Notas iniciais
Demorei, mas não falhei. Pensei em fazer um capítulo extra depois, mas a ideia original sempre foi acabar desse jeito, então espero que vocês apreciem o encerramento nesse jeitinho especial. ♥ #Revelando o passado e trauma de Jimin #Jungkook e Jihoon finalmente se resolvem #Minjoo acha seu soulmate #Resgate em Daegu. #The End.

Jimin sempre achou que seu sentido ser o Tato era irônico. Era difícil para ele entender os limites do corpo, porque ele não sentia as dores. O garoto tinha uma rotina restrita de rpg, além de acessórios utilizados para evitar lesões mais graves do que apenas quebrar um osso ou torcer um membro.

Porque se ele rompesse um tendão ou um ligamento, ainda não seria capaz de sentir e seria capaz de correr para o hospital com a urgência desse caso.

Apesar disso, Jimin cresceu como uma criança qualquer — se descontar todos acidentes.

Ele tinha duas marcas de queimadura, resultado de sua curiosidade no fogão, algumas cicatrizes que contém suas próprias histórias e o dedinho da mão esquerda nunca se recuperou, após ser quebrado pela quarta vez.

Mas tirando tudo isso, ele realmente cresceu como uma criança qualquer.

Quando Jimin finalmente ganhou controle do seu corpo, mesmo sem sentir, ele se apaixonou pela dança. Balé, Jazz e contemporâneo se tornaram parte de sua rotina junto com rpg e ginástica olímpica e ele podia dizer que além de estar em forma, tinha agora uma elasticidade de dar inveja em um invertebrado.

Aos dezesseis, Jimin passou a sentir o calor. Ele sentia o verão, a temperatura da água quando tomava banho, mas isso não contava para a água gelada, como a de uma piscina. Mas podia sentir a temperatura de seu chá ou sopa. Era estranho. Depois de passar tanto tempo sentindo absolutamente nada…

Sua família vivia o mais normal possível, apesar dos cabelos brancos de preocupação com qualquer acidente que Jimin pudesse sofrer e o fato deles terem um quarto como enfermaria na casa.

Sua mãe chorou junto com ele, quando descobriram que ele podia sentir a temperatura pela primeira vez. Porque na verdade ele preferia poder sentir o abraço de sua mãe ou o contato de mãos dadas.

Jimin queria sentir pessoas ao invés disso. Mas ele não iria reclamar. Não quando ele poderia dançar.

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— É difícil, e eu não sei lidar com isso.

Era a terceira consulta de Jimin com Seokjin e ele finalmente estava desabafando o real motivo por trás de todo seu trauma. Ele se arrependia de nunca ter pensado em procurar ajuda profissional antes. Agora se sentia tão melhor com tão pouco.

No começo, parecia estranho fazer isso com um amigo, mas o mais velho era tão profissional, que nem mesmo Namjoon sabia do conteúdo de suas conversas. E ele não se expressava durante as sessões como faria do lado de fora se alguém se machucasse ou chorasse.

Isso o deixava ainda mais confortável para falar o que quisesse.

— Eu não consigo nem imaginar como deve ser, mas posso te afirmar que ninguém deve saber como lidar com isso. Ninguém deveria ter que.

— Não é frustrante como existe tanta gente ruim no mundo, hyung? Eu queria apenas sentir, amar e dançar.

Mas ele acabou cruzando o caminho de quem não deveria.

Os olhos do mais velho se encheram d'água, e com um sorriso torto, ele anunciou o fim da consulta. Ao saírem do escritório, ele puxou o garoto de cabelo rosa para um abraço apertado, mesmo sabendo que ele não poderia sentir desde que Taehyung e Yoongi haviam viajado.

— Se você precisar de mim, não hesite, ok?!

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Minjoo foi outro que pediu ajuda a um dos colegas de Seokjin, tendo passado por quase a mesma coisa que Jimin. E considerando como seu amigo estava melhor apenas desabafando com alguém, ele também queria isso.

