Notas iniciais
Cheguei!! Era para ser só quarta, mas não resisti. Galerinha amo cada comentário de vocês, eles me d]ao um gá e tanto. Quero agradecer a "Qh" e a "Charlie Moon" pelas adoráveis recomendações, obrigada mesmo. Sem mais delongas deixo vocês a vontade com o capítulo!

Quando volto a acordar ele já não está mais na cama, seus braços não estão mais em volta de mim. Nesse momento eu percebo que fiz uma burrada sem tamanho, eu não era mais ingênua ao ponto de pensar que talvez Ivo não fosse saber desse pernoite no apartamento de Oliver, isso poderia trazer alguma consequência, apressei-me em me vestir, ciente de que eu precisava ir embora o quanto antes, ignorei minha blusa de couro preta e vesti uma camisa branca de Oliver, era o mínimo que ele me devia após sua brincadeira de roubar minha calcinha, vesti a saia, calcei as botas e enrolei o casaco em minha mão, o meu plano era sair o mais sorrateiramente possível, mas parei hesitante ao ver Oliver vestido apenas de calças jeans falando em tom baixo ao celular.

Ele estava de costas para mim, ele não podia me ver e sequer era consciente da minha presença, eu poderia facilmente ir embora sem que ele percebesse, porém algo me impediu de sair, talvez tenha sido a forma como seu tronco estava tensionado, toda a musculatura estava rígida, quem quer que esteja falando com ele dizia algo que não lhe agradava nem um pouco, era um momento pessoal e eu não deveria estar assistindo, mas ao vê-lo fechar a mão como se tivesse se contendo me movi, só que em vez da direção da porta eu meu aproximei.

– Eu já sei que você me acha um pedaço de merda speed. – Escutei sua voz se elevar, imagino que sem que ele tivesse dado conta. – Mas eu preciso que você venha até aqui para assinar os malditos papeis. – Respirou fundo tentando se controlar, controlar a raiva que parecia o consumir cada vez mais. – Eu não me importo porra nenhuma com o que você quer, traga seu maldito traseiro aqui! – Gritou. – Sim, inferno eu já sei o quanto você queria que eu estivesse morto. – Pisquei surpresa com o último comentário e franzi o cenho tentando encontrar algum sentido na conversa. – Segunda no meu escritório. – Exigiu antes de desligar o celular, o que veio a seguir fez com que eu desse um passo para trás. Oliver jogou o celular contra a parede com uma violência que eu ainda não o tinha visto expressar.

Quando ele se virou seu olhar se encontrou com o meu com surpresa, ele ainda estava alterado, tanto que voltou a se virar dessa vez caminhando para a grande janela de vidro que dava vista para boa parte de SC e apoiou uma mão lá, ele havia se afastado de mim, meu primeiro pensamento foi dar meia volta e ir embora, até que eu percebi, ele estava tentando se controlar, controlar sua raiva antes de lidar comigo, outros homem como eu bem sabia tendiam a descontar sua raiva naquilo que estivesse mais próximo, infelizmente em alguma vezes eu era aquilo mais próximo, perceber que ele estava fazendo o contrário, observar sua mão se fechar em busca não de me atingir, mas de controle fez com eu caminhasse alguns passos agora sem hesitar até ele.

– Se afaste Felicity. – Murmurou percebendo minha aproximação, mas eu não o fiz, indo contra suas ordens eu joguei meu casaco no chão e acabei com a distância que nos separava, o abracei daquela forma, encostei minha cabeça em sua omoplata, abracei sua cintura e fechei meus olhos, nós dois juntos formávamos uma confusão, uma bagunça, mas eu sentia que de algum jeito era disso que ele precisava. Alcancei sua mão que agora estava espalmada no vidro com a minha e envolvi seus dedos com os meus e a recolhi voltando a envolver sua cintura, por um momento permanecemos assim, apenas com o som de nossas respirações. Mas eu finalmente me acovardo e dou um passo para trás o soltando, ao menos foi o que tentei, mas sua mão não soltou a minha, ele não permitiu.

