Felicity's Secrets

24 Último Capítulo


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAS APÓS LEREM O CAPÍTULO.

Minha percepção de tempo mudou, o tempo congelou, segundos se transformaram em minutos, horas que pareceram conduzir a eternidade e ainda assim não eram mais do que segundos. Minha respiração suspensa se fez audível quando a onda de silêncio dominou o recinto após a confusão que se formou com o que eu havia feito.

Eu havia atirado em Ivo.

Uma.

Duas.

Três.

Quatro vezes.

No momento em que eu havia disparado, assisti incrédula a primeira bala atingir seu ombro fazendo com que recuasse e sua expressão fosse dominada pelo pânico misturada a dor e descrença. Ele realmente pensou que eu não atiraria nele. A segunda, a terceira e por fim a quarta veio sem sequer eu me dar conta, ninguém antecipou isso, eu não estava mirando, eu não estava atirando friamente, calculando, eu estava agindo automaticamente.

Em um pequeno espaço de tempo, este se esticou, cada pensamento meu ia e vinha em um emaranhado, eu absorvia vários acontecimentos enquanto minha mente incrédula constatava que eu realmente havia feito isso, sequer eu havia antecipado isso, que seria eu a matar Ivo, suponho que há uma ironia escondida em algum lugar ai, Ivo gostava de ironia, mas eu não acho que ele se animaria muito com essa em particular.

Larguei a arma sentindo todo o meu corpo tremer e lágrimas derramarem sem qualquer controle, meu joelhos cederam e caí ajoelhada encarando o corpo imóvel.

— Felicity. – Escutei a voz de Oliver me chamar em tom suave, senti uma mão tocar em meu ombro com delicadeza, desviei meus olhos dos de Ivo que permaneciam abertos, parados, sem vida, tão frios na morte quanto foi durante sua vida, e encarei os de Oliver enquanto se ajoelhava diante de mim, bloqueando a visão do corpo sem vida. Parte do meu cérebro registrava a entrada abrupta de Diggle e um homem desconhecido no apartamento, ambos sustentando suas armas de forma defensiva e impedindo que o subordinado de Ivo fugisse, mas para ser honesta eu havia me esquecido de sua presença. – Felicity. – Voltou a sussurrar ciente de que ainda não tinha toda minha atenção. – Acabou. – Murmurou envolvendo meu rosto com uma mão, deslizando seu polegar pelas lágrimas tentando livrar-me delas. – Acabou. – Repetiu. – Você está livre.

— Livre. – Repeti ainda em choque recebendo um aceno seu. – Eu estou livre. – Sussurrei antes de sentir sua mão ir até minha nuca e me puxar para seu ombro forte, percebi que as lágrimas retornaram ao ponto de que meu choro era algo audível e entrecortado, ele murmurava que eu estava salvo, que tudo ficaria bem, que ele lidaria com tudo isso, eu soava desesperada, mas tudo o que pude me concentrar, tudo em que pude pensar foi em que eu estava livre, que finalmente eu havia escapado da gaiola de ouro.

— Oliver. – Diggle o chamou inquieto. – Precisamos tira-la daqui. – Ergui minha cabeça me concentrado no que dizia, notando também que haviam rendido e amarrado o capanga de Ivo que havia sobrado. – Precisamos tirar vocês dois daqui. – Ressaltou. – Há um segurança de Merlyn lá embaixo, ele os levará para o apartamento de vocês, nós ficaremos aqui e nos livraremos de... Tudo.

— Ela vai. – Oliver acenou. – Eu fico.

— Não precisamos de qualquer um dos dois na cena do crime. – Diggle murmurou de forma abrupta. – Eu sei que aqui é o Glades, e que tiros não são novidades nessa área, os tiras não terão pressa em vir até aqui por imaginar envolver um acerto de contas entre drogados, mas eles estarão aqui e queremos que antes tudo esteja limpo, você quer arriscar que Felicity seja presa?

— Foi legítima defesa. – Argumentou.

