Fashion And Diamonds.

1 Prólogo - Lamentos no banheiro.


Notas iniciais
Conheçam nossos personagens principais! Espero que gostem. Boa leitura!

Eu levei a mão ao rosto, encarando meu reflexo no espelho.

— Merda! Isso vai ficar roxo! — Bosta, porque eu fui inventar de brigar logo hoje?

— Ele estava usando anel. — Conrad comentou como se mudasse alguma coisa. Eu ainda ia ficar com um roxo na cara!

Levei a mão à face esquerda novamente, logo abaixo do olho. O lugar todo estava dolorido. Eu só levara um golpe na briga, mas fora um soco muito bem dado. Logo hoje, que eu tenho um encontro com a gata da Erika, eu tive de inventar essa briga idiota.

Aliás, desculpe, eu não me apresentei. Meu nome é Edmure Prey, e eu tenho 18 anos. Neste momento, estou no banheiro do colégio, quinze minutos antes de começar a aula, com meu melhor amigo, Conrad Gaurdien. Somos alunos do grandioso Colégio Esther Rianetch, um colégio de riquinhos na pequena cidade de Gollsberry, onde eu sou considerado... popular.

Não que seja um grande feito meu... A única coisa que me faz popular é a fórmula mágica: beleza, um pouco de personalidade, e o mais importante: berço de ouro. Como eu disse, Esther Rianetch é um colégio de burgueses ricos, ou seja, o que te faz especial é ser especialmente... rico.

Então, novamente, muito prazer, eu sou Edmure Prey, tenho 18 anos, e sou filho de Gomes e Martha Prey, o que me faz herdeiro da maior rede de joalherias do país.

Viu como fica mais atraente?

Em relação ao rostinho bonito, bem, não vou ser modesto, eu sou mesmo um dos caras mais bonitos do colégio. Vivo na academia, o que me garantiu um bom físico, bem musculoso e definido. Também sou bem alto, 1,92m de altura, pele clara e cabelos bem escuros, olhos violetas, uma marca da minha família. Gosto de deixar a barba por fazer também, mas essa semana eu estou bem barbeado.

Enfim, este sou eu, e no momento, estou enfrentando a crise de ter apanhado novamente.

Ah sim, novamente. Bem, como eu disse, eu sou popular, ou seja: eu sou um dos valentões do colégio, meio rebelde, meio casca grossa, meio idolatrado por todos, e odiado por todos e mais alguns. E claro, um briguento nato, temido por praticamente toda escola.

Menos por ele. Ah, aquele desgraçado.

— Ed, é melhor irmos. — Conrad estava apoiado na pia, com as mãos nos bolsos e um sorriso gentil nos lábios. Era um dos poucos amigos verdadeiros que eu tinha. Nos conhecíamos desde antes de sequer entendermos o que era dinheiro, então nossa amizade era muito forte.

Conrad também era um cara de sucesso com as mulheres da escola, porque era bonito. Seus pais tinham uma grande empresa de plásticos e embalagens, então ele também tinha grana. Ele era bem branco, com cabelos cor de cobre, esbelto, e com olhos castanhos calorosos. Devia ter seus 1,80m de altura, e sempre usava roupas modernas e descoladas. Estava com uma bermuda leve, um tênis azul, e uma camiseta branca. Apoiado na pia de braços cruzados, ele me lançava um olhar preocupado. Con era muito preocupado mesmo.

— Tudo bem, vamos indo. — Eu respondi, pegando minha mochila em cima da pia e jogando ela nas costas.

Eu mesmo gostava de me vestir bem. Estava com uma bermuda jeans clara, uma camiseta polo azul escura, e um par de tênis claros e modernos. Como uma escola de ricos, o Esther Rianetch não exigia uniformes, o que era bem legal.

Quando saímos no corredor, todos já se encaminhavam pra aula. Eu não estava particularmente preocupado, pois eu tinha o primeiro tempo livre, o que significava que eu podia continuar vagando e remoendo minha dolorosa derrota naquela maldita briga.

