Fate Garou
4 Capítulo 4 - Fofocas podem matar
Notas iniciais
Nick só escutava as vozes dos professores vindas das salas de aula e o relógio de ponteiros do corredor, se acalmando lentamente enquanto bebia água, logo parando para respirar fundo, soltando a mala no chão, refletindo: "Como eu ainda me surpreendo com a capacidade das pessoas de serem babacas a esse ponto?!"
O garoto pegava a mochila novamente e andava até seu armário, que ficava no mesmo corredor, mas do lado oposto e tentava manter a calma, mas respirava fundo e dava um soco no armário do lado, sentindo seus dedos estalarem, logo dando outro soco e outro, repetindo aquilo até sentir algo escorrendo pelos dedos, logo apoiava o punho ali, e a cabeça em seu armário, fechando os olhos, fazendo tudo isso enquanto pensava: "Não fui eu! Não foi minha culpa! Eu não fiz aquilo!"
Algumas lágrimas escorriam, se lembrando do rosto de Anna e logo abria a mão que estava usando para socar o armário, notando ter amassado o mesmo para dentro, então bufava e começava a abrir o seu próprio armário em silêncio, pegando tudo de dentro e jogando na mochila.
Nick permanecia parado no corredor por mais alguns minutos após fechar o armário, escutando a porta da sala se movendo e alguém se aproximando, logo perguntando sem paciência: " Que foi?!"
— Quer que eu leve a matéria pra você quando sair da aula? — Perguntava Frank um pouco acuado.
Nick suspirava desapontado consigo mesmo ao notar que havia falado grosso com seu amigo de infância e dizia: "Me desculpa cara... Eu..."
— Relaxa... Você precisa descansar... Vai lá pro pátio e toma um ar... Depois vamos eu, você e o Max pra casa... — Dizia com um sorriso triste olhando o amigo, colocando a mão em seu ombro e seguindo de volta para a sala de aula.
Nick se vendo sozinho no corredor, seguia andando para a saída dos fundos da escola e ficava sentado ao lado da porta, esperando a aula acabar.
Algumas horas depois a aula acaba e com o sinal tocando, logo via Amanda sair acompanhada de alguns colegas de sala e logo ela se afastava deles, se despedindo e indo até Nick.
— Você não devia estar na aula? — Perguntava a prima o olhando meio preocupada.
— Eu ainda não estou bem pra voltar a aula... Acho que vou voltar pra casa com você e segunda feira eu tento denovo... — Dizia Nick sorrindo meio sem jeito.
— Tá bom seu folgado! Então vamos pra casa! Vem! — O puxava rindo levemente.
— Você não vai sair com suas amigas? — Pergunta a olhando curioso.
— Hoje não, decidi descansar um pouco em casa... — Respondia o puxando em direção ao portão da escola.
Logo ambos seguiam para casa a pé, em silêncio a maior parte do tempo, demorando cerca de meia hora até pararem na porta surpresos.
Haviam pichações que se estendiam por todo o muro que cercava a casa, com palavras como "Assassino", "Monstro" e algumas outras incompreensíveis.
Nick parava em frente ao portão abaixando a cabeça enquanto o abria, parecendo que queria sumir dali.
— Eu acho que vamos precisar de muito mais que uma faxina... — Comenta Amanda enquanto olha para dentro do portão.
— Como assim Aman... — Ao olhar para dentro, via todas as plantas do jardim depredadas e as janelas da casa estavam quebradas em diversas partes, de diferentes maneiras. — Mas que porra... — Terminava de abrir o portão com raiva, o empurrando e chingando baixo, logo entrando e olhando em volta, já procurando o celular no bolso.
O quintal acompanhava a lateral da casa, dividindo o terreno no meio até chegar em uma pequena garagem aos fundos, sendo um terreno retangular, mais fundo do que largo, com um jardim na lateral direita e a casa a esquerda, tendo um caminho de azulejos que seguia em direção a garagem.
A lateral da casa, repleta agora de janelas quebradas, possui duas portas para entrada de pessoas, sendo uma que se abre para a sala e outra para a lavanderia próxima a cozinha.
— Meu deus Nick! Até a garagem tá pixada! — Gritava Amanda próxima a garagem.
— Liga pra sua mãe, vou entrar em casa pra ver se está tudo bem... — Fala andando apressado em direção a porta que dava na sala, verificando se estava tudo bem, porém para seu alívio, não haviam conseguido arrombar a porta. Tendo essa informação em mente, suspirava ja mais calmo. Logo em seguida entrando na casa em silêncio, olhando para os lados.
A casa estava em completo silêncio, como haviam deixado antes de saírem, mas possuía pedras próximas as janelas quebradas, juntas aos cacos de vidro pelo chão.
A sala possuía dois sofás, um deles encostado na parede oposta a porta e outro quase no meio do cômodo, já no centro havia uma pequena mesa e na parede esquerda, em frente ao sofá no centro, havia um móvel com uma televisão simples, além de alguns enfeites e livros. Na parede direita, havia uma escadaria em espiral para o andar de cima, onde ficavam os quartos e banheiro.