— E ele é Anthony Ivo, que morreu sem que nenhum de seus segredos viesse à tona. – O homem que até o momento tinha permanecido calado murmurou. – Obrigado por isso linda. – Murmurou me encarando diretamente. – Para ser sincero eu estava ansioso por ser aquele que o mandaria para o inferno, mas estou feliz que tenha sido uma loira sexy.

— Quem é ele? – Oliver perguntou franzindo o cenho.

— O cara que livrará sua garota de ser presa. – Retrucou. – Desde que ela saia daqui.

— Ela vai. – Tornou a repetir. – Mas eu quero ter certeza que tudo dará certo.

— Está bem. – Diggle concordou. – Apenas a coloque no carro com o motorista de Merlyn, não temos tempo a perder.

Oliver voltou a assentir antes de me guiar pela saída do meu pequeno apartamento, já não era meu, eu precisava me lembrar disso. Não era desde o momento em que deixei Ivo e quatros anos de humilhação para trás, e com seu sangue manchando as paredes e chão parecia apenas à constatação de que minha vida jamais permaneceria assim, de uma forma ou de outra, gostando ou não da maneira que havia acontecido, da forma como eu fiz... Tinha acabado. Eu sabia que cada evento dessa noite estaria voltando uma vez ou outra em meus pensamentos e sonhos, eu sabia que acordaria no meio da noite aos sons dos tiros, e que aquele olhar vago estaria cravado em minha mente para sempre.

Mas agora, nesse exato momento, eu não sentia nada. Arrependimento? Eu sei que deveria sentir por ter tirado uma vida, eu não era uma assassina, em algum momento esse sentimento voltaria até a mim, mas agora eu sentia alívio, eu era dominada por alívio, não só por mim, mas por todos aqueles a quem Ivo já havia feito mal, eu sei que alguém assumiria seu lugar, eu sabia que no esquema que ele participava ele era uma peça passível de substituição, Ivo era arrogante ao ponto de achar o contrário, mas sempre haveria monstros iguais a ele enquanto existisse alguém como eu para machucar, não era possível acabar com todo o mal, não no mundo real, mas o meu monstro, o que havia sido de muitos outros havia sido destruído, e isso me deixava aliviada, por mim, por Roy, por Helena e por muito outros.

— Felicity. – Oliver chamou minha atenção quando paramos ao lado do carro que Diggle havia indicado. Oliver estava apressado, mas ainda assim se mantinha preocupado comigo. – Eu não posso estar com você até que tenhamos certeza que nada ligará a morte de Ivo a você...

— Venha comigo. – Pedi. Essa era a parte egoísta de amar, querer estar com a pessoa mesmo quando estava claro que a outra não podia. – Voltemos juntos. – Insisti.

— Não posso. – Murmurou segurando meu rosto. – Não agora. – Repetiu. – Mas eu quero que você saiba que o fez hoje, foi necessário, que se fosse eu sequer teria piscado, não teria hesitado, eu estava pronto para matar Ivo por você, não havia outra forma dessa noite acabar sem que resultasse em sua morte.

— Você não precisa se preocupar comigo. – Murmurei o encarando. – Eu sei o que fiz, e vou lidar com isso.

— Eu sempre vou me preocupar com você, sempre. – Respirou fundo. – Eu te amo, e isso significa que eu nunca poderei abandonar essa preocupação, eu temo as consequências que matar Ivo venham mais tarde, internamente, em sua mente, eu nunca quis que fosse você a disparar aquela arma.

— Eu sinto muito Oliver. – Meneei a cabeça. – Não poderia ser outra pessoa se não eu. – Trouxe seu rosto até o meu. – Eu te amo. – Murmurei. – Volte para mim. – Pedi antes de beijar seus lábios levemente, eu ainda estava sob o efeito dessa longa noite, de quase tê-lo perdido, de quase ter feito algo imperdoável em sua frente, ele beijou meus lábios novamente e minha testa, o abracei com força, a vontade de nunca larga-lo era tão grande que chegava a ser sufocante, então me obriguei a me separar dele e entrar no carro.

