Fascínio e Matrimônio
6 Motivos
Notas iniciais
Ao contrário do que havia acontecido dois meses atrás, Rosinha desembarcou na Rodoviária de Vila Abobrinha sem ninguém à sua espera. Na verdade, havia sim uma única pessoa conhecida lá; era a sua amiga de infância Maria Cafufa, que trabalhava no quiosque de doces juntamente com outra amiga de infância, Ritinha.
— Ih, olha lá, Maria; não é a Rosinha?
- É verdade... o que será que aconteceu com ela? Ela não deveria ter ido ao Canadá com o Genesinho?
- Vai ver, se desencantou com as modernidades e voltou. Pode perceber que ela está feito cachorro com o rabinho entre as pernas.
Realmente, Rosinha estava cabisbaixa, envergonhada, arrependida. Ela sentou no banco de concreto da rodoviária e ficou olhando para sua mão esquerda, onde estava a aliança que Genesinho havia colocado em seu dedo anelar.
- Então quer dizer que acabou o fascínio pela cidade grande, é? — disse dona Birosca, fofoqueira de plantão, ao ver a filha de dona Rosália triste no banco da rodoviária.
Rosinha ouviu e não teve coragem de levantar o rosto. Pegou a aliança e jogou o artefato em direção ao quiosque de doces das amigas.
- Ritinha, fique aqui no quiosque. Vou lá falar com ela.
Assim que Maria Cafufa sentou-se ao lado da Rosinha, perguntou:
— O Genesinho te largou no aeroporto?
Rosinha fez um sinal positivo com a cabeça.
- Sempre te avisamos que aquele almofadinha era um calhorda. Mas você quis trocar uma pessoa que sempre te amou (Chico) por um que sempre teve dinheiro...
Rosinha tomou coragem e disse, no meio de alguns soluços e algumas lágrimas:
— Você quer saber o porquê de eu não ter esperado o Chico? Por favor, chame a Ritinha. Tenho a certeza que ela também irá querer saber.
A moça loira de olhos azuis filha de alemães chegou ao lado da amiga recém-regressa e ouviu atentamente.
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Logo após que Chico Bento foi para Ourinhos para o último ano do técnico agrícola, Rosinha recebeu a visita de Genesinho, na loja de roupas onde ela trabalhava meio expediente, no centro de Vila Abobrinha.
- Então, Rosinha; você vai mesmo se casar com o Chico assim que ele retornar de Ourinhos?
— Claro que vou! Ele me pediu para esperar que ele retornaria, com o curso técnico concluído e um trabalho garantido aqui na Vila Abobrinha!
— Nossa, que porcaria... viver mais ainda aqui na Vila Abobrinha?
- Fazer o quê, é onde nós sempre vivemos...
- Rosinha... eu sei que você só visitou a capital paulista poucas vezes, indo para a casa da sua madrinha. O que você me diz de morar fora deste fim de mundo, fora do país? Conhecer o primeiro mundo, pessoas ricas, onde tudo é moderno e novo?
- Genesinho, não sei... isso tá muito longe de mim...
- Nada que uma passagem de avião não resolva. Você iria comigo para o Canadá? Tenho duas passagens, mas elas só valem se você se casar comigo.
Nisso, Rosinha ficou balançada. Historicamente, ela sempre foi fascinada pela vida na cidade grande. E sempre esteve insatisfeita por ser filha de dois roceiros e morar a mais de 500 km da capital paulista.
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