– Apenas mais alguns segundos. – Murmurou me puxando até o sofá, para minha surpresa no momento em que me sento no sofá, ele senta em minha frente e sua cabeça repousa contra meu peito me abraçando, meus braços automaticamente envolve seus ombros e meio que hesitante levo uma mão até seus cabelos os acariciando. Eu não sei o que estou fazendo aqui, penso que talvez ele esteja se perguntando a mesma coisa, Oliver, este Oliver não é o que eu estou acostumada a lidar, estou acostumada com o Oliver de sorriso frio, com o Oliver durão, que não confia em ninguém, que repudia qualquer contato físico que não esteja envolvido ao sexo, este Oliver abraçado a mim, esse eu não conheço, com esse eu não sei lidar.

Tomo uma respiração forte e me reúno de coragem.

– Quem era no celular Oliver? – Pergunto ainda que temendo que se afaste, eu não queria admitir, mas tê-lo assim conseguia trazer um conforto não só para ele, mas para mim, esse contato era algo mais do que eu estava acostumada. – Quem é Speed? – Demorou um século até que ele respondesse, eu pensei que na verdade ele não faria, já estava esperando o silêncio como resposta e me concentrava apenas em seguir o acariciando, o acalmando.

– Minha irmã. – Escuto por fim a resposta, e de certa forma não me surpreendo, apenas uma pessoa tão próxima seria capaz de tirar o seu habitual controle dessa forma. – O que aconteceu? – Sinto-me cada vez mais ousada e prossigo com as perguntas. – Por que ela te ligou?

– Ela não me ligou. – Respondeu se endireitando, pensei que uma vez desfeito o contato ele retrocederia, mas ele prosseguiu falado. – Eu que fiz, eu lembrei que preciso de suas assinaturas em breve ou corro o risco de perder algumas de nossas ações.

– E qual o problema? O que ela viu de errado nisso? – Perguntei confusa. – Ela precisa que você cuide de seu patrimônio certo? A final é dela também.

– Eu esqueci. – Murmurou sério, seus olhos desviaram dos meus e ele passou a fitar a parede de trás de mim. Eu não queria que ele voltasse a se fechar. – Eu esqueci que dia era hoje, isso nunca aconteceu, ontem mesmo eu estava falando com Tommy sobr... – Parou tomando uma nova respiração. – Eu fiquei tão envolto com o que aconteceria ontem a noite e hoje de manhã você estava...

– Oliver... – O chamei. – Oliver olhe para mim. – Pedi, eu já havia percebido que ele se culpava por algo que havia esquecido, e que de certa forma minha presença aqui tinha feito isso. – Que dia é hoje?

– Hoje faz seis anos que meus pais morreram. – Murmurou com pesar. – Eu costumava sequer dormir porque ficava pensando nisso e se o fazia quando eu acordava esse era meu primeiro pensamento, mas hoje... – Suspirou. – Ela está certa. Eu deveria ter morrido naquela noite.

– Ela não está certa. – Neguei. – Ela ainda está sofrendo, e isso faz com ela fale bobagens, mas ela não quis dizer isso de verdade, em algum momento ela vai se dá conta que você é tudo o que ela tem e que devem permanecer unidos. – Eu estava surpresa pelo meu tom sair firme, ter Oliver vulnerável falando comigo dessa forma estava me abalando. – Você não deve se culpar por estar seguindo com sua vida Oliver, você e ela merecem isso. – Ele me encarou longamente e emitiu um suspiro sonoro, eu podia notar a surpresa em seus olhos, essa situação também o estava abalando, eu precisava ir, eu não podia seguir me envolvendo ainda mais em seus assuntos, por mais que eu quisesse.

– Obrigado. – Murmurou mais uma vez me surpreendendo. – Você foi à razão de eu ter esquecido. – Abro a boca mesmo sem ter nada o que dizer. – Felicity. – Volto a encara-lo ao notar o tom urgente em sua voz. – Eu preciso saber, por que você faz isso? Por que você se vende? – Sinto minha garganta ressecar, me ergo do sofá e me afasto com passos trôpegos. Eu não posso me abrir com ele, por mais que eu queira despejar toda a minha história em seus ombros, por mais que eu precise do seu conforto eu não posso, não consigo fazer isso, o olhar decepcionado que ele me dá me informa que ele já sabe que estou prestes a ir. – Felicity.

