Fame
8 #08 Tantas brigas e finalmente uma glória
Notas iniciais
O dia seguinte do pouso do avião havia se passado. Kurt aproveitou para separar a roupa que iria para o evento com os patrocinadores e deixar tudo pronto para o que deveria ser seu melhor desfile até hoje. Aos olhos alheios, aquela era apenas mais uma passarela comum na qual Kurt já estava acostumado a desfilar, mas de lá tirariam os principais da conferência em Paris.
Para o Hummel o dia passou incrivelmente lento, Kurt tentava escolher quatro melhores modelitos para o desfile, coisa que a sua agente deveria fazer e não havia feito por algum motivo. Quinn estava distraída nos últimos dias e isso provavelmente teria um efeito negativo em sua vida profissional. Já Blaine aproveitou o dia para ir aos shoppings de Dublin acompanhado de Rachel e Quinn (para a infelicidade do moreno que não parecia ter gostado da ideia). Comprou algumas roupas para aquele fim de semana já que a companhia aérea havia conseguido despachar sua mala novamente.
Era a décima loja que entravam e Quinn e Rachel já não aguentavam mais tanta muvuca. Alguns paparazzis o seguiam, mas nada que Blaine se importasse até o momento, mas deveria. Após todos irem dormir, as notícias começaram a rolar pela internet. Boatos que as amigas dos modelos estavam namorando apenas para despistar a mídia sobre Kurt e Blaine se odiarem, para amenizar o clima. Alguns sites até tentaram estipular que as meninas estavam namorando para tirar a atenção de um possível affair entre os modelos, mas os fãs preferiram a história da briga.
Kurt acordou com o telefone tocando, deixando o castanho com um enorme mau humor logo pela manhã. Ainda de olhos fechados por conta do sono, alcançou o celular na cama e atendeu com a voz mais preguiçosa que poderia tentar não fazer.
– Pode falar, Quinn. — Sabia o toque da loira, era diferenciado.
"Por favor, não me odeie." Disse o outro lado da linha.
– Por que te odiaria? Não me diga que fugiu para a África e se casou com a Berry, adotando órfãos que antes serviriam de comida para o simba safari... — Falou brincando, não se tocando na gravidade que tinha o tom de voz de Quinn.
"Lembra quando você me contratou e me pediu para ser o mais discreta possível, porque as vezes os paparazzis podem ser maus?"
– Sim... — Kurt finalmente abriu os olhos, desconfiado.
"M-me desculpa."
– O que você fez dessa vez, Fabray?
[...]
"Bom dia, Be..." Rachel ligava para Blaine no mesmo momento que Quinn ligava para Kurt. A única diferença é que Blaine já estava acordado, e já havia visto tudo que estava espalhado pela internet.
– Rachel, eu juro que vou te matar! — Disse sem tom.
"Blaine..."
– Você não consegue ficar controlar suas mãos? Por que teve que colocá-las na saia da primeira mulher que você viu? E desde quando você... Desde quando você curte namorar mulheres? E Jesse? E minha carreira? — Perguntou de uma vez só, fazendo a morena morder os lábios do outro lado da linha. Ela e Quinn estavam no mesmo quarto de hotel, ambas grudadas no telefone tentando achar um jeito de resolver aquela saia justa.
"Blaine, me escuta! Eu recebi ligações, diversas hoje pela manhã. Aparentemente eles gostaram dessa ideia de rivalidade entre você e Kurt e
como não conseguiram contatar seu agente, porque ele estava dormindo e porque ele é você, me ligaram. Eles querem marcar uma reunião com você e com Kurt. Isso parece coisa séria, Blaine."
– Eu não vou me aproveitar de uma briga minha com Kurt para me promover, ainda me resta alguma dignidade, Rachel. — Blaine pressionou as têmporas no mesmo tempo que fechava o notebook em sua frente.
"Vocês não se odeiam na vida real? Tenta tirar algum proveito disso! Quinn recebeu uma ligação igual, já que ela é a agente do Kurt. Vocês poderiam tentar." Insistiu.
– Para as câmeras captarem o que todos estão especulando? Que nos odiamos e não conseguimos ficar no mesmo ambiente sem nos matarmos? Não. — Disse firme, sem ao menos ponderar a possibilidade.
"Pense, Blaine. Pense."
