Felicidade Conjugal
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Algumas semanas depois...
Frank estava inquieto aquele dia. Gerard pegara o seu carro emprestado para levar os filhos para a escolinha e depois ele iria ensaiar com a banda, Frank não gostava da ideia de ficar longe do marido. Na verdade, tinha um certo ciúme do novo guitarrista, do qual Gerard quase não falava para não chateá-lo mais. No entanto, Frank encarava esse silêncio com certa desconfiança, ainda mais depois que Ray lhe contou que ele era bem jovem. “Ahh... jovem, em plena forma, tomou o meu lugar na banda, guitarrista... Gerard tem um fraco por guitarristas... esse garoto que fique longe do meu Gee!!”, pensava ele, enciumado.
Entretanto, o desconforto só foi aumentando, não era só isso que o incomodava. Uma dor aguda o impedia de andar e Frank decidiu ir se deitar um pouco. Durante aquela semana teve muitas dores assim, e era sempre alarme falso. Porém, daquela vez era ainda mais forte, as contrações não paravam e, antes mesmo de chegar ao quarto, desesperou-se ao perceber que a bolsa havia estourado. Já tinha passado por isso quatro vezes, mas esse momento era sempre um drama. Procurou o celular e só foi encontrá-lo na mesa da cozinha. Ligou para Gerard, que demorou a atender...
-Oi?
-Quem é você?! - perguntou Frank, estranhando a voz.
-Sou o Dany. Eu sou da banda do Gerard.
-Ah, o guitarrista??? — ficando com raiva.
-Isso mesmo. Como você sa...?
-E o que você está fazendo com o celular dele??? — disparou.
-É que ele saiu agora mesmo e esqueceu o celular aqui. Ah... espera, acho que é ele quem está chegando... - barulho de porta batendo. -Erm... quem está falando mesmo?
-Diga a ele que quem está chamando é o verdadeiro guitarrista da banda. Em outras palavras: é o marido dele!!!
-Ma-ma-marido?... Ô Gerard!- gritou. — É pra você... mas eu acho que é trote...
-”Trote”? — murmurou Gerard, confuso, pegando o celular. -Alô?
-”Alô” é uma ova!!! — gritou o menor do outro lado da linha. -Eu estou morrendo e a única coisa que você diz é “alô”???
-Amor, o que está acontecendo? Você está bem?...- perguntou, preocupado.
-Não... eu estou ótimo! Eu só queria te avisar que a bolsa estourou e eu vou entrar em trabalho de parto sozinho em casa!!!
-A b-b-bolsa!!! OMG, Frank, eu chego em casa em um minuto! - falou o maior atropeladamente, desligando o celular.
-Que gritaria é essa?! — perguntou Mikey, chegando com Ray.
-A bolsa estourou! — Gerard.
-A bolsa! — exclamaram os outros dois.
-Mas que bolsa é essa?... — Dany, muito confuso.
-Ray, busque as crianças na escola para mim. Mikey, vá comigo para casa e cuide dos gêmeos. E Dany, fique aqui fazendo... ah, fazendo qualquer coisa. — determinou Gerard. — Eu vou levar o Frank para o hospital.
-Mas... a gente nem ensaiou direito ainda... — lembrou Dany, sem receber resposta. Em segundos, se viu completamente sozinho, todos tinham ido desempenhar as suas tarefas, sem ligar para ensaio.
No carro de Frank...
-GERARD, VÁ DEVAGAR!!! — gritava o irmão caçula, a cada vez que o outro tirava fino de um carro ou cortava um outro pela direita.
O mais velho não parecia ouvir, com os olhos vidrados à frente. Em poucos minutos, chegaram à sua casa. Ele encostou o carro de qualquer jeito, subindo no passeio, e entrou em casa, com Mikey ao seu encalço; foi para o quarto, onde Frank estava deitado na cama, gemendo. Abraçou-o delicadamentee ajudou-o a se levantar. Meio curvado, apoiou-o até chegarem no carro. Gerard entrou do lado do motorista e arrancou, cantando pneus.
-Gee, vá mais rápido!!! — apressou o menor.
-Eu estou a 140 Km/h, amor... — disse, cortando um ônibus.
-Não interessa! Você quer que o seu filho nasça dentro de um carro??? Imagine o que o pobrezinho vai sentir quando estiver grande e contarmos a ele como foi que ele nasceu!
Gerard imaginou e ultrapassou um sinal vermelho, desviando de uma moto no último instante.
-GEE, ELE ESTÁ NASCENDO!!! — gritou Frank, sobressaltando-o.
-OMG, OMG, OMG!! Sai da frente, babaca!!! — berrou o maior, buzinando freneticamente para um carro na sua frente que andava dentro do limite de velocidade. O motorista buzinou de volta, fechando a passagem.
Furioso, Gerard acelerou, e o outro, assustado, deixou que ele passasse.