E ver o clima entre Hoseok e Soonyoung o fazia se sentir com inveja de que era o único solteiro. Mesmo sem ser soulmates, todos a sua volta pareciam estar engajados com alguém. Com um bico o garoto de cabelo azul e rosa decidiu andar pelo campus.

Ele devia estar ensaiando com os dois mencionados anteriormente, mas com a ausência de Jimin a coreografia não fazia sentido de qualquer jeito, então ele não sentia nenhum peso na consciência.

Só foi parar sua aventura ao ouvir alguém tocando. Estava tão acostumado com o grupo de Yoongi e as músicas que ensaiava que era estranho seu ouvido captar acústico. Uma banda! Uma banda na universidade e ninguém havia contado pra ele sobre?!

Minjoo estava sozinho e solteiro, então nada o impediu de correr atrás da fonte da música e invadir a sala de ensaio.

Havia um garoto loiro, alto, usando óculos que estava afinando uma guitarra. Do outro lado um outro rapaz com o cabelo também loiro, mas já bem desbotado, encarando ele confuso com um baixo em mãos.

O baterista era enorme, mal cabendo atrás do instrumento. O que chamou atenção era o cabelo ondulado e fofo e “devia ser tão macio”. Minjoo acabou suspirando com a imagem.

— Minjoo? — Ouvir seu nome o tirou de seu estupor, desviando os olhos e dando de cara com um de seus gêmeos.

— Jihoonnie?!

— O que você está fazendo aqui?

— Eu que pergunto! Você sabia da banda?!

Os loiros encararam Jihoon, curiosos com a cena e o rapaz suspirou.

— Esse é Minjoo, um dos garotos de dança.

— Oh! — O de óculos abriu um sorriso brilhante, largando a guitarra e indo cumprimentar Minjoo. — Eu sou Jae. Líder e guitarrista da banda.

Com um sorriso tão bonito quanto, o baixista acenou para ele.

— Ele é o Brian, baixista e meu soulmate. — Jae piscou para Minjoo. — E o baterista é Chanyeol!

O único moreno da sala finalmente deu atenção a eles, e apesar de ser enorme, ele tinha uma aparência tão fofa e inocente que Minjoo estava morrendo por dentro.

— Jihoonie! Você conhece uma banda super cool e nunca me contou sobre! — O rapaz de cabelo colorido se jogou em cima do amigo, choramingando.

Ele acabou ficando para assistir o ensaio, super empolgado em ouvir música acústica. Minjoo estava amando a tracklist, cada música tocada parecia mais perfeita que a anterior.

E aí ele aprendeu que Jihoon quem havia ajudado a compor as músicas e ele passou a amar elas mais ainda.

No fim do ensaio, os dois loiros saíram juntos, discutindo alguma coisa. Chanyeol que ficou para trás guardando cada instrumento em seu lugar.

Minjoo estava esperando Jihoon recolher suas coisas e wow! Ele achava o baterista gigante enquanto sentado atrás do instrumento, mas agora ele de pé organizando as coisas….

Era ridículo. Ele e Jihoon batiam um pouco abaixo do ombro do moreno. E Minjoo não sabia porque isso fez ele tremer inteiro e desejar algo.

Os restos dos dias da semana, o garoto de cabelo rosa e azul passou a frequentar todos ensaios da banda, se apaixonando mais e mais. Pela música.

Hoseok e Soonyoung nem se importavam com o sumiço dele, ocupados demais em um mundo único que pertencia apenas a eles.

Foi na sexta feira que Jihoon o puxou antes de entrar na sala, parecendo sério, porém feliz ao mesmo tempo.

— Minjoo, você não tem notado nada estranho?

— Estranho? — Ele inclinou a cabeça para o lado, sinceramente confuso.

Jihoon acabou rindo com sua atitude. Por mais que os dois estivessem sempre saindo no tapa, o mais novo amava o lado fofo dele e não escondia isso.

— Um, você não está usando seu aparelho. — Apertou de leve a orelha direita do amigo.

O rapaz de cabelo azul e rosa engasgou, arregalando os olhos e agarrando a própria orelha.

— E mesmo assim, você está ouvindo as músicas perfeitamente, dando até palpites nos drops e nas pontes.

