Notas iniciais
Voltei!!

Estaciono minha caminhonete preta no estacionamento do colégio, quase batendo em um garoto que eu reconheci de minha turma de história. Ele xingou e buzinou enquanto eu apenas murmurava vários ''desculpe''

Saio do carro apressadamente, passando pela entrada do colégio com os pensamentos no meu assustador pesadelo onde eu estava me tornando noiva de Jake. A parte do noiva não era assustador. Era lindo mas o final...

Tudo estava uma maravilha e eu acabei morta com um ''sim'' nos lábios e no pensamento.

A lembrança me faz acelerar os passos e cada vez que penso no olhar de Jake sobre mim, um olhar doloroso, desesperado... no calor de sua pele me envolvendo... Parecia completamente real.

Era como se ele estivesse em meu lado a todo momento me reconfortando enquanto eu me debatia na cama.

Eu jurei até ter sentido o cheiro de sua pele. De seu perfume.

Esbarro em Meg que me tira dos pensamentos me fazendo pousar na terra com um balda de água.

Ela estava com seu glós lábial laranja. Como se fosse um molho em seus lábios.

Seus cabelos estava ondulados perfeitamente e sua saia jeans e blusa tomara que caia a deixavam com um ar de modelo internacional. Seu nariz pontudo e arrebitado a deixavam com um rosto mais de comando. Sua pele bronzeada parecia brilhar cada vez que ela se mexia. Meg me lançou um sorriso bondoso e pôs as mãos cheias de pulseiras e unhas pintadas na cintura.

''Oi''– eu disse enquanto sorria forçadamente tentando não demonstrar minha pressa para saber onde Jake estava e se ele estava bem.

''Oi''– ela disse enquanto enrugava sua sobrancelha ainda sorrindo como se notasse meu humor.

Meg me conhecia tão bem que as vezes me assustava.

Um garoto passa e olha de soslaio pra ela mas ela nem o olha. Isso me fez lembrar de Brad. Ela terminara com ele assim que soube de tudo. Desde então, eu e ele somos inimigos mortais.

Quem diria, eu tendo inimigos... Se isso acontecesse alguns meses antes, eu teria rido eternamente.

Lembrei de minha raiva descontada no rosto do garoto do time de futebol e logo depois Jake vindo me salvar como um cavalheiro em seu cavalo branco.

''Glenda...?''– ela pergunta e eu balanço a cabeça afastando os pensamentos e me voltando para ela.

''Desculpe Meg, pode repetir?''– eu pergunto enquanto ela olha para baixo e ri.

''Eu perguntei se você soube o que aconteceu com o aluno esquisitão''

Fiz uma careta tentando saber de quem ela estava falando, mas apenas dei de ombros.

''O Jake. Ele está doente. Pensei que você quisesse saber pois você vive no pé dele.– ela gargalha e continua respirando fundo — ''Isso foi estranho sabe? Do nada o garoto fica doente... E ah, eu soube que ele vai ficar um tempo sem vir ao colégio.''– ela fez uma cara triste mas eu não estava mais escutando ela tagarelar, eu estava dentro de minha caminhonete correndo em direção a casa de Jake.

____

Meu celular vibra em meu bolso e eu viro em direção a rua de Jake, forçando o motor e acelerando ainda mais. Eu o pego com uma mão e o boto no ouvido.

''G-lenda...''– era a voz de minha mãe, ela estava chorando e com uma voz de derrota, um tom de voz que me fez parar em um estacionamento de um café em dois segundos.

''Lara?''– eu pergunto respirando fundo e com olhos arregalados — ''Você está bem? Aconteceu algo com o papai?''

Ela funga causando um chiado em meu ouvido.

''Não... Mas sim, com seus avós.''– ela desaba no choro enquanto eu tremo sentindo os pelos de meu corpo todo se eriçarem.

''O que... Houve?''– pergunto quase sussurrando.

''Eles estão mortos.''– foi tudo o que ela disse para me fazer ficar tonta e derrubar o celular no chão.

Eu encosto minha cabeça no volante e respiro fundo trancando as lágrimas que teimavam em vir. Meu peito se fechou, meu coração doeu e todo meu corpo tremia.

Meus avós. Meu sonho de conhece-los, de tomar um chá na tarde ensolarada do México se fora. Fora junto com os meus sonhos que eu tinha com eles.

Pego com dificuldade meu celular no chão e escuto Lara ainda na linha chamando meu nome desesperadamente.

''Oh... Me desculpe...''– eu sussurro enquanto tento respirar. — ''Me diga...Como foi?''

Lara suspira de alívio.

''Eles estavam vindo para cá. Nos visitar. Fariam uma surpresa... Foi então que um ônibus... Se colidiu com o carro de seu avô...''

