Fashion And Diamonds.

6 Capítulo 5 - Blame it On The Alcohol


Notas iniciais
Tandan!
Muito feliz com todos meus lindos leitores, suas reviews magníficas, e as sugestões que me deixaram!
Espero que este capítulo agrade todo mundo, porque ele é bem importante pro andamento da fic.
Boa leitura a todos, e lá embaixo a gente se fala!
PS: lembrem-se de que o álcool faz milagres.

O sábado chegou tão rápido, que eu nem reparei. Mal tive tempo de combinar direito as coisas com Edmure, nos vimos pouco depois daquele dia, e sempre quando nos encontrávamos, tinha alguém junto, então não conversávamos. Apesar disso, ele me mandara uma mensagem na sexta-feira.

“Você vai né? Já te passei o endereço.”.

O que eu interpretava como uma pequena insistência para que eu fosse.

Por isso, lá estava eu novamente, me arrumando em frente ao espelho, com a maior cautela possível. Mesmo que só tivessem homens na festa, eu me prepararia bem, afinal, eu sempre me visto bem. Escolhi com cuidado o visual do dia: uma camisa rosa-clara da Tommy, um jeans escuro da Calvin Klein, um sapato prada, e para não ficar muito simples, coloquei um daqueles chapéus estilosinhos, da Banana Republic.

Me encarei no espelho novamente, ajeitando o punho da minha camisa de mangas compridas. Quando achei que estava bom, desci, me despedi dos meus pais, e fui pro carro.

Assim que me sentei no banco, mandei uma mensagem para Tony, que confirmou que já estava indo. Melhor, eu não ia ficar tão sozinho assim. Depois, eu fiz algo que eu nunca tinha feito, e nunca imaginei que faria.

Liguei para Edmure Prey.

Se você já viu uma virgem na primeira vez, você sabe como ela fica nervosa. Eu podia dizer que estava umas 10 vezes mais nervoso. Meu rosto estava quente, e eu até tremia de leve. Esperei tocar três vezes, e já estava pronto para desistir.

Mas Edmure atendeu.

Alô? — Eu reconheci a voz grossa do outro lado da linha.

— Ah, oi, sou eu. Cotter. — Eu disse, meio sem jeito. — Cotter Storm.

Deus, quantos Cotter existiam no mundo, e quantos ele conhecia além de mim? Nenhum!

Ah, oi mocinha. — Senti uma raiva crescer em mim. Idiota. O bom que eu relaxei um pouquinho.

— Aff, idiota. — Coloquei minha mãe livre no volante do carro. — Estou indo, tá tudo em pé?

Sim, estou saindo com Conrad agora. — Ele disse, e eu percebi que eles já estavam no carro, pelo som externo. — Uns quinze minutos.

— Tá certo. — Eu disse, e voltei a ficar sem jeito. — Tudo bem então, a gente se vê lá.

Tá bem, mocinha. — Eu pude perceber que ele estava sorrindo daquele jeito idiota dele.

— Filho de uma pu... — Eu xinguei, mas ele desligou antes, me deixando no ar. Liguei o carro.

O que eu ia fazer na porra desse aniversário?

Cheguei no barzinho na hora combinada. Vi o carro de Prey estacionado ali perto, um Sonata preto. Carro bonito. Estacionei meu carro e entrei no bar.

O ambiente era bem legalzinho. O bar era meio escuro, e uma música agradável tocava, algo moderno e agitado. Havia uma área para dançar, e várias mesinhas, além do balcão do bar. Observei tudo, procurando alguém da escola, sem muito sucesso.

— Deus, como você é careta. — A voz conhecida me cumprimentou, e eu olhei para o lado.

Edmure estava bonito. Muito bonito. Mais do que o normal. Ele estava com uma calça jeans, que milagrosamente, era uma Calvin Klein linda, uma camiseta polo muito justa azul-escura, e um par de tênis modernos. A barba por fazer estava charmosa, e o cabelo muito bem penteado. Nas mãos, ele carregava duas garrafas de cerveja.