— Cuide dela. – Murmurou para o motorista que acenou afirmativamente antes de engatar a macha e nos tirar dali. Mantive meu olhar em Oliver até que desapareceu da minha linha de visão, encostei minha cabeça contra o vidro gélido e tentei me tranquilizar, sem os braços de Oliver me envolvendo ficou mais difícil conter os tremores que ainda dominavam meu corpo, quase impossível, o pensamento do que quase fiz em sua frente fazia com ondas de náuseas voltassem e se mesclasse ao que eu havia feito. Eu havia matado uma pessoa, uma pessoa horrível, cuja morte era desejada por muitos, mas ainda assim... Eu o havia matado.

E agora eu via a possibilidade de uma nova vida.

Uma vida onde não haveria mais medo, que não estaria sendo pressionada, onde eu não seria forçada a vender meu corpo. Uma vida ao lado de Oliver, o homem que havia começado tudo isso, o homem a quem pela primeira vez eu permiti dar mais de mim do que apenas meu corpo, a quem eu havia dado meu coração, e sem que ao menos eu fosse capaz de perceber. Eu teria uma vida ao seu lado.

Permiti que a ideia trouxesse um sorriso aos meus lábios sem perceber de imediato, a expectativa de estar livremente ao seu lado me dominando, haveria muito com o que lidar, claro que haveria, não há como se esquecer de que fora ter um filho, que para mim era o de menos, havia o fato de que tecnicamente Oliver ainda era casado, coisa que ele havia esquecido quando me propôs casamento no quintal de Roy, eu sequer sabia se ele realmente queria tentar algo assim uma segunda vez, mas não precisávamos ter pressa, agora teríamos muito tempo. Roy finalmente entraria na faculdade e talvez eu poderia tentar o mesmo, talvez eu pudesse finalmente ter o destino que havia traçado para mim, por que não? Eu sabia que Oliver seria o primeiro a me apoiar, ele sabia o quanto minha vida havia estagnado graças a Ivo, e agora sem ele finalmente poderia continuar de onde eu havia parado.

Tão envolta em meus pensamentos e desejos eu estava que percebi apenas tardiamente que não reconhecia o caminho pelo qual estávamos seguindo, franzi o cenho a constatar que na realidade era totalmente o contrário do que deveríamos ter seguido.

— O que está acontecendo? – Perguntei encarando o segurança pelo retrovisor. – Por que você não está me lavando de volta para casa?

— Recebi ordens imediatas para leva-la até meu patrão senhorita. – Murmurou em tom educado.

— Tommy está em nosso apartamento, no apartamento de Oliver. – Corrigi com receio de que ele não entendesse. Foi lá que havíamos o deixado, não havia necessidade de que saísse de lá havia? E mesmo que este tivesse voltado para seu apartamento... Oliver havia comentado comigo antes que Tommy mantinha um apartamento em um prédio tão luxuoso quanto o seu e que estava a poucas quadras do seu endereço. Ele definitivamente não estava me levando até lá. – O que está acontecendo? – Repeti ficando mais tensa.

— Eu lhe disse, estou te levando até meu patrão. – Retrucou. – Estamos quase lá.

— O que inferno está acontecendo aqui?

— Eu trabalho para o Sr. Prefeito. – Informou-me calmamente. – Não se preocupe, tudo o que ele necessita é ter algumas palavras com a senhorita.

—Leve-me de volta até Oliver, agora! – Exigi.

— Claro. – Concordou. – Assim que conversar com o Sr. Blood, e se esse ainda for seu desejo depois.

— Por que eu mudaria de ideia? – Perguntei estreitando os olhos.

— Temo que isso apenas o Sr. Blood poderá lhe responder. – Sorriu.

Contive minha vontade de verificar se as portas do carro haviam sido trancadas, eu sabia que era um ato de desespero tolo. Alguém que havia se dado o trabalho de se infiltrar entre os homens de Tommy não teria cometido o erro de me dar oportunidade fuga, eu não tinha ideia do que Sebastian Blood queria comigo, mas com meu histórico tudo o que podia previr era que vinha merda por ai.

