Notas iniciais
Boa leitura!

13 anos no passado.

“Na dança dos teus braços encontrei meu abrigo

Sentimento puro, algo lindo

Debaixo das estrelas éramos únicos

O teu cabelo vermelho...]”

— Ah, não acredito que você tá iludida desse jeito — minha agenda é puxada das minhas mãos. Solto um grito e praguejo o nome de Sasuke, mas não é o Sasuke quem segura — é o Itachi.

— Debaixo das estrelas éramos únicos... — Itachi continua lendo o meu poema em voz alta enquanto desvia de mim na cozinha da minha casa, fazendo voz melosa e colocando a mão no peito como se fosse desmaiar. — Isso é um diário ou um roteiro de novela mexicana de quinta?

— Itachi!! — berro, tentando recuperar minha agenda. Ele estende o braço, e mesmo eu pulando, não consigo alcançar — Isso é íntimo, seu intrometido sarcástico!

—Opa, a palavra do dia foi “íntimo”! Anota aí, Sasuke. Talvez a Sakura esteja estudando pra um concurso de poesia sofrida.

Sasuke revira os olhos e balança a cabeça.

—Não amola, Itachi. — Sasuke diz calmo, ignorando a minha cena com a do Itachi, mantendo-se sentado à mesa, em frente ao jogo de xadrez.

—Ah, me deixa, irmãozinho. A vida é curta e a vergonha alheia é eterna.

Itachi joga a agenda de volta na mesa com descaso, mas com cuidado suficiente pra não danificar e nem atingir as peças. Sento de volta bufando, com o rosto pegando fogo.

Sasuke suspira e balança a cabeça, faz outra jogada.

Quase ouço um pedido de socorro vindo dele.

—Itachi, vai jogar ou vai só atrapalhar?

—Querida Sakura, quando você é bom como eu, pode fazer os dois.

Estávamos no meio de mais uma edição do “Trono Triplo” — xadrez, baralho e dominó em sequência com algumas modificações realizadas pelo Itachi em um dia entediante de férias, já tem uns 5 anos. Continuamos jogando desse jeito até hoje.

Hoje o jogo era especial, porque Itachi, que fazia Direito em outro estado, literalmente do outro lado do país, estava passando o fim de semana em casa e tinha topado jogar com a gente depois de muita insistência.

Itachi Uchiha, irmão mais velho de Sasuke. 4 anos de diferença.

Os olhos e cabelos escuros contrastam com o tom de pele claro. Sempre vejo ele com uma camisa de banda, o Rock é a sua verdadeira religião. Inteligente, sarcástico e com a língua afiada. Diferente de Sasuke, extremamente popular no colégio. Até hoje ouço falar dele lá. É simplesmente uma das melhores pessoas que conheço.

—Quem ganhar hoje é o Rei e escolhe o castigo do último colocado — Itachi disse enquanto movia uma peça no xadrez com aquele ar de gênio do mal. — E só pra deixar claro: eu estou jogando pela coroa e pelo entretenimento.

—E eu tô jogando pra quebrar sua sequência de vitórias. — Sasuke cruzou os braços. — E vou lembrar que só jogamos com o meu tabuleiro de edição limitada porque você faz chantagem emocional.

Realmente, o tabuleiro era lindo e enorme. Edição de luxo. Com certeza era mais caro que muita coisa que eu tinha em casa. Sasuke e suas nerdices.

—A única chantagem que fiz foi emprestar meu carro ontem — Itachi disse, encarando Sasuke com um sorriso irônico. — E, aliás, meu bebê voltou com duas marcas no para-choque. Coincidência?

Sasuke pigarreia. Olha pro lado e volta a jogar.

—De-deve ter sido o ê-estacionamento. — Ele ficou nervoso e foi impossível não gaguejar. Rio com a expressão incrédula de Itachi.

—Aham. Só avisando: se riscar de novo, eu coloco “Sasuke lavando meu carro de cueca” como castigo no próximo Jogo dos Reis.

—Você é doente- Sasuke rosna.

—E estrategista.

—Pelo menos ele emprestou o carro — comento, mexendo nas cartas do baralho. — O meu irmão só empresta a bicicleta e com GPS.

