Fashion And Diamonds.
7 Capítulo 6 - Thinking about the accident.
Notas iniciais
Bem, tecnicamente, como passou das 00:00hrs, já é sábado, mas mesmo assim, eu me esforcei pra terminar rápido o cap haha.
Gente, MUITO, MUITO E MUITO obrigado, último capítulo bateu recorde de reviews, vocês foram todos lindos, novos leitores apareceram, e eu amei tudo! Nunca abandonarei a fic, vocês me convenceram haha. Muito obrigada mesmo a todos vocês!
E um agradecimento especial a Broke Borgoli, que deixou uma recomendação LINDA, fiquei muito feliz e grata, obrigada de coração, me animou muito! E pode ter certeza que lerei a fic que vc me indicou por MP, e divulgarei aqui assim que ler viu!
Obrigada a todos, e esperem que gostem desse capítulo. Tá meio parado, mas é um capítulo necessário pra entender como o Cotter e o Ed estão levando a situação, e como estão se sentindo. É um dos capítulos mais confusos de todos na minha opinião haha. Espero que gostem!
Boa leitura, e obrigada!
Eu encarei o pequeno cilindro branco por alguns segundos, pensando em como seria a sensação de fumar.
Sabe, eu nunca tinha fumado, mas estava cogitando fortemente. Dizem que fumar relaxa, e o que eu mais queria era relaxar um pouco, esquecer os problemas. Então eu comprei um maço, um isqueiro, e me sentei no banco no quintal de casa, cogitando fumar ou não a porcaria do cigarro. A imagem do cilindro branco me lembrava de um certo fumante arrogante.
Que eu beijara duas semanas atrás. Droga, eu estava pensando nele de novo.
Depois daquele... incidente com Cotter na festa, eu procurava mantê-lo longe dos meus pensamentos, o que não era muito fácil. Claro, como o adulto responsável que eu sou, depois que nos beijamos, eu tomei uma decisão super adequada... o evitei, me escondendo dele durante as duas semanas.
Maduro, não é? Não.
Enfim, eu não vira o baixinho por duas semanas, e mesmo assim, não tirava a cena da minha cabeça, nem conseguia parar de pensar em como aquilo tinha sido errado. Muito errado. Afinal, eu não era gay! Mesmo que o beijo de Cotter tivesse sido o melhor que eu dei na minha vida, eu não conseguia aceitar aquilo bem.
Aliás, eu não aceitava, nem ia aceitar!
Eu sentia falta dele, afinal, estávamos entrando num período de paz depois de tudo... Também, eu ainda me preocupava com ele, mesmo que ele não precisasse. Mesmo eu já tendo apanhado várias vezes dele, eu ainda achava ele pequeno, delicado, e azarado demais. Na verdade, eu sentia que algo de ruim ia acontecer com ele sem eu por perto.
Mas ainda assim não tinha nenhuma vontade de voltar a falar com ele, e acontecer outro... Incidente.
Estava tão envolto nesses pensamentos, que acabei me distraindo olhando o cigarro, e nem percebi meu pai se aproximar de mim em passos lentos.
Nos últimos dias, como eu não conseguia ficar sem pensar naquele maldito incidente, eu procurei encher ao máximo minha cabeça com outras coisas. Não estava com muita cabeça pra sair, então acabei me socando no trabalho junto com meus pais, ajudando no escritório e trabalhando numa das joalherias às vezes. Foi até bom, pois eu me aproximei mais do meu pai, e gostei disso. Como o velho vivia no escritório, eu quase não o via, mas ficar com ele no trabalho era uma boa solução.
Enfim, meu pai se aproximou, e eu me assustei quando o percebi.
— É só colocar na boca e tragar. — Ele comentou, se aproximando com um sorriso. Me assustei e quando ia tentar esconder o cigarro, meu pai fez um gesto tranquilizador com a mão. — Relaxa. Eu já tive sua idade, aproveite pra fumar agora enquanto ainda tem porte atlético. Depois dos trinta e do casamento, você se acaba.
