Fear Garden

2 Capítulo 2


Fear Garden

“Len!” gritou Teto, uma simpática garota que estudava na mesma turma que Len e era uma de suas poucas amigas. “Você quer sair comigo e com o Ted hoje?”

“Ah... desculpe, Teto, tenho que encontrar uma pessoa.” Respondeu, incerto, mas sorrindo.

“Hmmmmm... aquela sua namorada?” perguntou a de cabelos escarlate, soltando uma risadinha quando Len ficou vermelho.

“Eu não tenho namorada!”

“Pois parece, Len.” Os dois começaram a andar um do lado do outro, indo pro refeitório. Era hora do almoço. “Tem sempre que encontrar uma pessoa... todos os dias! Se não é sua namorada, o que é então?” Teto se segurava para não gargalhar enquanto via o amigo ficar cada vez mais corado.

“... Tá bom, eu sei que é estranho, mas realmente não tenho uma namorada.” Sentaram na escada e a ruiva pegou um pão-francês da sacola que levava.

“Ok, Len, se não quiser admitir, não vou te forçar.”

“Teto! É verdade!”

“Seeeeei...” Len bufou e passou a olhar pra frente, observando as pessoas. Fixou o olhar em Miku e Luka, as antigas amigas de Rin.

Elas duas, assim que ficaram sabendo da doença, se afastaram completamente da loira, ficaram com medo. Len não as culpava, embora achasse que se Rin tivesse o apoio delas e dos pais pudesse estar um pouco melhor. O fato era que Rin ficava cada dia mais assustadora e nem mesmo Len sabia se aguentaria continuar com isso muito tempo. Quantas vezes já havia se negado a sair com Teto, mesmo que fosse o que queria fazer? Aquilo estava ficando injusto pra ele.

“O que estou pensando? Sou o único que ainda não a abandonou, Rin não pode ficar sim mim.” repreendeu-se em pensamento.

“Len... está tudo bem?” perguntou a ruiva ao seu lado. Len a olhou, desconcertado. “Quando você olha pro nada desse jeito... o que está acontecendo? Você não pode mesmo me contar?”

“Eu...” não era que não pudesse, apenas não queria que Teto ficasse sabendo. E se ela fosse como os outros, que se afastaram dele por saber da doença de sua irmã? “Não posso, me desculpe.”

A garota suspirou, preocupada.

“Tudo bem, mas saiba que estou aqui se precisar.” Len mostrou um sorriso sincero para a amiga.

“Obrigado.”

~o~

“Len não veio ainda?!” berrou Rin, quando Gakupo entrou em seu quarto.

“Veio, agora se acalme...” a loira continuava com a respiração acelerada, enfurecida. “Ele só se atrasou uma hora, Rin.”

A Kagamine pareceu não dar ouvidos ao que o médico disse e se sentou na cama, abraçando os próprios joelhos.

“Ele não veio, não veio, não veio! Não se importa mais...” Gakupo apenas olhava tudo. “Len, Len, Len, Len, Len...”

Para ele, aquilo era uma confirmação de algo que sempre soube. Se Len parasse de ir vê-la, Rin iria perder a pouca sanidade que ainda conservava. Era por isso que não podia dizer ao garoto o que Neru queria, que ela já não tinha mais volta e que ele devia aproveitar a vida. O psiquiatra sabia que era injusto, que Len não estava doente, mas não queria perder totalmente aquela paciente.

“Ele veio, Rin. Está ali fora.” Ditou, tentando acalmá-la.

“ENTÃO DEIXE-O ENTRAR!” gritou a menina, levantando-se num salto, com a respiração ainda mais agitada.

“Primeiro se acalme.” Quando o médico viu a garota ir em sua direção, com ar feroz, saiu do quarto e fechou a porta.

“O que está acontecendo?” perguntou Neru, que estava segurando um dos braços de Len.

“Ela... está um pouco agitada.” Foi só o que conseguiu responder, vendo o olhar apavorado de Len.

“Isso... é minha culpa, não é?” começou a murmurar o loiro. “Se não tivesse chegado atrasado, nada disso estaria acontecendo...” começou a tremer levemente.

“Sinceramente, Len, que bom que chegou atrasado. Se ela desse esse ataque quando estava lá dentro... poderia se machucar de verdade.” retrucou Gakupo.

