Felicity's Secrets
10 Capítulo 09
Notas iniciais
POV OLIVER
Espero seus soluços diminuírem e acaricio seus cabelos à medida que sinto o tecido da minha camisa molhar pelas lágrimas que escapam sem qualquer controle de sua parte. Vê-la assim acabava comigo, eu não estava pronto para vê-la tão frágil, isso fazia com que eu desejasse ir atrás daqueles que provocaram tal reação, pensar neles faziam com que meu sangue fervesse e eu visse tudo vermelho. Eu tinha vindo ao seu apartamento com o intuito de devolver seu casaco que ela havia deixando no meu apartamento quando saiu de lá apressada, quando escutei as vozes alteradas através da fina porta eu tive o pressentimento de que ela corria perigo. Vê-la tão indefesa me deixo cego, tive que buscar todo o controle que eu possuía para não ataca-lo e coloca-la em algum perigo maior, todo o momento em dialoguei com os dois filhos da puta eu estava me corroendo pela ira, e em contrapartida pensava em apenas afastar daquele que a prendia contra a parede, eu nunca estive tão perto de perder o controle, nunca antes desejei tanto fazer mal a alguém. E tão certo quanto maldito céu era azul eu faria, por ela.
– Felicity. – A chamei quando notei que os soluços haviam acabado e que estava mais calma, ela ainda se agarrava a mim, mas era com menos força, o aperto quase suave. – Eu preciso que você me conte o aconteceu. – Tentei controlar minha fúria e me concentrar apenas nela. Nas palavras que havia dito antes de abraça-la, uma breve brecha que havia revelado tão pouco e ao mesmo muito de si, uma contradição, uma das muitos que envolviam Felicity Smoak.
– Você viu o que aconteceu. – Falou tomando um pouco de distância e me analisando, seu rosto virou negando-se a me encarar, como se estivesse envergonhada, como se ela fosse culpada pelo o que havia acontecido. Ela não devia pensar nisso, eu não era como outros estúpidos que não sabiam diferenciar uma mulher vendendo seu corpo, que dava o consentimento, a abuso.
– Eu não estou falando sobre o que acabou de acontecer. – Segurei sua mão impedindo que ela se afastasse ainda mais, como parecia ser esta sua intenção. – Quero saber o que aconteceu há quatro anos. – Falei em tom firme, seu corpo ficou rígido, senti-a puxar a mão, mas me neguei à solta-la. Para ser sincero eu não queria deixar que se afastasse – Felicity. Conte-me. – Pedi.
– Não. – Negou com veemência, a encarei incrédulo.
– Não? – Repeti ainda não acreditado que havia escutado direito. Ela continuaria se fechando para mim? Ao que parecia ela realmente prosseguiria com isso.
– Não. – Repetiu mais uma vez, seu queixo se ergue em desafio. – Não é seu assunto. – Sua frase teve o poder de me levar de um extremo ao outro, desde decepção a raiva crua e pura. Soltei sua mão abruptamente e me ergui afastando-me, precisando de alguns segundos para controlar minha raiva.
– Oliver. – Escutei sua voz atrás de mim, e virei a encarando. Ela estava tão distante, não só fisicamente, mas emocionalmente, mais tarde eu me preocuparia por que isso me irritava, mas agora... Agora eu precisava que ela falasse comigo. – Você precisa entender...
– Como diabos eu vou entender Felicity? – Ergui minha voz, ela estremeceu ao escutar o tom brusco. – Como vou fazer isso se você não responde uma única pergunta minha? – Perguntei. – Em alguns momentos você age como se nada fosse capaz de atingi-la, como se não precisasse da ajuda de ninguém...
– Sua você quer dizer. – Ela se aproximou. – É isso que o irrita? Que eu não precise de você?
– Sinto muito destruir essa sua utopia, mas você precisa de mim! – Falei. – Você pode falar para si mesmo que não, mas o que houve aqui, o que teria acontecido se eu não tivesse chegado a tempo mostra o contrário.
– Por que você se importa?- Seu tom também se ergueu. – Você não devia se importar Oliver! Isso é o que está causando tudo... – Sua voz se quebrou não terminando a frase, franzi o cenho estranhando o que havia dito.
– O que você quis dizer com isso? – Ela olhou para o lado evitando me encarar. – Felicity?
