Fate
8 To protect and to lose something
Notas iniciais
Ah, sim... Fate está chegando ao seu final...
[E essa fic está precisando ser reescrita urgentemente... o.o'']
Boa leitura!!
Era inverno. A neve cobria todo o horizonte e a camada que cobria o chão tornava-se cada vez mais espessa. Mas por mais denso e branco que aquele gelo fosse não conseguia apagar o vermelho escarlate que manchara o chão na noite anterior.
- Sangue...?
Mia se agachava estendendo uma das mãos em direção ao chão quando foi segurada por Allen.
- Não toque – Ele pediu.
A garota não conseguia parar de associar aquela cena com a de sua memória. Aquele tom avermelhado e intenso sob seus pés era parte de um passado que ela tentava não lembrar, mas que não conseguia esquecer.
- O que é mais estranho é que nenhum corpo foi encontrado aqui hoje de manhã. Alguns homens cavaram buracos na neve, mas não havia nada... – Explicou um senhor que guiava os exorcistas.
- Desde quando isso vem acontecendo? – Perguntou Lenalee.
- Já é a segunda vez. A primeira foi seis dias atrás.
- Vamos voltar – Falou Allen.
A cidade, que ficava a alguns quilômetros do local do massacre que não deixara vestígios, era pequena e rodeada por montanhas. Próximo ao centro, uma hospedaria simples abrigava os três exorcistas. Um bar que ficava no andar logo abaixo dos quartos servia como uma ótima fonte de informações e como local aconchegante para trocar idéias.
Sentaram-se um ao lado do outro no balcão do bar, enquanto esperavam as bebidas escolhidas aleatoriamente devido à preocupação de todos com a situação.
- Transformaram-se em akumas e misturaram-se aos cidadãos. – Concluiu Allen sobre os corpos não encontrados.
- Então devemos suspeitar de todo mundo que se aproximar? – Perguntou Mia.
- Sempre foi assim afinal, não é... – Suspirou a chinesa.
- Essa missão vai dar trabalho... – Comentou o rapaz sentindo a presença de akumas com seu olho esquerdo.
Saíram da hospedaria, já preparados para a recepção que receberiam. Ao final da luta, porém, os exorcistas estavam distantes um do outro – Uma tempestade de neve havia os separado sem que se dessem conta disso.
Mia foi a primeira a conseguir voltar. Descobriu, através do dono do bar, que uma temporal ainda maior estava se aproximando. Tentou sair para procurar os companheiros, mas foi impedida.
- É perigoso! – Dizia o barman.
- É por isso mesmo que eu vou! Os meus amigos estão lá fora! – Ela gritava tentando se soltar.
Alguns minutos depois, Allen apareceu coberto de neve. As pontas dos fios de cabelo dele estavam completamente congeladas e suas mãos tremiam com a baixa temperatura – E ele logo desmaiou. A preocupação agora era Lenalee, que ainda não havia voltado. Na última tentativa de sair à procura da chinesa, Mia não conseguiu nem ao menos abrir a porta da hospedaria, tamanha era a força dos ventos. Deu-se por vencida, com as mãos feridas e os olhos em lágrimas.
xXxXxXx
Lenalee sentia o corpo paralisado. A tempestade de neve caía de forma violenta, mas ela não sentia absolutamente nada. Seus olhos pareciam estar se fechando lentamente, dando-se por vencidos. As mãos ainda tentavam alcançar o horizonte quando sua vista escureceu.
Ela não conseguia recordar por que sua mão estava estendida naqueles últimos instantes. Tentou puxar da memória quem ou o que seus dedos tentavam atingir. Lembrou-se. Havia um vulto no horizonte – alguém que ela não sabia ao certo dizer se estava se aproximando ou se afastando.
De repente não via mais nada. Ainda sentia um pouco de dificuldade em respirar, mas o motivo não era mais os fortes ventos que a atingiam. Sentia-se aquecida.
Abriu os olhos. Supôs ser noite pela escuridão do ambiente. Estava deitada com o corpo de lado sobre uma cama; a cabeça inclinada a fazia enxergar as mãos juntas e próximas ao rosto. “Foi só um sonho” concluiu. “Devem ter me achado e me trazido de volta à hospedaria”.