—Mas você nem tem irmão, Sakura. — Sasuke retruca.

—Exatamente. Só enfatizando como Itachi é ligeiramente melhor que nada.

—Ah, tão me usando pra medir nível de desgraça agora? Ok. Mas vamos jogar logo porque tô ganhando fácil e já tô ficando com pena.

—Você nunca sente pena. — Digo.

—Ok, correção: já tô ficando entediado. Eu achava que o Sasuke ia ser mais desafiador agora que dirige e tem trauma emocional.

—Vai se ferrar. — Sasuke empurra o tabuleiro com o dedo.

Eu amava esse clima. Deboche e provocações eram intensificados com a presença de Itachi ali.

Eu já tinha perdido o dominó miseravelmente, mas ainda tinha chance no baralho. Itachi, claro, estava prestes a ganhar tudo, como sempre.

Foi quando minha mãe entrou com um balde de pipoca na mão.

—Vocês são tão barulhentos, ouvi a confusão lá da casa da Mikoto. Qual é a novidade? —Minha mãe pergunta com um sorriso malicioso, colocando balde na mesa.

— Sakura se atracando com um idiota do colégio.- Sasuke diz enciumado pra minha mãe, como se tivesse 7 anos de idade.

—E eu achando que a o episódio mais intenso da noite foi o lance do parachoque — comentou Itachi, com a boca cheia de pipoca que ele pegava da minha mãe.

—Idiota tipo “rei do baile” ou tipo “meu cérebro derrete quando vejo um livro”?- Dona Mebuki adora dá corda pra Sasuke.

—Pelo que o Sasuke diz, os dois tipos — Diz Itachi. Na real, eu nunca o vi falando tanto. —Ah, um clássico! — Itachi exclamou, se recostando. — O atleta sem cérebro que rouba o coração da mocinha indefesa. Já vi esse filme. Termina com alguém chorando na chuva.

—Foi só uma dança, tá? — resmungo. — Inocente, senhor Uchiha -Enfatizo, apontando um dedo pra Sasuke. Minha mãe retirava um bolo do forno, Sasuke se levanta pra ajudar.

—Aham. Dança inocente. Claro. E meu carro se riscou sozinho porque é rebelde.

Preciso dizer de quem foi o comentário?

*

Itachi teve que jogar dominó com a mão esquerda enquanto equilibrava uma almofada na cabeça.

—Isso só prova que o verdadeiro rei governa até de cabeça torta — disse ele, a almofada caindo na terceira peça.

Sasuke, que já tinha vencido a fase de cartas, estava prestes a selar sua vitória total. Eu fingia indignação.

—Se ele ganhar de novo, eu boicoto o tabuleiro. Vou esconder suas cartas com os sapatos do papai. — Diz Sasuke já querendo desistir.

—Pior ameaça possível. Ninguém quer mexer naquela zona — Itachi riu, empurrando a pipoca na nossa direção.

—Dessa vez vai ter golpe — Avisei, jogando minha peça com a confiança de quem não tem ideia do que tá fazendo.

Sasuke me olhou com a sobrancelha arqueada.

—Isso nem encaixa.

—Não encaixa no seu mundo limitado, talvez.

—Vocês são os piores jogadores que eu já vi. Tô reconsiderando me transferir pra outra família. — Itachi suspirou dramaticamente, com a mão no peito.

Era aquele tipo de fim de tarde raro, em que tudo parecia encaixar.

A campainha tocou. Ouvi minha mãe indo atender a porta, e por algum motivo, minha atenção se fixou ali.

— Sakura, tem uma pessoa te procurando lá fora. Está na sala esperando. Quer que eu mande vir aqui?

Eu, Sasuke e Itachi trocamos olhares. Foi aquele momento clássico de filme, logo antes de tudo desandar.

— Pode mandar — respondi, empurrando a pipoca para longe. Um aperto no estômago me avisava que não era boa coisa.

Quando Sasori apareceu na porta, minha reação foi tão exagerada que derrubei a cadeira ao levantar.

— Sasori?! O que você tá fazendo aqui?

Sasuke bufou. Itachi apenas arqueou uma sobrancelha, curioso.