– Oliver eu preciso que você vá embora. – Murmurou quando finalmente me encarou. – Agora. – Desloquei meu peso para minha perna esquerda e me movi inquieto. Ia protestar quando uma resolução chegou a minha mente. Para o inferno o bom senso , eu não a deixaria aqui, vulnerável, mesmo ela fingindo-se de forte eu podia ler seu corpo, podia ver os tremores que ela tentava controlar, ela ainda estava assustada.
– Eu vou. – Assenti em concordância. – Mas você vai comigo. – Seus olhos se abriram em surpresa, ela inclinou a cabeça como se não tivesse entendido e estivesse me analisando, buscando veracidade em minhas palavras. Devolvi o olhar demonstrando que eu não voltaria atrás. Eu já havia tomado minha decisão.
– Como é que é? – Perguntou não tendo certeza de que eu falava a sério.
– Você me escutou. – Comecei a andar pelo apartamento pequeno em direção onde eu sabia estar seu quarto, sabia que ela havia me seguido após seu breve estado de torpor. – Junte suas coisas. – Mandei. – Você vai para casa comigo.
–Não eu não vou. – Cruzou os braços.
– Felicity. – Chiei. – Esse não é um pedido. – Falei.
– Eu notei. – Encarou-me séria. – Percebi pelo seu tom de “eu sou o macho alfa aqui”, mas ainda assim eu não vou a lugar nenhum com você. — Cerrei os dentes buscando paciência quando na verdade eu não tinha, não quando ela estava envolvida.
– Você não pode ficar aqui. – Tentei argumentar. – Não depois do que houve, não é seguro. – Não havia nenhuma chance daqueles homens voltarem a tocar nela, eu iria garantir isso, eu ia caça-los. Mas algo me dizia que eu não podia deixa-la aqui, que esse episódio não era algo tão incomum e que havia grandes chances de piorar. — Felicity pegue o que você precisa. – Falei indo até suas gavetas.
– Oliver pare! – Exigiu. – Eu não preciso de você bancando o príncipe encantado, você não é meu herói! – Parei ao escutar sua última sentença. – Eu realmente estou grata por você ter evitado...
– O quê? — Indaguei. — Que você tenha sido estuprada? – Falei me virando, seu rosto se contorceu em uma careta ao ouvir. – Eu não vou ser delicado com as palavras, não quando você parece ignorar o que de fato aconteceu aqui.
– Você acha que isso é novo? – Ergui uma sobrancelha observando sua explosão. — Acha que eu não sei o quão sério foi? — Seus olhos fecharam-se brevemente. – Oliver, por favor, eu estou te implorando, vá embora. Apenas vá. — Pediu.
– Qual o seu problema? – Perguntei furioso. A observei morder o lábio e enxugar uma lágrima solitária. Senti a fúria se esvair com o gesto frágil, tão rápido como veio, mais uma vez percebi que ela evitava me encarar. – Felicity. – Murmurei em tom suave. – Deixe-me cuidar de você. – Seus olhos fizeram contato imediato com os meus, ela estava surpresa com meu pedido, assim como eu, eu não sabia sua história, não sabia o que havia acontecido com ela, por que ela fazia isso, eu não queria parar para analisar minhas ações, mas eu percebia que desejava tomar cuidado dela, mantê-la afastada de qualquer perigo, protege-la física e emocionalmente. Sua boca se abriu em busca de palavras, de uma nova negativa eu podia sentir. Eu não podia deixar que a formula-se – Não diga não. – Meneei a cabeça.
– Desculpe. – Falou em meio a profundo suspiro. – Eu não... Eu... Você – Sua voz tremeu. – Eu não posso Oliver... Apenas vá. – Respirei fundo percebendo que ela se manteria irredutível quanto a isso, que por mais que eu insistisse ela continuaria negando, eu havia falhado.
– Você tem algum outro lugar para ir? – Perguntei dando-me por vencido. – Aquela sua amiga...
– Helena. – Assentiu.
– Vá para a casa dela. –Falei. Só dessa forma eu ficaria mais tranquilo.
– Eu vou. – Prometeu. Assenti uma última vez e me virei saindo do seu quarto, ela me acompanhou até a porta, parei lá e a observei com atenção, ela me devolveu o olhar e ao notar o quanto frágil ela parecia tive a vontade de voltar a insistir, mas resisti, não iria pressiona-la.