Nick logo que entrava, começava a ligar para a polícia, enquanto andava pela sala, seguindo em direção a cozinha, pisando levemente para evitar quebrar mais ainda os cacos de vidro, o que dificultaria na hora de remove-los.
— Alô, por favor eu gostaria de abrir um boletim de ocorrência para vandalismo... Foi na minha casa... Pichações, janelas quebradas e jardim destruído... Sim, rua Elm, número cento e trinta e seis... Ok, eu vou esperar no portão...
A cozinha também estava em condições normais, assim como a sala, exceto pelos cacos de vidro das janelas. Era um local simples, com uma mesa circular no centro, fogão, pia, forno e micro ondas na parede oposta as janelas, com alguns armários e móveis para guardar os utensílios, apoiados nas outras paredes, além de alguns armários fixos a parte superior das paredes.
Já não muito incomodado por aparentar estar tudo seguro ali, seguia para a lavanderia, checando a porta com um pouco de pressa, notando também estar trancada.
Na lavanderia, haviam apenas uma máquina de lavar, uma de secar, uma ao lado da outra, o tanque para lavagens mais pesadas e um varal preso a parede, sendo as máquinas encostadas na parede esquerda ao lado do tanque que ficava ao fundo e o varal na parede oposta ao lado da porta, tudo no que parecia ser um minúsculo corredor.
Nick então saia pela lavanderia e se sentava no chão bufando, esfregando as mãos no rosto.
— A mamãe tá vindo pra cá tambem... — Dizia Amanda se sentando ao seu lado e o abraçando.
— Isso é a mais pura babaquice... Não fiz nada a não ser sobreviver e ainda por cima, as pessoas dessa merda de cidade vem atormentar você e a tia Mary... Vocês não tem nada haver com isso! — Falava irritado e frustrado, apertando os punhos vazios.
A prima ficava em silêncio, ainda o abraçando, mas um pouco mais forte.
Mary chegava alguns minutos depois com o carro e começava a tirar fotos de tudo ali para o boletim de ocorrência, logo após ver se Nick e Amanda estavam bem.
A viatura da polícia demorou cerca de três horas para chegar, mesmo a distância sendo pequena. Ao chegarem, os policiais se dirigiam diretamente a Mary, enquanto sutilmente ficavam encarando Nick de longe.
— Senhora Mariene Abott, o que aconteceu aqui? — Perguntava o policial se aproximando dela.
— Bom... Minha filha e meu sobrinho chegaram em casa depois da escola e encontraram a casa assim... Ainda bem que não conseguiram entrar... — Dizia um tanto irritada enquanto olhava para a casa com as paredes do lado de fora pichadas e os vidros quebrados.
— Tem alguma ideia de quem pode ter sido? — Parava ao lado dela olhando a casa com uma expressão de surpreso.
— Não Owen! Não tenho! Mas olha isso! Nós tínhamos acabado de pintar as paredes! — Falava bem irritada, quase gritando, encarando o policial ao qual conhecia a anos.
— Bom... O que podemos fazer é deixar uma viatura na frente da sua casa... Mas fora isso nada... Desculpe Mary... — Dizia a olhando um tanto acuado por ver a amiga nervosa, mas sendo sincero.
— Tá bom e quanto a queixa? Tenho que ir até a delegacia ou você cuida disso? — Perguntava bufando enquanto olhava para ele.
— Relaxa, eu dou um jeito, ajuda os dois aí a limparem a casa e chame o seguro... Acho que vai cobrir as janelas... — A respondia de modo sincero.
Os dois ficavam conversando por mais alguns minutos e logo Mary voltava para dentro de casa, começando a ajudar Nick e Amanda a limparem o local em silêncio.
Logo a noite chegava e após limpar tudo, Nick se encontrava em seu quarto, ouvindo música pelo computador enquanto refletia sobre tudo aquilo.
"Por que estão nos tratando desse jeito?! Amanda e a tia Mary não tem nada haver com isso e mesmo assim quase destruíram a nossa casa!"
Ele logo respirava fundo e ao tentar se concentrar na música, escutava sua tia falando do lado de fora da casa: "Não! Eu não sei o que é! Só sei que está atacando as pessoas da cidade! Não me vem com essa! Vem pra cá agora! Como assim uma semana?! O que?! Você é um desgraçado muito frio sabia?! Eu não tenho mais o que discutir com você! Vem logo pra cá e resolve isso! Ele é seu neto e não um problema que tem que ficar empurrando com essa sua barriga gorda! Sou eu quem cuidou dele esse tempo todo, não vem dar palpite de como cria-lo! Vou deixar a porra do quarto arrumado pra você e espero que esteja aqui antes que eu decida me mudar de cidade!"
Nick ficava em silêncio após escutar ela entrar em casa, batendo a porta. Não tinha muitas lembranças de seus pais, havia sido criado pela tia paterna desde os três anos de idade e tinha visto seu avô materno, cerca de duas vezes em festas de natal, nunca teve muito contato com o mesmo.
Após passar alguns minutos pensativo, pegava no sono, deixando o computador ligado e a janela aberta.
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