Lorde

Sento em minha prancha, apreensiva. Os raios de sol batem em minhas costas, cobertas pelo tecido grosso da roupa de surfe. Prendo o cabelo com um elástico e começo a nadar até a próxima onda. Está muito quente, mal posso esperar para ser derrubada pela água.

A minha frente, uma onda bem grande começa a se formar. Não posso perder essa oportunidade, nado mais rapidamente.

Já tenho a velocidade e a posição necessárias, me levanto devagar, até estar completamente em pé na prancha.

Por sorte, não caí em nenhum momento.

Aproveito cada segundo em cima da prancha, olhando fixamente para a frente, então começo a fazer manobras, vou mais para baixo, então faço uma curva violenta na onda. Surpreendentemente, continuo em pé. A onda se desfaz, aproveito para me jogar no mar.

As vezes é bom ficar na água, lá eu não escuto nada, não sinto nada. Pareço não ter preocupações.

A água salgada queima meu machucado no joelho, mas eu não me importo, estou entre as algas e os peixes agora. Quando começa a ficar difícil respirar, nado para cima.

Os raios de sol quase me cegam, posso ouvir pessoas gritando por mim, me aplaudindo. É, acho que eu consegui. O telão montado na areia mostra o numero 9.5. Uma nota quase perfeita.

Nado até a praia, onde sou recebida com abraços e tapinhas nas costas.

-Lorde Greene, você acabou de executar uma manobra muito arriscada. Tem algo a declarar?- pergunta um repórter. Logo, surgem muitas pessoas e começam a tirar fotos minhas.

-Não. Eu acho que não.- digo.

-Ficou com medo? Quantas vezes tinha treinado?

-Na hora sim, tive medo de cair. Tinha treinado umas cinco vezes no maximo.

-Incrível! Temos aqui a menina de 16 anos que conseguiu quebrar o recorde mundial de batida no lip mais duradoura!

-O que?!- pergunto.

-Você tinha intenção de quebrar o recorde?

-Recorde?! Do que estão falando?!

-Lorde!- escuto me chamarem, — Agh, me deixem passar seus imbecis, ela é minha irmã. Lorde! Você quebrou o recorde mundial!

-Quebrei?- a ficha não caia. Eu nunca tinha pensado que faria algo assim.

-Sim! Não é incrível?!

-Eu… Isaiah?- chamo meu irmão.

-Diga. Cara, estamos tão felizes por você! Quem diria, hein?

-O que eu fiz? Calma ai, que eu não to entendendo nada.

-Você quebrou o recorde mundial de batida no lip!

-Como?!

-Sei la, só sei que você conseguiu!- ele me abraçou com força.

Daquele momento em diante eu estava cercada de câmeras, microfones, gravadores, outros surfistas e de perguntas.

Foi uma tarde muito estressante, nunca tinha acontecido algo assim na minha vida.

A noite, depois que todos haviam se esquecido de mim, eu precisava relaxar um pouco. Fui nadar sozinha no mar.

Tinha um certo prazer e adrenalina em não poder ver o que estava na água em que nadava devido a escuridão da noite. O céu estava inteiro estrelado.

Tenho a sensação de algo roçando em meu pé. Assumo que é um peixe ou uma alga, mas é uma sensação continua, que parece não acabar. Tento enxergar meu pé, mas é escuro de mais.

Então sinto algo encostar em minhas costas. Penso que ha um cardume de pequenos peixes por perto, mas algo se enrola em meu pé.

Eu grito mais alto que posso e abano os braços, meu irmão ainda está na praia, mas acho que ele dormiu. Algo me puxa para baixo e eu mergulho na água escura.

Prendo a respiração instintivamente. A água salgada machuca meus olhos, que não tive tempo de fechar. Sinto que estou indo cada vez mais fundo. Meus ouvidos entopem e minha cabeça lateja.

Então, quando meus pulmões já estão ardendo e minha cabeça parece prestes a explodir, a coisa que me segurava, me solta. Sinto o cheiro de sangue. Penso em nadar para cima, mas já não tenho forces suficientes.

Algo segura meu pulso e me puxa, uma enorme lanterna nos ilumina. A ultima coisa de que me lembro antes de desmaiar é de ver cachos loiros.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.