– Felicity. – Murmurei, ela tirou os olhos do chão e me encarou. – Pode não ser agora, mas você ainda vai me contar sua história, não por que eu a pressionei, mas por que você sabe que precisa contar para mim, por que você sabe que precisa de mim. — Seu queixo se ergueu mais uma vez em desafio, essa era sua maneira de se proteger, pelo menos emocionalmente, eu havia percebido. Ela era valente.
– O que faz você pensar isso? – Perguntou me encarando atentamente.
– Por que eu preciso de você. – Falei a surpreendendo uma vez mais. – Fique segura. – Murmurei antes me virar e ir embora.
POV FELICITY
“Eu preciso de você”
A frase martelou em minha mente desde o momento em que ele se foi e eu arrumei apressadamente minhas coisas para correr até o apartamento de Helena, esta era a primeira vez que eu corria de Ivo de suas ordens e castigos, eu sabia que isso ia trazer consequências, eu, precisava avisar a Helena para que ela tomasse cuidado, além de dar um jeito de Roy também se manter a salvo. Só em pensar no que poderia ser o próximo passo de Ivo um arrepio subia minha coluna, eu sei que eu estava sendo covarde, mas eu não podia lidar com Ivo, eu sabia que a próxima vez que ele me encontrasse as coisas iam ser piores, eu quase lamentava a chegada de Oliver ao apartamento.
Olhei para o meu celular com apreensão. Eu não tinha dúvida de que Ivo tinha acesso a todas minhas chamadas e localização, ele que havia me dado o celular, era mais uma de suas maneiras de me controlar, em um impulso soltei o celular em uma lixeira e peguei um taxi não muito próximo, dei-me conta que eu estava fugindo de Ivo e essa podia ser a maior estupidez que fiz em minha vida.
– Felicity. – Helena sussurrou quando abriu a porta e me encarrou. – Quando o porteiro a identificou eu não consegui acreditar, tantas e tantas vezes tentei força-la a vir aqui... – Parou de tagarelar ao notar minha expressão. – Felicity o que aconteceu? – Perguntou apreensiva, suspirei e dei de ombros, tentei emitir alguma frase para respondê-la, mas vê-la era como tirar a tampa que impedia um vazamento, tudo o que consegui foi que os soluços retornassem, ela se adiantou em me envolver em um abraço. – Aquele filho da puta, o que ele fez? Ele te tocou? – Se afastou para observar meu rosto, meneei a cabeça em negativa, ela envolveu meus ombros e me arrastou para dentro do apartamento. – Felicity, por favor, fale alguma coisa. – Ela estava tão preocupada, busquei em minha mente as palavras, mas tudo estava branco, tudo o que eu conseguia era relembrar mais uma vez os acontecimentos, ela esperou com paciência que eu me acalmasse, e quando finalmente o fiz soltei a primeira coisa que veio em minha mente.
– Eu dormi com Oliver. – Falei de repente. Ela franziu o cenho, estava confusa.
– Esta não é bem uma novidade Felicity. – Joguei minha mochila no chão, ela lançou um olhar rápido para ela, eu sabia que ela ia perguntar sobre isso, mas que aguardaria o momento em que eu falaria.
– Eu não quis me referi a transarmos. – Esclareci. Notei ela erguer as sobrancelhas em surpresa. – Nós transamos Helena, mas depois, eu não fui para casa. – Suspirou compreendendo.
– E aquele canalha obsessivo soube disso. – Deduziu estando genuinamente preocupada com isso. – Deus Felicity o que ele fez?
– Ele resolveu recriar minha primeira noite. – Falei em fio de voz. — Com aqueles caras. Quando eu cheguei ao meu apartamento depois de ir ao Big Belly hoje eles estavam me esperando... – Contei a ela como tudo aconteceu, falei sobre a sensação de ver seus rostos novamente, de sentir o pavor novamente, da raiva e humilhação que senti de me encontrar nessa situação, do meu ódio para com Ivo e finalmente contei sobre a chegada de Oliver, de como ele os enfrentou, da raiva impregnada em sua voz, então passei a falar de como ele me tratou, de como ele me abraçou, como absorveu cada soluço meu.
