Notas iniciais
Bom amigos, escrevo várias coisas mas fico com frescurinha de postar, é sempre assim. Tem vezes que eu excluo e deleto tambem. Eu sei, é idiota, vou parar com isso.
Tenho pensado nessa fic faz um tempinho e resolvi escrever. E é meio que um desafio pra mim, porque eu nunca escrevi fic de capítulos, só oneshots.
Se tiver erros, perdoem, por favor. ;;

Naquela noite eu estava sofrendo com uma dor de cabeça horrível, pior do que as que eu sentia diariamente, muito pior. Esta realmente parecia que minha cabeça ia explodir. Embora também, eu já esteja acostumado com elas, que sempre chegam depois da trip. Fiz como sempre, abri uma das gavetas do meu imenso armário e tomei um comprimido para dor. Aliás, um não iria fazer efeito, tomei dois. Armário, este que eu guardava todo o meu divertimento. Drogas, de estimulantes à depressivas, juntamente com as alucinógenas. Sendo assim, terei que mudar a expressão “divertimento” para “o jeito mais rápido que encontrei de fugir dos meus problemas, mas que ao mesmo tempo está me destruindo”. Não, isso não é divertido.


Apesar deste pequeno detalhe, eu era um homem normal. Tinha um emprego bom, que não exigia tanta concentração e que me pagava bem. Dinheiro que eu usava para adquirir os meus remédios. Trabalhava num hotel e minha função era organizar relatórios, folgava dia sim/ dia não. Era ótimo.


Não posso deixar de lembrar todo dia quem me arrumou este maravilhoso emprego: Akira. Ele era o meu melhor amigo, não importa o que acontecesse ele estava ali para me dar apoio, mesmo nas piores circunstâncias.


A dor de cabeça começava levemente a sumir. Acendi um cigarro e ali me recordei o que tinha acontecido no dia anterior.


–----


– Socorro! Ahhhhhhh! Sai da minha frente! Malditos!


– O que foi? O que tá acontecendo contigo? – Disse Akira, segurando meus ombros e sacudindo-os desesperadamente.


– Ali... Ali! Ele quer me puxar! Eu não vou deixar! Mandem ele embora! – Eu apontava para algum lugar da sala.


– Calma, calma... Vai ficar tudo bem – Por causa dos gritos, cinco pessoas entraram estrondosamente na sala, sendo um deles o coordenador-chefe do hotel.


– Mas o que é que está acontecendo aqui? Que gritadeira é essa? O prédio inteiro está ouvindo!


– Ele está tendo uma... crise. Crise de pânico. Eu tenho o remédio bem aqui, mas... mas preciso ficar sozinho com ele – Akira tentava argumentar – Logo passa, senhor. Ele está tendo alguns problemas pessoais e


– Tudo bem. Cuide disso logo – Disse o coordenador, não muito satisfeito com a situação, fechando a porta e indo embora com os quatro rapazes que estavam com ele.


Mas meu pesadelo só tinha começado. Eu continuava a me debater, a ver coisas surreais, dentre eles, morcegos, muitos deles.


– Eles querem me pegar! Eu não vou deixar. Saiam daqui... por favor. – Estava atordoado.


A única coisa que Akira conseguiu fazer foi me levar para o canto da sala e pedir pra eu tentar relaxar meus músculos. Ele me abraçava, e dizia repetidamente que tudo ia ficar bem.


– Vai ficar tudo bem, Yuu. Fica calmo. Eu tô aqui.


Eu já tinha parado de gritar, mas não de alucinar. Embora minha mente estivesse bagunçada demais, eu podia ver a expressão de Akira. Me olhando sério, apoiando o queixo na sua mão esquerda, sentado de frente pra mim. Numa certa hora eu repousei a cabeça na mesa escura, continuava a ver coisas mesmo com os olhos fechados e algumas vezes meus músculos se mexiam sozinhos. Longas duas horas se passaram, já estava no fim do expediente.



– Ei... – ele me cutucou, e eu levei um susto tão enorme como de uma pessoa assistindo um filme de terror no escuro e algum monstro aparece.


– AHN? OI? Ah é você. É você Akira?


– Sim sou eu. Vou te levar pra minha casa. – Disse sem esperar resposta – Ah, tente fingir que está bem enquanto estamos descendo pro carro, ok? Não quero que percebam que você ainda está assim.


Akira teve que dizer a mesma frase umas três vezes para que eu pudesse entender, e mesmo assim desci do prédio quase como um bêbado sendo segurado por um amigo sóbrio.


Não tinha jeito de explicar o terror que eu senti naquele momento, quando saímos da sala e os funcionários também começavam a ir embora, dando lugar aos funcionários da noite. O salão principal se encheu de gente saindo e entrando, e cada algumas pessoas pareciam ter os rostos desconfigurados, outras sem os membros superiores, outras pareciam ter uma língua enorme que vinha em direção a mim, querendo me atingir.


Apertei a mão de Akira com força, olhei para o mesmo e felizmente seu rosto não era igual o daquelas pessoas. Talvez por eu estar acostumado com sua face. Eu estava apavorado, tentava fugir milimetricamente das “línguas” que vinham na minha direção, também tentava empurrá-las. Qualquer pessoa perceberia alguém fazendo aquilo, mas como era um momento de muita correria, felizmente ninguém percebeu.


