Feel Like I Am In Love Again
6 Capítulo 6
Notas iniciais
– Ai meu Deus, já vai começar, vai começar Stella! – ela me sacudia pelos ombros ainda não acreditando que estava ali.
– Nossa, mas esse lugar é horrível. – e realmente era, estávamos longe do palco, mas isso não impedia a histeria da Amy.
O show por fim começou, Amy não parava de gritar um só momento, assim como os vários fãs ao redor, eu até tinha um olhar curioso, querendo conhecer melhor a banda já que a única coisa que eu tinha visto não passava daquele pôster dos anos 90. Tinha um cabeludo que estava tocando guitarra, um musculoso cantando, um cara que pulava enquanto tocava o baixo e um outro arrasando na bateria. Gostei do som, mas não pulava como Amy.
O que para Amy foi rápido demais, para mim foi uma eternidade. O show parecia não terminar, mas depois de esperar tanto chegou o fim, a multidão aplaudia e gritava loucamente.
Quando o local começou a se esvaziar fomos saindo também, mas cada uma estava com uma plano em mente.
– E então o que achou do show? – Amy me perguntou assim que recuperou a voz.
– Eu gostei, bem legal. – disse sinceramente, mas não muito animada.
– Gostou de algumas música?
– Sim. – tentei me recordar da letra. – Não lembro de nada do que ele disse, mas falava de neve.
– Você deve estar falando da Snow– sorriu relembrando a música. – Essa é incrível mesmo.
Estávamos nos aproximando do portão, mas Amy me segurou pelo braço, eu não entendi porque ela me segurou estava tão feliz achando que tinha acabado por ali aquela história.
– Vamos entrar no backstage?
– Você tem a pulseira? – perguntei surpresa.
– Não, mas a gente da um jeito – saiu andando e me puxando pelo braço, eu resisti.
– Você está louca? Como acha que vai conseguir entrar lá, vamos embora, já está tarde e amanhã a gente tem aula.
– Por favor Stella – ela me puxava. – Vamos ver como está o movimento, quem sabe a gente não consegue.
Vendo que não teria jeito, eu cedi e decidi ajudar, fomos andando contra as pessoas até chegarmos a porta de acesso, estava cheio de fãs e seguranças, mas todos que estavam ali, tinham o devido acesso.
– Você não vai querer entrar por aqui né, não tem jeito! — eu disse
– É, — sua voz já mostrava seu desanimo. – Não imaginei que estaria tão lotado, vamos embora.
– Espera um pouco – dessa vez eu a impedi de sair, respirei fundo confirmando que eu iria fazer isso e comecei a observar o local. – Lógico que aqui vai estar cheio, não podemos ir pelo óbvio. Vem comigo – comecei a puxar ela para que me seguisse, ela, lógico, nem se importou só estava torcendo para que desse certo o que eu nem sabia que ia fazer.
Eu comecei a andar por ali passando por algumas faixas e portões que não tinham muita importância, aposto que ela estava achando que eu enrolei ela e que agora estava tentando sair dali, mas não.
– Você sabe onde você está?
– Não, mas acho que a gente consegue entrar por aqui.
– Como acha isso? Essa porta não deve dar a lugar algum.
– Eu já trabalhei em lugares assim – comecei a tentar abrir a porta, mas estava trancada. – Não me lembro direito, eu apenas fazia uns bicos. – estudava atenciosamente a tranca. – Mas acho que me lembro como as coisas eram organizadas por aqui. Tem um grampo, uma pinça, tesoura ou cartão de credito? – olhou para trás e perguntei.
– O que? Você está maluca? – ela ainda não me levava a serio, mas como eu fiquei em silencio ela apenas começou a analisar o que tinha ali e me entregou um grampo. – Serve?
– Espero que sim. – e realmente servia, eu só precisava fazer o serviço corretamente, eu tentava abrir enquanto Amy vigiava o local tentando ver se vinha alguém.
– Consegui. – foi o que bastou para ela voltar a sorrir, mas ela sabia que tinha que se controlar.
Entramos numa sala que por sorte estava vazia, sabia que tínhamos que ser discretas e atenciosas, parecia um lugar para funcionários, tinha algumas coisas jogadas e uns crachás, o que foi como encontrar ouro.
– Coloca esse e eu fico com esse aqui. – entreguei um para ela.