E adormeceu novamente.
Na manhã seguinte, Lenalee ainda sentia a cabeça doer um pouco. Estava com pequenos machucados por todo o corpo, provavelmente por causa dos ventos cortantes que ela sentira no dia anterior.
- Lenalee-chan? Está acordada?
- Mia!
A britânica adentrou o quarto trazendo um copo de chá sobre uma pequena bandeja.
- Você está melhor? – Perguntou a mais velha.
Lenalee assentiu com a cabeça e abriu um pequeno sorriso diante da preocupação da outra.
- Eu trouxe um chá que o pessoal lá embaixo preparou.
Mas antes que a chinesa conseguisse pegar o copo, ele escorregou das mãos de Mia, estilhaçando-se no chão e molhando as luvas desta.
- Mia! – Disse Lenalee se levantando – Se machucou?
- Não... Está tudo bem...! – Ela falou com uma expressão estranha que tentava assemelhar-se a um sorriso.
- Tire as luvas... Vai acabar se queimando.
- Não...!
Mas Lenalee já havia tirado uma delas, revelando a mão enfaixada de Mia.
- O que-...?
- Não foi nada! Foi por causa da luta de ontem, lembra? – Ela mentiu.
Certamente havia acontecido uma “luta” para que aquelas mãos estivessem naquele estado – Uma “luta” para tentar salvar a amiga; Uma batalha que Mia sentiu que perdera. A porta daquela hospedaria não pôde ser aberta por ela.
xXxXxXx
Ao descerem, as duas exorcistas encontraram homens animados conversando com Allen, que parecia bem machucado.
- Não sei como conseguiu chegar até aqui, garoto! – Falou um deles.
- Todo mundo levou um susto quando você caiu desacordado... – Completou o barman.
Lenalee parou de andar. Virou-se para trás, encarando Mia. Chegou à conclusão de que se Allen havia desmaiado, era Mia quem a salvara.
- Então foi você quem me salvou ontem, certo? É por isso que suas mãos estão feridas, não é?
- Não...! Não fui eu... Ontem eu consegui voltar, mas não consegui sair de novo por causa da tempestade... – Ela confessou com o olhar triste.
- Então... Quem me salvou...? – Perguntou Lenalee.
Mia paralisou. Allen e a chinesa passaram a fitá-la, esperando por uma resposta. Mas a britânica continuava em silêncio. Tentava achar as palavras certas, lembrando-se do momento em que Lenalee apareceu na hospedaria e do que escutara.
- Foi o Kyle. – O barman por fim respondeu.
- Q-Quem? – Disse Lenalee confusa.
- É um rapaz que está vivendo por aqui há algum tempo. Foi ele quem te trouxe aqui ontem.
- Será que ele ainda aparece por aqui antes de irmos embora? – Perguntou Allen.
- Ah, isso vai depender dele... – E o homem riu — O Kyle costuma passar por aqui de vez em quando, mas às vezes ele some sem aviso também...
- Sei... – Comentou Allen olhando para o nada.
Os exorcistas tentaram poupar as energias naquele dia, já que todos se encontravam machucados. Apenas fizeram uma ronda pela cidade e, não encontrando nada de estranho, voltaram.
- Talvez seu salvador passe por aqui hoje... – Brincavam os funcionários do bar.
- Não tem vontade de conhecê-lo? – O outro perguntava.
Lenalee apenas riu dos comentários e subiu para seu quarto. No fundo queria saber quem ele era, mas preferia manter-se em silêncio. Não acreditava poder encontrar naquele local a única pessoa que ela realmente queria ver.
À noite, Mia trançava as longas mechas rosadas enquanto Allen permanecia escorado na janela do quarto dela, olhando para o lado de fora.
- Um rapaz ruivo, de olhos verdes, descontraído e extrovertido – Listou Allen.
Mia olhou para ele não entendendo a frase.
- Foi como me descreveram o tal do “Kyle”. – Ele explicou.