— Ah, oi. — Eu cumprimentei, sem jeito. — Porque careta?

— Essas roupas sérias, como se a gente estivesse num baile, sei lá. — Ele resmungou, mas eu percebi que era bincadeira, e fiz uma careta para ele, revirando os olhos, achando até engraçadinho. — Vem, vou te levar onde o pessoal está. — Ele fez um sinal para que eu o acompanhasse, mas eu o segurei pelo bíceps, sentindo o músculo enorme dele.

— Edmure, espera, por favor. — Eu perguntei, sem jeito. Meu rosto queimou de leve, mas eu ignorei, ainda o segurando pelo braço. O grandalhão se virou para mim, com um olhar de interesse. — Olha, eu não sei bem como agir sabe... A gente... — Eu fiquei meio sem jeito, e deixei a aba do chapéu que eu usava cobrir meus olhos. — Não vai mais brigar?

Fazia um tempo que eu queria perguntar aquilo, afinal, nós estávamos mais como amigos do que como os rivais que fomos. E eu não queria brigar num lugar como aquele, seria um papelão enorme. E eu também, sempre odiei brigar com ele.

Edmure deu um sorriso compreensivo, coisa que eu nunca vi. Quase um sorriso doce.

— Cotter... — Ele se aproximou, com as garrafas em mãos. — Olha, eu não vou dizer que a gente nunca mais vai brigar, porque a gente não consegue ficar em paz muito tempo. — Ele riu, e eu o acompanhei. — Mas eu não tô com vontade nenhuma de brigar com você nesses dias. Não vou fazer nada tá? O pessoal vai te tratar normal. Eu posso não ficar tão perto de você, mas não vou brigar. — Ele revirou os olhos. — Depois daquela briga, acho que eu percebi que sou mesmo mais forte de você, então não preciso mais te vencer pra ter certeza sabe... — Ele disse, num tom engraçado, e eu dei um soco no ombro dele, rindo.

— Valeu. — Sorri. — Vamos lá então.

Eu deixei ele me guiar, seguindo o grandalhão de perto. O barzinho estava bem lotado, então tive de segui-lo de perto, já que com o tamanho e a carinha de mal, ele abria caminho com facilidade. Pude sentir que ele usava um perfume bom e agradável, mas que eu não conhecia. Algo amadeirado e fresco.

Quando chegamos até a mesa que eles haviam pego, eu dei um sorriso e me afastei dele, como se nem o tivesse visto ainda. Tony estava lá, sentado ao lado de Conrad, provavelmente alguma coisa arranjada para que eles ficassem juntos. Outros garotos do colégio também estavam lá, mas todos do bandinho de Edmure. Quando me viram lançaram olhares confusos, que eu retribui com um sorriso amarelo. Quem merda eu tava fazendo ali mesmo?

— Olá! — Eu cumprimentei Conrad, com um sorriso e um abraço amigável. Nunca conversara com ele, mas o conhecia já que ele sempre andava com Edmure. Parecia um cara legal, controlado, e que sempre tentava evitar as brigas entre eu e o grandão. — Feliz aniversário.

— Obrigado, ótimo que você veio Cotter. — Ele respondeu. — E obrigado por convencer o Tony a vir. — Ele sussurrou, com um sorriso e uma piscadinha. Eu dei uma risada, ele era bem bonito.

— De nada. — Eu pisquei de volta, já simpatizando com o rapaz. Cumprimentei o resto do pessoal, e todos foram muito educados e simpáticos, mesmo que lançassem olhares nervosos para Edmure, que estava do outro lado da mesa. Quando fui cumprimentar as pessoas com quem ele falava, ele sumiu, provavelmente de propósito, para não ter de fingir brigar comigo. No fim, acabei sentado ao lado de Tony.

Todos haviam chegado à pouco tempo, e ainda tinha mais gente para chegar. Eu pedi uma bebida, um drink de vodka com menta que já tinha tomado e gostado muito. O drink chegou rápido, e eu fiquei ali conversando com Tony, enquanto Conrad conversava com uma amiga que acabava de chegar.