Meu pai era um coroa conservado. Com 46 anos, ele ainda tinha um físico admirável, era alto como eu, com cabelos já grisalhos e os grandes olhos violetas, marca registrada da minha família. Tinha os traços bonitos, algumas “marcas de expressão” conhecidas como rugas, mas ainda era muito charmoso. Sempre de social, ele acabara de chegar do escritório, então ainda usava o terno com gravata azul escura.
— Estresse? — Ele questionou, se sentando do meu lado, e me olhando com um sorriso simpático.
— É... — Respondi sem jeito, girando o cigarro em minha mão. — Ouvi dizer que relaxa...
— Mas é mesmo. — Meu pai esticou a mão e puxou o maço com delicadeza da minha mão, puxando uma unidade. — Faz uns... vinte ou mais anos que eu não fumo. Depois que seu irmão nasceu eu acho... — Ele puxou um do maço, e me devolveu a caixinha de papelão. — Sabe, é ótimo quando precisamos ficar tranquilos. Mas cuidado pra não viciar, é terrível quando acontece.
Eu apenas assenti com a cabeça. Meu pai puxou o isqueiro da minha mão, e colocou o cigarro nos lábios, me surpreendendo.
— Não conte pra sua mãe. — Ele resmungou, enquanto acendia o isqueiro e levava até o cigarro. — Vamos, acenda um você também. — Papai me entregou o isqueiro, e eu o imitei. Tossi um pouco quando a fumaça entrou em meus pulmões, sensação horrível. — É assim mesmo no começo, no próximo você vai pegar o jeito. — Meu pai tragou profundamente e soltou a fumaça. — Deus, isso é bom.
Eu dei uma risada, encarando meu próprio cigarro. Levei aos lábios e traguei bem pouco, dessa vez não tossi. Ficamos em silêncio por alguns instantes, fumando, meu pai experiente, e eu aprendendo.
— É uma garota? — Meu pai perguntou, olhando pro céu. Já era noite, e as estrelas brilhavam. Estávamos do lado de um poste elétrico em meu jardim, então não tínhamos problema com luz.
Senti meu rosto corar um pouco. Droga, não era uma garota, esse era o problema. Mesmo assim, decidi ouvir os conselhos do meu pai. Óbvio que eu não ia dizer “beijei um cara, te amo papai”, mas... Queria conselhos. Precisava.
— É... — Falei, tragando novamente o cigarro. Vi que ele deu um sorriso, daqueles “eu sei bem como é”.
— Ela não gosta de você? Quer dizer, se você quiser falar, claro... — Meu pai tragou novamente. Eu parei para pensar. O pequeno gostava de mim? Nunca parei pra pensar nisso, principalmente porque eu estava evitando pensar nele.
— Não sei... — Eu traguei novamente. Aquilo de fumar parecia estar funcionando, eu me sentia melhor. — Até uns dias atrás, a gente se odiava. Mas de uma hora pra outra, sei lá... — Eu suspirei. — As coisas mudaram, sei lá. Eu não suportava ela, mas não sei, rolou alguma coisa... — Deixei o resto no ar, tragando o cigarro, que já estava no fim.
— Como ela é? — Meu pai perguntou, com um sorriso compreensivo.
Eu não consegui segurar um sorriso estranho quando pensei nisso. Bem, agora eu já tinha começado, e ia terminar.
— Ela é... bonita. Muito bonita. — Admiti, mesmo que eu tentasse negar isso pra mim mesmo. — Interessante, inteligente, divertida... Não somos nada parecidos. — Dei um risinho, me lembrando do garoto. — Ela é tão... — busquei mais palavras. Não conseguia explicar bem o que eu achava de Cotter pro meu pai. — Pequena, delicada, gentil... Ao mesmo tempo em que é briguenta, é azarada, meio desastrada e atrapalhada... — Deixei o resto por dizer, tragando o cigarro. Estava me lembrando demais dele, e era tudo que eu não queria.
— E você acha que precisa cuidar dela. — Papai soltou uma nuvem de fumaça com as palavras. — Ela te irrita, mas de um jeito que você não admite, mas gosta. Quando está longe, você se preocupa com ela. Acha que ela precisa de você. Mas você também precisa dela, e não quer admitir. Você quer ficar ao lado dela, mas como você ainda não se acostumou com o sentimento, você está confuso.
