Feel Like I Am In Love Again
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Saí do banho e me vesti rapidamente, esperei a manhã inteira por isso. Marquei de encontrar Elise, as coisas entre a gente está indo bem, eu não pretendo nada, apenas quero ter ela como amiga.
Enfim, depois de pronto saí de casa, eu estava adiantado, mas melhor assim.
Passos longos, não demorei a chegar. Me sentei e dei uma olhada no cardápio, apenas vendo o que eu poderia pedir. O garçom até me perguntou se eu já queria fazer o pedido, mas eu ainda estava esperando ela chegar.
Quando comecei a achar que ela não viria, a vi entrando no restaurante, sorri até sem perceber, ela se aproximou com rapidez e se sentou a minha frente.
- Desculpa a demora, Tony. Eles interditaram a rua principal.
- É eu fiquei sabendo, mas você não está atrasada, eu que cheguei antes.
- Se é assim – deu de ombros – Já pediu?
- Não, eu estava te esperando.
Sem demoras fizemos nossos pedidos, impressionante que certas coisas não mudam, ela ainda tinha os mesmos gostos.
- Hm – comecei enquanto ainda mastigava, tomei um gole de suco e continuei – Você não quer ir assistir a um show? O pessoal vai adorar te ver.
- É um ótima ideia, tô com saudades deles, mas depende da data, ainda tenho muitas coisas para fazer.
- Semana que vem eu tenho uns dois aqui na Califórnia, se quiser.
- Complicado – comentou depois de pensar durante alguns minutos – Quase certeza que semana que vem eu não vou ter tempo.
- Tudo bem, ainda vamos ter mais, oportunidade é que não vai faltar.
- Espero porque não pretendo ficar muito tempo aqui. – a declaração me pegou de surpresa
- Como? – me fiz de desentendido – Não vai morar aqui?
- Não, Tony! – exclamou surpresa – Só vim por causa do trabalho, logo eu volto pra casa.
- E quanto tempo vai ficar?
- Mais algumas semanas – deu de ombros enquanto dava uma garfada em sua comida – Não comprei a passagem de volta para eu poder fazer minhas coisas com calma.
- Você gosta tanto de lá? – minha expressão era de surpresa, talvez eu tivesse me iludido com essa aparição repentina dela.
- Muito, é a vida que eu realmente queria ter.
Só então percebi como a vida dela estava indo no caminho que ela queria, indo cada vez melhor na carreira, morando no lugar que sempre quis, acho que foi um avanço eu ter saído da vida dela e isso era totalmente o contrario do que eu imaginava.
Nunca pensei em procura-la por sempre achar que ela estaria nervosa comigo, mas quando vi que não, achei que o certo a fazer era tentar fazer as coisas voltarem ao que era antes, mas nunca parei para pensar que talvez não fosse isso que ela queria.
- Tony? – ela verificou já que eu estava ocupado demais fazendo uma revisão da minha vida.
- Desculpe – voltei a encara-la. – Não ficaria aqui por nada? Digo... Você realmente vai passar sua vida lá?
- Nunca pensei assim, mas acho que sim. Claro, não vou dizer com certeza porque se eu tivesse realmente um bom motivo, obvio que eu ficaria aqui.
- Como?
- Não sei, uma ótima proposta de trabalho por mais que eu não esteja procurando ou a chance de começar uma família com um novo alguém.
- E com um velho alguém, ficaria? – encarei seus olhos que mostravam a surpresa que ela tentava esconder.
- Não sei, isso é relativo. – interpretei como um modo de encerrar o assunto, e até que a resposta não foi tão ruim como eu pensava.
- Hm. – apenas em sinal de compreensão.
O assunto mudou, eu até tentei voltar, mas ela estava evitando minhas perguntas então deixei quieto. O que mais tinha me pegado de surpresa foi ela dizer que ia embora, eu realmente achei que ia tê-la por perto e melhor ainda com o fato dela não estar nervosa comigo.
Ela tinha os afazeres dela e não a atrapalhei com meus convites, aliás, eu também tinha que sair, a diferença é que eu só iria até o Flea. Mas no momento está sendo uma ótima opção porque minha cabeça ficou a mil depois dessa conversa.
Ele sabia que ela estava pelas redondezas, mas não fazia ideia de que eu já estava conversando com ela.
- E você chegou nela do nada?
- Na verdade ela que veio até mim. Eu estava parado num quiosque e ela me cumprimentou.
- Como? Você deve ter ficado encarando ela.
- Não Flea, ela realmente puxou assunto.
- Te reconheceu?
- Ah eu nem mudei tanto assim.
- Mas ela já estava lá ou você chegou primeiro?
- Ai, Flea, tá difícil hein – ri sem humor já começando a me lembrar daquele dia
O sol estava forte, o dia estava perfeito para praia e mesmo com tamanho calor não estava tão lotada, acabei de sair do mar e decidi ir tomar alguma coisa antes de voltar pra casa.
Andei observando os pingos que caiam do meu corpo e iam marcando a areia até chegar ao quiosque, um cara de aparência latino-americana e muito simpático veio me atender assim que chegou minha vez na fila.
- Pois não?
- Tem suco de que sabor?
- Abacaxi, laranja, morango, maracujá e limão.
- Esse de morando é com água ou leite?
- Com o que preferir. – disse sorridente
- E tem água de coco?
- Tem também, no coco ou no copo.
- Ah – disse ainda com minha duvida. – Mas acho que prefiro um suco de maracujá.