E antes que Blaine pudesse mandar a amiga ir pastar, a mesma já tinha desligado o telefone. O moreno achava a proposta de Rachel indecente! Quem faria isso? Blaine não era assim. Quem embarca na carreira de outra pessoa apenas para tirar proveito e se promover?
.:.
– Sam Evans... — Kurt disse de olhos arregalados ao ler o panfleto que continha a programação do desfile. O castanho não poderia acreditar que seu ex-namorado, canalha, traidor e todos os adjetivos ruins poderia estar ali, que Quinn não havia o avisado e que iriam se encontrar em alguns minutos.
Antes estivessem desfilando juntos para Kurt mostrar pra todos que era melhor que aquele cara, mas Sam não desfilaria apenas, era também um dos organizadores do evento. Sam escolheria quem abriria a conferência de Paris, e provavelmente não escolheria Kurt. Sentiu uma vontade enorme de desistir, de nem comparecer ao desfile. Finalmente quando estava ficando melhor de todas as feridas que o loiro havia deixado, finalmente quando estava acreditando que o culpado de tudo era Sam, o passado tinha que interferir em tudo.
A conferência de Paris seria o evento mais importante na vida de um modelo, e ser a abertura desse espetáculo era tudo que qualquer rapaz bonito queria, e Kurt viu isso ir embora aos poucos assim que soube que o voto de Sam seria um dos mais decisivos da noite. Se lembrou então dos boatos de Kurt odiar Blaine rolando na internet. Sam votaria em Blaine apenas para estragar a vida de Kurt, do jeito que sempre fez.
Se levantou da cama apenas porque havia prometido ao seu pai e sua irmã que tentaria ganhar, porque por ele ficaria ali por uma eternidade. A noite não demorou a chegar.
Flashes, tapete vermelho sendo estendido. Carrinhos de maquiagem sendo empurrados até o camarim, tecidos enfeitando o local. Na frente do hotel onde aconteceria o evento várias limusines. Os seguranças faziam um bom trabalho na entrada, impedindo fãs histéricos de adentrar ao local. Tudo até agora estava tranquilo, mas a multidão se exaltou quando certo carro preto parou na porta do evento e dentro dele saíram Blaine Anderson e sua acompanhante Rachel Berry.
Gritos eram escutados, mas ninguém conseguia decifrar o que as fãs tanto queriam falar. Blaine sorriu do jeito mais encantador e continuou andando até a entrada do hotel. Tinha um sentimento em si que aquele dia seria perfeito, sabia que, se sua carreira fosse dar certo, tudo dependia daquele dia. Estava com um pressentimento bom, sabia que alguma coisa boa iria acontecer ali dentro.
O próximo a chegar foi Kurt, escutando os mesmos gritos e berros das fãs. Kurt já estava acostumado com todo esse carinho e amor. Sorriu sem jeito para elas, agradecendo à todas em um aceno breve e continuou até a entrada do hotel. Quinn o acompanhava fora de seu traje de agente. Hoje ela era a acompanhante do Sr. Hummel. Já dentro do evento Quinn e Rachel se despediram dos acompanhantes e foram sentar juntas enquanto os modelos seguiam até o camarim.
Assim que chegaram aos fundos do desfile já foram puxados por profissionais para fazer cabelo, maquiagem e medição das roupas. Os modelos ainda não haviam se visto, mas sabiam que não demoraria muito até finalmente se esbarrarem pelos corredores apertados.
Kurt já estava pronto e se olhava no espelho antes de ir até a entrada do desfile. Respirava pesado e conseguia ouvir a algazarra ao lado de fora das cortinas, conseguia ouvir o dono do evento agradecendo à Sam Evans por ter tornado esse sonho realidade. Conseguia ver em seus pensamentos Sam com aqueles cabelos loiros e soltos dando um sorriso torto, capaz de tirar o chão de qualquer um. Kurt não estava apaixonado, era apenas um efeito que Sam fazia nas pessoas.
– Você consegue, por que esse nervosismo? — Dizia silenciosamente para si mesmo no espelho. — Você é ótimo no que faz, você é o melhor modelo daqui, e o voto de Sam não importará porque todos os outros jurados irão votar em você. — Arrumou sua boina, deu um último suspiro e caminhou para fora do camarim.