— Ow...my...god…

Minjoo se jogou em cima do amigo com olhos marejados.

— Eu encontrei meu soulmate!!!!

E tudo começou a fazer sentido. Não só o fato de ter recuperado seu sentido, a audição, e poder escutar perfeitamente cada detalhe das músicas sem a ajuda de um aparelho. Mas também porque ele se sentia daquele jeito perto de um certo baterista.

Naquele dia não houve ensaio porquê Minjoo raptou Chanyeol, se confessou e o beijou. Eles sentiram todos sintomas da conexão de soulmate e o baterista começou a gritar de felicidade, erguendo o menor e girando ele em seus braços.

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Taehyung não gostava de dizer isso, mas ele deveria ter suspeitado que estava tudo ótimo pra ser verdade.

A semana com a família Min se provou uma experiência que ele queria repetir em todos os feriados possíveis. Ou até o quarto integrante chegar de surpresa.

O irmão de Yoongi, Minhyun, que era para estar fora do país no fim de semana.

Ele estava na sala encarando Taehyung como se ele fosse um criminoso, fazendo ele sentir um arrepio na espinha.

— Minhyun, querido, não faça cerimônia com seu cunhado. — A Sra. Min veio em seu socorro, dando seu melhor sorriso gengiva para o filho mais velho.

A resposta do rapaz alto foi uma sobrancelha erguida.

— Cunhado? Yoongi voltou a trazer homens para dentro da nossa casa?

Taehyung parecia que estava engasgando em cacos de vidro.

— Não fale desse jeito. — E foi a primeira vez que ele viu a mãe de Yoongi séria. — Seu irmão encontrou o soulmate dele. Estamos muito felizes.

Minhyun apenas o olhou com desprezo mais uma vez antes de ir para a cozinha. E o ar continuava gelado demais para respirar fundo.

— Me desculpa, Tae. Eu não esperava que vocês fossem ter um encontro tão desagradável.

— Tudo bem. — Ele falou rápido, tentando dar seu melhor sorriso. — Você se importa se eu esperar Yoongi no quarto dele?

Com a resposta dela, Taehyung rapidamente subiu as escadas, se escondendo no quarto do namorado. Quando Yoongi e Seokjin haviam contado sobre o mais velho, ele não esperava que ele tivesse essa aura tão pesada.

Quando Yoongi chegou, a baixaria rolou solta. Taehyung não desceu para ver o que estava acontecendo, preferindo ficar na segurança do quarto. Mas os dois gritavam um com o outro, e as vezes a voz da Sra. Min tentando acalmar os filhos.

Apenas após um barulho de algo quebrando e mais xingamentos, que ele pôde ouvir passos na escada, e de repente a porta escancarada pelo seu namorado que estava com o rosto vermelho. Provavelmente de raiva.

— Chega. Nós vamos embora antes que eu finalmente cometa homicídio com meu irmão!

— Hyung, respira fundo primeiro. Você pode ter um treco!

— Tae, eu… — O loiro foi interrompido com um grunhido de dor.

E os dois perceberam o que estava acontecendo. Yoongi estava tendo uma crise de enxaqueca. O que significava ficar e aguentar a família dele por pelo menos mais um dia.

— Nós não precisamos sair do quarto. Vai ficar tudo bem. — Sussurrou para o namorado, guiando ele para a cama.

Yoongi ficou resmungando, mas aceitou a ajuda do mais novo.

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Infelizmente, uma pesquisa que foi feita para ajudar pessoas, foi usada de má fé. Cientistas buscavam uma maneira de curar os sentidos de pessoas que não conseguiam se encontrar com o soulmate ou quando este já estava morto.

A descoberta dessa possibilidade explodiu no mundo todo, porém logo caindo no esquecimento quando os testes revelaram que não era permanente e sim temporário os efeitos.

No entanto, outras pessoas descobriram um uso melhor para tal resultado. Inventaram drogas para ser colocado na bebida de outras pessoas, e assim iludi-las fazendo-as achar que haviam encontrado o soulmate.

