Notas iniciais
Oie! Estou aqui pra começar mais uma Fic. Espero que essa eu consiga terminar...
Bom, se vocês gostarem, comentem! :D

Me peguei pensando no dia de ontem. Será que John realmente conseguiu encontrar algo? Bom, o John é o John, e o John sempre consegue o que quer. Ah, você me entendeu, né? Ele dissera que um amigo de um amigo de um caçador conhecido sabia de algo sobre a “minha espécie”. É claro que ele não sabe o que sou, ele acha que sou apenas uma caçadora atrás de um alfa. Ta bom, o John não é tão esperto assim. Pelo menos eu acho...

– O que deseja, senhorita? – Perguntou o garçom gato da lanchonete de Price, Utah.

Serve você?

– Um café e um prato de waffles com morangos e caramelo. – E um pouquinho de você por cima...

– É pra já.

Ele saiu e eu fiquei observando descaradamente sua bela vantagem na parte de trás. Aquele ali deveria ser um deus na cama...

– Com licença... – Um policial muito chato me tirou de meus devaneios. – A senhorita é Florence Kuper?

– Quem deseja? – Perguntei, irritada.

– William Ferris, gabinete do xerife. – Analisei seu distintivo. Conheço muito bem quando é falso, e o dele não é. Acenei para que ele continuasse. – Estamos investigando a morte de Silvia McLanne, poderíamos fazer algumas perguntas?

– Fazer as perguntas vocês podem, só não tenham a certeza de que serão respondidas.

Passei a conhecer meus direitos, tive muito tempo pra isso.

– Soubemos que você e Silvia eram muito íntimas, isso procede?

– Procede. – Meus waffles chegaram. Pena que eu não poderia observar novamente meu muso se afastando. Fiquei chateada e mais irritada com os policiais.

– Quando viu Silvia pela última vez?

– Na sexta-feira antes do acidente. Saímos juntas.

– Saíram pra onde?

– Assunto de foro íntimo. Próxima pergunta. – Disse sem expressão alguma e degustei um pedaço do meu waffles.

– A senhorita sabia que Silvia estava envolvida emocionalmente com um ex-namorado seu?

Coloquei educadamente o garfo sobre o prato e olhei bem na cara do desgraçado.

– O que isso tem a ver com a morte de Silvia ou comigo? Os senhores sabiam que se eu for uma suspeita, podem me prender, mas apenas se tiverem prova suficiente pra isso, não é? Agora, se me dão licença, gostaria de terminar a minha refeição em paz. Obrigada.

Os dois saíram e terminei meus deliciosos waffles. Deixei o dinheiro sobre a mesa e saí.
Fiquei um pouco abatida com o que acontecera com Silvia, mas já esperava por isso. Ela sabia muito bem onde estava se metendo quando conheceu Allan. Ele é um cara legal, mas é muito instável. Pulei fora quando soube que era um dos “escolhidos”, dá muito trabalho namorar com alguém que também é “diferente”. Os humanos normais são tão mais fáceis...

Entrei no meu Maverick 68 e dirigi até o motel onde John estava. Olhei novamente a mensagem que ele havia mandado. “Muitos São Otários, Quais Usam Tampax?”. Ah, John, sempre seus códigos óbvios! As primeiras letras dizem tudo. M(otel). Só precisei pesquisar os motéis com S e O. Só um em Price, o Super 8. Depois da vírgula é o Q(uarto), de acordo com as outras letras, número 13. Nem é tão complexo.
Bati na porta do quarto 13, ele abriu uma fresta da porta e a fechou novamente. O ouvi abrir as três trancas que estavam fechadas. Que motel tem tantas trancas?

– Entre. – Disse baixo.

Observei o local. Bem o estilo do John. Simples, mas eficiente. Havia bastante espaço nas paredes para seus mapas e fotos, três mesinhas abarrotadas de papéis e um pequeno armário com chave, onde, com certeza, estavam as armas.

– Cadê os garotos? – Perguntei curiosa, como sempre. Ele nunca falava a verdade, mas eu sempre perguntava. Ouvi falar que eles ficavam sozinhos em motéis, por semanas trancados, à base de salgadinhos, refrigerantes e sopas, quando eram menores. Sentia um pingo de pena, mas também sorte. Adoraria ter John como pai...

– Dean está em algum trabalho e Sam está de “férias”. – Senti um pouco de tristeza em sua voz ao falar do caçula, mas resolvi nem perguntar, caçadores não devem ter muita intimidade. Ele fechou a porta atrás de si e folheou um caderno pequeno, mais parecido com um diário. – Foi difícil de conseguir isso.

– Te devo uma.

Ele abriu o diário em uma página específica e me deu. Era uma letra bonita, mas desgastada. O diário parecia ter uns cem anos. Estava escrito: “Alfas de algumas espécies não podem ser mortos como seus descendentes. É preciso várias coisas a mais, que dependem de cada espécie. Em algumas pesquisas, descobri que alfas de Ghouls, Metamorfos, Shtrigas e Dragões podem ser mortos por uma coisa em comum: Sangue de demônio. Mas esta é apenas UMA coisa em comum. Para cada um, há outras coisas que devem ser acrescentadas.”