– Blaine, essa é sua chance. — Blaine dizia enquanto arrumava a gravata em frente ao espelho. — Você esperou sua vida inteira por isso, você precisa se destacar. Todos aqui podem ser melhores e mais experientes que você, mas você tem algo que eles não tem. Coragem e força de vontade. — Sorriu para si mesmo, terminando o nó na gravata e foi até a cortina.
Foi a primeira vez no dia que Kurt e Blaine se viam. Foi apenas olhar um para o outro para seus pensamentos embaralharem. Sabiam que um dos dois ganharia, os outros modelos não tinham nem chance perto dos dois maiores da atualidade, agora só faltava saber quem. O Anderson ou o Hummel.
Foi Andy, o assistente do Mr. Porter (dono da coleção) que chamou a atenção dos rapazes. Era hora de entrar no palco. Kurt e Blaine se completavam de um modo estranho e pareciam que as roupas foram escolhidas exatamente para isso. Com a música de fundo, os modelos entraram no palco ao som de aplausos. Kurt tentou ignorar a parte de seu cérebro que dizia para olhar para Sam e sair correndo e conseguiu. Colocou sua melhor feição no rosto e continuou a desfilar. Blaine parecia que havia nascido para fazer aquilo, quem faz o que ama geralmente é bom nisso.
Os dois modelos disputavam os flashes durante seu desfile. Duraram alguns segundos, mas a química no palco entre os dois duraria meses na boca dos comentaristas que ali observavam. Sam deixou-se cair o queixo ao ver seu ex-namorado desfilar. Parecia tão maduro, tão cheio de si... Droga.
A correria atrás daquelas cortinas era imensa. Os modelos se empurravam para entrar dois de cada vez. Kurt e Blaine haviam acabado de sair da passarela e já correram pegar seu segundo modelito do dia. Boatos percorriam os camarins de que Mr. Potter havia escolhido à mão a roupa dos dois rapazes e se recusou a mudar os modelitos. Blaine vestiria peças de tons castanho avermelhados e borgonha, enquanto Kurt vestiria tons branco fumaça e cinza fosco, estranhamente completando um ao outro.
Poucos segundos depois da primeira desfilada, Kurt e Blaine entravam no palco novamente. Blaine envolto com plumas e Kurt envolto com lantejoulas que brilhavam conforme o flash das câmeras. Quinn e Rachel estavam sem ar ao ver aquele desfile. Os comentaristas não anotavam nada que não fosse sobre a performance de Blaine e Kurt sobre o palco. Aquele seria o desfile do ano se não fosse a Mostra de Paris.
Assim continuou pelos próximos quarenta e cinco minutos. O desfile foi um sucesso. O coquetel foi servido enquanto a comissão contadora julgava os modelos. Mr. Potter não poderia estar mais feliz com a repercussão do evento e correu até o camarote falar com Kurt e Blaine, que agora vestiam suas roupas.
– Meninos, vocês foram... Não consigo achar palavras. Espetaculares! Não
pensei que meus novos cortes fossem repercutir tão rápido assim na mídia. Alguns minutos apenas do encerramento do desfile e todos os blogs estão comentando de mim, ou melhor, de vocês!
Blaine deu seu maior sorriso e Kurt apertou a mão do estilista, que completava:
– Vocês deveriam trabalhar juntos. Imagina a chuva de dinheiro que iria
rolar. — Gargalhou. — Vou apurar como anda a escolha sobre a conferência de Paris, boa sorte, ambos tem enormes chances!
E assim saiu do camarote, deixando os dois modelos sozinhos novamente. Por mais que o menor estivesse adorando o clima chato entre os dois e não esperasse a hora que Kurt abrisse a boca para falar alguma abobrinha, acompanhou Mr. Potter e saiu. De soslaio o castanho observou Blaine ir conversar com alguns organizadores do evento. De repente sentiu seu corpo e seu rosto queimar ao ver a cena que o irritou até a alma. Sam caminhou até Blaine e lhe deu um abraço forte, como se fossem melhores amigos. "Ótimo, meus dois piores inimigos", pensou Kurt.
Apenas observava de longe. Tentou ignorar os pensamentos que diziam que a amizade dos dois significava que Sam teria votado em Blaine, tentou ignorar os pensamentos que diziam para o castanho sumir dali, que seria menos vergonhoso. Aceitou que se perdesse seria humilde o bastante para aplaudir Blaine no palco. Aplaudir aquele modelo miserável e desgraçado que agora bajulava Sam para poder tirar alguma vantagem, que jogo sujo Blaine
estaria fazendo. Suspirou algumas vezes, engoliu o ódio e voltou até o camarote, onde os modelos deveriam ficar até serem chamados novamente.