Gritos vinham de dentro do quarto branco que Rin estava. Ela parecia bater na porta fortemente, como que tentando arrombá-la.

“LEEEEEEEEEEN!” as três pessoas do lado de fora do corredor estavam com os olhos arregalados.

Todos sabiam que Rin sentiria falta, mas ninguém imaginava que ela fosse dar um ataque daqueles. Naquele momento, Neru soube que não podia nem pensar em mandar Len parar de vir, ou... talvez as coisas realmente pudessem piorar. E muito.

O gêmeo mais novo andou, hesitante, até a porta e colocou a mão sobre ela.

“Rin...” a loira continuava gritando e fazendo barulhos estranhos dentro do quarto. “Rin... está me ouvindo? Rin!” os barulhos finalmente pararam e tudo que se podia ouvir era uma respiração agitada.

“Len...? Você está ai?” perguntou. A voz agora parecia alegre.

“Claro que estou, Rin. Eu disse que viria hoje, não disse?” o loiro olhou para o doutor, num pedido mudo para que ele abrisse a porta.

Gakupo não sabia se devia realmente fazer isso. Ainda era perigoso. Não podia deixar Len correr todo esse perigo. Mas também não podia simplesmente impedir ele de entrar, ou Rin teria outra crise. Colocou a chave na maçaneta.

“Fique em pé, perto da porta, Len. Caso ela fique agressiva, corra imediatamente” Disse, abrindo devagar. Len respirou fundo e entrou.

Assim que adentrou, Rin o deu um abraço apertado, fazendo-o soltar um gemido meio surpreso meio dolorido. A porta não foi totalmente fechada, dessa vez, apenas encostada, para que caso Rin voltasse a entrar em crise, Len pudesse sair o mais rápido possível, sem ser ferido.

O abraço foi afrouxando até que os gêmeos se separassem. Rin correu até um lugar cheio de papeis, seus desenhos, pegando um em especial, levando-o até o irmão. Aquele desenho quase fez os olhos do garoto marejarem. Não era um de seus costumeiros desenhos assustadores, dessa vez Rin havia feito um desenho deles dois, sentados um do lado do outro, de mãos dadas.

“Está tão bem feito...” comentou o garoto. Era verdade, parecia ter sido feito com muito cuidado, devagar, caprichosamente.

“Obrigada! Demorou um tempo, mas eu queria fazer algo pra você!” exclamou Rin, chutando os papeis que ainda estavam no chão, fazendo-os esvoaçarem. “Pensei em fazer um desenho bem feito do meu jardim, mas como você não gosta de jardinagem...”

Len suspirou, olhava para aquele desenho com ar distante. Já havia dois anos que Rin desenhava apenas aquele jardim ou então aquelas flores assustadoras. E havia sido um desenho para ele. Com eles dois. Um desenho muito mais caprichado e bem feito que os que Rin normalmente fazia.

“Fez ontem?” perguntou Len, sentando-se, esquecendo das recomendações do doutor Gakupo.

“Não, não!” Rin correu até ele e sentou-se a sua frente. “Já estou fazendo esse há quase uma semana.”

“Mesmo?” a loira assentiu. “Você nem comentou comigo...”

“Era uma surpresa!” Rin deu um largo sorriso satisfeito, que fez Len sorrir para ela também. “Agora termine logo sua nova musica pra me mostrar!”

“Tá, vou terminar. Só espere um pouco!” Len ria junto com ela, também divertido.

“Eu fiquei com tanto medo de você não vir hoje, justo no dia que ia te entregar meu presente...” sussurrou Rin, com um tom diferente do que usava uns segundos atrás.

“Desculpe, Rin, não quis...” Rin colocou uma das mãos sobre a boca de Len e o empurrou, até que ele deitasse no chão. Ficou por cima dele, ameaçadora.

“Onde estava, Len?” perguntou, em tom sombrio. Len engoliu seco, tentando se soltar, mas, mesmo que ele fosse um garoto, Rin era forte e também tomava certo cuidado, não queria machucá-la. “Onde estava?!” ela afastou um pouco a mão da boca dele.

“E-eu... apenas me atrasei um pouco na escola...”

“MENTIRA!” gritou e depois deu um meio sorriso. “Você tem uma namorada, não é? Quem é?”