Quando finalmente paramos, entramos em uma casa muito simples, até mesmo comum, que fez com que eu passasse a ficar ainda mais confusa, e um pouco receosa. Era aqui que Sebastian Blood perderia seu tempo se livrando de alguém tão banal como Felicity Smoak? Até onde ele iria para fazer isso era o que corroía minha mente.

— Srtª Smoak. – Escutei a voz masculina murmurar meu nome no momento em que fui guiada a entrar no escritório. – A bela obsessão de Ivo. – Sorriu amplamente. – Ao menos até sua morte. – Segurei minha respiração entendendo que o corpo de Ivo nem sequer havia tido sua última respiração direito e Sebastian Blood já sabia de sua morte. – Não faça essa cara, eu apenas não gosto de rodeios. Agora, por favor, sente-se.

— O que você quer? – Perguntei permanecendo em pé.

— Em pé? – Murmurou sem se abalar. – Está bem. Estava apenas pensando em seu conforto, talvez essa seja uma longa conversa. – Deu de ombros. – O que eu quero? Eu apenas queria... Precisava conhecer o objeto de tanto fascínio que levou dois homens tão poderosos a travarem uma pequena guerra apenas para tê-la. Mas essa não é a parte mais interessante não e mesmo? Com tantos cavalheiros prontos para destruir seu dragão foi você, a bela Megan, que acabou com a vida de Anthony Ivo, literalmente. Eu a acho fascinante Felicity. Eu acho que somos muito parecidos.

— Eu não sou nem um pouco parecida com você. – Retruquei observando o ambiente com atenção e procurando por qualquer coisa que pudesse me ajudar a me defender de Sebastian Blood, eu já tive muito o fascínio de homens para saber como essa entrevista poderia terminar.

— Sim, você é. – Falou erguendo-se, mas mantendo-se atrás da escrivaninha. – Ambos nascemos no lado feio da nossa cidade, ambos tivemos nossos monstros, tivemos aqueles que foram à razão de nossas vidas não ter sido outra coisa senão um inferno e ambos demos fim a essas pessoas, nós somos iguais Felicity, fomos feitos de um material forte, resistente, vencemos quando outros nos rotulavam como perdedores, a verdade é que eu a admiro.

— Até onde chega a sua admiração Sr. Prefeito? – Perguntei erguendo meu queixo. – Como já deve saber, eu não estou no mercado, e honestamente não sinto qualquer atração por você.

— Ah não, você está enganada, eu entendo que assuma que eu queira transar com você. – Sorriu novamente , parecia um rapaz tentando se explicar. – Muitos homens não hesitaram em deixar claro o desejo que sentiam por você, mas minha admiração não é carnal. Eu não tenho quaisquer interesses físicos em você.

— O que estou fazendo aqui? – Questionei abruptamente. – Disse que não fazia rodeios, escutei muitas palavras, mas nenhuma das quais sejam esclarecedoras.

— Bem, eu admiro você, Srtª Smoak, exceto sua escolha de amante, namorado, como quiser chamar Oliver Queen. – Moveu-se se aproximando e fazendo com que eu recuasse. – Eu o odeio. – Murmurou como se contasse um segredo e deixando-me perplexa com sua honestidade, mas sem saber ao certo onde ele queria chegar com isso. – Oliver Queen, uma vez príncipe de Starling City passa a ser rei com a morte de seu pai, sua empresa, seu dinheiro, fama e prestígio garante isso, eu posso ser o prefeito da cidade, mas nunca serei o rei.

— Eu nunca escutei tanta bobagem sair da boca de uma pessoa que deveria ser expert em argumentos. – Comentei antes que pudesse frear minha boca e me lembrar de que aqui eu era uma cativa, não convidada. Sua expressão se alterou, seu rosto ficou vermelho devido à raiva que o dominou assim como suas ações, em poucos passos ele me tinha, apertava meus braços com força, seu rosto próximo ao meu enquanto murmurava em palavras baixas e impregnadas de ódio.

