Fate
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Riven sempre admirava o destino. Gostava de suas reviravoltas e de suas surpresas, mas aquilo estava além. Ele realmente tinha ido longe daquela vez. Ultrapassando as nações e o tempo, ele tinha curado a suas feridas e, em um sopro de momento, enfiado seus dedos as abrindo ainda mais.
A feição em seu rosto era perdida, seus olhos não estavam ali. As mãos em sua frente tremiam, podiam estar limpas como a água na nascente de um rio, mas ela só via o sangue do passar dos anos.
Tudo voltou a girar novamente, a mesma sensação de quando descobrira sobre noxianos, zaunitas e ionianos. Sabendo que estava perfeitamente parada com seus dois pés no chão, mas o mundo ao seu redor girava como um carrossel frenético. Ela ouvia seu coração pulsar lembrando de que tudo girava em torno daquele órgão.
O sangue voltou em imagens, o gigantesco templo, o ancião e o vento forjado levando os seus cabelos. Todas as coisas que ela demorou tanto tempo para consertar desabrochavam lentamente como uma lótus. As lágrimas começaram a vir depois do arrebate do arrependimento. Em questão de segundos, tudo se tornou soluços dissipados pelo ar.
E então, a pessoa que estava em sua frente pegou seu rosto com as suas duas mãos, fazendo-a o encarar. A sensação que vinha daquelas mãos era tão quente, tão confortante. Ele a olhava como se seu mundo fosse derreter por poucos segundos.
You slip right through my fingers in the rain
Yasuo não dizia nada, o mesmo tolo compreensível como sempre. Apenas a olhava com seus olhos aconchegantes, olhos que passaram a lhe oferecer conforto durante os meses. Olhos que ela já achava que não conseguiria viver sem. Mas que ela iria partir o coração em questões de segundos.
Passou uma última vez a mão nos cabelos castanhos, sempre tão rebeldes. Sua mão estava tão fraca que nem sentia o toque direito, enquanto seu coração tentava a se apegar desesperadamente as últimas memórias.
Puxou o rosto e beijou seus lábios com toda a ternura. Depositando todo o seu amor naquele último beijo, ela não sussurraria a verdade em seu ouvido. Queria que Yasuo olhasse plenamente em seus olhos. Cortou o contato o mais devagar que conseguiu e disse as palavras que a condenariam novamente.
— Fui eu.
Inicialmente, ele franziu o cenho, não entendendo nada as palavras jogadas. Mas conforme o vento se fez em seu silêncio, a verdade também veio com ele. Quando ela viu em seu semblante que ele sabia do que ela estava falando, ela já lhe passou a sua katana. Desembainhando-a, Riven oferecia a sua vida como um presente.
Aqueles olhos já estavam raivosos e ficaram mais ainda ao ver a lâmina refletindo o sol. Ele pegou a espada com fervura, mas por dentro seus olhos pareciam lutar.
— Você não tem nada a dizer? – Ele falava enquanto via seu próprio reflexo na lâmina.
— Sinto muito. – Ele riu de seu arrependimento.
Riven tinha total ciência de seus feitos. Feitos que traçaram vidas e que fizeram mal à muitas pessoas, e principalmente a pessoas inocentes. Mas ela acreditava realmente que sua redenção já estava quase completa com tanta coisa perdida. E estava completamente errada.
Agora esperava que o homem que amava a matasse. Ele havia perdido tudo por causa dela e ela aparecia em sua vida como se já não bastasse o antes. Sentia-se tola e ridícula, escutara ele reclamando tantas vezes... conseguia ver o ódio por trás de seus momentos e no final de tudo, a culpa era toda dela.
— Então... Você mentiu todo esse tempo? – Ela percebia que as palavras eram difíceis de dizer.
— Eu não sabia.
Ele afundou a espada sob a grama com raiva, caindo de joelhos em sua frente. Os longos fios de seu cabelo estavam soltos, cobrindo a sua face. Riven não conseguia vê-lo.
— Desapareça.
Riven riu de nervoso, ela percebeu que ele não a mataria. Não merecia morrer tão cedo. Não merecia o tempo de paz ao lado daquele homem. Não merecia o seu afeto, não merecia o modo como ele a olhava, não merecia a forma como ele se preocupava com ela, não merecia seus beijos e a casa que era o seu abraço. Nunca iria merecer. Merecia apenas todo o arrependimento do mundo. Merecia as lembranças de que nunca iria o ter de volta.
Yasuo poupava a sua vida, mas condenava-a a eternidade em seu inferno particular.
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