Família Roronoa

2 Capítulo 2 - Ascensão ao inferno


Notas iniciais
No capítulo anterior os aspirantes a espadachins começaram sua jornada. Durante a atravessia do campo mortal, alguns explodiram ou foram devorados (vai saber?). Os que chegaram ao pé da montanha já estavam exaustos. Uma velha anciã (talvez maluca) deixou as instruções do próximo teste em forma de charada. Prontos para mais desafios, crianças?! ~Estamos, capitãaao! -qqqq~

(...) A anciã então jogou as katanas no chão e se virou, dando a entender que estava de partida, ela gritou: cof* cof* JÁ PO-cof* cof* POD- cof* cof* PODEM IR!

A velha sumiu e todos, ainda cansados da corrida mortal, se entreolhavam confusos. Foi quando um menino de cabelo espetado falou: Escutem, eu não entendi o que a obaa-chan disse, alguém pode me dizer?

Bem, - respondeu um garoto ruivo, ofegando — pelo que entendi, vamos ter que trabalhar em equipes... Ela disse que a partir de agora não poderíamos deixar nossos nakamas para trás.

Em equipes? Até parece! Já contou quantas katanas a velha jogou no chão? - falou irônico, o mais alto dos garotos — CONTE! Só tem cinco! Isso é metade de dez, GÊNIO!

Acho que o porco-espinho está certo -respondeu o mais baixo entre eles- Preste atenção, a resposta está naquele maldito haikai*

-QUEM VOCÊ TÁ CHAMANDO DE PORCO-ESPINHO!? JÁ SE OLHOU NO ESPELHO? ONIGIRI!

Eu estou tão cansado que nem lembro o que a velha disse. — falou o ruivo , tentando se levantar — O que dizia o haikai?

Uma menina de cabelos negros entrou na conversa: Meninos e suas cabeças de algas... o haikai dizia assim:

São quatro pernas, quatro braços e duas cabeças,

Roube a arma que lhe falta,

Mate a outra besta e vença.

Nossa, você consegue se lembrar? Nada mau para uma menina... — falou o mais alto.

O que quer dizer com isso? -a menina virou-se, tinha uma áurea negra em sua volta, o que fez todos sentirem arrepios.

NADA! — responderam em conjunto, agitando os braços.

Éerr... — continuou sem graça o cabelo-espetado — mas o que isso quer dizer?

Eu não sei — suspirou a menina.

Todos ali começaram a pensar, com o pouco de força que lhes restavam. Passaram cerca de 1 hora tentando adivinhar aquele enigma. E sol torrava suas cabeças.

De repente um menino que até então estava calado gritou: POR QUE NÓS NÃO SUBIMOS ESSA MALDITA MONTANHA DE UMA VEZ? QUEM LIGA PRA O QUE A VELHA DISSE?

Porque queremos nos tornar guerreiros e não bárbaros. Por algum motivo temos que decifrar isso antes da subida. Se você tentar subir antes disso ser feito, vai morrer aqui mesmo — falou num tom ameaçador um garoto que estava mais distante do grupo. Depois disso, todos retornaram a seus pensamentos.

Até que um menino muito magro quebrou o silêncio: Acho que vamos trabalhar em equipes, quero dizer, em duplas. Uma dupla corresponde as duas cabeças, quatro pernas e braços, certo?

Todos ficaram impressionados com aquela dedução, fazia muito sentido. Mas isso foi tudo.

Isso também resolve o problema das katanas. — pensou o alto, olhando para o topo do monte.

Impossível. E aquela história de não deixar os nakamas para trás a partir de agora? – indagou outra menina, confusa.

Esta é a graça do jogo – sorriu, malignamente o menino de cabelos espetados, enquanto falava, parecia gostar da ideia – Nós vamos nos matar, mas teremos que proteger quem estiver conosco. Quem estiver desarmado ficará a mercê de seu protetor, e quem estiver com a katana tem mais chances de morrer, afinal, os outros terão que roubar arma dele, certo? HAHAHA. E, se não conseguir pegar outra katana, a própria dupla vai brigar, afinal, são cinco katanas para os cinco vencedores, não é mesmo? HAHAHAHA.

Você só pode estar louco! – gritou a linda menina.

Ele está certo. – replicou o ruivo, suando frio.

Que ótimo, só ressaltando aquilo que todos já sabíamos: Nós vamos morrer. – falou o mais baixo – Mas, deixando o óbvio de lado, quem serão as duplas? Temos que fazer isso de modo justo!

Vamos escolher de acordo com a data de nascimento. Os mais velhos escolhem primeiro. – falou o ruivo, contando com a sorte.

A partir disso formaram-se as seguintes duplas:

O ruivo com o menino que havia borrado as calças, a menina de cabelos pretos com o mais baixo, o de cabelo espetado com o franzino, o menino misterioso que ficou distante de todos até então com a menina bonita, e o mais alto e lente de todos com a menina que parecia já estar morrendo. Nenhuma menina ficou com a katana, pois os garotos tinham certeza de que se dessem as armas para elas, eles morreriam.