Ergui uma sobrancelha e encarei o meu pai. Pensando bem, era algo assim.
— É algo assim mesmo... — Concordei, dando uma última tragada, e jogando meu cigarro fora. Meu pai riu, jogando seu cigarro fora também, e se levantando.
— Bom, não adianta correr meu filho, você não vai conseguir ficar longe dela por muito tempo. — Ele estralou os dedos das mãos. — Eu só conheci uma pessoa assim na minha vida. Tenho sete filhos com ela. — Papai afagou meus cabelos, deu um beijo em minha testa e se afastou, enquanto eu o encarava, tentando absorver aquela informação.
Merda, vou fumar mais um cigarro.
—
Eu encarei o cilindro branco, pensativo. Devia estar, sei lá, no meu nonagésimo cigarro do dia.
Pois é, eu sou fumante, assumido e tudo. Me preocupo com a minha saúde, mas é um vício maldito, e eu tentava me controlar. Mas desde aquele... desde aquela festa, eu estava fumando bem mais que o normal. Aliás, eu estava com a minha rotina toda alterada por causa daquilo.
Ah, foda-se.
Acendi o cigarro e traguei, saboreando a sensação. Maravilha. Deus, que bom.
Coloquei meu isqueiro na pia, e voltei a encarar o livro de receitas, pensando no que cozinhar. Ah sim, eu também estava no quinto ou sexto prato que cozinhava naquele dia.
O cigarro e a cozinha eram minha válvula de escape do assunto “Edmure Prey”. Eu lembrava dele, fumava. Lembrava daquela maldita festa, fumava e cozinhava. Lembrava do... beijo, corava, fumava e cozinhava. Estava tentando manter minha cabeça longe daquele acontecimento, afinal, era muito confuso. Num dia, eu odeio Edmure Prey, no outro, ele me salvava da morte, e virava meu mundo ao avesso. Eu não ia ser tão vulnerável assim. Não ia, aquilo tinha sido só uma coisa do momento, uma coisa de bêbado.
Então porque eu não esquecia? Não sei.
Mas eu estava tentando, então enchia minha cabeça de receitas e fumaça.
Meu pais não estavam em casa neste fim de semana. Mamãe estava gravando em Paris, e meu pai fora com ela, aproveitando para visitar o escritório da Grease francesa, que ficava na cidade do amor.
Argh, amor. Não quero nem sonhar com isso.
Enfim, sozinho em casa, eu estava na cozinha o dia todo. Fiz uma torta de amora, um risoto de frutos do mar, uma sopa, um assado e um fondue de queijo. Comi um pouco de cada, e soquei o que restava na geladeira, o que era meio depressivo, mas eu não podia evitar cozinhar mais e mais.
Sinceramente, eu não sabia bem o que estava sentindo, estava evitando pensar muito sobre. Eu estava gostando do Edmure, mas como meu amigo. Pelo menos até aquele momento. A verdade era que: eu nunca havia conversado ou me aproximado do grandão antes daquela briga na casa de Julian. Descobrira que ele era um cara legal. Irritante, babaca, mas por algum motivo eu gostava dele. Também era gentil, divertido...
Era uma pessoal legal, e eu estava gostando dele. Mas eu não queria ter beijado ele!
Escolhi uma receita de biscoitos, e comecei a separar os ingredientes, com certa velocidade. Acendi mais um cigarro, joguei farinha, leite e o chocolate numa vasilha e comecei a mexer.
Voltando, Edmure era um cara legal. Sério mesmo. Mas eu não queria... Bem, estragar as coisas. Sabe, eu vivo num mundo dominado pelos homossexuais: a moda. Praticamente todos os estilistas homens de maior renome são gays, e todos que ligam pra moda também. Por isso, eu não tenho nenhum preconceito contra homossexuais, nenhum mesmo. Eu era acostumado com isso.
