Feitos Um Para O Outro
7 A verdade vem em suspiros.
Notas iniciais
Eu continuo a olhar para Lara, esperando a resposta que parecia estar indagada em sua garganta, ela de vez em quando olhava para meu pai que olhava para mim com testa franzida e lançava um olhar de ajuda mas ele não lhe dava respostas, apenas continuava com seu olhar vago e irritante.
''Ainda estou esperando.'' — minha voz era baixa, e com essa deixa eu caminho pelo corredor em suas direções, lembrando de tantas vezes que eu precisei dela e ela não estava.No dia das mães na escola principalmente.
O dia que as crianças levavam cartõezinhos para casa dizendo seu amor por sua mãe e na maioria das vezes levavam uma lembrancinha, nem que fosse a mais simples mas sempre levavam. Lembrei de várias crianças diversos anos me perguntando por que eu não ia fazer o meu cartão e levar a lembrancinha, e meu jeito patético e inofensivo de lidar com a situação com a mesma resposta todos os anos.
''Ela morreu.''
As crianças me olhavam espantadas e com um olhar de pena que de qualquer forma sempre me afetava e me causava pesadelos a noite.
Esses dias eram os piores de minha vida.
Mas agora eu cresci, tenho 17 anos, tenho um carro, tenho meu pai. Meu pai que mentira para mim a vida inteira. E agora, uma mãe que mentiu mais ainda.
Ficamos cara a cara, a centímetros uma da outra, eu não soube ao certo como reagir, e optei pela nova eu. A nova durona eu. Que havia nascido a algumas semanas atrás com a vinda de um garoto para a escola.
''Logo depois de seu parto, eu levei você para casa e deixei você com seu pai. — ela olha de relance para ele mas logo seu olhar se volta para mim. — ''Eu ia comprar algumas coisas em um mercado aqui perto e então... Homens armados apareceram e me disseram coisas brutas Glenda, eles me levaram de volta para casa e quando cheguei lá, estavam com seu pai dentro de casa e com uma arma apontada para a cabeça dele. Eu lembro de você chorando no colo do homem, ele era um bruto, ele ria de sua cara e balançava você em seu colo cantando uma música de ninar horrível... Eles estavam nos rondando a algum tempo e nem ao menos havíamos percebido. Eles pediram dinheiro. Demos. E pediram para eu ir embora de casa e não voltar nunca mais e para que seu pai dissesse que eu havia morrido em seu parto. Eu sempre quis saber o por que mas agora só resta dois bandidos e eles nunca falam absolutamente nada. O resto... Morreram... — ela recupera o folego para enxugar uma lágrima e volta a falar — ''eu fiz aquilo para proteger você deles, com medo de que ainda tenha mais deles por ai e isso aconteça de novo. Tom conseguiu contar a polícia e eles armaram um esquema para pegá-los e prende-los, isso um ano depois. E bom, os policias conseguiram prende-los. E eu... Eu não consegui voltar, eu me internei em um hospital psiquiátrico e alguns anos depois eu sai de lá revigorada. Então resolvi viver em um campo. Até ontem. Ontem eu tomei a decisão de que viver sozinha apenas com meu pai e minha mãe não seria uma vida justa. Eu tinha que procurar os amores de minha vida.''
Quando ela parou de falar, foi ai que percebi que eu já estava chorando e meu pulmão protestava por folego. Até papai estava com lágrimas nos olhos.
Tom dizia que meus avós moravam muito longe e que não daria para vê–los, eu aceitava isso pois já tinha meus avós paternos que eram super carinhosos e com uma grande história de amor e mesmo assim, isso foi um choque. Como eu queria conhece-los...
''Onde você... -'' eu respiro fundo e tranco as lágrimas. — ''onde você mora...?''
Em minha cabeça ainda seria possível conhece-los, se já não estivesse muito velhos, isso era o que mais me preocupava no momento, fazendo meu coração pulsar e os fios de cabelo de meu corpo se eriçarem.
''Moro no México.'' — Lara morde um lábio e suspira. — ''é um ótimo lugar e eu tenho certeza que ira adorar conhece-lo. Principalmente meus pais, que são uns amores Glenda. Eles sentem tanto sua falta querida...
Mais uma lágrima escorre e eu me sinto rendida a abraçá-la.
Ela abre os braços e eu me jogo nele, afundando-me em lágrimas que desciam em uma facilidade sobre as maças vermelhas de meu rosto.
Meu primeiro de muitos abraços de mãe.
O melhor de todos, com certeza.
Logo depois ela convidou Tom para entrar no abraço e e ficamos lá, sem nos mexermos e sentindo como o momento se tornou especial.
Minha família agora finalmente, completa.
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