– Eu preciso ir. – Murmuro.

– Diga-me. – Volta a pedir.

– Por favor, Oliver. – Pedi o encarando, a ameaça de lágrimas está ali, eu não posso evita-las, e eu apenas estou encarando a possibilidade de contar a ele, o que aconteceria se eu de fato me abrisse? – Não me peça isso. – Murmuro. – Eu não posso.

– Eu preciso saber...

– Eu não posso. – Repito minha vontade é de sair correndo, mas eu não queria deixa-lo assim, volto a me aproximar e me ergo nas pontas dos pés plantando um beijo suave em seus lábios, sua respiração se altera e quando abro meus olhos os seus os prende com a intensidade que os dominam. – Sinto muito pelos seus pais. – Falo antes de finalmente me afastar e deixa-lo no meio da sala, atônito e sem respostas.

POV OLIVER

A observo ir atônito demais para me mover e impedi-la, eu sequer sei por que precisava de sua resposta, mas o fato de que ela não assumiu o ar costumeiro de deboche, o fato de ela ter dito que não podia me dizia que Felicity Smoak não era exatamente quem eu costumava imaginar ser. Eu ainda não acreditava que apenas sua presença tenha me feito esquecer que dia era hoje, mesmo ontem quando Tommy me forçou a lembrar sobre o fático dia eu não tinha feito à ligação de datas, e tudo por que eu a matinha em minha mente... Eu estava tão fudido.

Quando eu acordei com meu queixo descansando na cabeça de Felicity meu primeiro pensamento foi de como isso havia acontecido, meu segundo estava envolto em como eu poderia acorda-la da forma mais sensual possível, mas optei por me retirar do quarto, estar com ela ainda era confuso demais para mim. No momento em que cheguei até a sala eu não sei por que inferno me lembrei dos malditos papéis e julgando que aquele era o horário que Thea estava indo para a faculdade resolvi liga-la lembrando. A explosão de Thea no momento em que falei sobre as ações me surpreendeu, ela costumava apenas ser fria comigo, então logo notei que havia feito ou dito algo que a aborreceu, no momento em que ela me chamou atenção por ser um porco insensível meus olhos caíram para o calendário decorativo na parede, e tudo caiu sobre minha cabeça de vez, toda a sensação de impotência me dominou, tê-la gritando comigo me subiu a cabeça, eu estava com raiva dela, mas ainda mais de mim, mas em vez de tentar consola-la, de tentar me aproximar dela continuei falando dos malditos papéis, em busca de algo que me distraísse.

Eu nunca tinha esperado sentir os braços de Felicity em volta de mim, nunca tinha esperado sentir seu conforto, e mais do que isso eu não esperava desejar, precisar de seu conforto, mesmo quando ela se afastou eu ainda precisava tê-la perto de mim, eu não sei por que respondi suas perguntas, mas o fiz, e quando dei por mim, como um clique em minha cabeça eu percebi que alguém assim não deveria estar vendendo seu corpo, alguém assim não merecia ser quebrada desse jeito, eu tinha esperanças de que talvez ela estivesse fazendo isso por um motivo maior, um que eu desconhecesse, e ao julgar a maneira com a qual ela saiu do meu apartamento eu estava certo, eu só precisava ir ao fundo disso, eu precisa descobrir o por que.

POV SARA

Ando sem paciência até a minha porta, a campainha toca sem cessar, eu já imaginava quem seria mesmo antes de abri-la, eu ao menos desejava que ele tivesse me dado alguns minutos a mais para dormir antes de aparecer. Sem nenhuma surpresa encaro Tommy quando abro a porta do meu apartamento.

– Bom dia. – Ele não sorri. A cada ano ele fazia isso, pela manhã cedo ele vem até mim. Ele sempre vem me consolar, a questão é que não preciso mais de consolo, eu me sentia mal por isso? Sim. Mas eu já não lamentava mais a morte da minha irmã, eu estava triste é claro, mas as lágrimas já haviam secado.

– Bom dia Tommy. – Ao contrário dele eu abro um sorriso de boas vindas, mesmo não estando de bom humor.