– De quem era o diário?

– Era de alguém com as iniciais B. P. – Ele me mostrou o final do diário, com as iniciais num canto da última folha.

B. P.
Conheço essas iniciais de algum lugar... Barbara Perina... Berbela Prina...
Barbela Pirra! Sabia que já havia ouvido esse nome. Só não recordo onde...

– Algum problema? – Perguntou John, preocupado.

– Não, nenhum... Posso ficar com ele?

– Claro, já anotei o que precisava dele.

Saí correndo até a porta.

– Muito obrigada! Te devo uma bem grande!

Voltei rapidamente pro meu carro e saí em disparada pra casa. O problema é que minha “casa” é beeeeeem longe de onde eu estava. Uns 275km, pra ser mais exata.
Clifton, Colorado, é uma cidadezinha bem pacata, mas ótima pra alguém como eu viver. Tudo bem que cidade pequena todo mundo se conhece e descobre todos os podres das pessoas, mas sei ser discreta. Mal conheço meus vizinhos e eles nem ligam pra isso. Nem sempre em todas as cidades pequenas todos devem ser amigáveis. Não que eu não seja, é claro que não.

Já era mais de duas horas quando cheguei em Clif. Fui direto pro bar da Jenna. Comi o de sempre, um Especial sem calabresa e uma sopa de cerveja preta. Não parece tão amigável, mas é muito boa.
Passei pelos dois sinais verdes, o que é muita sorte pra mim, já que são apenas os dois no caminho de casa e sempre os pego vermelhos, e cheguei bem rápido em casa. Quando entrei, Corina veio correndo se esfregar em minhas pernas, miando. Lhe fiz um cafuné e coloquei um pouquinho de leite em seu pratinho. Subi para meu quarto e, sem mesmo trocar de roupa, caí na cama e dormi até o dia seguinte.
Sonhos estranhos perturbaram minha noite, mas nem sequer acordei. Sonhava que meus irmãos e eu vestíamos túnicas brancas, como na Grécia antiga. Estávamos todos em um salão de baile com vários outros de nossa espécie. Passei ao lado de um espelho gigante, o que me fez parar e observar. Eu estava loira com os cabelos bem cortados na altura dos ombros, era um palmo mais baixa, mas, com certeza, não era mais nova. Caminhei mais um pouco, observando as outras pessoas no salão. Todos eram desconhecidos, exceto meus irmãos. Cheguei a uma mesa onde havia dez taças grandes de ouro, todas com iniciais. Passei os olhos por todas as taças, as dez iniciais eram familiares, mas uma em particular me fez paralisar. B. P.
Barbela Pirra. Ela deveria estar lá. Andei freneticamente pelo salão, procurando por ela, mas nenhum rosto me pareceu familiar. Quando resolvi desistir, ouvi uma voz masculina gritando:

– Barb! – Olhei em volta, procurando a origem do grito, que continuou. – Barbela!

Fiquei tão nervosa que comecei a deixar escapar algumas lágrimas. Virei-me novamente, mas dessa vez, não vi o outro lado do salão, e, sim, o chão do meu quarto.
Odeio cair da cama, principalmente quando isso atrapalha minhas descobertas em algum sonho.
Já era fim de tarde, então resolvi ler mais daquele diário. Tomei um banho e liguei o rádio. Fui verificar meus e-mails e vi que havia recebido um de algum desconhecido. Dizia:

“Florence, sei o que você é e também sou ‘diferente’. Gostaria de te encontrar. É claro que você não aceitaria um convite de um estranho, mas, para não parecer algo ruim, poderia ser em um lugar público. Estarei neste sábado, dia 14/05, na praça do centro da cidade, em frente ao Smith Café, às 10:00hrs. Ficarei lá até as 11:00. Espero que apareça.

L. K.”

L. K. Por que as pessoas amam usar iniciais? É tão frustrante...
Fiquei intrigada com o e-mail e como haviam descoberto quem eu era. Resolvi ir ao encontro, mas chegar mais cedo ao café e ficar observando tal do L.
Até lá, decidi continuar meus planos iniciais e ler o diário de Barbela Pirra. Como era de se esperar, comecei pelo começo. A capa de couro estava desgastada e, o ano e nome, ilegíveis.
Primeira página:

“Dia 01/01

Mais um ano começou e ainda não me lembro de nada. Gostaria de acabar com tudo isso logo, antes que aconteça novamente. Ainda não acredito que não consegui resistir. Odeio não ser forte o suficiente para derrotar isso. Pelo menos Irana ainda está comigo. Deus me ajude, se eu a perder também, estou morta viva.

Barb.”

“Dia 02/01

Fiz uma descoberta animadora neste dia. Irana e um amigo prepararam outra daquelas seções e descobriram que sou um dos dez da Primeira Geração. Dessa vez, continuei com o mesmo nome, mas não com o mesmo rosto. Novamente uma decepção. Não vejo a hora de a próxima seção estar pronta, mas creio que vá demorar. Tive novamente aquele sonho estranho onde estou em uma caverna com meus irmãos. Não entendo, será que foi uma das vezes que ‘mudei’? Fui convidada para mais uma daquelas festinhas chatas da prima Neda. Dessa vez, o tema será A Grécia Antiga e vai ser especialmente para mim e meus irmãos, por isso, sou obrigada a ir. Mas estou com um pressentimento bom sobre a festa e, como sempre, meus pressentimentos não falham.