Chegamos ao carro. O maldito efeito ainda não passara. O carro em movimento era estranho, eu sentia que ele estava indo devagar demais. Até pedi pra Akira ir mais rápido mas ele me ignorou. Estava muito preocupado comigo, eu sentia. Eu imaginava um turbilhão de coisas, minha mente não conseguia descansar. Eu comecei a falar sozinho bem baixo, gesticulando os dedos e tentando me acalmar. Mas nada dava certo, eu só queria que acabasse logo.


Depois de uma hora e meia devido ao enorme trânsito, chegamos, e foi o mesmo esquema do hotel para subir ao apartamento de Akira; Eu atordoado com as pessoas que apareciam na minha frente, apesar de serem poucas. Mas estava mais calmo.


Entramos no apartamento e eu fui direto ao sofá me deitar. Já estava um pouco consciente mas era estranho; meus olhos se fechavam lentamente e eu sentia algo parecido com sono, mas claro, não era. As alucinações tinham sumido, e a atual sensação era de estar bêbado. Mas eu não tinha bebido, estranho.


Akira começou a passar a mão de leve em meu tórax.


– Ei... está melhor?


– Eh... um pouco, um pouco.


– Yuu... Yuu... eu não quero mais te ver nesse estado... por favor, promete que não vai fazer mais isso?


– Ahn sim... Prometo.


Nessa hora eu sentia minha consciência ir mais um pouco embora, era como se eu estivesse realmente bêbado. Akira foi se aproximando cada vez mais, até que estava em cima de mim, mas não depositou todo seu peso. Me encarava seriamente, olhando para meus lábios e os tocando de leve com dois dedos.


– Droga! Eu não posso... Você está mal. Mas eu quero...


Eu estava realmente confuso naquela hora. Não conseguia ligar os pontos. Mas ele continuou tocando meus lábios e dessa não tão sutilmente.


– Yuu – Tentava encontrar palavras – Eu gosto tanto de você. Você precisa parar de usar essas coisas. Você precisa... – Subitamente colou seus lábios nos meus – de mim.


Procurou um jeito de iniciar um beijo, e eu assenti. Foi algo de dois segundos.


– Droga, eu não posso. – Disse ele, logo se levantando.


Depois disso eu não me lembro de nada. Devo ter dormido, acordei no mesmo lugar depois de muito tempo. Akira estava sentado numa cadeira de frente pro sofá, me observando.


– Que horas são? – Perguntei preocupado com o trabalho.


– Hoje é sábado, Yuu. Não vai trabalhar hoje.


– Ah! Ah sim... Que ótimo.


– É... ótimo. Você se lembra de ontem? Pois eu me lembro muito bem.


– Akira, eu seique – Fui interrompido.


– Não, não sabe. Yuu... o que você usou dessa vez?


– LSD.


– CARALHO. LSD? E você inventa de ir chapado pro trabalho? Sério, cadê o seu juízo? Quer perder o emprego? Você é um homem de 23 anos já! Por que não mete juízo nessa sua cabeça?!?!


– Eu entendi. Desculpa. Sério... Vou tentar fazer com que isso não se repita, de verdade... – Comecei a chorar.


– Olha... Você sempre pode contar comigo. Eu sei de todos os seus problemas, de tudo que aconteceu contigo nesses últimos meses, mas não posso ajeitar suas merdas sempre. Uma hora a casa cai, você sabe. – Me abraçou.


De repente interrompeu o abraço, abaixou a cabeça e juntou as mãos perto da mesma num ar de preocupação e começou algo parecido com uma explicação.


– E olha, aquilo que aconteceu ontem, antes de você ir dormir... Você lembra de algo?


Eu me fiz de esquecido naquele momento. Eu lembrava do pequeno beijo, mas decidi não criar mais problemas.


– Cara, eu não me lembro de mais nada depois que um dragão tentou me atacar no elevador enquanto a gente subia.


– É... O quê?


– Nada.


Incrível como eu me lembrava das alucinações perfeitamente.


– Então tudo bem – Se levantou – Pode comer alguma coisa, lavar o rosto e tudo mais e ir pra casa. Depois quero conversar sério com você e impor alguns limites.


– Tudo bem, mamãe.


– Vai pra casa. Idiota.


–----


Bom, era isso. Disso tudo, tirei a conclusão de que nunca mais irei chapado trabalhar. Acreditem, foi horrível.


Agora, ainda tentava entender o porquê daquele beijo do meu amigo. Quer dizer, pra mim ele sempre foi amigo, nunca demonstrou querer algo a mais comigo. Como eu disse, sempre amigo. Eu estava com muito receio de dizer que não queria algo a mais com ele, e assim perder a única pessoa que se importa comigo nesse mundo (bom, pelo menos a única que restou), não, eu não queria isso.


Mas ainda está cedo para tirar tais conclusões; preciso saber porque ele fez aquilo. Pode ter sido engano ou ele estava querendo muito transar, sei lá.


Acho melhor fumar mais uns 3 cigarros e pensar melhor nisso.


Notas finais
Bom.. é isso. E sim, É AOIUKI embora não pareça.
Espero que gostem. /medo
Aceito reviews com críticas, elogios e sugestões. ♥