— Ele possui tudo que deveria ser meu. – Franzi o cenho assimilando suas palavras e concentrando-me em qualquer coisa que não fosse à dor que suas mãos fortes me causavam. – Eu o odeio Srtª Smoak, ele sempre teve tudo e nunca deu valor, sua vida era cheia de regalias e ele não passava de um playboy, ele tinha um império para se preparar e passou suas noites em boates com stripers, putas como você, sempre na companhia de sua cópia Tommy Merlyn, Oliver Queen sempre foi um egocêntrico que teve tudo e não deu valor a nada e ainda assim era o favorito de todos, apenas com a morte de sua família que sua postura mudou, um pouco, mas ainda assim não passa de um merdinha que não mereceu nada do que possui.

— Você o odeia, eu entendi. – Assenti. – Agora me solte. – Pedi.

— Sim, eu o odeio. – Sorriu soltando-me. – Mas ele a ama. Nada o machucará mais do que de alguma maneira usa-la ao meu favor.

— Então a morte de Ivo não lhe importa. – Murmurei dando alguns passos para trás, ele permitiu, não fez nenhum movimento para se aproximar.

— Por favor, Srtª Smoak, me esclareça algo. – Sorriu caminhando até a poltrona em um espaço mais aberto do escritório e sentando-se confortavelmente. – Quem se importa com a morte de Ivo?

— Então por que citar sua morte? – Perguntei confusa. – O que diabos estou fazendo aqui? Em que jogo quer me envolver?

— É muito simples. – Riu. – Eu odeio Oliver, Oliver te ama, elimine você da equação e tudo o que restará será um Oliver perdido, devastado, sujeito a péssimas escolhas novamente.

— Então, você está aqui para me matar, Sr. Prefeito? – Ousei perguntar, eu estava passando por uma noite infernal fui de um pico a outro em pouco tempo, eu fui de cativa para assassina e livre, mas então fui cativa novamente e dessa vez ao que parecia seria aquela a ser assassinada, as lágrimas que haviam sido derrubadas após a morte de Ivo haviam se esgotado no trajeto até aqui, nesse exato momento eu era a própria frase “foda-se” encarnada.

— Você está brincando? – Ergueu uma sobrancelha colocando seu tornozelo em sua perna e se encostado à poltrona. – Você é a mulher que matou Ivo e está aqui em minha frente, altiva, queixo erguido, eu te disse, eu acho você fascinante, eu nunca a mataria, eu sou seu fã.

— E? Talvez deseje um autógrafo? – Ironizei.

— E que nem sempre eliminar uma pessoa da equação resulte na morte dessa pessoa. — — Negou levando a mão ao queixo e me observando com interesse. – Eu entendo por que pensou assim, Ivo a levou a isso quando matou Helena. Ele imaginou que ninguém fora você lamentaria a morte de uma ex-prostituta viciada em drogas, ele sabia que tinha você, mas ele nunca imaginou que a pobre e indefesa Megan objeto de sua afeição e obsessão também seria objeto de sua ruína, me diga Felicity, foi bom? Ver sua miserável vida deixando seus olhos? Sentir a vibração da arma quando atirou? Saber que não foi qualquer um, não foi seu amante, mas foi você a tirar sua vida? Qual foi a sensação?

— Eu não me lembro muito bem, mas se você me der uma arma eu posso fingir que você é Ivo e recriar. – Murmurei apenas para não deixa-lo tão à vontade. – Você não quer me matar, mas quer me eliminar, ou melhor, quer me afastar de Oliver, então é isso? Você vai usar a morte de Ivo para me ameaçar? Eu me afasto de Oliver ou então serei presa?

— Não. – Meneou a cabeça. – Claro que não. Você tem um álibi, você está aqui, é claro que você não matou Anthony Ivo, mas e Oliver Queen? Onde ele está? Você já sabe que tenho homens infiltrados, nós dois sabemos que Oliver está nesse momento limpando sua bagunça, exceto que as provas apenas empurrarão na direção dele.