E o relacionamento durava até que um deles se cansasse ou o efeito acabasse e a vítima descobrisse toda verdade.

— Eu já havia ouvido falar dessas drogas, mas nunca havia atendido ninguém que tivesse passado por isso.

— É bom ser seu primeiro. — Jimin tentou rir, mas a posição séria e braços cruzados do mais velho não mudou.

— É completamente compreensível sua reação em relação a Taehyung e Yoongi, e espero que nossas sessões tenham diminuído seu sentimento de culpa.

— Um pouco... Eu ainda não gosto da ideia, mas também não queria deixar a amizade. Eu finalmente reencontrei Tae e Yoongi hyung se provou uma pessoa incrível.

— Manter a amizade, significa sentir.

— É… Mas eu não queria que isso fosse um empecilho na nossa amizade? — Suspirou frustrado, bagunçando os fios rosa.

— Dê um passo de cada vez, Jimin. — Seokjin tentou sorrir.

Antes que mais alguém pudesse falar, Namjoon escancarou a porta do consultório. O que seria completamente contra as regras já que ele estava:

1 — invadindo o lugar de trabalho de Seokjin.

2 — atrapalhando a sessão.

3 — invadindo a privacidade e destruindo a ética.

— Namjoon... Eu juro que se você não tiver uma boa razão…

— É o irmão do Yoongi. Ele chegou de surpresa, causou o maior caos lá e Taehyung ligou quase chorando, implorando para falar com você.

Jin não hesitou em se levantar e pegar o celular da mão do namorado.

— Tae, se acalme e me explique o que está acontecendo.

— O hyung do Yoongi está aqui e… — Houve uma interferência na linha. — Yoongi hyung está com a pior enxaqueca que já vi, e nenhum remédio está fazendo efeito. Ele pediu em meio a dor que eu te ligasse. Algo sobre você ter um remédio especial para essa ocasião?

Jimin trocava olhares preocupados entre Namjoon e Seokjin, que retirou os óculos para esfregar os olhos e suspirou.

— Ok, Tae. Não entre em pânico, ta? Tenta manter ele o mais quieto e calmo possível... Com Minhyun em casa. Eu e Joon iremos chegar aí… — O mais velho olhou para o relógio. — Um pouco depois do almoço.

— Yoongi hyung disse que se vocês chegarem aqui em menos de 2 horas ele vai dar um jeito de sumir com a sua carteira de motorista.

Seokjin não se deu ao trabalho de responder, revirando os olhos, reafirmando que estariam lá em breve e desligando o celular, devolvendo para o namorado.

— Joon, pegue nossas coisas. Eu vou encerrar as coisas aqui no escritório antes de irmos para Daegu.

— Yes, sir! — Assim como entrou, Namjoon desapareceu rapidamente.

Jimin continuou paralisado no lugar, vendo Seokjin organizar suas coisas rapidamente, bolsa já pronta e desligando o computador.

— Me desculpe, Jimin. Nós podemos repor sua consulta amanhã, se tiver livre?

— Claro… — O mais novo respondeu ainda atordoado com o que estava acontecendo.

Por instinto ele seguiu o outro até a recepção, onde ele desmarcava seus outros pacientes e conversava com enfermeiros.

E Jimin percebeu que essa era a hora. Era o momento perfeito para ver o resultado de suas conversas com Seokjin e colocar sua amizade a prova. Ajudar os dois e ver como se sentia em relação a isso.

— Hyung, eu vou com vocês!

— Jimin? O que…

— Eu quero ir. Antes de tudo, eles são meus amigos. — O garoto de cabelo rosa estava tão determinado, que Jin apenas suspirou como resposta.

Em minutos os três estavam no carro, caindo na estrada em direção a Daegu.

—/-

Jungkook estava estressado. Não, risca isso. Ele já havia passado desse estágio, e agora ele estava frustrado e exausto.

Seus hyungs estavam fora, ele sentia que algo estava errado, Changkyun estava o ignorando porque ‘precisava tomar vergonha na cara’ e PJ estava ocupado demais para cuidar dele. Sem mencionar que Namjoon estava tão concentrado em stalkear Hoseok e Soonyoung que Seokjin estava quase socando o namorado.