– Oi. – Seu sorriso finalmente estava ali, eu não podia gostar de um dia onde não visse Tommy sorrindo. Dei espaço para que ele entrasse e ele seguiu a sugestão e entrou, apontei a cozinha e ele foi até lá, rapidamente coloquei minha cafeteira para trabalhar e o servi com uma xícara para então pegar uma para mim, ignorei a mesa com as cadeiras e me sentei no balcão por cima de um tornozelo deixando uma perna balançando distraída. Ele se encostou contra a mesa me observando com atenção.

– Até quando faremos isso Tommy? – Perguntei após um gole, ele me encarou confuso. – Isso. Todo ano logo cedo pela manhã, no aniversário de morte de Laurel você vem me visitar, não fazemos nada que leve ao assunto, sequer falamos sobre, mas você sempre vem.

– Por que eu sinto que você precisa de mim. – Falou após alguns segundos. – Por que no começo eu precisava de você.

– Você ainda a ama? – Perguntei por impulso e me arrependi, eu não sei se queria saber dessa resposta, todos os anos que vi o desenrolar do relacionamento dos dois, desde a paquera até noivado eu tinha me conformado com minha irmã indo se casar com o homem pelo qual eu estava apaixonada. Eu não esperava que depois tantos anos eu ainda me sentisse assim. – Esquece. – Pedi ciente de seu olhar apreensivo. – Foi uma pergunta tola. – Ele me surpreende quando deixa sua xícara de lado e se afasta da mesa, e recolhe a minha a depositando um pouco mais longe, volta a se aproximar apoiando suas mãos em minhas pernas e eu automaticamente me ajeito descendo a outra perna, seu olhar é intenso e seus polegares estão fazendo círculos que torna difícil me concentrar no que diz.

– Eu não sei se alguma vez a amei. – Suas palavras me surpreende mais do que sua aproximação repentina. – Com certeza eu estive apaixonado por ela por um tempo, mas eu já não estava mais quando ficamos noivos.

– Então por que você ia se casar com ela Tommy? – Franzi o cenho, eu queria compreender isso, mas eu não o entendia, de repente eu estava zangada com ele, por que prosseguir com algo que não estava dando certo? Tirando meus sentimentos fortes por Tommy e independentes deles, eu sempre o vi como amigo e sempre julguei que Laurel não o merecia, ele merecia alguém que realmente o amasse, mesmo que essa pessoa não fosse eu. – Não faz sentindo. – Sussurro.

– Sara eu nunca quis dizer isso por que não achava certo, não depois de sua morte. – Suspirou. – Não queria de alguma forma diminuir a imagem que seus pais têm de sua irmã, que você tem dela.

– Eu sei bem quem era minha irmã Tommy, mesmo sentindo sua morte. – Confesso.

– Nós não estávamos mais noivos quando ela morreu. – Falou, demorei um tempo para compreender. – Eu descobri que ela havia mentindo sobre algo muito importante, algo que me fez pedi-la em casamento.

– O que era? – Perguntei ainda confusa.

– Sara você precisa entender algo antes. – Murmurou sério. – Meu relacionamento com sua irmã já estava abalado, eu já não estava mais feliz ao seu lado e ela havia percebido que eu estava me apaixonando por outra garota antes mesmo que eu percebesse.

– Outra garota? – Repeti atônita, era algo que eu não esperava, sempre me iludi achando que se alguma vez Tommy deixasse de sentir algo por Laurel seria por mim, sempre nos julguei tão próximos que não descartava a possibilidade, mesmo que mínima dele retribuir meus sentimentos, saber agora que existia outra garota...

– Sim. – Concordou. – Então Laurel percebeu uma real possiblidade de terminarmos, mas ela agiu antes que eu fizesse isso, ela disse que estava grávida.

– Laurel estava grávida? – Ele meneou a cabeça com pesar.

– Não. – Negou. – Ela mentiu para mim, eu não sabia que era mentira e a pedi em casamento, pelo bebê. Mas eu descobri que ela estava mentindo e terminei com ela, foi uma briga feia, dissemos coisas horríveis um ao outro e ela foi a essa viagem com os pais de Ollie e tudo aconteceu...