Contei como ele realmente me confortou, de como me senti segura em seus braços e como não queria que ele me soltasse. Falei sobre nossa briga que veio a seguir, da surpresa por ele realmente estar interessado, do fato de que quando ele me perguntou sobre o aconteceu, tudo que eu queria era me jogar de volta em seus braços e contar cada um de meus problemas, ela me escutava com atenção e quando eu precisava de um momento para respirar ou controlar minha voz, acariciava meu braço pedindo que eu me acalmasse, que nada aconteceria comigo aqui, era uma mentira, nós duas sabíamos disso, mas uma mentira gerada para fornecer conforto e por isso a aceitei. Ela ficou surpresa assim com eu mesma havia ficado quando contei que ele pediu que eu fosse com ele, que discutiu comigo por conta de minha negativa.
– ... Ele finalmente entendeu que eu não iria com ele, e pediu que eu viesse até você. – A encarei com culpa. – Desculpe Helena eu estou te metendo em problemas, mas eu não tinha nenhum lugar para ir e não queria enfrentar Ivo, não agora.
– Felicity... – Suspirou. – Está na hora de você parar de levar tudo por conta própria, de querer carregar tudo em suas costas, eu não sou um alvo fácil para Ivo, não mais, não se preocupe com isso. – Abri minha boca para protestar. – Você precisa deixar que Oliver cuide de você. – Meneei a cabeça em negativa. – Não faça isso Lis, você não deveria estar aqui, você deveria estar com ele, você não precisa mais ficar sozinha, ele já mostrou que vai estar te protegendo, ele já está envolvido, não adianta mais querer afasta-lo, não vai funcionar.
– Não é justo com ele Helena. – Argumentei.
– Não é justo que você esteja sofrendo constantemente nas mãos de Ivo. – Retrucou. – Você sabe o que fez hoje Felicity? O que acabou de fazer? Você fugiu de Ivo, não há como voltar mais atrás, se ele tiver acesso a você... Deus eu não quero pensar nisso, você está aqui agora, mas não veio em busca da minha ajuda, ou de um lugar para dormir, você veio em busca de um conselho, em seu coração você sabe que você acabou de deixar para trás tudo o que tem feito, você sabe que não pode mais voltar para lá.
– Eu dei as costas a Roy. – Mexi em meu cabelo com desespero. – Ele vai mata-lo Helena.
– Precisamos ligar para ele. – Falou erguendo-se e pegando seu celular na mesinha perto. – Eu conheço uma pessoa que pode fornecer um lugar para ele em Coast City, mas preciso que ele vá o quanto antes. Eu falarei com ele, farei com que entenda.
– Ele acabou de entrar na faculdade. – Lamentei. – Estava tão animado.
– Roy fará qualquer coisa para protegê-la. – Segurou minha mão. – Assim como você fez para ele, mudar de cidade? Não significa nada.
– Você não pode contar a ele...
– Eu sei. – Assentiu. – Eu sei. Agora você precisa ir. – Franzi o cenho não entendendo o que aquilo significava. – Você é sempre bem vinda em minha casa, você sabe disso, se o que você quer é realmente ficar aqui eu adoraria, mas como eu disse você não veio em busca da minha ajuda, você sabe o que tem que fazer.
– Eu deveria falar com Roy... – Protestei.
– Quando estiver mais calma. – Falou em tom firme. – Se você ligar agora vai desmanchar e ele não irá para outra cidade, ele virá para aqui, você não quer isso.
– Helena...
– Apenas faça o que você precisa fazer Felicity. – Observei seus olhos me analisar com seriedade e mordi o lábio incerta. –Seja sincera Felicity, não comigo, mas consigo. O que você quer fazer? Do que você realmente precisa?
POV OLIVER
No momento em que eu deixei Felicity com um olhar perplexo em seu apartamento eu já sabia o que faria a seguir. Entrei no meu carro e liguei para Diggle pedindo que ele vigiasse seu apartamento, ele respondeu solicito que estaria lá log, passei seu endereço para ele, também pedi que ficasse atento ao movimento do Glades, queria saber o que, ou quem Felicity temia. Diggle era meu motorista e segurança, mas eu usava seus serviços mais quando estava com Connor ou em um evento social, ele sempre estava pronto para qualquer tarefa que eu entregasse a ele, por mais estúpida que soasse, nesse caso ele pode notar a seriedade do meu pedido.