— E então, o que estamos fazendo aqui mesmo? — Perguntei para Tony, puxando meu maço de cigarros do bolso. Ofereci uma unidade pra ele, que aceitou de bom grado. Ele levou à boca, e eu acendi para ele, enquanto ele tragava. Em seguida acendi o meu próprio.

— Não sei. — Ele respondeu. — Eu sou amigo do Conrad há anos, ele é um primo distante. — Ele respondeu com um sorriso. Isso explicava a quedinha de Conrad por ele, e eu desconfiava que Tony também correspondia. Já tinha visto ele bêbado, e ele dava uma pinta forte.

Sim, meu Gaydar— Radar gay— é forte, afinal, eu sou um cara que vive no meio dos homossexuais, o mundo da moda.

— Mas agora, o que você está fazendo aqui, eu não sei. — Ele sorriu, soprando a fumaça do cigarro. Traguei o meu próprio.

— Você me chamou. — Eu forcei. Ele mal tinha comentado, mas tudo bem.

— Achei que não viria por causa do Edmure. — Ele sorriu, cheio de más intenções. — Mas vocês estão em paz depois da briga, não é?

Eu traguei profundamente o cigarro, tomei um gole da bebida, e soprei a fumaça no ar.

— Sim. Tá bebendo o que? — Eu mudei de assunto, olhando pro copo dele. Não estava confortável em falar cobre o Edmure. Por algum motivo, eu ficava sem graça quando o assunto era o moreno de 1,92m de altura.

Por sorte, Tony era tão fácil de se enganar quanto uma criancinha, e logo ele se pôs a falar sobre o drink— algo com rum e maçã verde— e sobre outras bebidas, mudando totalmente o rumo da conversa, da qual eu participei, e na qual Conrad logo entrou.

Conversamos bastante, e depois Conrad saiu para conversar com outro pessoal que havia chegado, e levou meu amigo. Logo, os amigos de Edmure, que eu mal conhecia, puxaram assunto comigo, e eu comecei a conversar com todos os mais próximos, falando de coisas comuns, como garotas, escola, e etc. O próprio Edmure mesmo estava do outro lado da mesa, e às vezes eu lhe lançava olhares. Ele conversava com outro grupo, animado, sempre com uma garrafa de cerveja na mão. Às vezes, eu o pegava olhando para mim, e às vezes ele me pegava olhando para ele, o que me fazia corar, e por alguma razão, rir baixinho. Numa das vezes, ele deu uma piscadinha, o que me fez rir mais ainda.

Terminei meu drink e decidi ir até o bar buscar outro. Era mais rápido, e eu também queria dar uma olhada no movimento do local. Abri caminho entre as pessoas, até chegar no bar, que ficava meio longe da mesa. Pedi um drink, desta vez com um licor azul forte, que eu me lembrava de ter tomado numa outra festa.

Aliás, só pra constar, eu sou bem forte pra bebida, pelo menos pelo tamanho que eu tenho. Demoro um pouco pra ficar bêbado, mesmo bêbado tenho consciência do que faço, e nunca passei mal. Por isso, eu não estava muito preocupado em me embebedar, misturar, nem nada do tipo. Eu estava com a cabeça um pouco mais leve, e definitivamente mais simpático após o drink, mas controlado.

Quando o licor chegou, eu tomei um gole. Estava delicioso, forte, doce, do jeito que eu gostava. Soltei um suspiro satisfeito, e quando me virei para voltar pra mesa, dou de frente com um grandalhão.

— Oi. — Edmure sorriu, e se sentou ao meu lado. Por alguma razão, eu fiquei feliz. Estava doido para me aproximar dele naquela festa.

— Alô. — Eu disse, tomando um golinho do drink. Edmure ainda estava com a garrafinha de cerveja. — Como tá as coisas lá na mesa?

— Conrad está socando bebida no seu amigo. — Ele riu. — Acho que logo eles vão dão uma voltinha.