– Suzete? Mas porque eu tenho que ser a Suzete? – reclamou assim que pegou o crachá nas mãos.
– Prefere Rodolfo? – mostrei o meu e ela logo fez cara feia.
– Vish, como você vai entrar com nome de homem?
– Deixa que eu resolvo. – dei de ombros colocando o crachá virado, de um modo que só dava para ler Staff. – Vem.
Assim que saímos daquela sala fomos parar num enorme corredor com inúmeras postas
– E agora, qual delas? – Amy estava com medo e achando que nada ia dar certo, eu sabia disso só pela cara que ela fazia.
– Você tem que aparentar estar tranquila Suzete, você trabalha aqui então sabe que não é em nenhuma dessas portas.
Amy ficou em silencio e decidiu confiar em mim que andava por ali tentando parecer que eu sabia o que fazia quando na verdade estava mais perdida do que cedo em tiroteio. A segurança estava voltada aos lados que os fãs estavam, nós até passamos por algumas pessoas, mas nenhum nos impediu.
– Espera aqui. – eu fiz com que ela parasse e olhasse a porta que tinha um segurança na frente. – Da a volta e fica naquela outra entrada, eu vou distrair o segurança e quando você vê que consegue entra correndo naquela porta.
– E se eles não tiverem ali? – olhou apreensiva pra mim.
– Tem uma placa na porta indicando que é lá. – disse num tom obvio.
– Está bem – sorriu animada.
– Faz as coisas direito viu. – ela já estava se distanciando.
– Pode deixar. – e lá foi ela.
Ainda não acredito que estou fazendo isso, respirei fundo, abri uns botões na minha blusa e arrumei o cabelo, comecei a andar confiante pelo corredor até chegar ao segurança.
– Oi Carl, está se lembrando de mim?
– Sou o Dave.
– Foi o que eu disse Dave, não se lembra de mim? – eu já estava próxima o bastante dele e deslizando minha mão por seu peito.
– Vou ter que pedir que a senhora se retire. – ele tirou minha mão de cima dele.
– Ah vamos parar com esse joguinho de segurança, só tem nós dois aqui, relaxa – fui em frente e mais uma vez passei minha mão por seu corpo até chegar em sua nuca. – Aposto que se lembra e não quer dizer nada. – eu já sussurrava em seu ouvido, mas ele já parecia cansado de mais para querer continuar a ser durão, então começou a ceder. – Se é assim, acho que devo ir embora não acha? – fiz um pequeno drama me virando, mas sem tirar os olhos dele, percebi que ele olhou para os lados e ia fazer algo.
– Espere – ele segurou em meu braço e eu voltei quase em um abraço. – Qual seu nome? – seu tom já estava mais calmo, e ele já estava obviamente cedendo.
– Roberta, achei que fosse se lembrar. – sua mão envolvia a minha cintura, estávamos quase num abraço e eu já tinha conseguido fazer o segurança ficar de costas para a porta.
– Claro que eu me lembro de você. – é um cafajeste, mas ainda bem que está sendo fácil – Como me esqueceria. – levantei um pouco a cabeça e avistei Amy, fiz sinal para que ela entrasse rapidamente e assim ela fez.
– Mas não vou te atrapalhar, sei que a gente ainda vai se encontrar muitas e muitas vezes. – me distanciei assim que ele começou a beijar meu pescoço.
– Você não precisa ir gata. – eu estava dando alguns passos mesmo de costas, só queria sair dali.
– Mas eu tenho, eu te acho por ai, pode ter certeza. – falava enquanto andava cautelosamente e verificando se ele não estava me seguindo. – Até logo... Dave – lutei a não esquecer seu nome.
Só foi eu chegar na esquina com outro corredor que me virei e sai pronta para correr, mas me esbarrei em algo.
– Ui – que músculos hein – quer dizer me desculpe eu estava distra... — só então olhei para cima e vi que era um dos caras da banda. – distraída, foi mal. – ele ainda me segurava, mas logo me soltou com delicadeza.
– Não tem problema. – ele sorriu e saiu sem se importar com minha presença o que eu achei ótimo.
Não perdi mais nenhum segundo com minhas fantasias, sai correndo em direção a porta que eu sabia que a Amy sairia, fiquei ali observando as fãs que saiam até chorando.
Por fim, a ultima a sair foi Amy, ela não chorava, mas acho que eu nunca tinha a visto tão feliz.