Mas Edmure era diferente de mim, e como era. Era um dos caras mais heteros que eu conhecia, e tinha toda uma escola para reinar. Ele com certeza tinha seus preconceitos, mesmo que seu melhor amigo fosse bissexual. No fundo, meu medo era acabar gostando dele, e ele me odiando de novo.
Ah droga, eu não queria admitir isso.
Abri minha geladeira e peguei um pedaço grande de pudim. Já estava meio tarde, e eu evitava comer coisas calóricas depois das oito, mas mesmo assim cortei uma fatia do pudim e me sentei na mesinha da cozinha, fumando. Comi um pedaço, estava bom. Puxei a vasilha com a mistura dos biscoitos, e comecei a colocar a massa na forma para levar ao forno.
No fundo, lá no fundo, eu sabia que tinha gostado. Eu nunca beijara um homem, nem considerava a possibilidade. Eu afirmo novamente, que apesar de todo meu mundo homossexual, eu não era gay. Só que, bem, havia sido um beijo bom, diferente dos beijos molengas das garotas que eu ficava.
Oh droga, eu não devia estar pensando nisso.
Mas fora uma experiência... agradável. Marcante até.
Levei meus biscoitos ao forno, e sem querer derrubei um pouco de farinha na minha camisa. Droga, eu sou um desastre mesmo. Isso aqui é Prada!
Bati a farinha, e tirei a camisa. Ainda tinha um hematoma esverdeado no meu tórax, nas costelas que eu havia trincado, uma lembrancinha daquela maldita briga que virou a minha vida do avesso. Passei a mão sobre o hematoma, e não consegui segurar um sorrisinho.
“Nós somos rivais, e não inimigos. Tipo, sei lá, Goku e Vegeta.” — Ele dissera, na noite que veio em casa, todo roxo e idiota, tentando ser legal. Dei uma risadinha e tirei a mão do ferimento, era o último que restara depois de tanto tempo.
O Edmure era um babaca, mas tinha seu charme, e beijava muito bem. Sinceramente, a minha maior preocupação, era o que ele estava pensando. Aquele babaca enorme, provavelmente ia dar um jeito de jogar a culpa em mim.
Mesmo que tenha sido ele que começou tudo aquilo, me abraçando, e roçando aqueles lábios nos meus de um jeito provocante. Tá, eu tinha dado um beijo no rosto dele, sei lá porque, dominado pela liberdade do álcool ou algo assim. Mas não era minha culpa, foi um beijo de amigo.
Eu acho.
Comi o resto do meu pudim e dei uma olhada nos biscoitos. Ainda faltava um tempo para ficarem prontos, então peguei meu celular e comecei a fuçar. Acendi mais um cigarro, e vi que tinha recebido uma mensagem nova. Era do Edmure.
Meu coração deu um pequeno pulo. Droga, o que eu sou, uma mocinha?
“Oi, precisamos conversar.” Eram as únicas palavras na tela do celular, o que me assustou um pouquinho. Certo, ele ia me xingar, e íamos voltar à vidinha de brigas. Suspirei e digitei uma resposta.
“É verdade.” Respondi sem muito ânimo. Traguei o cigarro, esperando resposta.
“Passo na sua casa para almoçarmos às 11:30. Não se atrase. E não esqueça que me deve uma camisa, pequeno babaca.”
Sorri ao ler a mensagem. Senti algo estranho no peito, que eu não identifiquei muito bem, mas deduzi que era bom. Ele não parecia irritado.
“Tá bom babaca, 11:30.” Respondi, e traguei meu cigarro com um sorriso.
Talvez, depois de uma conversa civilizada, chegaríamos à conclusão de que tudo fora culpa do álcool, e então voltaríamos a ser amigos.
Meu sorriso se abriu ainda mais, e meu peito ficou ainda mais estranho, mas ainda bom.
Veria o meu gigante barbado amanhã.
Notas finais
Olha, eu não tenho certeza de quando vem o próximo, mas vou tentar postar esse fim de semana, porque segunda começa meu cursinho D:
Beijos e até mais! Deixem reviews! Não me abandonem, adoro todos vocês!
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