“Pare com isso, Rin, não tenho namorada nenhuma!”

“Nem tenho tempo pra isso, passo o dia todo aqui com você!” completou em pensamento.

“Onde você estava?” tornou a perguntar.

“Fazendo companhia para uma amiga enquanto ela esperava uma fornalha de pão-francês sair.” Parecia inacreditável, mas Len havia sido completamente sincero. Rin pareceu se acalmar um pouco.

“Amiga? Luka e Miku?”

“Não...” a loira franziu o cenho. “N-não falo mais com elas, Rin, você sabe.” A garota foi saindo de cima dele, parecendo confusa.

“Não?”

“Não, eu já te disse isso.” foi se erguendo devagar, até ficar sentado. “Não se lembra?”

“Hmmmmmm...” Rin suspirou e deitou-se no chão. “Era mesmo só uma amiga?”

“Claro, Rin.” Respondeu, se arrastando um pouco para mais perto da porta.

“Tá bom. Agora... vamos esquecer isso, sim?” Len assentiu. “Me ensine o que aprendeu hoje!”

~o~

Já era noite. Neru estava prestes a ir embora para casa, já que seu horário de trabalho havia acabado. Parou em frente à mesa de Gakupo, vendo-o ainda cheio de papeis e fichas. Estava lendo os relatórios sobre a Kagamine.

“Doutor Gakupo, posso ir?” perguntou, já colocando os fones de ouvido no celular, pronta pra ir embora.

“Ah... você pode fazer um favor pra mim, Neru?” pediu o de cabelos roxos, sem tirar os olhos das fichas. Neru franziu o cenho.

“O que foi?” perguntou, irritada.

“Vá ao quarto da Kagamine Rin e pegue os desenhos dela pra mim.” disse o médico. A loira hesitou por um instante. Por que tinha que ser justo no quarto daquela paciente? “Neru?”

“Já estou indo.” Depois de falar isso, saiu da sala do doutor, com a mochila nas costas. Retirou de um dos bolsos da mochila uma faca, pensando seriamente se devia ou não levá-la. “Argh!” escondeu a faca entre as roupas.

Andava pelos corredores que levavam até o quarto de Rin com passos apressados e um medo crescente. Não importava o quanto parecesse não se ligar, aquela era uma das pacientes mais assustadoras daquele lugar. Se não era a mais! Qualquer um teria medo de ir no quarto daquela garota sozinho. Até mesmo o irmão dela hesitava, às vezes! As outras enfermeiras do lugar nem mesmo chegavam perto.

Finalmente parou na frente da porta do quarto, encarando-a, com os olhos assustados. Pegou a faca com uma mão e com a outra foi destrancando a porta. Aos poucos foi abrindo, o quarto estava mergulhado no breu. Agradecendo mentalmente pelo interruptor ficar ao lado da porta, colocou apenas uma mão para dentro, para acender a luz. O que viu foi Rin dormindo pacificamente na cama, com todos aqueles desenhos perturbadores espalhados pelo chão do quarto. Começou a catar tudo, tranquilamente, mas sem soltar a faca por nem um minuto.

Rin, por outro lado, com o barulho da porta se abrindo, havia acordado e viu Neru entrando e aquela faca em sua mão. Uma bela mão, aliais, muito bem cuidada e de unhas longas e pintadas de amarelo... fingiu estar dormindo. Quando a enfermeira estava bem ao lado de sua cama, catando algo no chão, apareceu a chance de ouro para a loira mais nova.

Neru, abaixada, catava os papeis o mais rápido possível, mas perdeu momentaneamente o equilíbrio e usou a mão que estava com a faca para se equilibrar, se segurando na cama. Foi quando sentiu sua mão sendo segura e virou a cabeça rápido, para ver Rin a fitar, com um olhar maníaco. Pensou em gritar, mas não podia fazê-lo ou seria repreendida por levar uma faca lá pra dentro. Começou a lutar com a menor para recuperar a faca.

Se Akita Neru soubesse o que ia lhe acontecer, teria gritado.

Notas finais
Então, nesse cap também não teve nada demais (eu acho) XDNo próximo vai ter umas mortes e tal... e ele já tá em andamento (tem meio paragrafo XD")Segunda-feira o terceiro e útimo cap deve estar postado ^^~~Comentem, por favor ó.oJa ne ^^~