Eu ri, puxando meu maço de cigarros do bolso, e meu isqueiro.

— Quer um? — Eu perguntei, levando aos lábios. Edmure levantou uma sobrancelha.

— Não fumo. — Ele bebeu um longo gole de cerveja. Traguei meu cigarro, acendendo-o. — E você, se dando bem com o pessoal?

Revirei os olhos.

— Normal.

E então, a conversa fluiu bem entre a gente, coisa que nunca, nunca e nunca aconteceu. Edmure era mais simpático do que eu imaginava, engraçado e gentil. Não éramos muito parecidos, isso era fato, mas por algum motivo eu gostava daquilo. Gostei mais de conversar com ele do que com qualquer outra pessoa na festa aquele dia.

Conversamos por um bom tempo, e eu já tinha bebido vários drinks, assim como ele bebera várias cervejas. Decidimos que era melhor voltarmos para a mesa, já que já estávamos bem mais alegrinhos.

— Escuta. — Ele me disse, se aproximando, e colocando uma mão no meu ombro. — Daqui algum tempo, eu te mando uma mensagem pra gente conversar mais.

Eu assenti.

— Vou esperar. — Eu sorri pra ele, e voltamos pra mesa.

Acho que eu fiz um novo amigo.

O barzinho estava lotado, e o pessoal da mesa já estava meio chapado quando eu voltei. Acho que fiquei umas duas horas conversando com Cotter, nem percebi o tempo passar. Eu nunca imaginei que ele fosse tão legal, apesar de irritante de uma maneira divertida. Era bom que estávamos em paz.

Me sentei novamente na mesa, mas a maioria do pessoal estava dançando, então eu fiquei um pouco conversando com quem restara, até ir dançar com uma amiga que Conrad convidara. Era uma garota bonita, de cabelos lisos e castanhos, e simpática, mas por algum motivo eu não estava querendo ficar com ela. Enquanto dançávamos, eu vi que o pequeno Storm estava na mesa, tomando mais um drink azul. Tomei mais um gole de minha cerveja, e troquei de par com um rapaz, começando a dançar com outra garota. Percebi que estava meio bêbado já, mas mesmo assim, quando terminei de dançar busquei outra cerveja.

Voltei, e entrei numa rodinha, onde o pessoal da minha mesa estava. Conversei um pouco com o pessoal, e vi Conrad e Tony— Tony já estava chapadinho, pelo jeito Com tinha enfiado bebida nele. — mais afastados, conversando próximos. Dei um sorriso. Tinha lá meus preconceitos, mas aceitava bem, afinal, Conrad sempre foi meu melhor amigo.

Enquanto todos conversavam a minha volta, me vi pensando naquilo novamente. Eu nunca ficara com nenhum cara, nem tivera vontade. Na minha mente, eu achava que mulheres tinham um corpo mais atrativo. Mas eu também admitia quando um cara era bonito. Eu sou bonito, por exemplo. Conrad era bonito. Cotter também era lindo, com aquele chapéu, aquelas roupas sempre chamativas, e os olhos cinzentos.

Certo, eu estou bêbado.

Senti uma vontade enorme de falar com Cotter novamente, e mandei uma mensagem para ele, pedindo que me encontrasse no segundo andar do bar, que eu sabia que era bem menos movimentado, e bem mais tranquilo. Lancei um olhar para ele quando o vi puxar o celular do bolso, e ele se levantou e subiu as escadas. Esperei alguns minutos, disse que ia no banheiro, e o segui.

Subi os degraus com cuidado. Já estava alcoolizado, então me concentrei. Senti meu rosto quente, efeito conhecido da bebida. Quando cheguei no andar de cima, um mezanino com algumas mesas, menos movimentado, Cotter estava num canto, com um rapaz conversando bem próximo dele, o que me incomodou.

Era um rapaz maior que ele, bonitão até. Parecia insistir, enquanto Cotter se afastava educadamente. Os olhos cinzentos do pequeno encontraram com os meus, e eu pude ver uma faísca de medo neles. Uma raiva tomou conta de mim, algo parecido com o que eu sentira quando o vira com medo pela primeira vez, naquela briga uma semana atrás. Eu percebi o quanto ele era pequeno e delicado, e senti vontade de protege-lo.