Em vez de eu ir para casa acabei tomando a direção que me levaria até o apartamento de Tommy, eu precisava conversar com alguém agora. Eu não conseguia assimilar... Acreditar que havia dito a ela que precisava dela, soava estranho aos meus próprios ouvidos, eu nunca tinha dito isso a ninguém, e isso me deixava inquieto, tentei ignorar as palavras que teimavam voltar aos meus pensamentos e me concentrar em apenas conversar com Tommy, só então eu iria atrás dos homens que havia encontrado em seu apartamento, se eu fosse atrás deles como estava agora nada de bom viria, eu ainda estava impressionado por ter conseguido soar frio e controlar meu desejo de espanca-los quando os encontrei. Por isso eu precisava conversar com alguém que não questionaria meu humor, nem faria perguntas sobre, que apenas aceitaria uma boa briga ao perceber que eu precisava tirar algo da minha cabeça, foi tendo isso em mente que parei em frente ao apartamento de Tommy e toquei a campainha esperando que ele abrisse.
Entretanto observei surpreso Sara me encarar com olhos incrédulos, suas roupas me chamaram atenção, ou melhor, a ausência delas, ela estava vestida apenas com uma enorme camiseta masculina que eu não tinha dúvidas ser de Tommy.
– Você vai entrar ou apenas vai ficar me encarando como seu eu tivesse criado chifres? – Provocou dando-me espaço.
– Para o bem de Tommy espero que não. – Falei entre dentes.
– Opa! Alguém está nervoso hoje. – Olhou-me com atenção. – O que aconteceu Ollie?
– Onde está Tommy? – Perguntei ignorando-a.
– Ele precisou sair. – Respondeu. – O que aconteceu Ollie? – Repetiu. — E não tente me dizer que nada aconteceu por que você sabe tão bem quanto eu que mais cedo ou mais tarde vou tirar essa informação de você, então faça um favor a nós dois e poupe-nos tempo, responda a pergunta Ollie.
– Felicity aconteceu. – Falei sentando-me pesadamente no sofá. – Ela está me deixando louco! – Ela parou em minha frente com um sorriso largo em seu rosto e braços cruzados. – Não sorria Sara, você não tem ideia do que houve hoje, do perigo que ela passou, e ela mesmo assim me afasta. – Seu rosto ficou sério à medida que eu falava. — Ela está agindo irracionalmente, não quer falar comigo, não importa o quanto eu peça para ela se abrir comigo ela me empurra, ela se negou a ir comigo mesmo quando eu pedi... Ela... Ela está me deixando louco! E não da maneira que um cara quer que sua mulher o enlouqueça, da maneira que está me deixando confuso, muito confuso. – Tomei fôlego e a encarei. – O quê?
– Lembra como eu sempre pedi que você falasse comigo? Que se abrisse? – Assenti. – Eu não pensei que você faria de uma maneira tão incoerente. – Sentou-se ao meu lado. — Primeiro: Felicity em perigo. De que maneira? O que aconteceu com ela? Ela está bem? Segundo: Eu não sabia que a relação de vocês tinha ido tão à frente, ainda mais quando os dois fingiam que não havia nada acontecendo. Terceiro: Sua mulher?
– Modo de falar. – Apressei-me a corrigir. – Você sabe o que ela faz. – Falei, não havia dúvidas que Sara sabia. – Você sabe por que ela faz?
– Por que você não pergunta a ela? – Sugeriu. – Você não me respondeu direito Ollie, ela está bem?
– Eu acho que sim. – A incerteza é que me deixava inquieto. – Eu já perguntei Sara, ela não me fala, eu sinto que ela quer me dizer, mas que tem algo que a impede, que ela tem medo, eu quis... Quero protege-la, mas ela não deixa.
– Você pediu para ela “ir com você”. – Lembrou. – Como assim?
– Para o meu apartamento. – Esclareci. – Ela não está salva no dela, ela não está salva sozinha.
– Ollie você está me assustando. – Confessou. – O que aconteceu?
– Eu encontrei dois homens em seu apartamento. – Falei.
– Eu não quero pisar em seu calo Ollie, mas tendo em vista que nós dois já sabemos de sua... Profissão, ela não estava...
– Ela estava prestes a ser abusada por eles. – Falei me erguendo, mas permanecendo em sua frente. – Ela estava chorando. Eles... Inferno! Eu devia ter ido atrás deles.