E quando ele achou que não dava mais para piorar, a última gota caiu em seu copo. Jihoon estava na frente dele, mãos na cintura e olheiras profundas.

Ele poderia sair correndo. Ser covarde mais uma vez e desaparecer. Ele sabia que devia ter aproveitado o recesso para voltar para Busan.

Não, risca isso mais uma vez. Ele não iria pisar em Busan tão cedo.

— Podemos conversar? — A voz rouca do rapaz de cabelo rosa cortou seus pensamentos.

— Hun... Temos que?

— Jungkook!

O moreno se encolheu automaticamente na poltrona do café. Ele não gostava quando Jihoon estava estressado com ele e usava esse tom. Mesmo sabendo que merecia mais do que tudo.

O menor se sentou à frente dele, suspirando e passando as mãos no rosto.

— Hyung?

— Eu estou cansado, Kook. Você não sente isso? Eu entendo todos seus problemas em ser Non-soul, mas nós já fizemos a ligação. Estar distante desse jeito dói fisicamente.

— É...eu sei… — Ele abaixou o rosto, envergonhado consigo mesmo.

Jungkook já havia passado por essa dor, então ele achou que deveria apenas aguentar. Porém, dessa vez o outro lado também estava sentindo. Ele esqueceu completamente que Jihoon sofreria tanto quanto ele. E isso era injusto.

— Você precisa de mais tempo? O que precisamos fazer para você sair desse transe, Kook?

O moreno finalmente encarou o outro nos olhos e, uau. Ele perdeu completamente a respiração. Jungkook havia esquecido como Jihoon era lindo, mesmo com uma aparência tão exausta.

— Me desculpa!

Jihoon esperava qualquer coisa, menos um pedido de desculpas cuspido, Jungkook com olhos arregalados e de repente ele tinha o mais novo sentado ao lado dele.

— Me desculpa, hyung. Eu fui egoísta. Eu fiquei com tanto medo, preso nesse maldito passado, e eu sei que dói. Eu sei. Eu fui um idiota de não lembrar que você passaria por isso também.

— Ok...Ok, calma. Eu não esperava que você fosse reagir, quanto menos falar tanto assim.

Jungkook fez um bico com a resposta do rapaz de cabelo rosa, que acabou rindo.

— Eu te desculpo com uma condição.

— Qualquer coisa!!!

— Me beija logo, seu idiota!!!

Jungkook ficou tão vermelho quanto ele poderia se lembrar que podia ficar, mas cumpriu com a ordem do mais velho. A dor sumiu, ele sentia vibrações dentro de si, uma explosão de sentimentos… E alguma coisa inexplicável.

— Uou…

— Shiu! A gente já perdeu muito tempo. — Jihoon puxou ele de volta para o beijo, e quem era Jungkook para contrariar?

Soulmate era realmente a melhor coisa do universo.

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— Namjoon hyung sequer disfarça que ele está seguindo a gente a semana inteira. — Soonyoung falou aleatoriamente, tentando conter um gemido quando finalmente colocou o sorvete na boca.

Estava calor demais para dançar e para lidar com Minjoo e seu romance novo.

— É falta do que fazer porque Jin hyung está mais ocupado do que nunca agora que ele trabalha de verdade, e não só faz residência. — Hoseok respondeu dando de ombros.

— Taehyung e Yoongi eram iguais Minjoo e Chanyeol? Ou a gente? Ou sei lá. Meu deus, nunca vi um casal soulmate tão pegajoso. — O rapaz de laranja colocou mais do que o necessário na boca, sentindo o cérebro congelar.

Hoseok começou a rir dele ao invés de responder. O rapaz de cabelo laranja sempre ficava frustrado quando o assunto era o melhor amigo. Ele achava isso tão adorável.

— Drama a parte, Yoongi e Taehyung são a mesma coisa desde o começo. E porque está perguntando da gente? Você faz parte. — Ele mencionou com a mão.

— Alguém sabe que somos?

— Duvido.