E foi o que eu fiz. Me aproximei à passos largos, cara fechada. O cara era alto, mas ainda perdia nuns cinco centímetros para mim.

— Posso ajudar amigo? — Perguntei, batendo a mão no ombro dele. O rapaz parece ter visto uma assombração.

— Ah, desculpe, eu... vou indo... — Ele se afastou velozmente, enquanto eu o olhava feio. Em seguida, encarei Cotter, que estava com uma expressão estranha, mas fofa no rosto, e as faces coradas. O chapéu estava troto na cabeça dele, mas de uma forma charmosa.

— Você não se vira sem eu mesmo hein, Cotter Storm? — Eu disse, tomando um gole de minha cerveja. Ele ficou ainda mais vermelho.

— Desculpe, eu... Não soube como reagir. — Ele murmurou, desviando os olhos. Não queria que ele desviasse, por algum motivo, o tom cinzento dos olhos dele me fascinavam. Por isso, com gentileza, ergui o rosto dele lentamente, e encarei seus orbes. Devia estar muito bêbado já.

Ficamos em silêncio por um segundo, ele me olhando confuso, e eu o encarando. Não estávamos muito próximos. Ele era muito bonito mesmo, pele branca, lábios perfeitos e convidativos... Deus, o que eu estava pensando? Era Cotter Storm, um cara que eu detestava, e ainda por cima, um cara!

Mesmo assim, eu não tirei minha mão do queixo dele. Ele respirou profundamente, e eu senti o cheiro de álcool no hálito dele, provavelmente estava bêbado também, senão já teria me dado um tapa. Delicadamente, ele levou a mão livre até a minha, e a afastou lentamente, sem tirar seus olhos dos meus.

— Você tem olhos bonitos. — Ele murmurou, e eu senti algo estranho, ficando sem jeito. Ele pareceu corar ainda mais, e tomou um gole de seu copo, finalmente desviando os olhos, e se afastando um pouco. — Violeta é uma cor muito diferente de olho.

— Obrigado. — Eu disse, ainda estranho.

Sorri sem jeito, e tomei um gole de cerveja. Me encostei na mureta do mezanino, olhando no andar de baixo. Ele se apoiou do meu lado.

— Olha, Conrad e Tony sumiram. — Comentei, o olhando com um sorriso sugestivo. Ele riu, tampando o rosto. Uma cena adorável.

— Devem ter ido pro carro. — Ele comentou. — Eu disse para Com, é só dar bebida pro Tony que rola fácil.

Rimos um pouquinho, e depois voltamos a ficar em silêncio. Eu queria conversar, mas não sabia o que dizer, então bebi mais. Cotter acendeu um cigarro e fumou. Estávamos em silêncio à alguns momentos, quando as bebidas acabaram.

— Vou buscar alguma coisa pra gente. — Eu disse, me afastando pro bar do segundo andar. Vi Cotter se sentar numa mesinha.

Eu estava confuso, bêbado, e não sabia bem o que estava fazendo. Queria fazer um monte de coisas, mas não entendia bem se queria mesmo ou não. A única certeza que eu tinha, era que eu estava satisfeito em estar com o pequeno Storm ali.

Voltei com uma cerveja e um drink de menta pra ele. Quando cheguei, ele fumava distraído na mesa. Percebi que ele devia estar pior do que eu ainda, mais bêbado. Eu não tava muito afim de ficar sentado, então entreguei o copo para ele, e o chamei para voltarmos pra mureta.

— Tá legal. — Ele sorriu, e pegou o copo. Se levantou rapidamente, e eu percebi que perdeu o equilíbrio.

Por reflexo — ou sei lá o que, já estava chapado. — Eu deu um passo pra frente, e o segurei. O copo dele bateu em mim e caiu no chão, derrubando o líquido verde claro em minha camisa, mas eu quase não senti o molhado. O copo era de acrílico, e não quebrou. Cotter estava de olhos fechados, as mãos em meu tórax, e a fronte apoiada no meu peito, tentando recuperar-se da tontura pelo jeito.