Blaine terminou a conversa e foi até a amiga perguntar o que a morena havia achado do desfile. Ainda faltavam alguns minutos até a contagem dos votos. Sam aproveitou que estava sem nada para fazer e caminhou para trás das cortinas, indo sorrateiramente até o camarim de certo modelo. Kurt estava de costas para a porta e não quis virar ao ouví-la se abrir, pois pensava ser algum fã indesejado naquele momento.
– Você foi ótimo lá fora.
Samuel falou de um jeito que Kurt se virou na hora, cruzando seus olhares. Um frio na espinha percorreu o corpo do Hummel e se não odiasse tanto o loiro, juraria que ainda o amava.
– Tanto faz. — Conseguiu falar, mesmo vidrado no rosto de Sam.
– Kurt... — Deu alguns passos até o modelo. Kurt deu a mesma quantidade de passos para trás, se afastando do ex-namorado e finalmente tirando seus olhos dos dele.
– Não. — Disse frio. — Não acha que já estragou minha vida o suficiente?
O Anderson conversou rapidamente com as amigas e correu até o camarote após um organizador do evento pedir. Os agradecimentos aconteceriam em breve. A vontade de Blaine seria entrar em seu camarim que era compartilhado com Kurt, porém ouviu uma conversa suspeita dentro dele e ficou curioso demais para interrompê-la. Grudou seus ouvidos na porta e tentou escutar o que acontecia no lado de dentro, disfarçando sempre que alguém passava por ali.
– Kurt. — Sam tentou mais uma vez.
– Sam, me fazer sofrer uma vez foi o suficiente. Você é o pior ex-namorado que alguém pode ter! Eu aguentaria o peso de uma traição, mas o que mais me enoja de você é saber que você só se aproximou de mim por causa da minha fama. — Sam deu alguns passos para trás em defesa porque Kurt praticamente cuspia as palavras que sempre quis ter dito. — Você jogou todo um futuro feliz que poderíamos ter tido juntos. — Suspirou enquanto colocava as mãos na cintura, cansado daquilo tudo.
– Kurt, não foi bem assim. Dizia passivo.
– Você pelo menos me amou? — Sam ficou em silêncio encarando o chão. — Você chegou a me amar do jeito que dizia? — O loiro não respondeu. — Eu sabia. De algum modo, eu já sabia essa resposta.
– Eu gostei muito de você, Kurt. Você foi maravilhoso pra mim, foi muito importante na minha vida e na minha carreira. — Falava baixo.
– Foda-se! — Gritou chamando a atenção tanto de Anderson como de Evans. — Às favas com sua vida e carreira. Isso faz a situação ficar ainda pior pro seu lado. Você traiu a confiança da pessoa que mais se importava com você nesse mundo inteiro. Você deveria saber. Eu não consigo acreditar em outras pessoas por causa de você. Eu costumava ser um dos caras mais legais do mundo, e você me tornou em um filho da puta mesquinho. — Cuspiu.
Sam se assustou com o tom de voz que Kurt usava. Agradeceu pelo camarim ser grande o suficiente e por ter uma rota de fuga caso precisasse de uma.
– Você pode não acreditar, mas eu me culpo até hoje por isso. Eu tentei achar tantas maneiras de me desculpar com você, Kurt. — Tentou sincero.
– Vá pro inferno você e suas desculpas! — Kurt tentou não chegar ao nível exagerado de ficar com água nos olhos, porém não sabia se conseguiria. Aquele assunto mexia muito com ele e não demorou muito até seus olhos começarem a marejar. — Cada um poderia ter seguido sua vida, mas de algum jeito você consegue me fazer volta ao passado, voltar a me sentir no mesmo dia que te flagrei naquela cama. Você é horrível e isso nunca vai mudar. Você parou de ser a pessoa que eu conhecia anos atrás e vai estragar esse desfile hoje, vai arruiná-lo do mesmo jeito que arruinou minha vida!
Gritou as últimas palavras, chamando a atenção de alguns modelos que passavam fora da pequena cabine. Blaine disfarçou mexer no celular e ignorou os olhares curiosos sobre si, cuidando para que ninguém entrasse naquela porta.