Os dois começaram a rir juntos, trocando sorvetes ou misturando os sabores. Os funcionários da sorveteria até pensaram em pedir silêncio, mas não tinham coragem.

—/-

Taehyung não sabia quanto tempo havia passado desde sua ligação a Seokjin. O quarto estava fechado, assim como as cortinas, e estaria completamente escuro se não fosse as velas de incenso do mais velho.

Ele finalmente havia conseguido se acalmar apesar da dor, e Taehyung suspeitava que era o cheiro doce do incenso mais o cafuné que estava fazendo no menor.

Quando pensou em pegar o celular para ver se já havia carregado o suficiente para pelo menos se distrair, a porta foi aberta com força exagerada, fazendo Yoongi resmungar.

Taehyung esperava muitas coisas, menos Seokjin, Namjoon e Jimin ali e...Espera, Jimin?!

— Er…? Hyungs? Minnie?

— A gente tarda, mas não falha. — O mais velho de todos colocou uma caixa de primeiros socorros na cama e puxou um frasco amarelo e suspeito. — Já sabe as regras, Yoongi.

O mencionado continuou a resmungar enquanto se sentava, e só então Jimin percebeu como o outro estava acabado por causa da enxaqueca, causando um aperto em seu peito.

Yoongi tomou duas pílulas com a maior cara de desgosto possível, fazendo todos menos Seokjin estremecerem pensando o quão ruim devia ser o remédio.

— Agora eu vou lá em baixo acalmar a fera enquanto vocês arrumam tudo para ir embora. Joon vai dirigir seu carro.

— Obrigado, hyung. — Jin sorriu com o agradecimento rouco, bagunçando mais ainda os fios desbotados de Yoongi antes de sair do quarto com o namorado.

O silêncio durou apenas o tempo de Yoongi perceber uma terceira presença no quarto.

— Jimin?

— Er...Oi?

— Não que eu esteja reclamando, mas... O que faz aqui?

Taehyung também estava curioso sobre a resposta porém achou melhor se ocupar começando a arrumar as malas para evitar tocar Jimin sem querer.

— Foi uma... Hun... Decisão impulsiva. — Jimin acabou dando uma risada sem graça, colocando a mão na nuca. — Eu queria conversar com vocês, mas acho que não é o melhor momento…

Yoongi fez um som de quem entendia e o silêncio retornou com ambos observando Taehyung andar pelo quarto arrumando as coisas.

— Tae? — O moreno parou no meio do caminho de colocar os presentes que ganhou da Sra. Min em sua mala.

— Sim?

— Jimin quer conversar com a gente.

— Oh!!! — Taehyung arregalou os olhos, largando tudo e se sentando na cama, curioso.

Jimin decidiu se juntar a eles na cama, mas em uma distância segura para que não começasse a sentir no meio da conversa e surtasse.

— Ok... Eu queria explicar porque eu rejeitei vocês como soulmate. — Ambos abriram a boca ao mesmo tempo, provavelmente protestar. — Eu quero. Acho importante, principalmente porque independente do resultado disso tudo... Não quero perder a amizade de vocês.

— Minnie. — Taehyung gemeu o nome do amigo de infância, olhos enchendo de lágrimas.

Yoongi se reservou em um sorriso de pura admiração pelo rapaz de cabelo rosa. Ele era mais forte do que pensava.

Jimin demorou um pouco antes de começar, mexendo nos vários anéis que usava e olhando tudo menos os dois na cama com ele.

— Quando eu estudava em Daechon com Minjoo e Soonyoung... Nós achamos nossos “soulmate” lá. Em uma festa de boas vindas da universidade.

Taehyung tentou não ter ciúmes que Jimin já havia se ligado a outra pessoa.

— No começo foi... Excitante. Acho que vocês entendem toda aquela descoberta, ter seus sentidos completos pela primeira vez e ser amado.

Jimin teve que desviar o olhar de novo para segurar as lágrimas e Yoongi sentiu o estômago revirar, suspeitando o que vinha.

— Ele não era meu soulmate. Eu não sei se vocês já ouviram falar, mas existe uma droga que imita os efeitos da ligação e eu e Minjoo fomos vítimas.

