Feeling Lost (HIATUS)
10 Lost
Notas iniciais
Fazia quase um mês que eu não via Giuliana. Por mais que Demetri, Felix e Heidi estivessem comigo, nenhum deles substituía minha melhor amiga. Minha irmã.
Eu dividia a parte do “turismo” com Heidi. Aro dizia que eu possuía um dom natural para atrair humanos, mas qual de nós não tinha? Tipo, são todos lindos e perfeitos, apenas alguém muito idiota não se sentiria atraído.
Estava voltando do Salão Principal, havia recebido “parabéns” de quase todos, eu conseguira trazer apenas adultos e, digamos que, com muita saúde. Eu cheguei a sentir um pouco de pena de alguns, seriam vampiros maravilhosos. Heidi e eu fizemos um ranking dos caras mais gatos que conseguimos. Em primeiro lugar estava um moreno alto, com olhos azuis e quase do tamanho de Felix. A voz dele me deixava com veneno na boca – entendeu o trocadilho? Hehe.
Ele e a esposa estavam de lua de mel, a expressão no rosto dela ao ver que eu me aproximava com um sorriso cheio de segundas intenções foi impagável! No momento em que me aproximei do rosto dele, senti algo encostar na parte de trás de minha cabeça e ao me virar, ela estava agarrando meu cabelo, tentando me puxar para trás.
Afastei-me do homem e arqueei uma sobrancelha. Ao tentar me dar um tapa, seu pulso quebrou e eu já estava rindo. Ah! Aquela foi uma cena muito engraçada...
Demetri não gostou nada em ver aquilo, tanto que pegou uma morena cheia de silicone e botox, dentro dos padrões de beleza humanos. E artificial também, diga-se de passagem. Ficamos sem nos falar por uns dias, mas nada que sexo não resolvesse. Agora as coisas eram mais simples entre nós. Ele era um verdadeiro príncipe comigo, sempre se preocupando se eu estava com sede, se queria mais sangue... E quando eu perguntava se ele era gay, levava uma almofada na cara. Isso quando não eram vasos e, às vezes, facas.
Resumindo, as coisas estavam bem mais fáceis. Ele me entendia. Eu o suportava.
No momento, eu havia pedido para sair. Eu estava presa a mais de um mês, queria poder respirar ar puro, mesmo que desnecessariamente.
– Você não está controlada o suficiente – Demm disse. Fiz uma cara triste, projetando o lábio inferior para frente e ele rolou os olhos, colocando o braço sobre o rosto. – Não adianta me olhar assim.
Comecei a engatinhar na cama, ficando por cima dele e beijando sua barriga. Depois subi lentamente, até parar em seus lábios.
– Por favor – sussurrei, beijando seu pescoço e vendo-o reagir da maneira que eu queria. – Vamos, só nós dois.
Ele se sentou, segurando meu rosto entre as mãos e olhando em meus olhos.
– Duas horas – ele declarou e eu sorri. – Nada mais do que isso, está bem?
– Vou me arrumar!
Saltei da cama, parando na frente do armário e vasculhei tudo, jogando as roupas que eu não queria no chão e as que eram opção, na cama. Optei por uma saia de cintura alta preta, uma blusa azul escura folgadinha e meu lindo par de Lady Corset.
Demetri ligara a televisão, então peguei a roupa e fui para o banheiro, pronta para tomar um banho. Sorri ao ver meu reflexo no espelho. Tomei meu banho, aproveitando a sensação da água quente em minha pele. Tecnicamente, eu não precisava tomar banho, mas isso soava como falta de higiene, então eu continuava tomando banho todos os dias.
Assim que saí, coloquei minha roupa, sorrindo ao ver como caía perfeitamente em mim. Meus olhos estavam em um tom escarlate e meu cabelo ia até minha cintura, em um tom mais escuro, já que estava molhando. Calcei meus saltos e fui para o quarto, vendo Demm na mesma posição de antes, só que com uma camisa branca, calça social e blazer preto.
– Você está linda demais para sair na rua – ele resmungou, desligando a televisão e pegando as chaves do carro. Dei risada e coloquei minha pulseira e meu colar de diamantes, segurando sua mão e saindo do quarto.
– Você também está muito bonito, senhor – rebati, olhando de cima a baixo. Ele passou o braço sobre os meus ombros e seguimos pelo corredor. No elevador, aquela música clássica irritante tocava, enquanto subíamos os três andares.
Na recepção, Gianna logo se levantou ao nos ver e seu sorriso se desmanchou quando me viu. Sorri abertamente para ela e pude ouvir seus dentes trincando.
– Vampira vadia – ela sussurrou e eu parei. Demetri suspirou e pressionou os dedos na ponte de nariz. Soltei-me dele e caminhei na direção de Gianna, que já tremia e engolia em seco.
– Repita – sibilei, fuzilava-a com os olhos.
– E-Eu não disse nada – ela gaguejou, abaixando os olhos para a mesa. Subi em cima da mesma, vendo-a dar um pulo para trás e me agachei.
