Faça Silêncio na Biblioteca
11 Tic Tac, o Tempo Corre
Biblioteca, última semana de aula
Eu passei algumas boas horas descansando na enfermaria na semana passada... Contudo, nada grave aconteceu.
Na verdade, se eu fosse dizer que algo grave aconteceu, eu diria que estou um pouco receoso de que Elisa não venha mais para a escola por ser a última semana de aula.
O ar desta semana é tão diferente. Tudo vai mudar depois que o nosso 3º ano acabar.
...
Ela não vai vir? Ela não costuma demorar tanto assim...
Elisa entra pela porta suada.
"Ha... Haa!..."
"Por que você está tão suada?"
"B...Bem... ha... ha... Eu meio que me atrasei para me arrumar pois fiquei devaneiando demais."
"Você estava pensando no quê?"
"I-Isso não é da sua conta!"
Claro que eu estava pensando no beijo que eu te dei, seu idiota! — pensa Elisa.
Os nossos olhos se cruzam mais diretamente e nossos rostos coram.
"Então... A sua cabeça não está doendo? Vejo que ainda não tirou a faixa de primeiros-socorros dela."
"Está tudo bem. Amanhã mesmo já vou poder tirar ela. É só para evitar que a ferida se abra e nela também tem um gel especial para ajudar a cicatrizar."
"Oh... — ela senta-se à minha frente — O-Obrigada."
"Pelo quê?"
"S-Sabe... Você sabe! Você amorteceu a minha queda."
"Sem problemas. É o que um cavalheiro faria."
"Nem todo mundo faria isso por alguém! As pessoas não são tão boas como você pensa."
"Eu conheço a mente humana e sei como os humanos são... Por que acha que eu não tenho amigos?"
"Porque você é arrogante às vezes, frio, insensível, introvertido e bonito."
"Que grosseria! E o que tem de errado em ser, como você disse, bonito?..."
"Segundo alguns estudos, quanto mais bonita a pessoa menos amigos — ou amigos verdadeiros — ela terá."
"Oh sim, eu entendo sobre isso. De qualquer forma, você também é... bonita."
O rosto dela cora.
"...Você deveria me elogiar mais frequentemente, seu poste sem energia elétrica."
Ela tem uma criatividade enorme para me xingar...
"Sabe, há uma coisa que tenho pensando ultimamente." — digo.
"E o que seria?"
"B-Bem... Desde a minha queda eu ainda sinto uma sensação estranha nos meus lábios. E quando eu fui ver, havia gloss nele."
"Q...Que estranho, não é? Deve ser só impressão sua."
"Você costuma usar gloss, porque não gosta de usar batom, não é...?"
Ela olha para o outro lado, disfarçando.
Eu preciso reunir coragem para dizer para ela!
"Você me beijou, não beijou?"
O rosto dela fica completamente vermelho.
"D-D-D-D-Do que você está falando?!!"
"Ei, não grite na biblioteca!"
"Não foi isso o que aconteceu... N-Não foi!"
"Quando você está mentindo, você costuma a enrolar o seu dedo na ponta do seu cabelo — como está fazendo agora."
"Eu nã- Eh?! Como você sabe disso? S-Seu stalker!"
"Eu não sou um stalker. Convivo com você há três anos, então perceber mesmo as suas mais pequenas manias é algo relativamente fácil."
"É claro que não é fácil... Ninguém nunca percebeu nada em mim além da minha aparência."
O silêncio ecoa pelo local.
"...Eu não te vejo apenas pela sua aparência. Você é uma garota com inúmeras qualidades e tem uma personalidade que realmente me cativa. Eu não sei como expressar isso, mas eu sinto muitas coisas sobre você..." — digo.
"S-Sente muitas coisas por mim?"
"Si- E-Espera! Eu quis dizer que sinto muitas coisas no sentido de conhecer muitas coisas ao seu respeito!"
"Ah... — ela faz uma expressão desolada — É claro quer seria isso... Como eu sou boba, não é?"
"Elisa, não é assim também..."
"Está tudo bem. Eu acho que entendi errado desde o início..." — ela sai rapidamente da biblioteca.
"Elisa!?"
Como assim "desde o início"?...
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