— Eu matei Ivo, eu posso afirmar isso para qualquer oficial que queira ouvir. – Murmurei deixando a raiva borbulhar.

— Exato. Mas quantos vão querer te ouvir? Quantos acreditarão em sua palavra após tantas provas? – Perguntou com seu habitual sorriso cínico. – Eu tenho provas, eu tenho você aqui, não me entretendo, claro que não, eu tenho que manter minha imagem, mas meus seguranças tem direito a um pouco diversão não é mesmo? E cada um está ansioso para provar sua lealdade. No final Oliver vai ser conhecido por um homem que perdeu a cabeça ao matar Ivo pensando que este estava com sua prostituta favorita, mas na verdade ela estava fazendo o que faz de melhor. Ele será preso, apenas a primeiro momento, então seus exércitos de advogados encontrarão um jeito de fazer com que ele responda em liberdade, mas então ele já terá perdido a empresa para sua esposa Isabel Queen que logo voltará a ser apenas Rochev é claro, eu continuarei sendo apenas um prefeito, claro, mas ainda terei Connor, você conhece ele não é mesmo? O filho cuja relação nunca vai se desenvolver porque o pai foi preso e juiz nenhum permitiria uma aproximação, não tendo alguém como eu, um perfeito exemplo de pai, tudo isso por que ambos sabemos que entre assumir que é inocente e deixa-la ser acusada, Oliver escolheria prisão perpétua. O amor é incrível não é mesmo? Incrivelmente tóxico e idiota.

— O que você quer que eu faça? – Eu não ligaria em ser presa, mas eu nunca poderia deixar Oliver perder sua empresa, seu filho e sua liberdade tentando evitar que eu fosse.

— Não tão rápido, você não pode simplesmente acreditar em mim assim. – Negou. – Eu preciso mostrar a você que não estou blefando, e que tenho provas para isso, veja bem. – Levantou-se voltando a ir até a mesa onde o notebook estava. – Bem aqui, você vê imagens de Oliver entrando no apartamento em que Ivo estava, permita-me avançar e então temos os sons de tiros e alguns minutos mais tarde Oliver sai junto a alguns homens levando o corpo de Ivo. Claro que nós dois sabemos que houve muito mais nesse intervalo, mas também sabemos que não será isso que irei mostrar não é mesmo?

— Preciso perguntar novamente?

— Como você mesma disse, você vai se afastar de Oliver. – Murmurou fechando o aparelho. – Irá mais longe que pode e garantir que ninguém saiba onde está. Lhe darei algum dinheiro...

— Eu não quero seu dinheiro. – Murmurei entredentes.

— Não importa, você não tem nenhum dinheiro e para sumir é necessário de algum, você partirá e deixará um bilhete, nada sentimental. Você o está abandonando e terá sucesso, não o instigue a segui-la, nenhum de nós dois quer isso. – Murmurou esclarecedor. – Eu darei um jeito que ele o receba, não se preocupe.

— E minha ida fará com que nada disso seja usado contra ele? – Questionei. – Não interromperá qualquer contato entre ele e Connor?

— Eu não me interesso pela criança Srtª Smoak, se não fosse à insistência da mãe ele já estaria indo a um internato qualquer. – Deu de ombros. – Se fizer como estamos combinando ele poderá manter o mesmo contato de sempre com Connor, isso me poupará os momentos em que tenho que fingir que me importo com as manhas daquele garoto mimado, e minha mulher poderá continuar a fingir que eu sou tão bom e estúpido ao ponto de não saber que Connor era um Queen.

— Mas essa foi à razão de ter se interessado por ela não é mesmo? – Perguntei erguendo uma sobrancelha. – Você diz que Oliver tem tudo que era para ser seu e pelo o que vejo você se empenha em tirar o que é dele, diga-me Sr. Prefeito, você sempre soube que era um Queen? – Sua expressão se fechou, observei seu punho se fechar firmemente e só então após de alguns longos segundos ele soltar levemente sua respiração, relaxar e seu sorriso voltar.

