheiro para o taxi e quaisquer medicamentos que precisasse, a loira sorriu com uma aceno e disse que um conhecido tinha um táxi e as levaria, quando Diggle me encontrou eu estava vendo-as se afastar, nunca tive a chance de saber o que aconteceu com a garota.
Não até agora.
Encostei minha bochecha na parte traseira de sua cabeça agora loira e senti um nó de emoção entalado em minha garganta, Felicity se afastou do nosso desajeitado abraço e me encarou com o cenho franzido. Eu não tinha certeza do que havia a deixado confusa até que sua mão se ergueu e encontrou minha bochecha.
– Você está chorando. – Murmurou. Sua voz estava tingida de surpresa somada a também uma pitada de emoção. – O que o fez chorar? – Ergueu-se livrando-se do balanço e se posicionando em minha frente, limpei desajeitadamente as lágrimas que haviam descido sem que eu ao menos percebesse. – Oliver?
– Você acha que eu seria capaz de tê-la salvado antes? – Perguntei realmente precisando de sua resposta, toda a culpa que eu havia dirigido a Roy voltando-se para mim. – Se eu tivesse a conhecido antes. – Se tivesse feito mais do que dar o dinheiro para o táxi e alguns remédios. Ela franziu o cenho não entendendo minhas perguntas. Posicionou-se entre minhas pernas, suas mãos envolveram meu pescoço e seu rosto ficou muito próximo ao meu quando nivelou seu olhar ao meu.
– O jogo do “E se” é um jogo perigoso e muito frustrante. – Murmurou com firmeza. – Eu o evito, por que depende de muitos fatores e por mais que eu queria encontrar um caminho onde tudo de ruim que já me aconteceu não tivesse acontecido... Não faz diferença. – Falou. – Eu não posso voltar no tempo, eu não posso mudar as coisas que já me aconteceu, talvez você pudesse me salvar, talvez se eu tivesse encontrado você antes teríamos sido perfeitos juntos, talvez não. Eu já me acostumei à maneira bagunçada com que nos encontramos e sou grata, por que de um jeito ou outro eu te encontrei. Eu sempre fui teimosa, Oliver, eu tenho certeza que não estaria aberta a sua ajuda de qualquer forma, eu não gosto da frase “Teve que acontecer” por que acho que as coisas que aconteceram comigo, não devesse ter acontecido com ninguém, mas aconteceu, eu não posso muda-las, então não vá por esse caminho. – Pediu. Senti o beijo carinhoso primeiro em uma bochecha, depois em outra, então um pouco mais acima perto do olho, notei que beijava minhas lágrimas e a abracei firmemente. – Eu tenho que me despedir de Roy. – Murmurou se separando.
– Você tem certeza que já quer ir? – Perguntei.
– Eu tenho que fazê-lo. – Deu de ombros. – Ele tem uma vida aqui e precisamos voltar a Starling City.
– E se não voltarmos a Starling City? – Murmurei a surpreendendo, eu queria afirmar que eu também estava surpreso com minha sugestão, mas eu não estava, não era algo que passava em minha mente todo o tempo, mas definitivamente esteve escondido em algum canto. Ela piscou como se querendo assimilar as palavras que eu havia dito e o significado.
– Não voltarmos. – Repetiu ainda incrédula.
– Fuja comigo. – Pedi. Eu estava desesperado para mantê-la segura.
– Oliver. – Suspirou voltando a nivelar seu olhar com o meu. – Não podemos.
– Por que não? – Eu sabia que soava fora de linha, mas eu não me importava. – Você não quer estar comigo?
– Sim, claro que quero. – Respondeu rapidamente. – Mas você tem uma vida em Starling City.
– Minha vida por ser onde quer que você esteja. – Murmurei, um sorriso de canto surgir em seus lábios.
– Eu posso dizer o mesmo. – Assentiu. – Mas Oliver Queen não pode simplesmente fugir, você é uma figura notória, pode não ser um politico, mas é o C.E.O de uma grande empresa com grande influência...
– O que significa que tenho recursos. – Murmurei. Mas ela prosseguiu.
–... Você não poderia apenas sumir, você tem suas responsabilidades, você tem sua irmã e amigos, um filho. – Lembrou-me. – Não seria viável por que você tem muito mais laços do que eu, quanto mais laços mais a facilidade para ser encontrado, você entende? Eu te amo, e eu quero estar com você, sempre. Mas uma fuga com você não é possível.
– Case comigo. – Insisti. Seus olhos se arregalaram em surpresa, eu não estava, percebi que realmente queria ter dito essas palavras, seus olhos suavizaram-se, sua mão envolveu meu rosto novamente e mais uma vez senti seus lábios em meu rosto, dessa vez em apenas uma bochecha antes de voltar a me encarar.
– Pergunte novamente quando tivermos acabado com tudo isso. Quando Ivo não for mais uma ameaça. – Pediu. – Eu já tenho minha resposta. Apenas não é a resposta certa para esse momento. – Assenti entendendo seu ponto, foi um momento em que não raciocinei, apenas agi de acordo com a emoção. Ela voltou a apertar minha mão e se ergueu. — Você vai ficar bem? – Perguntou fazendo menção a meu breve momento de fragilidade, eu não costumava demonstra-lo, mas todas as vezes que o fiz, foi com Felicity.