– Eu mandei você repetir – rosnei, preparando-me para pular em seu pescoço.
– Addie...
– Não comece! – sibilei, apontando o dedo para Demetri que estava prestes a encostar em mim. – Não vou deixar ela viva.
– Posso saber o que está acontecendo aqui? – Jane indagou e eu pulei no chão, sorrindo levemente.
– Porque não diz a ela, Gianna? – falei, vendo a garota começar a chorar.
– Eu sinto muito! – ela exclamou, olhando para Jane. – Por favor, não me matem!
– Oh, mas eu não vou matar você – expliquei, indo até o lado dela e sorrindo. – Primeiro, eu vou fazer você se arrepender por ter me insultado, então deixarei que Aro decida o que fará com a sua vida.
– Mas... – ela ofegou confusa. – Ele disse que ia me transformar!
Comecei a gargalhar, jogando a cabeça para trás da forma mais teatral que podia e ouvi Jane e Demetri me acompanharem. Gianna estava tão assustada, eu nunca havia enfrentado ela e pensei porque não tinha feito isso antes.
– Você é tão burra! – exclamei e ela chorava mais.
– Porque você é tão má? – ela questionou e eu coloquei a mão no queixo, como se estivesse pensando.
– Talvez seja porque, a ideia de saber que eu poderia te matar facilmente com o menor movimento dos meus dedos seja extremamente tentadora!
Ela deu um passo para trás, mas eu não queria matá-la. Não agora.
– Acabe com ela, Addie – Jane sibilou, rápido e baixo o suficiente para que Gianna não ouvisse.
– Eu não vou falar isso para Aro – avisei a ela, que abriu a boca, chocada. Aproximei-me de seu rosto, rangendo os dentes. – Mas se você ousar dirigir uma palavra a mim, eu mesma irei te matar. E não será um processo rápido.
Ela começou a assentir avidamente, então fui para o lado de Demetri que sorria para mim.
– Sua ameaça me excitou de uma forma... – ele murmurou, fazendo-me rir.
– Vamos – falei, virando-me e acenando para Gianna. – Tchau, Gi!
Saímos dali e chegamos à garagem, entrando no meu carro. Eu estava mais fria do que o normal. Não fisicamente, mas... O jeito que eu tinha falando com Gianna não parecia algo que a Addison-humana diria.
Demetri me olhou algumas vezes, com a testa franzida e eu suspirei, olhando pela janela. Já estávamos fora de Volterra e não haviam se passado nem cinco minutos.
– O que foi? – ele perguntou, colocando a mão em minha coxa.
– Você acha que eu mudei? – questionei, vendo-o negar com a cabeça.
– Como assim mudar? – ele estava confuso. – Addie, você se transform-
– Não estou falando do meu corpo – interrompi, virando-me de frente para ele. – Você acha que eu estou agindo diferente?
– Addie... Você sabe que acaba mudando – ele tentou me acalmar.
– Mas eu fiquei com tanta raiva que eu poderia arrancar a cabeça dela em menos de um segundo! – comecei a falar alto, gesticulando com os braços. – E então você disse que estava excitado e eu fiquei excitada também, esquecendo da raiva. E agora que passou um tempo, eu estou quase chorando e voltando para pedir desculpa para Gianna!
Meus ombros caíram e eu encostei-me ao banco. Demetri sorriu e diminuiu a velocidade, saindo da estrada e parando sobre a grama. Ele se virou de frente para mim, segurando minhas mãos.
– Isso é completamente normal, Addie – ele falou calmamente. – Você tem um mês de idade, é praticamente uma criança. É normal que você não fique presa a um pensamento por muito tempo.
– Estou com medo de perder quem eu sou – sussurrei, sentindo minha garganta doer, assim como meu peito e meus olhos. – Eu não quero mudar.
– E não vai! Você ainda é a mesma garota emotiva, engraçada e carinhosa de sempre – ele continuou, passando a mão em meu rosto. – A única diferença é que você mata pessoas para viver.
Sorri pela maneira que ele havia dito aquilo. Uma das melhores coisas sobre ter Demetri comigo, era que ele sempre sabia como me acalmar. Ele me fazia bem. Mantinha meus pés no chão.
– Mesmo se você virar um vampira psicopata que irá matar todas as pessoas do país, eu estarei lá com você – ele declarou e eu bufei frustrada.
– Essa coisa de não poder chorar é um saco – desabafei e ele riu, me abraçando em seguida. – Obrigada...
– Não vou permitir que você se perca – ele prometeu, segurando meu rosto entre suas mãos. – Eu te amo.
– E eu amo você.
Demm me beijou, fazendo com que todo o estresse sumisse do meu corpo, deixando apenas uma felicidade imensa dentro de mim. Afastamos-nos e ele ligou o carro, olhando para mim.
– Então, para onde quer ir? – ele perguntou.
– Podemos ir para casa? – pedi e ele sorriu, assentindo. – Preciso falar com Giu.
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