- Ah... Eu imaginei que você havia desconfiado hoje de manhã...
- Por que não me contou que era ele?
- Desculpa... Ele me pediu para não dizer nada a vocês. Principalmente para ela. E eu sei que você ficaria muito preocupado com a Lenalee se eu dissesse a verdade, não é? – E ela sorriu por ter consciência de que o conhecia bem.
- É... – E ele a abraçou — Me desculpe por ser assim...
- O que vai fazer se encontrá-lo?
- Vou tomar cuidado para não acertá-lo pelo que aconteceu três anos atrás. – Ele respondeu com um sorriso sádico.
xXxXxXx
No terceiro massacre daquela pequena cidade, os três exorcistas conseguiram chegar a tempo para tentar impedi-lo. Entre as montanhas cobertas por neve, um pequeno vilarejo estava sendo atacado. Muitos akumas voavam e corriam por todos os lados, matando qualquer um que passasse por eles. Sentada no telhado de uma das casas, Road comandava-os com Lero em suas mãos e com uma expressão entediada.
- Road? – Disse Allen surpreso.
- Ah...! – Gritou a Noah mudando automaticamente sua expressão – AAAAALLEEEEN! – E pulou sobre ele fazendo-o cair no chão.
- Mestra Road!! – Gritou Lero.
- Quem é essa? – Perguntou Mia não entendendo mais nada.
- Road. Nossa inimiga e sua rival. – Resumiu Lenalee.
- O quê!? – A britânica disse confusa.
- Hãããn... Andou me traindo enquanto eu estive longe, é? – Falou Road segurando o rosto do rapaz.
- Trair? Quem? – Ele disse inocente.
A luta entre eles logo teve início. E muito próximo àquele local, o Bookman e seu aprendiz registravam o que acontecia no local.
- Não é melhor ajudá-los? – O mais novo perguntou.
- Não é necessário. – Ele respondeu sucinto – Não somos mais exorcistas. Deixe esse trabalho para eles e concentre-se em suas obrigações.
Mas o rapaz não conseguia se concentrar em apenas observar e memorizar aquilo que via. Enquanto seus antigos companheiros lutavam, ele não conseguia fazer com que as lembranças de “Lavi” parassem de invadir seus pensamentos; e pior que isso, acabava tendo seus olhos desviados a todo o momento, inconscientemente, para Lenalee.
A luta mal acabara e o Bookman já o chamava para se retirarem daquele local. Ao ver o mais velho se afastando, ele logo deu um passo à frente para começar a segui-lo. Mas nesse exato momento escutou uma voz chamar.
- Lavi-kun!
Ele se virou no mesmo instante. E logo depois se arrependeu de tê-lo feito. Havia muito tempo que ele havia abdicado daquele nome, mas tinha consciência de que ainda responderia caso alguém o chamasse daquele jeito e ele não estivesse atento. Deixar o nome “Lavi” estava sendo mais difícil do que todos os outros, ainda que fosse duro aceitar esse fato.
Mia se aproximava dele ofegante. E ele apenas a fitava perdido em seus pensamentos e lembranças.
- Lavi-kun! Eu sabia que nos encontraríamos novamente! – Ela disse sorrindo.
- Eu... Tenho que ir. – Ele disse com os olhos abaixados e dando um passo para trás.
- Espera...! Você... não pretende reencontrá-la? – A britânica perguntou com as mãos tremendo um pouco. – A Lenalee-...
- Mia... – Ele a interrompeu e apontou para o local onde ela lutava pouco tempo atrás.
Ao virar para trás a garota viu Road agarrada ao pescoço de Allen enquanto Lero a puxava pelos pés com o cabo do guarda-chuva. Uma porta que se abria para outra dimensão encontrava-se logo atrás de objeto falante.
- Nãããão... Eu quero ficar aqui com o Alleeeen... – Choramingava Road.
- Mestra Road! Temos que ir! – Gritou Lero.
Mia sentiu vontade de voar para o local em que aquela cena acontecia. Mas conteve-se. E, ao virar para trás, percebeu que estava sozinha.
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