Enquanto caminhávamos pelos corredores movimentados, Conrad e eu íamos cumprimentando vários conhecidos. Como eu disse, populares. Provavelmente toda a escola assistiu minha briga, nada inédito, mas sempre uma atração, e provavelmente me viram tomar mais uma surra, mas óbvio que ninguém falaria nada. Eu podia ter apanhado, mas ainda era um cara de 1,92 e muito forte. Enfim, eu caminhava tranquilamente de volta à área externa do colégio, quando David chegou.

David era um garotinho do segundo ano que vivia no nosso pé. Eu costumava usar ele para servicinhos bobos como mandar recados e comprar lanche, o que ele fazia com o maior prazer. Não, eu não sou tão legal.

Ele chegou parecendo assustado e surpreso, correndo de forma afobada.

— Edmure! Conrad! — Ele parou na nossa frente, me assustando um pouco, e se apoiou nos joelhos, parecendo exausto. — Ele está vindo aí.

Ah, mas que droga. Por que eu tinha que encontrar ele de novo?

David era um idiota. Se ele tivesse me mandado um sms, eu simplesmente evitaria o corredor, e não seria obrigado a vê-lo novamente. Agora que ele tinha gritado pro corredor todo ouvir, eu não podia passar a vergonha de desviar, e não encarar o maldito que me deu um soco de manhã.

Eu estava pronto para dar uma bronca em David, mas antes que pudesse dizer algo, ele apareceu.

Normalmente, na turma dos populares sempre há o mais popular de todos, o sol em torno do qual os outros populares gira. E assim, quem segue o “sol” acaba entrando pro grupo popular, e por isso eu tinha tantos “amigos”. Porém, no meu colégio, havia um único cara fora da turma que era tão popular quanto eu.

Eu vos apresento o maior cuzão da cidade, o cara que eu mais odeio, e o único que já me bateu nesta vida: Cotter Storm.

Imagino só como você deve estar vendo-o. Afinal, um cara que bate num cara alto e musculoso deve ser um monstro.

Ah, ele era um monstro, nisso você está certo. Um maldito monstro.

Um monstro de 1,63m de altura, magro e de movimentos graciosos.

Storm era filho de uma das chefs mais famosas do país, que tinha seu próprio programa de culinária na televisão e uma rede de restaurantes, e de um diretor da maior revista de moda do país, a Grease Magazine. Ele era baixinho, como eu disse, com um corpo nada sarado, mas também não magrelo, e a aparência bem alinhada. Seus olhos eram cinzentos, de um tom que eu tinha de admitir, eram bonitos. Os cabelos pretos eram lisos, e bem penteados, mas de forma a parecer natural. A pele branca e as roupas de grife que ele usava faziam com que ele também fosse extremamente bonito.

Eu o odiava.

Ele estava muito bonito com aquela calça jeans escura e a camisa polo simples e preta. Reparei na sua mão direita, ele realmente usava um largo anel prateado em forma de caveira, com rubis incrustados. Storm sorria de forma tranquila, enquanto conversava com um garoto que eu não reconheci. Podia parecer até um pequeno encantador, mas Cotter Storm era treinado em múltiplas artes marciais, o que fazia dele mais capaz do que eu em qualquer briga.

E isso era irritante.

Por isso, brigávamos praticamente toda a semana. Eu odiava o jeito dele, todo engomado e idiota, bonito e querido, a única concorrência que eu tinha naquela escola. Eu sempre quis quebrar a cara dele.

Cotter conversava com uma garota que eu não reconheci, e tinha um belo sorriso nos lábios. Entre os dedos da mão direita, um cigarro. Todos abriam caminho para ele, afinal, eu tinha de admitir que ele tinha presença. Quando finalmente ele desviou o olhar da garota, os olhos cinzentos encontraram como os meus, e ele parou.