— Cada vez mais fascinante. – Endireitou-se. – Muito esperta, mas não acha que pode anular nosso pequeno acordo com isso acha? Novamente: quem acreditaria? E se algum estúpido acreditasse... Eu ainda seria o prefeito bom samaritano que se descobriu irmão de Oliver Queen, e que por causa dessa ligação se aproximaria para perdoar e ajudar seu irmão a cumprir sua sentença de assassinato. Não importa como me coloque em sua versão, na que todo mundo receberá eu sempre seria o cara bonzinho.

— Se eles pudessem enxergar apenas uma pequena parte do que você realmente é. – Murmurei com revolta.

— Mas eles não podem, infelizmente para vocês tolos apaixonados. – Sorriu. – Eu tenho sua bolsa com alguns documentos, Hugo, o homem que a trouxe fez esse pequeno favor, e então Srtª Smoak, o que vai ser?

— Eu tenho um irmão. – Sondei.

— Estou ciente disso, eu não me importo com seu irmão. –Murmurou sem paciência. – Não estou fazendo o mesmo joguinho que Ivo Srtª. Smoak, Oliver não se importa com seu irmão, tudo o que ele se importa é com você, sua irmã e Connor e mesmo eu não usaria meu precioso filho assim. Thea ainda é um elo frágil, mas você é exatamente o que eu preciso, sua chegada o mudou, sua partida também o fará. Então, voltamos ao mesmo ponto, se quiser se arriscar eu peço para leva-la ao apartamento que divide com Queen e essa conversa nunca terá existido, eu sei que você sabe ficar quieta, principalmente tendo em mente que eu sei que Oliver é o pai de Connor, ou Hugo te levará ao terminal e você poderá dizer adeus a essa cidade e todos os problemas que ela lhe trouxe, eu estou te oferecendo a chance de um recomeço aqui, você decide, o que vai ser?

POV OLIVER

Olhei para a ampla vista proporcionada do alto da Queen Consolidated, o sol brilhava tímido escondido entre algumas nuvens, apoiei a mão no vidro frio em suspirei absorvendo os acontecimentos dos três últimos dias. Levar o corpo de Ivo para um beco qualquer do Glades e simular um assalto que havia dado errado não havia sido tão simples, Diggle precisava pensar como ele analisaria se estivesse investigando a morte do filho da puta, ter sua carteira roubada junto ao seu relógio foi o de praxe, assumir que foi após um encontro com alguma prostituta não daria certo, mas poderiam achar que ele estaria em busca de uma, ele possuía álcool em seu corpo, havia de fato bebido naquela noite, deixamos a mesma garrafa da qual ele estava tomando junto ao seu corpo com nenhuma digital fora a dele analisamos suas roupas temendo ter algo que ligasse ao apartamento de Felicity ou a própria Felicity, então logo depois nos livramos da arma, o caso não seria fechado logo por que se tratava de uma figura pública, mas a polícia de Starling City não era a melhor e eu garantiria que alguém por perto retardasse qualquer direção que eles seguissem que a associasse a Ivo, eu pessoalmente acho que eles não manteriam por muito tempo as investigações, por que o sistema estava corrupto e com certeza alguém ali sabia sobre quem na verdade Ivo era, uma investigação poderia levar até isso e duvido que iriam querer que isso chegasse aos ouvidos de todos.

Respirei fundo ainda cansado pelos últimos dias e obtive um sobressalto quando a mão feminina espalmou meu ombro, tal como ela fez no dia em que briguei com Thea pelo celular. No aniversário de morte dos meus pais.

— Ollie. – Sara murmurou preocupada quando não me voltei de imediato, fechei meus olhos ainda me apegando a ilusão de que na realidade não era seu o toque, só então voltei-me para encarar Sara, Thea, Roy e Tommy. Eles me encaravam com expectativa, eu estive recluso no primeiro dia, eu os expulsei e me tranquei, quebrei todos os objetos da minha sala até que cansado joguei-me no chão contra os pés do sofá e me abracei, cedi à tentação de beber naquele dia, assim como no dia seguinte, no terceiro dia Diggle me empurrou a entrar no chuveiro ainda com minhas roupas e exigiu que agisse, que ainda tinha pelo o que lutar, lembrou-me que eu tinha um filho, amigos e uma irmã, então guiado por seu sermão eu fui atrás de Connor. E foi ai que me agarrei a esperança. – Por que você nos chamou?