– E ai, como foi? – perguntei ansiosa.
– Foi perfeito – ela sorria encantada. – Obrigada Stella, muito obrigada mesmo.
– Não tem problemas, mas agora podemos ir para casa que eu estou morrendo de sono?
– Está bem, mas eu quero que você vá me contanto o que ficou falando com aquele cara.
– Te conto tudo que quiser no carro. Agora ando logo. – e assim ela fez logo me seguindo.
Entramos no carro e eu dei partida achando que ia ser tranquilo, mas pela cara dela eu realmente ia ter que contar tudo.
– Está bem, conte. – eu sabia que ela precisava desesperadamente contar, então eu estava disposta a tentar prestar atenção no que ela ia falar.
– Foi assim, na hora em que entrei estava cheio de fãs lá dentro, mais de três. Eu cumprimentei todos e tentei não parecer louca fanática assim como eu disse que ia fazer você lembra quando eu disse? – eu assenti e ri do modo desesperado que ela falava. – Talvez por isso eu tenha ficado mais tempo lá dentro, eu falei com todos, mas depois passei mais tempo com o Chad, meu Deus, como aquele homem é incrível, ele é lindo e simpático, e muito bem humorado. – ela nem respirava direito para contar, só ia falando e falando e sorrindo se lembrando daqueles seus bons momentos. – A gente conversou sobre bastante coisas, mas eu nem comentei o modo como eu consegui entrar ali. – suspirou alegremente. – Ai nem acredito que eu consegui falar com eles, são todos tão lindos e maravilhosos e lindos. – eu continuava rindo só de ver o jeito que ela falava.
– Muito bom, fico feliz por você e sabe, acho que acabei conhecendo um deles também.
– Jura? Mas é mesmo, me conte o que você fez com o segurança?
– Aquele mala? – bufei me lembrando do cara. – Comecei com o pior papo que eu já consegui na vida e ele caiu fácil fácil, foi até um pouco difícil de me livrar dele, mas eu consegui, foi ai que me esbarrei com um cara da banda.
– Ai não acredito! Que sorte! E qual deles era?
– Eu não faço ideia – e realmente não fazia. – Ele tinha o cabelo um pouco comprido – na verdade nem tão cumprido — e uma tattoo muito legal no braço. – preferi não comentar do peitoral de tirar o folego se não Amy já ia dizer que eu estava interessada.
– Deve ser John. – disse sorridente – A tattoo dele do braço é a mais legal e ele tem o cabelo longo.
– É deve ser esse o nome dele.
– Mas me conte mais, o que vocês ficaram conversando?
– Nada, só me esbarrei com ele, depois disso fui embora. – disse tranquilamente.
– Deve ser por isso que ele voltou tão rápido por camarim, bem, mas deixe eu continuar. – ela sorriu pronta para começar outra vez. – O Flea é muito legal, acho que ele é um dos caras mais legais que eu já vi na minha vida, e o sorriso dele também é o melhor. Esse que você conheceu o John, ele é um pouco mais quieto, mas também é super divertido e ele parece ser alguém tão especial que você sorri só de olhar para ele sem contar que é lindo. – é deve ser o John mesmo, o cara que eu vi era muito bonito. — Anthony também não fica por fora, mas ele faz mais o tipo sedutor, também não é pra menos, o cara tem um poder que qualquer uma pira, mas quem eu gostei mais foi o Chad. – e mais uma vez o suspiro. – Ele é tão incrível, você tem que conhece-lo.
– Chad é o da bateria?
– Esse mesmo! Manda bem não?
– E como! – e nessa hora eu finalmente já podia avistar nossa casa e a cima de tudo lembrar de como minha cama é aconchegante.
– Temos que fazer isso outra vez! – eu desci do carro e ela fez o mesmo
– O que? – a encarei assustada. – O raio não cai duas vezes no mesmo lugar, não é tão fácil quanto parece.
– Mas a gente da um jeito, semana que vem tem o outro show e eu preciso encontrar eles.
– Você acha que foi fácil passar por aquele segurança?
– Você mesma disse que foi. – a partir dai eu não tinha mais argumentos. – Por favor, é a ultima vez.
– No dia a gente vê o que faz está bem?
– Combinado – sorriu alegremente.
Fim Stella's POV
Fale com o autor