— Vim ver se você estava bem… conversar um pouco — disse Sasori, enfiando as mãos nos bolsos do casaco, como se estivesse encenando algo.

— Sakura, Sasuke e… — minha mãe hesitou, olhando para Sasori.

— Sasori — respondeu ele, quase automático.

— Sakura, Sasuke, Sasori… parece até trava-língua. Me recuso a dizer isso três vezes rápido — murmurou Itachi, pegando uma almofada caída do chão.

— Vou entregar umas encomendas pra Mikoto. Me acompanha, Itachi? — disse minha mãe, pegando umas caixas.

— Claro — respondeu ele, se levantando com um suspiro leve e pegando as caixas da mão da minha mãe. Antes de sair, lançou um olhar rápido para mim e Sasuke, como quem já previa problemas, mas preferiu não se meter.

Assim que a porta se fechou atrás deles, o silêncio ficou mais denso.

Sasuke cruzou os braços. Eu permaneci parada. Sasori continuava me encarando.

— Então, Sasori… tudo bom? — Falei, num tom que me fez querer sumir.

— Tudo certo… — Ele se aproximou. — Podemos conversar a sós?

Ele fez um gesto com o queixo, apontando pro Sasuke. A cara do Uchiha azedou no mesmo instante.

—Você pode conversar com ela, Sasori, eu não tô atrapalhando — Respondeu Sasuke, firme.

—Sasuke! — Repreendi, mas ele me ignorou.

—Uchiha, não vê que tá no caminho?

—Akasuna, eu não vou sair daqui.

—Sasuke, tá tudo bem-Digo tentando manter a paz. Mas se eu tô sendo a pacífica... é porque nada tá bem.

—Vaza, ou eu te expulso — Insistiu Sasori.

-Se enxerga, eu não tô na tua casa. — Sasuke responde com uma risada irônica.

Sasuke manteve o olhar fixo em Sasori, mas não disse nada.

—Eu só quero conversar com ela — Sasori continuou, agora sério, a voz um pouco mais baixa.

—Sasuke, vai embora — murmurei, mais amarga do que pretendia.

O olhar que ele me deu doeu mais do que qualquer discussão.

—Sakura? — ele sussurrou. A decepção estampada no rosto.

—Sim, Sasuke. Eu sei me cuidar, não quero participar desse show.

Silêncio.

Sasuke balançou a cabeça devagar, concordando, pegou seus óculos, e foi em direção a sala.

-Um momento Sasuke- Sasori o chama.

Foi aí que a tensão subiu. Sasori deu dois passos à frente. O movimento foi brusco demais. Ele esbarrou na beirada da mesa — a mesma onde o tabuleiro de xadrez estava montado. A peça do Rei caiu no chão. Sem hesitar, Sasori pisou nela ao passar. A madeira rangeu sob o peso e o estalo seco da peça se partindo preencheu a sala.

Sasuke não se mexeu, mas seu maxilar travou.

Nesse momento, Itachi surgiu de volta na sala, como quem esqueceu algo. Seus olhos imediatamente focaram na peça quebrada no chão. O ar de leveza desapareceu do rosto dele.

— Desnecessário — disse, frio.

Sasori virou-se para Sasuke com um meio sorriso, ignorando Itachi.

— Então... queria me desculpar pela bolada no mês... Quando foi mesmo? Mês passado? Enfim.

Ele se postou bem em frente a Sasuke, olhos nos olhos. O mais novo manteve o olhar firme, desafiador.

— Soube até que quase quebrei seu óculos, mas acho que foi um engano... tô vendo ele, intacto, aqui.

Num gesto calmo e premeditado, Sasori tirou os óculos do rosto de Sasuke — uma armação quadrada preta, com lentes um pouco grossas. Com um estalo seco, partiu-os ao meio e colocou os pedaços de volta na mão dele. Ele não se intimidou pela presença de Itachi.

— Ops. Agora acho que quebrei. Tchauzinho, Uchiha — disse, acenando como quem zomba de uma criança derrotada.

Sasuke ainda sustentava o olhar, mas seus olhos estavam marejados. Ele não disse uma palavra.