– Enquanto estiver comigo. – Sorri. Ela me devolveu com um sorriso e se afastou voltando a permanecer alguns minutos dentro da casa, voltou com Roy que veio se despedir de mim, ele parecia mais calmo, sua mão apertou a minha com firmeza e quando disse “obrigado” eu sabia que era muito além de ter sido por tê-la trazido ao seu encontro, assenti e mais uma vez a observei abraçar o irmão, dessa vez um abraço de despedida, eu me perguntava quantos desses eles tiveram.
Quando entramos no carro ela me dirigiu um sorriso triste. Chegamos em casa quase no mesmo horário que havíamos chegado em Coast City na noite passada, ambos estávamos cansados, era algo que se podia ver em nossas expressões, não havia ninguém no apartamento quando chegamos.
– Onde está Thea? – Felicity perguntou se jogando no sofá.
– Eu imagino com Sara. – Murmurei me aproximando, ela ergueu seu tronco me permitindo sentar e então deitou sua cabeça em meu colo.
– Precisamos conversar sobre isso. – Murmurou após um tempo.
– Hum? – Perguntei entretido em mexer em seus cabelos. – Sobre Sara?
– Sobre Thea. – Corrigiu-me. – Você vai conversar com ela e não vai deixar que algo que eu fiz abalar o que já estava bem abalado na relação de vocês dois.
– Ok. – Murmurei mais para tranquiliza-la, eu duvidava que isso havia passado despercebido a ela, mas ela exibiu um pequeno sorriso, mas freou. – O que mais? – Perguntei notando sua hesitação.
– Tommy. – Senti uma veia pulsar em minha têmpora, esse tema era um pouco mais inquietante para mim. – As coisas estavam tensas entre os dois, e com tudo o que aconteceu... Eu sei que vocês ainda não conversaram ainda, e sei que não foi por falta de tentativa dele. – Eu não pensei que ela havia percebido as tentativas de aproximação de Tommy durante essa semana.
– Felicity. – Chamei seu nome com certa impaciência.
– Oliver. – Retrucou imitando meu tom, seu olhar era decidido e eu sabia que esta já era uma batalha perdida, ela mais uma vez conseguiu arrancar um pequeno sorriso meu, tentei escondê-lo, mas foi inútil.
– Está bem. – Concordei. – Eu converso com ele. – Murmurei. Ergui-me com o intuito de beber água e me abaixei para beija-la rapidamente nos lábios. – Por você. – A adverti antes de me afastar.
Quando voltei me surpreendi com as visitas que haviam chegado junto a Thea e Diggle, encontrei Sara abraçando fortemente Felicity enquanto Thea as observava com um sorriso discreto, meu olhar deslizou até Tommy que as encarava com os braços cruzados e um sorriso estúpido no rosto.
– Ollie. – Sara exclamou com um sorriso antes de me puxar também para um abraço. Olhei atônito Felicity dar um passo até Thea e a envolver em um abraço que teve o poder de surpreender tanto minha irmã quanto a mim, ela murmurou um agradecimento e pediu desculpas.
– Você a trouxe de volta. – Tommy falou vindo até mim.
– Sim. – Assenti. – Eu a trouxe. – Por um momento tudo o que fizemos foi encarar um ao outro, a tensão dominando o ambiente, eu podia sentir que todos os olhares estavam sobre nós, nossas mulheres não eram bem discretas, elas haviam parado de conversar deixando o silêncio dominar o recinto. Inclusive Thea havia parado para nos observar, eu tinha certeza que ela não entendia ao certo por que, mas que compartilhava das mesmas expectativas das outras duas mulheres.
– Não a deixe ir novamente Ollie. – Tommy murmurou com seriedade. – Eu nunca tinha visto esse sorriso idiota em seu rosto como quando ela abraçou Thea. – Pude escutar o bufo de Thea.
– Meu sorriso não poderia ser mais idiota do que o seu quando Sara a abraçou. – Retruquei, ele soltou uma risada e estendeu a mão para um aperto.
– Estamos bem? – Perguntou.
– Estamos. – Assenti envolvendo sua mão com a minha, mas não a apertei, o puxei para um abraço, ao que parecia hoje era um dia de abraços, as mulheres haviam sido tão discretas quanto antes, escutei gritos de comemorações e aprovação. Tirei minha atenção de Tommy quando o celular de Felicity tocou, ela rapidamente o alcançou em seu bolso traseiro e me dirigiu um olhar confuso.
– É Roy. – Falou tocando meu ombro antes de passar por mim. – Provavelmente ele quer saber se chagamos bem. – Acrescentou. Eu a segui enquanto ela se afastava até a cozinha já levando o celular até a orelha. – Roy. – O cumprimentou com tom divertido. – Não precisa ligar tão cedo, mal chegam... – Parei atrás dela e a contornei quando ela parou bruscamente, observei rapidamente seu rosto se transformar, em poucos segundos ficou totalmente pálido, seus olhos que antes brilhavam de alegria agora pareciam sem vida.
– Felicity? – Perguntei preocupado e com desconfiança, tomei o celular de suas mãos e levei até minha orelha. – Quem é? – Perguntei bruscamente. Tudo que escutei foi sua respiração segundos antes de desligar. Voltei meu olhar até Felciity que segurava a borda do balcão tão fortemente que os nós de seus dedos estavam brancos. – Felicity?
– Era Ivo. – Falou por fim. – Ele está com Roy. – Respirou fundo tomando todo ar possível, segurei suas mãos sentindo-as frias, seu olhar deslizou até o meu com determinação, queria apaga-lo do seu rosto, pois eu sabia que não viria algo bom dali, na verdade estava certo que odiaria qualquer coisa que falasse agora. – Ele queria saber quando eu me juntaria à festa.
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