Fantasy through the looking glass
3 Se habituando
No salão do banquete havia uma lareira acesa e em cima dela a cabeça de um leão empalhado como se fosse um troféu, o que fez Charllote estremecer um pouco. Ainda perplexa com tudo, observava o local sem prestar atenção nos outros.
— Menina! Deve estar com fome! Sente-se, vamos! – Disse seu tio Bran que sentava na cabeceira de uma mesa gigante. Assim que Charllote olhou para a mesa e viu um leitão assado, seu estomago urro. Ela correu até a mesa e puxou uma coxa do animal devorando –o com a mão sem se preocupar com as boas maneiras. Uma taça cheia de néctar de laranja estava ao seu lado e ela dava grandes goladas. – Gostei! Essa menina come bem! Como uma guerreira! – Disse seu tio bonachão dando gargalhadas, sua barba estava cheia de pedaços de comida.
— É...estou vendo... — Disse um jovem olhando Charllote dos pés a cabeça. Sendo uma voz desconhecida, Charllote olhou para frente e viu o rapaz. Alto, forte, uma pele morena e um sorriso de canto que deixaria qualquer garota derretida, menos a Charllote, no momento só se interessava na refeição.
— Oh, me desculpem pela falta de educação... – Disse a jovem limpando a boca com o guardanapo. Estava tão envergonhada que parecia um tomate de tão corada.
— Não se preocupe minha querida, sabemos que com a viagem que você fez estaria com muita fome. E então, como está o gosto do leitão? – Disse seu tio sorridente com as mãos na pança.
—Está delicioso. – Disse Charllote com um sorriso envergonhado deixando escapar um pedaço de carne preso em seus dentes.
—Ahn...Tem uma coisinha presa no seu dente... – Disse o jovem rapaz apontando para Charllie.
— Que?! Ai meu Deus, que vergonha... – Disse Charllie com o rosto escondido atrás do guardanapo tentando tirar o pedaço de carne entre os dentes.
— Sobrinha, este aqui é meu filho Clark, já tem 18 anos. Um exímio guerreiro! Seu primo! – Disse titio Bran dando tapinhas nas costas do filho, que dava um leve sorriso.
— Ah...oi...sou Charllote Elizabeth. – Disse a mocinha.
— Eu sei bem quem você é. – Disse Clark com um sorriso de canto, que deixava Charllote um pouco amedrontada.
Após a refeição, Charllote foi até a varanda do salão do banquete e ficou olhando a paisagem. As propriedades de seu tio eram enormes. De repente, Clark aparece ao seu lado.
— Já conhece as terras de meu pai, princesa? – Perguntou Clark.
—Não seriam as terras do meu pai?- Ela perguntou
— Também...mas enfim, gostaria de conhece-las melhor? Posso mostra-la o jardim que temos nos fundos.
—Pode ser... – Antes que os dois saíssem da varanda, o gato Mark aparece num pulo em frente aos dois, assustando Charllote, fazendo-a dar um pulinho pra traz. – Ui! Mark...nunca mais apareça assim, quase me matou de susto. Ignorando a fala da garota, Mark diz:
— Está tarde princesa, fizemos uma longa viagem e você precisa descansar...sem falar que está muito tarde pra você sair por aí sozinha. – O gato olhou para Clark com um olhar de reprovação.
—Ah, mas eu não estava sozinha, o Clark me levaria para dar um passeio e conhecer as terras de meu pai.
— Creio que você poderá fazer isso amanhã de manhã. Em minha companhia. – Retrucou o gato.
Tanta coisa tinha acabado de acontecer com a jovem de 16 anos que no momento ela nem estava em condições de questionar. Sua dama de companhia Helga chega para acompanha-la até o seu quarto. Charllote se despede de seu primo Clark e do Gato Mark e segue com sua dama de companhia.
— Estranho esse Clark... – Disse Charllote. – Ele me dá um pouco de medo...
—Mas ele é tão formoso... – disse Helga, fazendo Charllote olhar para ela com um sorriso engraçado.
—Hum, não digo é nada viu... – Charllote entra em seu quarto e se joga na cama. Helga tira seus sapatos e desamarra seu vestido.
—Princesa...precisa colaborar, vamos, tire essa roupa e coloque uma camisola para dormir. – Apareceu a coelha Dalila com um pulo em sua cama.
—To com sono...e preciso acordar desse sonho logo...nada faz sentido... – Diz Charllie com uma voz sonolenta e os olhos já fechados.
— Mas isso não é um sonho... – Disse Dalila, mas vendo que Charllote já não a respondia, deu um suspiro e deixou que a dama de companhia Depois que Helga apaga todas as velas e deixa apenas a lareira acesa, Charllote se ajeita na cama e abraça Dalila com força. Tudo que ela precisava era de descanso e de um choque de realidade. Uma realidade bem anômala...mas essa era a verdade.
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