As lágrimas que tanto lutei para não caírem, foram escorrendo de meu rosto sem parar enquanto eu soluçava com as mãos apertadas no volante.

''Eu... Estou ai em alguns minutos.''– eu digo desligando o celular e voltando a dirigir enxugando as lágrimas que borravam minha visão.

Eu iria conhece-los. Iria abraça-los. Eles iriam me visitar e eu iria sentir seus cheiros de talco como todo avô e avó tem.

O nome de minha avó era Nona, lembro que Lara disse que ela fazia bolinhos de chuva como nunca ninguém experimentou.

Já meu avô Otávio, era carinhoso e era esperto. Era um avô que sabia dar conselhos nos momentos mais difíceis.

Essas, foram as palavras de Lara e eu confiava nela de olhos fechados. O jeito que ela os descrevia, era tentador e a vontade de vê-los me deixou em êxtase e com um nó no estômago.

Parecia que eu havia andado dez vezes seguidas em uma montanha russa e comido ao mesmo tempo. A dor de cabeça rapidamente se infiltrou e dei graças a deus quando estacionei na casa de Jake.

Olhei sua casa por fora e verifiquei o endereço que uma vez ele marcara em meu caderno. Estava certo.

A casa era bonita, simples mas tinha seu charme.

Havia vasos de flores nas janelas, a cor marfim a cobria ao todo e um cachorro em uma casinha me olhou estranho mas logo depois baixou a cabeça e voltou a dormir.

A casa tinha um muro simples onde um portão entreaberto me convidava e tentava a entrar ali.

A presença de Jake era tão forte que rapidamente entrei em ali com o pé direito, ainda secando os olhos.

Desejei que seus pais não estivessem ali. Eu ainda queria conferir e saber se ele estava mesmo bem.

O gramado de seu quintal era reconfortante e o cheiro me trazia alguma lembrança que por mais que eu tente, não conseguia lembrar de jeito nenhum. O cachorro latiu pra mim mas logo eu fiz um ''sh'' e ele baixou a cabeça e se sentou, me olhando feio.

Anões de jardim estavam ali perto e se fosse em outra ocasião, eu teria gargalhado mas... A partir desse momento, eu estava de luto. Luto por avós que eu nem ao menos tive a oportunidade de conhecer. Avós que nem em fotografias havia os vistos.

Toco a campainha e na terceira vez, alguém abre a porta.

Jake aparece, seu casaco surrado estava fechado, sua cara era meio pálida, quase igual a minha e sua calça de moletom estava um tanto curta. Seus cabelos estavam bagunçados mas não importava, ele continuava o mesmo de sempre.

Ele me olha estranho enquanto eu tento ver o brilho que ele exala sempre quando o vejo mas... Ele não estava ali.

Seus olhos verdes com olheiras pareciam dispersos quando me fitava mas algo no ar remexeu nos fazendo ficar mais alerta.

''O que aconteceu?''– perguntamos juntos mas ele fez um sinal para eu falar primeiro.

''Eu... Não importa. Eu vim saber como está.''– ele deu de ombros e fez cara de tédio.

''Estou bem. Já pode ir.''– Jake diz enquanto tenta fechar e porta em minha cara.

Eu a empurro com toda a minha força e por incrível que pareça, ele se afasta da porta. Descontei minha raiva nela e a chutei e então rapidamente ela bate em algo de dentro da casa dele.

''Você...''– ele não continuou apenas cruzou os braços e esperou eu falar. -

''Você é um insensível sabia?'' — pergunto enquanto ele dá de ombros novamente.

Me enfureço com sua reação e a raiva me faz chorar e soluçar enquanto eu bato em seu peito. Mas no começo, transmiti socos fortes e logo em seguida, meus socos se enfraqueceram e me senti rendida a desabar no chão. A me esconder em um lugar e não sair nunca mais e pra nada.

Quando desabo aos poucos ali, Jake me pega e me segura junto ao seu corpo e me abraça.

Ele afaga meus cabelos e minhas costas enquanto eu soluço e deixo as lágrimas rolarem em seu casaco.

''Me desculpe Glenda... Por favor... Eu não queria... Me sinto mal...'' — ele sussurra e eu me aperto ainda mais em seu peito.

''Meus avós Jake... Eles morreram. Eu nem os conheci.''– dizer isso em voz alto foi tão doloroso que cheguei a me sustentar em Jake que apenas me abraçava forte.

''Eu sinto muito Glenda''– ele diz sincero — ''Me desculpe, eu ando realmente estressado, não quero te ver assim. Nunca. Isso é o meu fim.''

E então, num ato cavalheiresco, Jake me pega no colo e me carrega por sua casa enquanto eu apenas me encolho e em segundos, adormeço com o rosto enterrado em seu casaco.

Notas finais
Uau! Jake é um amorzinho ushaushau
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.