-Calma, Frankie. A gente já está chegando ao hospital.
-Ah... eu posso ver o Gerard Jr. Lutando por a aqui dentro... — choramingou Frank, revirando os olhos dramaticamente.
-É esse o nome dele? — Gerard perguntou, curioso.
-Ahn, nós não discutimos o nome dele ainda. O que você acha? — indagou o menor, subitamente absorvido pelo assunto.
-Por mim, tudo bem. Mas só se o próximo for Frank Jr., certo?
-Okay. Mas... e se for menina?
-Bem... eu não tinha pensado nisso. Mas não se preocupe, amor. Nós vamos dar um jeito.
-'Tá bom.
Depois de mais algumas barbeiragens, eles chegaram ao hospital. Gerard amparou Frank até lá dentro e eles foram ao balcão, onde estava uma recepcionista com cara de sono.
-Rápido! Um médico! O meu filho está nascendo! — apressou Gerard.
-Ah sim. Basta o senhor preencher essa ficha e...
-Eu não quero saber de ficha nenhuma!
-Senhor, por favor, fale baixo. Estamos dentro de um hospital... — censurou ela.
-É justamente por estar em um hospital que eu quero um médico e não uma folha de papel!
-Infelizmente, nenhum médico está disponível no momento. Mas, dentro de meia hora, uma enfermeira vai estar chamando-o para o parto. — disse para Frank.
-Em meia-hora eu “vou estar” esganando alguém e em uma semana eu “vou estar” processando esse hospital, porque eu estou gravando essa conversa! — retrucou Gerard, exaltado.
-S-só um instante, senhor. Um médico logo vai atendê-lo. — disse ela, muito agitada, sumindo por uma porta.
-Gee... você não está gravando, está? — balbuciou o menor.
-Não. — riu ele.
-Meu maridinho é tão inteligente... — seus olhos brilharam, amorosos.
-Won... ninguém faz o meu Frankie esperar. — beijinhos carinhosos.
-Aaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiii... Gee, o Gerard Jr. Está me chutando. — gemeu o menor.
-Gee, não pode machucar a mamãe. — disse o Gee pai para a grande barriga de Frank.
-Gerard Way, quantas vezes já falei que não é “mamãe”?! É “papai”! As crianças me chamam de mamãe o tempo todo. Isso não está certo... — falou Frank, aborrecido.
-Mas Frankie... elas vão ficar confusas por terem dois pais de uma hora para a outra. Imagine só: elas têm uma família estável, papai e mamãe se amam e todos vivem felizes. Mas, de repente, mamãe descobre que não quer mais ser a mamãe! O que você acha que vai passar pelas suas cabecinhas quando ficarem sem a mãe?!
-Elas não vão ficar sem a mãe, Gerard, porque a mãe sou eu...
-Viu só? Você é a mamãe!
-Você está me confundindo. — reclamou o menor. — Elas só vão me chamar de “papai”. Não vão me perder por causa disso.
Nesse momento, a recepcionista voltou.
-O médico vai atendê-lo agor... — interviu ela.
-Não vê que estamos discutindo um assunto sério??? — retrucou Gerard, irritado.
-Mas eu só ia dizer que ele pode entrar na sala...
-E quem é você para nos dizer o que fazer?!
-Gerard, ela só... — começou Frank.
-E você, não mude de assunto. — virando-se para o menor. -Você representa a figura materna e eu não vou permitir que deixe os nossos filhos traumatizados. Pobrezinhos... o que eles sentiriam se soubessem que a mãe deles um dia pensou em deixar de ser a mamãe?!
-Mas...
-Agora, vamos para aquela sala e torça para o Gerard Jr. não ter escutado que você não quer ser a mãe dele!
Durante o parto...
-Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh... — gritava Frank, apertando a mão de Gerard como se quisesse esmagá-la.
-AAAIIIII... isso mesmo, Frank, não solta a minha mão... ahhhh..... não precisa apertar tanto, mas tudo bem...
-Ahhhhh... — subitamente Frank parou de gritar e perguntou: — Gerard, onde estão as crianças???
-Elas estão com o Mikey e o Ray.
-O quê??? Deixou os meus filhos com aqueles dois malucos?! — gritando novamente.
-Meu amor, você queria que eu os deixasse com quem?
-Não sei. Qualquer desconhecido no caminho de casa, mas não com Mikey e Ray!
-Senhor, essa é uma gravidez de risco. Ele não pode ter nenhum tipo de estresse durante o parto. É melhor o senhor sair. — disse o médico para Gerard.
-Mas...
-Saia agora! — exaltou-se o médico.
-Frankie, você vai ficar bem sem mim?
-Vou ficar melhor quando torcer o seu pescoço por deixar dois psicopatas tomando conta dos meus filhos!
Magoado, Gerard saiu e foi para a sala de espera.
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