Barb.”

A campainha tocou. Fechei o diário e o guardei na gaveta.

– Pois não? – Perguntei um pouco irritada pro homem na minha porta. Até que era bonitinho.

– Com licença, a gata é sua? – Perguntou, apontando para a gata cinza em seu colo. Olhei-a incrédula, era Corina.

– M-mas, ela estava aqui agora mesmo! – Disse entrando em casa e procurando pelo fantasma da gata. A dita cuja estava deitada no sofá. A peguei no colo e a levei para a porta. – C-como?

– É simples. – O homem me deu a gata que estava em seu colo, idêntica a que pegou do meu e, virando-a de barriga pra mim, mostrou o que estava errado. “A gata” que estava vivendo em minha casa, desde não sei quando, na verdade, era O gato. Mas era idêntico a Corina. Mesmas manchas, mesma cor dos olhos, só um membro que os diferenciava.

– Desde quando ela estava com você?

– Não faço idéia. Percebi quando “ele” não fez xixi no meu carro hoje, quando cheguei do trabalho.

– Muito obrigada. Pode parecer irresponsável, mas acho que eu não perceberia.

– Não há de que. Eu te entendo, eles são gêmeos!

– Você mora por aqui?

– Sim, sou seu novo vizinho. Meu tio faleceu e me deixou a casa como herança.

– Meus pêsames...

– Ah, não foi nada. Nem o conhecia. Só fiquei com a casa, pois era o único familiar...

– A gente se vê, então...

– Até logo.

Sorrimos um para o outro e entrei, dessa vez, com a verdadeira Corina. Não acreditei que nem havia percebido que não era a minha Corina.
Eu iria voltar para o diário de Barb, mas o sono bateu e subi pro meu quarto. Corina se deitou ao pé da cama e eu adormeci.

Acordei às oito e meia com meu despertador tocando. Estranhei não ter sonhado com nada, ou, pelo menos, não ter me lembrado do sonho.
Me troquei e saí, depois de deixar comida pra Corina. Ao invés de ir pra praça, fui direto para o café. Eram nove e meia quando me sentei em uma das mesas na janela. Pedi um café e fiquei espiando a praça durante uns quinze minutos, até algo fora dos meus planos aparecer. O dono do gêmeo de Corina entrou no café e, olhando em volta, me achou. Sorriu e veio em minha direção. Tudo bem que era um gatinho, mas tinha que ser aquela hora?

– Olá! – Disse, sorridente.

– Oi. – Respondi tentando ser educada.

– Como vai sua gata, a...

– Corina vai bem, e o seu gato?

– Willy vai bem também.

– Ah, legal...

Ele percebera que eu não estava muito bem pra conversar, então falou, finalmente:

– Depois a gente se vê.

– Até mais...

Acenei e voltei a olhar pela janela, mas era tarde demais. Já havia alguém lá, sentado ao banco com as costas viradas pra mim.
Deixei o dinheiro sobre a mesa e saí. Atravessei a rua e me aproximei cautelosamente do homem. Dei a volta no banco e parei de frente pra ele.

– Olá, Florence. – Disse o homem. Me lembrava dele de algum lugar. – Sabia que viria mais cedo. Pena seu vizinho ter atrapalhado sua “espionagem”.

– E quem é você?

– A pergunta aqui é: Quem é VOCÊ?

– Como assim, quem sou EU? Eu sou a Florence, como você mesmo disse.

– Okay, deixe-me reformular a pergunta. Quem você ERA?

Fiquei calada. Aquele homem era louco, ou o que?

– Sei muito bem o que você é, o que você finge ser e desde quando procura respostas para a sua “repentina perda de memória”. – Fiquei chocada, mal podia me mexer. – Ah, Florence! Te conheço melhor do que você a si mesma. Se quiser as respostas, posso te dar, mas preciso que me dê algo em troca.

– O-o que?

– O seu “vizinho gato”.

– Por quê?

– Quer as respostas, ou não?

Pensei por um momento. O que valia mais? Um vizinho que tem um gato igual ao meu, ou um cara que conhece minha vida inteira?
Apostei no cara.

– Tudo bem. Quer que eu o mate?

– O mais rápido possível. Depois, pode responder àquele e-mail que te mandei.

O homem foi embora sem falar mais nada. Só me restou ir pra casa para planejar um “acidente” pro meu vizinho.
Sei que parece horrível, mas se estivesse tão desesperado como eu, nem pensaria duas vezes antes de aceitar aquela proposta.

Mal entrei em casa, a campainha tocou. Girei a maçaneta e ele entrou, agitado, fechando a porta atrás de si. Se virou e olhou pra mim. Parecia desesperado.

– Por favor, Barbela, não me mate!

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem! :D