– Entendo. – Murmurei ainda que não compreendesse de todo, Tommy havia pedido Laurel apenas por causa de um suposto bebê e ele estava apaixonado por outra ao menos na época. Mas o que havia acontecido com a garota pela qual ele havia se apaixonado? – Tommy... Quem era a garota? Eu não me lembro de você estando em um relacionamento desde Laurel, eu sei que você teve seus casos de uma noite só, mas não me lembro de nenhuma garota específica. A garota não era tão especial assim? – Um sorriso brincou em seus lábios e senti a pressão dos seus dedos aumentarem.

– Ah ela é sim. – Falou.

– “Ela é” Você ainda é apaixonado por ela? – Perguntei hesitante.

– Mais do que isso. – Murmurou. – Eu sou louco por ela. – Só então percebo o quanto estamos próximos, só então percebo a forma como ele me encara e o brilho de seus olhos me cativa, uma pergunta vem a minha mente, algo que eu só posso contemplar em meus próprios pensamentos, que não ouso dizer em voz alta, estaria ele falando... – Você não consegue imaginar quem seria Sara? Eu sou louco por essa menina desse o momento em que julgava que ela fosse apenas uma dor no meu traseiro...

– Tommy...

– Eu te amo Sara. – Meu coração acelera com intensidade ao escutar suas palavras e pisco surpresa, era surreal. – Não apenas como amigo, eu sempre serei seu amigo, mas muito além disso, Laurel percebeu isso muito antes do que eu, eu sempre pensei que você não sentia da mesma forma e ainda penso, por isso me conformei em estar ao seu lado apenas como amigo, mas eu passei o dia ontem com Ollie e ele me disse coisas que fez com que eu continuasse pensando nisso, eu acho que agora é a nossa hora, isso se você deixar que eu tente conquista-la, se você nos permitir uma chance eu juro que farei o melhor para deixa-la feliz, tudo o que preciso é que nos der uma chance, mas eu entenderei se você achar que não devemos.

Meneio a cabeça tão somente por que estou surpresa com sua declaração, mas ele encara isso como uma recusa e começa a se afastar, eu o impeço segurando sua camisa, eu não sei o que dizer, não sou boa com as palavras, e não sei como me expressar então tudo o que faço é ignorar seu olhar aturdido e puxa-lo ainda mais para mim, eu selo seus lábios com os meus, e embora ele tenha parecido surpreso ele não fica parado, suas mãos voltam a me agarrar com força dessa vez na cintura, seus lábios movem-se sobre os meus com experiência, durante segundos apenas nos beijamos, sua língua entra em contato com a minha a provocando, seus dentes mordiscam meus lábios com erotismo, puxo seu cabelo afastando seu rosto do meu, seus olhos me encaram enquanto recupero meu fôlego. – Eu te amo. – Murmuro apenas por que não conseguiria prosseguir sem ao menos ter dito isso em voz alta. – Mais tarde eu penso em um discurso que faça jus ao seu, mas agora eu preciso de você. – Ele entende a forma que eu preciso dele em poucos segundos, pois um sorriso sacana brinca nos lábios masculinos e suas mãos passam a mover-se pela blusa do meu pijama com pressa, sem demora seus lábios voltam a encontrar aos meus enquanto suas mãos viajam pelos meus seios, emito um gemido e enlaço sua cintura com minhas pernas, ele me toma ali contra a bancada, em um rompante de desejo, apenas quando nossas respirações se normalizam que ele me ergue ainda com minhas pernas envolta de si e me levar para o meu quarto, dessa vez nos amamos com mais calma e meu último pensamento é o quanto estou feliz em finalmente chama-lo de meu.