Itachi observava em silêncio, encostado à porta, braços cruzados. Havia algo nos olhos dele — não era raiva, nem surpresa. Era aquela atenção silenciosa que apenas irmãos mais velhos sabem dar. Ele deu um pequeno passo, apenas o suficiente para que sua presença fosse notada.

— Ei, Sasuke.

Sasuke parou. Virou ligeiramente o rosto.

— Vamos, a gente troca as lentes amanhã.

Sasuke assentiu. Uma lágrima desceu, mas ele não a limpou. Apertou o que restava dos óculos na mão e saiu pela porta da frente, batendo-a com força.

Quis correr atrás dele. Dizer que sentia muito. Que eu era uma idiota. Que ia vender meu guarda-roupa inteiro pra comprar outro tabuleiro. Que ele sempre esteve comigo. Sempre.

Mas eu simplesmente... não consegui. Minhas pernas não acompanharam meu cérebro. Minha voz travou. Talvez fosse vergonha. Culpa. Talvez os dois.

E então senti a mão de Sasori tocando meu ombro.

— Vamos?

Ele me conduzia em direção a cozinha novamente, como se nada tivesse acontecido.

Sasuke já tinha saído, mas Itachi ficou parado por mais um segundo no mesmo lugar. Seus olhos se fixaram em mim.

— Divirtam-se — disse por fim, num tom seco. — Mas cuidado com o que pisam. Tem coisas aqui que não são tão fáceis de consertar quanto um óculos ou uma peça de xadrez.

*

Quando eu lia em alguns livros — ou ouvia relatos de meninas que diziam ter passado a noite inteira acordadas por causa de alguma situação — eu, sinceramente, não acreditava.

"Tsc, ninguém consegue passar a noite inteira olhando pro teto sem sentir sono."

Pois bem. Essa madrugada provou que eu estava errada.

Muito errada.

Não preguei o olho. Não cochilei. Só... fiquei ali. Olhando pro teto. Pensando no que aconteceu.

Minha conversa com o Sasori?

Bom... ele disse que me observava há um tempo e que queria algo sério comigo. Que podia esperar até eu estar preparada.

E, assim, meio que... a gente tá junto agora.

Sou namorada do Sasori.

Sim. Parece surreal.

A pessoa que eu gostava. Que eu achava inalcançável. E agora estamos juntos.

Fiquei muito feliz. Tipo, muito mesmo.

Imagina só: ser notada por quem você gosta e — pimba! — acabar namorando com ele? Talvez até casar, ter filhos... escrever nossa história... quem sabe ganhar o prêmio de “Autora Revelação” e lançar uma série de best-sellers inspirados em nós dois.

Ontem à tarde passamos horas juntos no jardim dos fundos. Brincamos no balanço. Conversamos sobre o tempo. Falei sobre meus textos e ideias, ele contou o que pensa em fazer agora que o ensino médio acabou.

Foi tudo tão leve.

Tão bonito.

Tão... perfeito.

Mas, ainda assim...

O olhar do Sasuke.

Aquela decepção.

Silenciosa. Dolorida.

Foi isso que não saiu da minha cabeça. Foi isso que me acompanhou a noite toda, até o nascer do sol.

Por isso, às 7h da manhã de um domingo, eu já estava atravessando a sala de casa, pronta pra bater na porta dos Uchihas e pedir perdão de joelhos.

Minha mãe me encarou de cima a baixo.

— Onde a mocinha acha que vai essa hora da manhã? E já se olhou no espelho? Esse cabelo tá parecendo uma arapuca.

— Tô indo nos Uchihas. Falar com o Sasuke.

Ela soltou um “hum” arrastado e voltou pro café.

— Não demora. E avisa a Mikoto que vamos sair hoje, pra aliviar a mente.

Não entendi direito, mas fui mesmo assim.

Toquei a campainha uma vez. Nada. Toquei de novo. A porta se abriu — mas não era Mikoto.

Era Itachi.

Moletom largo, chinelo, cabelo preso de qualquer jeito. A cara de quem dormiu tanto quanto eu.

— Oi princesa — Ele diz bocejando.

— Oi, Itachi... eu vim ver o Sasuke. Aconteceu alguma coisa?