Todos saltaram em direção à montanha. Vista de perto, ela era muito maior e parecia ser difícil escalar aquela parede íngreme. Havia muitas rochas e árvores que pareciam estar prestes a cair, mas, todos só conseguiam pensar em chegar ao topo e vencer, eles não mediriam esforços para isso.

Subiram com uma velocidade que uma pessoa normal jamais conseguiria, mas isso não era nada para aquelas crianças nascidas em Shimotsuki. Rapidamente, as duplas se dispersaram, cada um deveria conseguir mais uma katana, para isso, precisavam de um ataque surpresa ou qualquer coisa assim.

O nakama do ruivo estava sem katana, e, de todos, ele era o mais covarde. Por isso, ele era um bom estrategista.

- Vamos subir o máximo que pudermos, então poderemos usar as rochas soltas a nosso favor, esse deve ser o jeito mais fácil de conseguir outra arma! – disse o menino cheio de medo.

- Não, nós somos espadachins! Temos que lutar como guerreiros de verdade, uma luta justa, sem trapaças!

- Não seja idiota! Você só está falando isso porque pode se defender! Faça o que eu te disse e depois você pode lutar “justamente” com qualquer um!

- Eu não vou faz--- nessa hora, o menino viu enormes pedras despencando sobre eles – CUIDADO!!!!!

Eles desviaram a tempo, mas uma das pedras bateu no braço direito do menino ruivo, ele gritou de dor. –AAAAAAAAAAAAH! DROGA! Que merda é essa?!

- É nisso que dá querer ser bonzinho e justo. Acho que outra dupla já está na nossa frente. QUERENDO NOS MATAR!!!

- Eles são uns ratos!! IGUAIS A VOCÊ!!!

- Cale a boca, cabeça vermelha! Você está com a espada, prove agora o quanto você é bom!

- Seu idiota, eu não posso vê-los! Como vou lutar contra eles?! – enquanto os meninos discutiam mais pedras e troncos de árvores caiam sobre eles, que desviavam com dificuldade.

- CORTE AS MALDITAS PEDRAS! ABRA O CAMINHO COM A KATANA!!!

O menino nem chegou a tirar a katana de sua capa, pois um de seus braços estava ferido, ele apenas parecia tocar as pedras com a ponta da espada, e elas se partiam ao meio. Enquanto ele quebrava os obstáculos o covarde se protegia impressionado com a técnica de seu companheiro. À medida que eles corriam para cima a chuva de pedras parecia aumentar.

Um pouco mais abaixo deles, estava uma menina de cabelos pretos e um menino baixinho, eles também foram atingidos por algumas pedras, mas como elas já estavam quebradas, eles conseguiam desviar facilmente.

- Que merda é essa? Uma chuva de pedras? Devemos estar próximos de alguém.

- Vamos andar mais rápido, se chegarmos um pouco depois da luta, será mais fácil conseguir uma espada para mim.

- Essa é uma boa ideia. Que bom que você é minha dupla, apesar de ser uma mulher...

- Seu idiota, se eu estivesse com a espada não precisaria disso. O problema é que você é fraco demais para lutar com alguém que não esteja quase morto.

~ há uns 100m de distância, do lado esquerdo da montanha, havia outro par de guerreiros ~

- Está ouvindo esse barulho porco-espinho?

- PARA DE ME CHAMAR ASSIM!!! Já falei que meu nome é ---

- SHHHHHHHHHHH! Pare de gritar. Olhe, logo a nossa frente está aquele cara alto e aquela menina zumbi.

- VAMOS LUTAR CONTRA ELES!!! – o menino tomou ar, e gritou o mais alto que pôde- EEEEEEEEEEEEEI, VOCÊS!!! ESPEREM AI! VAMOS LUTAR!

- O que você está fazendo, idiota?!

Ao ouvir os gritos daquele menino, imediatamente, o portador da katana virou-se para trás e parou, esperando seu oponente.

- Eles pararam!! BAKA! BAKA! BAKA! Por que você fez isso?!

- Porque quero lutar, não é óbvio?

O menino magrinho estava morrendo de medo “estou desarmado, se esse idiota morrer, eu vou morrer também” pensava, com lágrimas nos olhos: (Y_Y)

- Você quer mesmo lutar contra eles? – falou, pela primeira vez, com voz de cansada.

- Não sabia que você falava, Chibi-chan** – sorriu simpático o rapaz alto.

- Esse não é meu nome. Não quero mata-los. – continuou ela, bocejando.

- Mas temos que tomar a arma deles, acha que eles não vão lutar?

- Lutar cansa. Tenho uma ideia melhor, vamos pegar a katana deles e deixa-los vivos, depois eles arrumam outras espadas.

- Acho que você está delirando, deve estar mesmo doente.

- Aposto uma katana – seu semblante mudou.

- Apostado.

Notas finais
Desculpe a demora, estava sem tempo devido a minha vida estudantil, mas agora tô de férias e vou escrever bastante! ~(^3^)~
Por: Conis-chan

*Hakai: forma de poema japonês (lógico que eu não consegui fazer um haikai mesmo pq é mt hard, mas não se apeguem a detalhes)
**Chibi-chan: Chibi é uma forma de desenho japonês, também sinônimo de pequeno, baixo, miúdo; chan é uma forma de tratamento utilizada, geralmente, para mulheres.