POV FELICITY

Eu ainda estava surpresa pelo o que havia acontecido mais cedo, pelo momento terno e confuso que houve entre nós dois e pela pergunta de Oliver. Passei todo o restante do dia tensa, esperando algum movimento de Ivo, por que ele faria eu tinha certeza, mas ele estava estranhamente quieto, essa era sua diversão, me deixar inquieta pensando em qual seria o seu próximo passo, mesmo Sin percebeu o quanto eu estava tensa. Trabalhei alternando meus pensamentos entre o passado de Oliver o qual eu sabia muito pouco e o meu próprio passado, eu não era tola eu sabia que estava me envolvendo, mas sabia que isso não poderia continuar acontecendo, mas por mais que eu quisesse me afastar de Oliver eu não conseguia, e ainda por cima existia Ivo exercendo o controle sobre nossos encontros, eu não conseguia entender ao certo o que ele queria, ele não quer que eu me envolva com Oliver, mas quando eu me afasto dele ordena o contrário, eu não entendia como isso funcionava, como sua mente funcionava, talvez fosse apenas mais uma maneira de me quebrar, apenas sua forma de dizer que sou seu brinquedinho de corda, sua marionete, nada que eu faça é de minha vontade, tudo depende do seu próprio movimento, tudo o que eu queria era poder cortar as cordas invisíveis que me ligava a ele.

Quando eu termino meu turno e vou até meu apartamento tudo o que posso fazer é suspirar aliviada, ao menos é o que eu penso antes de entrar nele e encontrar mais uma vez Ivo. A verdade é que presença dele não me surpreende, não de todo, mas a dos outros dois homens sim.

– Eu estava esperando por você minha querida. – Ivo fala com um sorriso. – Eu me pergunto se você se lembra deles. – Aponta com o queixo os homens parados cada um ao seu lado. – Eu tremo apenas em olhar para os rostos, eu jamais os esqueceria, não tendo em vista o que fizeram naquele dia. – Esses cavalheiros foram os que disputaram sua virgindade lembra? – Fala como se fosse possível eu esquecer isso. — Eu liguei para eles hoje e ofereci generosamente por conta da casa que eles relembrarem a experiência. – Dei um passo trôpego para trás. Eu queria fugir, mas Ivo me alcançou antes que eu pudesse fazê-lo, seu rosto se aproximou do meu quando murmurou as palavras frias. — Pode durar a noite toda, talvez eles precisem sair apenas pela manhã, mas ao que parece você não se importa em passar a noite com seus clientes não é mesmo?

– Ivo não... – Peço engolindo meu orgulho, eu não poderia reviver aquele dia novamente, não em pensamentos e muito menos passando por tudo de novo. – Por favor.

– Divirtam-se rapazes, após tantos anos ela ainda é o melhor que eu tenho a oferecer. – Murmurou me jogando para o centro da sala. Escutei a porta se bater denunciando sua saída, em nenhum momento eu tirei os olhos dos dois homens a minha frente, eu não poderia. Ele não faria isso comigo, não novamente, não atenderia aos pedidos nojentos desses homens mais uma vez, e não faria isso na casa em que dividi com meu irmão, ergui meu queixo enchendo-me de coragem embora tremesse por dentro.

– Vocês estão convidados a se retirar. – Minha voz se quebrou denunciando meu nervosismo.

– Você escutou o que ele disse, já está tudo pago, você é nossa para brincar hoje. – O loiro falou.

– Eu não concordei com nada disso. – Retruquei. – Saia.

– Você acha que realmente uma puta dizer não irá nos impedir? – O moreno riu, encolho com sua risada.

– Eu vou dizer apenas mais uma vez para saírem. – Por um momento me esqueci de Ivo e seu poder sobre Roy, neste momento eu estava pensando apenas em mim, e como eu não queria passar por isso novamente. – Saiam ou eu vou chamar a policia.

– E dizer o quê? – O loiro voltou a falar. – “Sou uma prostituta, mas hoje eu não estou a fim?” Nós dois sabemos que o policial vai rir e perguntar por quanto você faz um boquete. – Pelo canto do olho notei seu amigo se aproximar e voltei a recuar, Ivo não estava mais ali para me impedir me apressei a correr par a porta, mas uma mão forte me agarrou no momento em toquei no trinco, olhei para baixo e agradeci minha sorte por hoje ter me lembrado do maldito taco, puxei minha mão com força tentando ao menos dificultar seus esforços, desajeitadamente peguei o taco e girei batendo com força em sua cabeça, ele me soltou por alguns segundos, esses míseros segundos não foi o suficiente para ir embora por que o loiro já havia me alcançado, gritei ao sentir suas mãos em meus seios e fiquei enjoada com o ato, quando me jogou contra a parede mais próxima chorei pelo o que eu sabia viria a seguir enquanto escutava seus risos, empurrei seu peito e o mordi quando tentou abafar meus gritos com a mão, estava tão nervosa que não me dei conta do silêncio súbito segundos depois, ele não ria mais, sua mão não mais tampava minha boca e sua cabeça estava inclinada olhando para o lado, eu não me atrevia a olhar para o lado, seu amigo devia estar preparando algo do qual eu não queria imaginar, fechei meus olhos tentando desesperadamente controlar meus soluços.