Meu sangue ferveu na mesma hora, e eu senti o inchaço no meu rosto latejar. Percebi que ele lançou um olhar discreto ao machucado, e depois olhou para a própria mão, parecendo surpreso com o que causara.

— Ed, deixa isso pra lá. — Conrad colocou uma mão no meu ombro. Eu não queria brigar, mas não conseguia me controlar.

— Storm. — Eu chamei, e ele ergueu as sobrancelhas, como desentendido. Odeio quando ele faz isso. A garotinha do lado dele se afastava lentamente.

Como se fosse a coisa mais comum do mundo, ele soltou um suspiro meio abatido, com uma expressão desanimada, e num movimento gracioso deixou sua mochila escorregar de seu ombro ao chão com leveza. Em seguida, ele tirou o anel de caveira do dedo, e levou ao bolso.

— Prey. — Ele disse com sua voz suave. Tragou seu cigarro e levou a mão à cintura. — Vai querer apanhar de novo?

Eu me senti muito irritado.

Na verdade, eu não lembro quando isso começou. Não me lembro muito bem dos motivos de eu sentir uma raiva tão grande de Cotter Storm. Só tinha raiva, e pronto. Odiava o fato de ele ser meu rival naquela escola, de sempre me bater na frente de todos, me envergonhar, e o pior: não fazer parte da minha turma.

Ah sim, era por isso que eu odiava o rapaz. Ele nunca quis fazer parte do meu grupo. Eu contaria a história pra vocês, mas eu preciso dar uma surra nele. Ou tentar.

— Eu vou acabar com você. — Eu ameacei entre os dentes. O machucado no meu rosto parecia latejar cada vez mais, e um grupo de pessoas já se reunia no corredor para assistir.

Sem muita exaltação, ele tirou o cigarro dos lábios e jogou no chão, pisando sobre ele para apagar a cinza. Em seguida, ergueu os punhos, em sua conhecida postura de luta. Joguei minha mochila no chão e avancei na direção dele. Conrad tentou me segurar em algum momento, mas eu não liguei e continuei.

Ao contrário de Cotter Storm, eu nunca treinei nenhuma arte marcial, mas eu era bom de briga.

Pelo menos, contra quem nunca tivera treinamento em artes marciais.

Eu gostaria de dizer que travamos uma batalha longa, de igual pra igual, com vários minutos de extensão.

A realidade foi a seguinte: Eu avancei, desferindo um soco em direção o baixinho, mas ele apenas se desviou graciosamente do golpe, e segurou meu antebraço com delicadeza. Antes que eu pudesse assimilar a informação, eu vi o punho dele em frente ao meu rosto.

Mas ele não bateu. Apenas ficou parado naquela posição. O silêncio reinou no corredor. Eu senti meu coração batendo rápido, assustado, e com a adrenalina à mil, e percebi que já estava ofegante. Não me movi nenhum milímetro, parecia que meu corpo não me respondia. Seu punho tampava metade da minha visão, mas eu ainda consegui encarar um grande orbe cinzento, que me encarava com um brilho duro como o aço. Percebi que estávamos muito perto.

— Sinto muito pelo machucado, eu devia ter tirado o anel. — Ele murmurou, tão baixo que apenas eu pude ouvir no corredor lotado.

A voz dele fez com que eu acordasse finalmente, e puxasse meu braço para trás novamente, me afastando dele, bufando irritado. Um sorriso discreto brotou nos lábios dele, e ele foi buscar sua bolsa, enquanto o corredor se enchia de burburinhos.

Ele começou a se afastar sem uma palavra, na direção da qual ele viera, enquanto eu o encarava pelas costas.

Nossas brigas eram sempre assim, eu ficava sem ação com Cotter Storm, e acabava apanhando, ou pior que isso, humilhado como fui agora. Naquela manhã pelo menos, ele me deu um soco antes de se afastar.

Nunca consegui bater em Cotter Storm. E não sabia bem o porque.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e deixem reviews!