— Ai, droga. — Ele gemeu, apertando minha camiseta com as mãos. — Sinto muito... — A voz dele era realmente arrependida e preocupada. Ele fez questão de tentar se afastar, mas eu passei os braços em torno dele.

Ele era ridiculamente pequeno, eu só percebia aquilo realmente daquela vez. O senti todo em meus braços, pequeno e frágil, como um cristal. A sensação do corpo dele no meu era estranhamente agradável, mas eu insistia que era só meu instinto protetor. O chapéu dele caíra, e quando eu baixei minha cabeça, senti os cabelos nele, inalando um cheiro ótimo de perfume, algo refrescante e viciante. Tê-lo ali, em meus braços, estava sendo algo indescritível, e muito bom.

— Tudo bem. — Eu disse, afagando as pequenas costas com uma das mãos. — Não foi nada. Você só levantou rápido demais. — Disse baixinho, num tom carinhoso.

— Desculpe. — Ele gemeu novamente no meu peito, ainda de olhos fechados. — Eu estraguei tudo, e molhei essa sua camisa sem marca...

Dei uma risada. Até nessas horas ele pensava nessas coisas.

— Isso foi bem ofensivo. — Respondi entre os risos, encontrando minha cabeça nos cabelos dele.

Ficamos daquele jeito por alguns momentos. Minha mente parecia estar num devaneio estranho, onde só existíamos nós dois. Senti ele apertar minha camisa novamente, e me empurrar delicadamente após algum tempo. O deixei desencostar de mim e levantar a cabeça, mas não soltei sua cintura. Por algum motivo, não queria deixa-lo ir.

Talvez porque estava bom.

— Ai, que burrada... — Ele disse, passando a mão pelo molhado em minha camisa. — Desculpe de novo, eu me desequilibrei e...

Ele foi falando, mas eu só percebia o movimento de seus lábios. E que lábios. Lindos, rosados, úmidos, e pareciam muito macios. Ele estava vermelhinho, seus olhos brilhavam, e sua cara envergonhada era linda. Percebi que ainda estávamos próximos, ele mantinha as mãos no meu tórax — meu peito era alto demais pra ele— e eu segurava sua cintura, como um casal de namorados.

— De verdade, eu vou pagar por ela, eu... — Não suportei a faladeira e cobri seus lábios com um dedo. Ele pareceu se assustar por um instante, e me encarou nos olhos, surpreso, lindo.

— Já chega. — Eu dei um ponto final no assunto. — Tá tudo bem, okay?

Ele estremeceu em meus braços.

— Tá, tá tudo bem. — Ele respondeu, depois que eu tirei meu dedo de seus lábios.

Nos encaramos por mais um momento, a música tocando. Senti as mãos dele subirem pelo meu tórax, até ele alcançar meu pescoço. Me assustei com toda aquela iniciativa, mas gostei. Ele envolveu meu pescoço com os braços, puxando minha face para baixo e ficou nas pontas dos pés. Me encarou por um instante, e depois virou o rosto, dando um beijo longo na minha bochecha barbada.

— Obrigado, meu gigante. — Ele murmurou no meu ouvido, e nos separou, dando um passo para trás. Ele se agachou para pegar seu chapéu, e o colocou na cabeça, de forma natural. Deu um sorriso pra mim novamente, e eu só o encarava. — Olha, é melhor a gente descer, o pessoal...

Foi nessa hora que eu perdi o controle. O puxei novamente pros meus braços, de forma delicada, e dei alguns passos para o lado, onde estava mais escuro. Não tinha muita certeza do que estava fazendo, mas deixei o álcool me levar. Encostei o pequeno contra a parede, e ele me olhou assustado, com as mãos em meu peito.

Aproximei nossos rostos, e mantive minhas mãos na cintura dele. Fiquei assim por alguns momentos.

