Fantasiverden
1 Prologue
Notas iniciais
O capítulo foi revisado por mim, mas eu posso ter deixado passar coisas. É só me avisar.
Boa leitura X3
O céu tipicamente cinzento se elevava sobre a sua cabeça, e as copas das árvores eram tão altas que ele nem ao menos se via capaz de enxerga-lo. A neve cobria tudo o que podia de branco, como se estivesse a tentar vestir o bosque de noiva. O frio congelava seus sentidos, ele ajeitou o cachecol no seu pescoço e esfregou as mãos, fazendo suas luvas roçarem uma nas outras. Olhou ao redor mais uma vez, como quem ainda não desistiu, logo depois balançando a cabeça resignadamente. É, estava completamente perdido. Encostou-se num dos carvalhos, deslizando as costas pela casca grossa da madeira até deixar-se sentar na neve vagarosamente. Ele não fazia ideia do que fazer, já havia andado por horas naquela mata confusa, e se não houvesse uma marca feita por ele mesmo na árvore encostara, nem notaria que havia retornado ao ponto de partida. E não conseguiu encontrar uma única alma viva que pudesse lhe indicar o caminho de volta para a civilização. Mas não desistiria, porque o dinamarquês era extraordinário demais para ter a palavra desistir no dicionário. Levantou-se com hiperatividade e abriu um sorriso gigante, pronto para recomeçar uma longa caminhada pela floresta até que escurecesse ou, na melhor e mais improvável das hipóteses, encontrasse o caminho de volta.
Antes que pudesse dar o primeiro passo, pressentiu uma presença atrás de si, congelando os movimentos e virando-se para encarar seja lá o que fosse. Era um jovem, parecia mais baixo que ele. Tinha fios curtos, num tom claro de loiro e um prendedor em forma de uma cruz nórdica ornamentava a lateral de seus cabelos, seus olhos transpareciam uma coloração azul indolente e a pele tinha cor de leite. Sua expressão era completamente inexpressiva e sua reação não mudou, ou ao menos pareceu não mudar, ao notar a pessoa parada em sua frente – que, aliás, em sua opinião, sustentava um sorriso ridiculamente idiota no rosto. O dinamarquês parou onde estava de pé, seus olhos brilhavam de excitação e o sorriso que abrira era realmente colossal, ele parecia tão maravilhado que alguém poderia julgar que esse era o seu primeiro contato com outro ser humano em anos. O tal ser humano, no entanto, não podia estar menos interessado na presença do homem e continuou a caminhar como lhe convinha, ignorando-o como podia e encarando o outro como se ele fosse uma pedra, ou algo tão insignificante quanto uma.
– Hey! Espere! Um momento! Parado aí! Me espera! – Mathias implorou insistentemente, embora aquele que chamava continuasse andando e mantivesse uma expressão neutra. – Você é daqui?! Você precisa me ajudar! Eu estou perdido! Você nem vai acreditar, na verdade é uma história bem engraçada! Eu sou recém-chegado na cidade e estava explorando o local quando do nada-.
Ele havia iniciado animadamente sua narrativa, quando foi interrompido bruscamente pelo outro que cessou o andar e virou o rosto para encará-lo, ainda não demonstrando nenhuma emoção, embora uma discreta veia pudesse ser vista saltando de sua testa, mostrando sua clara irritação. Cruzou os braços e ergueu levemente a cabeça para encarar Mathias.
– Calado. Você está me irritando.
O norueguês pontificou com a voz firme e impassível, como se aquilo fosse, de fato, calar o outro.
– Ah! Eu entendi o que está acontecendo aqui. – O mais alto respondeu, abrindo um sorriso no mínimo desafiador e tomando fôlego para exclamar de uma vez só. – Aposto você também está perdido, né?! Eu acertei, não foi?! Eu entendo que deve ser uma vergonha para um local se perder nas suas próprias terras. Não tem problema, vamos escapar dessa floresta esquisita juntos! E não se preocupe – segredou ele, aproximando-se do menor para lhe sussurrar ao pé do ouvido – Não vou contar pra ninguém!
O norueguês afastou o corpo do mais alto imediatamente, em seguida, simplesmente começou a apertar firmemente o nó do cachecol vermelho que o último usava, esse perdendo o ar e começando a rir escandalosamente enquanto se engasgava por conta do ato referido. O loiro deixou a força exercida diminuir gradativamente, até soltar o homem de vez e deixá-lo recuperar o fôlego e então, eventualmente, recomeçar sua risada escandalosa. Honestamente, era o tipo mais irritante, demente, narcisista e tolo que já conhecera. De qualquer forma, não poderia deixá-lo morrer ali (nunca que a besta quadrada iria achar o caminho de volta para a cidade sozinha). Até porque aquele era o seu lugar sagrado. Não permitiria que o seu santuário imaculado fosse perturbado pela presença irritante daquele ser. No fim das contas, ele acabou guiando o outro de volta para a cidade, ainda por cima apontando o caminho para a pousada onde este disse morar, tendo em vista que ainda não era capaz de andar dentro da cidade.
– Ora, vejam isso! Parece que você realmente sabe como vir para a cidade.
Comentário ao que apenas rolou os olhos em resposta. Bufou pesadamente, sendo capaz de ver a própria respiração devido ao frio, acenou brevemente e deu meia volta como quem finalmente se livra de um fardo muito pesado.
– Hey! Vai voltar pra lá? Mas está escurecendo!
Ele o ouviu gritar energeticamente em plenos pulmões, para evitar que fosse ignorado; como parecia ser um costume para o menor. O céu cinzento se tornava cada vez mais escuro sobre a cabeça deles.
– Cuide da sua própria vida, idiota. – Ele disse, sem se incomodar em voltar o rosto para Mathias – E não grite desse jeito.
O dinamarquês assistiu a figura do seu “salvador” se afastar, até sumir por entre as árvores cobertas de neve. Isso pode parecer estupidez, mas ele permaneceu estancado bem onde estava. O céu se tornou completamente escuro, mas Mathias permaneceu ali, encarando o ponto aonde viu o outro sumir com um olhar tão vago que nem parecia ser ele mesmo. Sacudiu a cabeça e abriu outro grande sorriso. Não era como se ele fosse voltar se o esperasse, não é mesmo? Entrou na cidade correndo, querendo chegar o mais rápido possível na pensão onde estava hospedado. “Droga! Eu esqueci completamente de perguntar o nome dele!” Pensou, ao notar que ele também não havia se apresentado devidamente. Aquele norueguês transpirava mistério por todo o seu ser, ele o fazia arder em curiosidade. Não havia nenhum mal em tentar saciá-la, correto? Só queria saber mais sobre a pessoa que o ajudar e o salvara de, inevitavelmente, passar a noite congelando e perdido numa floresta.
Mal sabia Mathias Køhler que ele estava prestes a se envolver no relacionamento mais profundo e de proporções mais fantásticas, nos vários sentidos da palavra, de toda a sua vida.
Notas finais
Eu sei que o prólogo não é grande coisa, mas começa a ficar interessante a partir do próximo capítulo.
Todos os capítulos, com a exceção do prólogo, serão narrados ou unicamente pelo Lukas, ou pelo Mathias. Isso começando pelo próximo, que é no ponto de vista do Mathias e assim por diante.
Cruzando os dedos para não ter deixado ninguém OOC *medo* Então, acredito que é isso.
Beijos, Lirium-chan.
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