Ele me encarou por uns segundos, depois soltou o ar como quem sabia que não adiantava enrolar.

— Ele foi embora.

— Como assim?

— Pegou o voo das quatro da manhã. Foi pra minha cidade. Vai dividir apartamento comigo por um tempo.

Senti o chão balançar. Literalmente.

— Mas... o que? Do nada?

Itachi se encostou no batente da porta, cruzando os braços.

— Ele passou em Medicina. Primeira chamada. Saiu quarta passada. Ficou entre os melhores.

— Ele... passou? — repeti, num sussurro. — E não falou nada?

— Nem pra mim — continuou Itachi, com um sorriso curto. — Só descobri devido a uma notificação do email. Eu vim exatamente pra tirar satisfação, e ontem ele só disse que precisava ir. Que aqui... tava ficando difícil de respirar.— Deu de ombros.

Aquela sensação de estar sempre um passo atrás dele apertou o peito.

— Ele disse alguma coisa?

Itachi pensou por um momento, depois respondeu:

— Disse que aqui tava ficando pesado. Que não sabia como ficar... e também não sabia como ir embora. Mas ontem... bom, ontem deixou as coisas mais fáceis pra ele.

Olhei pro chão. Quis pedir desculpas, fazer tudo voltar.

Ele sumiu por um segundo e voltou com um envelope pequeno na mão.

— Pediu pra te entregar se você viesse.

Peguei o envelope com meu nome escrito por ele. A letra firme. Tão familiar que dava vontade de chorar.

— Obrigada...

— Olha — disse Itachi, num tom mais calmo — eu não sei o que tá acontecendo entre vocês. Mas se serve de consolo... ele deixou o MP4 pra você. Isso é amor moderno, não é?

Sorri, mesmo com os olhos cheios.

— Sua mãe tá aí?

— Tá dormindo. Eu passei a noite com uns papéis, tem café fresco se quiser. Forte o suficiente pra acordar um Uchiha ou matar um ser humano comum.

— Acho que... vou pra casa. Minha mãe quer sair hoje. “Pra espairecer”, segundo ela.

Itachi assentiu, já voltando pra dentro com aquela tranquilidade que sempre parecia esconder mais do que mostrava.

— Boa ideia. Às vezes a gente precisa de silêncio... outras, de estrada. E em casos mais extremos, de doze horas seguidas de reality ruim e um balde de pipoca.

Virei de costas, apertando o envelope no peito.

— Itachi?

Ele se virou.

— Cuida dele, tá?

Ele abriu um sorriso pequeno, com aquela expressão de quem leva a promessa a sério, mas não perde a piada.

— Sempre. Mesmo quando ele faz drama demais pra um Uchiha e esquece de lavar a louça.

Sorri.

Ele piscou devagar, como quem encerra um capítulo.

E eu fui embora com mais perguntas do que respostas, mas com uma certeza no bolso: Sasuke precisava de tempo.

E talvez eu também

Abri o envelope.

Eram as fotos da sexta-feira à noite, pouco antes do baile. Me atentei a primeira foto.

O céu ao fundo ainda carregava os tons dourados do fim de tarde, e dava pra ver as luzes da varanda recém acesas, projetando um brilho suave sobre a cena.

Eu estava com as mãos na cintura, virada de lado, claramente no meio da discussão sobre o excesso de fotos. A expressão no meu rosto era um misto de irritação e nervosismo.

Ao meu lado, meio inclinado em minha direção, Sasuke fazia uma careta debochada direto pra câmera — língua pra fora, olhos apertados, como se zombasse da minha crise momentânea. Usava um blazer escuro que Mikoto tinha passado com perfeição poucas horas antes, e ainda assim, ele conseguiu deixar o visual parecer casual, como se nem tentasse impressionar.

No caminho de volta, desejei não ter dormido aquela noite por outro motivo. Desejei que fosse por ansiedade, por escrever algo bonito... por nervosismo bobo de início de namoro.

Mas não.

Era culpa.

Saudade.

E a sensação de ter perdido algo precioso demais, sem nem perceber.


Notas finais
O que acharam? Até a próxima!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.