– Saia daqui cara. – Escutei a voz masculina dizer perto de mim. Teria Ivo voltado? – Estamos em um momento de diversão aqui. – Falou com humor.

– Ela não parece estar se divertindo. – Escuto a voz retrucar em tom duro. – Largue-a. – O choque fez com eu não conseguisse discernir a quem pertencia à voz até que ele retorna a mandar com a voz cada vez mais impregnada de ódio. – Eu disse para você larga-la. – Abro meus olhos e finalmente encontro os olhos de Oliver me encarando, o que eu havia visto mais cedo não poderia se comparar ao que estava diante de mim, seus olhos estavam frios e cheios de ódio, mas eu sabia que não eram para mim, mas sim por mim.

– Arranje sua própria puta. – Escuto o outro cara falar tenso. – Essa é nossa.

– Ai que você se engana, ela é minha. – Entra por completo na sala como se não fosse totalmente alheio que esses dois caras juntos poderiam machuca-lo, e talvez ele fosse. – E não gosto da palavra puta. – Ele volta seu olhar para o meu rosto e de novo para o meu captor. – Eu não vou voltar a repetir, solta-a ou eu juro que eu vou mata-lo. – O cara a minha frente era mais alto e mais pesado que Oliver, mas ainda assim algo no tom que Oliver usa, algo em seu rosto faz com que ele desse um passo para trás e me solta, eu fico ali parada contra a minha parede sem saber como agir. – Saia. – Oliver fala mais uma vez, estou chocada como é exatamente isso que eles fazem, o outro não está feliz, ele é sem dúvida alguma o mais esquentado, ele queria ter enfrentado Oliver, eu honestamente não sei por que não o enfrentaram, ele é apenas um, e aqui no Glades se você está em maior número você se aproveita isso, eu estou ciente que Oliver está lá em minha frente, eu percebo que ele se aproximou, mas ainda estou sob o efeito da possibilidade de quase ter repetido a minha primeira noite, a mais odiada e a que eu mais procurava esquecer, eu não havia percebido que havia deslizado pela parede e abraçado meus joelhos até que Oliver se agacha em minha frente. Ele me trata como um animal assustado, ele não saber como agir, eu entendo isso. Sua mão me alcança ainda que hesitante e empurra meus cabelos para trás, seu dedo corre pela minha face enxugando uma lágrima, eu não queria que ele tivesse presenciado isso, eu era grata por ele ter aparecido, mas não gostava da ideia dele ter visto isso, apenas uma amostra do que tenho que lidar.

– Você vai ficar bem? – Ele pergunta com a voz rouca, eu gosto de sua pergunta, do modo que ele faz, ele sabe que eu não estou bem, eu aceno afirmativamente, eu sempre ficava, esse era o resumo da minha vida, algum bastardo me quebrava apenas para eu recolher os cacos e ter que lidar tudo de novo, a verdade era que eu já estava cansada de me juntar.

– Onde você estava quatro anos atrás? – Deixo a pergunta escapar. Ele engole em seco e sei que revelei mais do que eu queria ou podia. Há uma similaridade com o que houve antes, dessa vez eles não me conseguiram, dessa vez eu não fui obrigada a atender seus desejos sujos, mas tal como antes eu termino a noite chorando no colo de alguém, mas dessa vez não é Helena que abafa meu choro e afaga minha cabeça, dessa vez é Oliver.

Notas finais
Espero que tenham gostado!! E peço desculpas por qualquer errinho, nos vemos nos comentários... Xoxo LelahBallu.