- Pra já! – foi se virando e eu me lembrei de outra possibilidade
- Hey, moço – ele olhou – Tem chá gelado?
- Claro, vai querer um?
- Na verdade eu não sei direito o que eu quero, é muita opção. – cocei a cabeça em sinal de duvida.
Ele me aguardava pacientemente enquanto eu tentava me apressar na escolha, mas acabava me desesperando e demorando mais.
- Vai demorar aí grandão? – a voz estranha soou de trás de mim e eu achei que não era comigo, na verdade eu não queria que fosse então ignorei – Tá surdo? Você não é o único da fila não, cara! – essa voz não parecia de homem, mas nem de mulher.
Me virei intrigado achando que tinha a maior fila, mas na verdade só tinha uma pessoa, uma mulher que é estranho até para mim a classificar assim, cabelos ainda com fios loiros agora um pouco acinzentados, pele clara e sorriso doce e calmo como eu sempre tive guardado em minhas lembranças.
- Oi, Anthony. – parou de tentar fazer voz de homem e disse com sua voz normal que eu achava que ia mudar algum dia.
- Não acredito que é você, Elise. – não consegui esconder meu sorriso, quando na verdade eu estava surpreso, primeiro por vê-la tantos anos depois e segundo e mais principal por ela ter falado comigo, por ela estar sorrindo pra mim e por não aparentar magoa nenhuma.
- Por que, mudei tanto assim? – orra! Agora está uma mulher formada
- Não, quero dizer sim, mas não.
- Oi? – ela riu
- Fiquei sabendo que estava na Europa.
- Eu me mudei pra lá há anos – é eu sei – A vida na França é melhor do que eu imaginava, mas agora voltei, estava com saudades daqui.
- Moço? – a voz do atendente me chamou atenção. – O que vai querer?
- Só uma água, por favor – disse dando pouca atenção a ele, eu mal queria tirar os olhos dela.
- Vou querer uma também, por favor – pediu e o atendendo assentiu.
- Não imaginava te encontrar numa praia, mudou de ideia sobre o mar?
- Nunca tive nada contra o mar, ele que tem contra mim. Mas eu vim só dar uma caminhada por aqui e comprar algo para beber, mas tinha um cara me atrapalhando.
- Ah desculpe senhorita, eu não queria estragar seu dia – me fiz de ofendido.
- Deixe de bobagem Anthony – realmente eu estava bobo, só por vê-la falar meu nome no mesmo tom doce que eu era acostumado. Ela veio mais ao meu lado para pegar a água e isso me alertou para pegar a minha também. – Eu tenho que ir. – disse por fim — A gente se vê por ai – sorriu.
- Foi bom te ver Elise, muito bom mesmo – sorri e iniciei um abraço de despedida o qual achei que ela fosse fugir. Seu cheiro não mudara e sua pele suave muito menos, queria ficar ali o resto do dia, mas foi um abraço rápido e distante.
- Digo o mesmo – tomou um gole de sua água depois de pagar – Até mais – sorriu mais uma vez e se afastou.
Eu depois de uns cinco minutos de bobeira a observando se afastar paguei pelo meu pedido e também fui embora completamente confuso, não era assim o jeito que eu esperava a encontrar, na verdade eu não tinha tantas esperanças de ainda vê-la, muito menos dela falar comigo.
- Não imaginei que ela fosse te olhar na cara ainda. – disse se recostando no sofá depois que eu contei não com muitos detalhes o que aconteceu naquele dia.
- Eu também não, fiquei até sem reação na hora, achei que não era comigo. Mas não tinha outra pessoa. E ela está tão mudada, mais madura...
- Ih Já tô vendo onde isso vai dar...
- O que mais me deixou impressionado foi ela não sentir nenhuma magoa.
- Isso é bom não é?
- De certo modo sim, mas então quer dizer que eu não fui tão significante, quer dizer que ela conseguiu esquecer fácil.
- Você já está vendo coisas cara, você não sabe como foi pra ela, acabou de dizer que ela está mais madura, obviamente né. Mas isso quer dizer que ela viu que ficar guardando isso não ia levar a nada.
- É... Acho que você está certo.
- E o que vai fazer?
- Com o que?
- Com isso oras, ela está ai, você ainda se importa com ela e eu já percebi, não vai tentar nada?
- Não sei Flea, eu até queria, estou entendendo isso como uma chance entende? – ele assentiu – Mas ela me disse que em pouco tempo vai voltar pra França, não sei o que fazer — por minha vez me recostei.
- Só isso que ela disse? Não vai voltar mais.
- Ai que está, ela disse que se encontrasse algo que a fizesse ficar, ela voltaria a morar aqui.
- E você pretende ser esse algo.
- Eu pretendo. Sabe Flea, acho que tenho a chance de colocar tudo em ordem outra vez, ela está aqui sem nenhuma raiva e ainda tem aquele jeito doce de sempre. Acha que eu devo fazer isso?
- Tenta, porque não?
- É vou fazer isso, vou tentar me aproximar dela para que ela sinta que tem que ficar, mas não vou fazer nenhum pedido. Só se no dia que ela estiver indo embora e eu ver que não deu certo ai eu faço algumas coisa ali mesmo.
- Alguma coisa?
- Isso eu vejo no dia, remoer coisas boas do passado talvez.
- Ou seja, vai apelar?
- É.
- Bem, então se eu fosse você já começava a ver isso logo porque semana que vem tem show e isso só vai distanciar vocês.
- To sabendo, mas eu dou um jeito.
A conversa foi animadora, mas não o necessário para eu me sentir totalmente confiante.
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