— Eu estive com Connor, ontem. – Murmurei direto. – Meu filho. – Surpresa dominou o rosto de todos exceto Thea. – Ele me deu esperanças Thea.

— Isso é bom, Felciity ter nos deixado foi uma surpresa, honestamente nenhum de nós esperou por isso. – Murmurou encarando a Roy que baixou seu olhar com tristeza, ainda exibia marcas da agressão de Ivo, a única em seu rosto. – Estamos tristes, mas você não pode continuar recluso em seu apartamento lamentando sua ida, você precisa aceitar sua decisão.

— Você entendeu errado. – Murmurei franzindo o cenho e batendo inconsciente contra o pequeno quadrado em cima da minha mesa. – Esse não sou eu “Deixando-a ir” aceitando suas decisões. Eu disse que Connor me trouxe esperanças. – Olhei diretamente para o bilhete em cima da minha mesa. – Ele me trouxe isso. – Ergui entregando a Roy.

— Eu pensei que ela já tivesse deixado um. – Murmurou antes de ler. Ela tinha. Um bilhete vago em que dizia:

“Sinto muito Oliver, a pressão é muita, obrigada por ter sido meu herói, mas eu já não preciso de um, eu estou partindo e eu não quero ser encontrada, diga a Roy que o amo e não me arrependo de nada, mas que nossa relação é tóxica e também não posso mais tentar me agarrar a ela, é tempo de recomeço e não será um se continuar com vocês.”

— Não faz sentindo. – Sara murmurou olhando por cima do ombro de Roy. – Este é menor e diz apenas “Tome cuidado com nosso pequeno encrenqueiro, até nunca mais Sr. Queen.” Por que lhe dá esperanças?

— Por que ela sabe que eu sei como contrariar uma garota. – Sorri diante a rápida lembrança. E me concentrei em encarar o olhar perplexo de Thea.

— Você está sorrindo. – Murmurou incrédula. – Por quê?

— Você não desistiu dela não é mesmo? – Tommy perguntou com um pequeno sorriso. Meneei a cabeça concordando.

— Nunca.

— Então qual vai ser o próximo passo? – Roy perguntou com expectativa.

— Primeiro eu chamo Diggle. – Murmurei com a sensação de empolgação crescendo em mim. – Então nós vamos procura-la.

— Ollie. – Sara murmurou com receio. – Eu amo Felicity, mas e se ela não quer ser achada? E se quando você a encontrar ela não quiser voltar com você?

— Eu não sei. – Dei de ombros. – Honestamente, eu não sei, mas primeiro eu preciso encontra-la, só então terei a resposta que precisa.

— Então vamos procura-la. – Tommy assentiu.

— Vamos. – Concordei. – Nesse meio tempo...

— O que acontece nesse meio tempo? – Thea me interrompeu confusa. Sorri agora mais amplamente, se... Quando eu a encontrasse eu precisava estar pronto, eu precisava ter mais o que oferecer.

— Eu concluo o divórcio.

Notas finais
Então, respirem fundo e parem de me xingar, tire uma, duas, três respirações e concentrem-se no que estou falando, ainda haverá um epílogo, e apesar desse ser sim o final de FELCITY’S SECRETS , esse não é o final da história deles dois, haverá uma sequência sim, eu já tenho um trailer e talvez eu poste junto com o epílogo, o nome da sequência será divulgado quando eu postar o epílogo (Que já está pronto), mas a grande questão é: Vocês a querem? Estão dispostos a embarcar nessa comigo? Eu espero que sim, falem comigo, como sempre, aguardo vocês nos comentários. Xoxo, LelahBallu.