– Ollie. – Sara exclamou horrorizada. – Eles conseguiram?
– Eu os expulsei. – Falei em negativa. – Mas você precisava vê-la Sara, ela estava tão assustada, parecia que eu tinha interrompido apenas algo que ia se tornar muito maior, eu sinto... Eu sei que ela está em perigo.
– E você quer salva-la. – Falou segurando meu braço. Assenti. – Você a chamou para morar com você. Você sente algo por ela.
– Eu... – Respirei fundo analisando, quando a chamei não tinha ideia no que isso implicava, tudo que eu queria era mantê-la segura, leva-la comigo era tão longe de me manter afastado emocionalmente dela, eu já não estava mais afastado dela, de jeito algum. – Era para ser apenas sexo. – Murmurei com pesar.
– Ollie você tem duas opções. – Sara falou também se erguendo. – Você pode ignorar Felicity e seus problemas, deixa-la de lado, voltar a ser o homem fechado cujo único problema é lidar com os papeis do divorcio que sua ex-mulher nega-se a assinar. Ou você pode ficar com Felicty, problemas e tudo que vem junto, você pode tentar resolver sua vida complicada e tira-la do inferno que ela chama de vida, pode tentar ajuda-la, resgata-la de si mesmo e no processo ser feliz, o que eu acho que os dois merecem. Vá para casa, espere por ela, ela pode ser teimosa, mas você deu a ela a chance que sempre esperou mesmo que não admita para si mesma, ela vai até você. – Falou com convicção.
–Você tem mesmo tanta certeza? – Perguntei inseguro, isso era tão longe do que eu costumo ser, insegurança nunca esteve presente em minha vida, não antes da morte dos meus pais quando eu era um playboy egocêntrico e não depois que virei o empresário arrogante.
– Eu espero que sim. – Sorriu antes de me abraçar, meu primeiro desejo foi de afasta-a, especialmente por Felicity ter me abraçado mais cedo, era impossível não comparar, mas me mantive rígido em seus braços, antes que eu pudesse afasta-la a porta se abriu e escutei a voz de Tommy brincar.
– Justo o que eu queria ver ao chegar a minha casa. – Murmurou. Afastei-me e observei seu semblante sério apenas o brilho em seus olhos desmentindo a postura. – Minha namorada apenas de camisa nos braços do meu amigo.
– Vá. – Sara falou empurrando meu ombro. – Vá para casa Oliver. – Demorou apenas alguns segundo para eu aceitar sua ordem e caminha até a porta, Tommy me olhava entre curioso e preocupado, ele já havia percebido que havia algo de errado ou no mínimo fora do comum, mas, no entanto se limitou a dar um pequeno tapa em minhas costas quando passei por ele e o cumprimentei.
Sai de lá com pressa e com renovada esperança de que talvez Felicity fizesse o que era certo, que ela fosse em minha busca, tirando qualquer contexto romântico ou necessidade de agir como herói eu queria que ela pensasse em sua segurança e desse conta que eu era sua melhor opção, que eu era o que ela precisava, quando passei pela portaria falei com o porteiro e deixei claro que caso a loira que havia estado ontem no meu apartamento aparecesse que liberasse sua entrada imediatamente, ele assentiu notando a urgência em minha ordem. Passei os momentos seguinte inquieto, esperando que Sara estivesse certa, que ela realmente aparecesse, sequer notei que havia começado a chover, não até o momento em que minha campainha soou, abri a porta e observei os pingos de chuva em seu rosto, a pele e cabelos molhados, ela me encarava com pesar, havia chegado a uma resolução, estava decidida, mas ainda não estava certa se estava fazendo o certo.
Eu podia sentir que ela estava indo contra o que julgava ter que fazer, sabia que ela estava relutante e que a partir desse momento nossa relação jamais seria o mesmo, eu podia fazer o que Sara havia dito, podia fechar a porta e ignorar Felicity e seus problemas, deixa-la seguir sem mim, “Você não é meu herói”, ela estava certa, eu não precisava ser seu príncipe encantado, ou seu herói, mas a questão era que eu queria ser. Esse era o problema, eu queria ser seu herói. Principalmente quando ela tomou fôlego e finalmente falou às palavras que tiveram o poder de me abalar profundamente.
– Eu tinha 19 anos quando tive que me prostituir para salvar meu irmão.
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