— Shit. — Yoongi teria sido mais escandaloso ou sentido mais raiva se o remédio não estivesse finalmente fazendo efeito.

— Eu sabia dessa droga, mas nunca imaginei que usariam pra enganar alguém desse jeito. — Taehyung encarava as mãos de Jimin, desejando mais que tudo poder segurá-las.

— É mais comum do que parece esses golpes. — Jimin deu uma risada fraca. — O problema é que até eu descobrir a verdade… O meu pseudo soulmate transformou nosso relacionamento em algo totalmente abusivo.

Taehyung deixou um som surpreso escapar, puxando o namorado mais perto para ter o que apertar.

— Espera… Seu sentido é tato…

O silêncio que caiu no quarto era pesado e dificultava respirar. Jimin não precisava entrar em detalhes de que abusos sofreu. E doía mais do que tudo imaginar que ele foi vítima de um golpe tão baixo.

Jimin não queria se prender muito as lembranças, mas mesmo sem detalhes elas invadiam sua mente sem permissão.

As mãos rudes em si, fazendo-o desejar mais do que nunca continuar apático ao tato. Os gritos de não que ecoavam de seus lábios. Lágrimas, sangue e machucados.

Um toque em seu joelho o fez pular em choque e pelo fato de poder sentir.

— Desculpa, mas você estava preso em pensamentos ruins…

Taehyung e Yoongi olhavam ele com tanta empatia, com tanto amor, que Jimin acabou soltando um soluço, percebendo que as memórias o fez chorar.

— Eu... desculpa. — Yoongi torceu o lábio e pediu permissão para tocá-lo com o olhar. Jimin não conseguiu negar, desesperado por afeto.

O rapaz de cabelo desbotado o abraçou, fazendo ele sentir milhões de coisas. Nenhuma perto de sua experiência antiga.

— Não ouse pedir desculpas… por chorar, sentir ou querer se isolar. Você pode Jimin.

Eles não ficaram muito tempo tocando Jimin, querendo respeitar o espaço dele — principalmente depois de saberem toda verdade por trás de seu pânico.

Yoongi sentia que apagaria a qualquer momento por conta do medicamento forte. Taehyung decidiu terminar de arrumar as malas e Jimin se ocupou deitando ao lado do mais velho enquanto se acalmava.

Seokjin era amado por todos, e não era exceção no caso de Minhyun mesmo que ele não gostasse de Namjoon, e não escondesse isso, muito menos o fato de que ele era o soulmate de Jin.

Por isso, o rapaz de cabelo azul ficou na sala com o Sr. Min, falando sobre todas coisas boas da faculdade, o que achava de Taehyung como soulmate de seu filho enquanto seu namorado acalmava a fera e a Sra. Min.

Quando finalmente conseguiram voltar para Seoul a viagem foi mais tranquila do que o esperado. Jimin decidiu fazer companhia a Namjoon que iria dirigir o carro de Yonggi enquanto os namorados seguiam com Seokjin.

Enquanto desembarcavam as coisas no dormitório, o rapaz de cabelo rosa parou para observar Taehyung e Yoongi, sentindo mais uma vez coisas inexplicáveis.

Isso não era outro golpe. Ele não estava sendo vítima de novo. Não havia ordens, desrespeito e nem roxos espalhados em seu corpo.

Pela primeira vez Jimin havia finalmente sentido afeto e amor. Os olhares que recebia deles, mesmo antes da ligação ser feita. O abraço que Yoongi havia dado nele.

Jimin sentiu o corpo estremecer e a respiração falhar. Se fosse assim….

Se soulmate significava querer chorar ao ver suas ligações, era sentir essas emoções a flor da pele sem querer deixar de existir.

Se fosse tanto amor assim, Jimin queria. Ele queria ter uma segunda chance, ele queria viver isso.

Ele queria viver ao lado de Taehyung e Yoongi enquanto isso durasse.

Com um sorriso e uma risada aliviada Jimin correu em direção aos dois que haviam parado na entrada do dormitório esperando por ele, com seus próprios sorrisos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!