— Você é um rapazinho muito desastrado. — Eu resmunguei, me aproximando mais dele, que respirava de forma levemente ofegante, segurando minha camiseta com força. Mantive meus olhos nos dele. — Pequeno... — Me aproximei mais, até encostar nossas frontes. — E azarado... — Me aproximei mais, e fechei meus olhos, sabendo que ele faria o mesmo. Apenas encostei nossos lábios da forma mais leve possível, e movi meu rosto, roçando aqueles lábios macios nos meus, apertando sua cintura fina e macia, e sentindo suas mãos arranharem meu peito. Separei nossos lábios ofegantes. — E que vai sempre precisar de mim pra cuidar de você. — Completei baixinho, e me aproximei novamente, num beijo profundo e quente.

Com certeza eu ia me arrepender daquilo no dia seguinte. Mas naquele momento, nenhuma sensação poderia ser melhor que aquela.

Nos beijamos lentamente, o melhor beijo que eu já dera. Ele tinha um gosto de bebida e cigarro na boca, mas eu gostava. Sua língua era carinhosa e hábil, explorando a minha boca com a mesma intensidade que eu explorava a dele. Apertei a cintura dele, e subi uma mão, agarrando a nuca dele, derrubando novamente o chapeuzinho. As mãos dele apertavam meu peitoral, e depois subiram, envolvendo meu pescoço. Era um beijo carinhoso, diferente dos que eu estava acostumado a dar, cheios de luxúria e desejo. Esse era tranquilo, carinhoso, mas também, claramente excitante, tanto que eu senti alguém despertando entre as minha pernas.

O beijou durou até bastante, sempre controlado e carinhoso. Eu liberei seus lábios por um momento e me inclinei, beijando a curva do seu pescoço, querendo esquentar as coisas. Cotter se arrepiava muito, e tentava se afastar, mas eu não deixava. Ele apertava os dedos em minha nuca, enquanto se arrepiava e soltava pequenos gemidos. Pelo jeito, eu achara uma zona de perigo.

— Que droga estamos fazendo hein? — Ele ofegou com dificuldade em meu ouvido. Eu o agarrei pela cintura e o levantei com facilidade, prensando-o contra a parede com meu corpo, fazendo-o ficar da minha altura. Por reflexo, ele envolveu meu pescoço e agarrou meu corpo com as pernas. Dei um beijo quente e rápido nele.

— Não sei, não quero pensar sobre, mas sei que está muito bom. — Disse, e o beijei novamente, dessa vez com mais desejo. Deus, aquilo era bom, aquele carinha beijava bem.

Aprofundamos o ritmo do beijo, e quando eu percebi, já estava duro. Quando o prensei mais forte contra a parede, também senti o membro de Cotter contra meu corpo, e ele deu um gemido sufocado. Fiz mais uma vez, gostando do som, e ele gemeu novamente, mas separou nossos lábios repentinamente, puxando minha nuca para trás, e virando o rosto.

— Deus, o que estamos fazendo. — Ele parecia repentinamente confuso. — Edmure, é melhor eu ir. — ele me empurrou levemente, e finalmente a minha ficha caiu.

Eu estava beijando um cara. E ainda por cima, o cara que eu mais detestava até uma semana atrás.

O observei pasmo, enquanto ele pegava seu chapéu no chão.

— Desculpe pela camisa... — Ele murmurou mais uma vez, enquanto se afastava, com uma expressão confusa no rosto, e a mão sobre os lábios. Ele desceu as escadas rapidamente, e eu fiquei ali, sozinho.

Droga, eu tinha beijado um cara.

Tudo culpa do álcool.

Notas finais
OEEEEEEEEE
Espero que tenham gostado! Próximo capítulo, espero sair até o fim de semana, maaaas, não prometo. Espero que deixem reviews, eu quaaaaase parei a fic dessa vez, mas me empenhei pelos leitores que tenho. Muito obrigada a todos!
Gostaram do beijo? Mas as coisas vão complicar hahaha.
Até mais galera!