– Saia, agora.
Sam assentiu e deu alguns passos para trás. Como Kurt poderia achar essas coisas dele? Bom... É claro que Sam havia dado motivos, mas eram eles tão grandes assim? O loiro alcançou a porta fazendo Blaine se assustar e se esconder atrás de uma arara de roupas que havia sido deixada ali anteriormente. Antes que Sam abrisse a porta, olhou para trás e encontrou Hummel prestes a cair no choro. Suspirou forte e falou em um tom confortador.
– Eu votei em você. — E saiu.
Blaine esperou alguns segundos até entrar no camarim. Pensou que encontraria Kurt jogado em algum canto aos prantos, ouviu o castanho falando e gritando e sabia que o choro viria em alguns segundos. De um jeito estranho queria apenas correr e abraçar o modelo, dizer que ficaria tudo bem. Porém assim que entrou no camarote encontrou Kurt totalmente normal. Seus olhos estavam um pouco vermelhos, mas era isso. Não havia sinal de lágrimas, de choro, nem de desespero. Imaginou a dor que o modelo poderia estar sentindo por ter que esconder toda essa mágoa dentro de si.
– Kurt... — Disse chegando perto do modelo. O Hummel olhou Blaine dos pés a cabeça e soltou um som parecido com "hum?" para Blaine continuar a falar. — ...Você está bem?
– Por que não estaria? — Disse seco.
– Eu... Você e Sam são ex-namorados?
– Já foi revirar a minha vida para descobrir algo para usar contra mim? — Disse ainda no mesmo tom. Kurt estava tentando se defender do mundo. Blaine poderia ser a melhor pessoa para conversar, desabafar, mas Kurt não via isso. Desde que Sam quebrou seu coração achou que nunca mais confiaria em outra pessoa novamente. Não conseguia deixar ninguém se aproximar. Quinn era uma das únicas quem Kurt tinha contato. — Parabéns, Anderson. A cada dia no ramo da moda você consegue se tornar tão víbora quanto esses modelos na mesma sala que nós. Era sobre isso que vocês dois conversavam tão alegremente no centro do evento? Em como me odiavam?
– Não, Kurt. — Tentou engolir a raiva de Kurt o insultando, estava apenas querendo ajudar o modelo com toda aquela situação que havia escutado. — Eu estava conversando com Sam sobre os tempos de escola. Nós estudamos juntos e... — Kurt o interrompeu.
– Claro. Eu saberia que uma cobra não se cria sozinha. — Kurt tinha uma dor de cabeça de matar. Queria apenas que esse evento terminasse para que pudesse voltar à Nova Iorque e ser ele mesmo, sozinho, como sempre. — Onde você quer chegar com essa conversa?
– Eu queria te desejar uma boa sorte. — Disse de punhos cerrados, irritado com a ignorância do modelo pra cima de si. Entendia o motivo do Hummel ser tão fechado com as pessoas, mas ainda não conseguia aceitar o jeito que Kurt o tratava, aquilo era pura hipocrisia.
– Boa sorte pra você, vai precisar. — Deu de ombros.
– Como assim?
– Eu te humilhei lá no palco. — Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Blaine ergueu as sobrancelhas e revirou os olhos em seguida.
– Qual é o seu problema comigo? — Gritou não aguento mais se controlar com a ignorância do homem de olhos azuis. Havia tentado ser um cara legal tantas vezes, o que impedia Kurt de tentar o mesmo? Kurt apenas sorriu fraco e fez uma cara de pena.
– Kurt Hummel e Blaine Anderson.– Dizia o apresentador pelo microfone. O mais alto passou pelo rival, ignorando a ira em seus olhos. Demorou um pouco para Blaine se noticiar que o chamavam no palco. A briga toda o fizera esquecer que ainda estava em seu cargo de modelo, e por que estava sendo chamado no palco aliás?
Ambos caminharam até o lado de Mr. Porter. Blaine e Kurt eram ovacionados pelos comentaristas, fashionistas e fotógrafos, além dos convidados. Não sabiam ao certo o motivo de estarem na passarela novamente já que passaram os últimos minutos mais preocupados em discutir do que ouvir a apresentação em si.
– Conheçam os modelos que farão a abertura da conferência de Paris. Disse Potter animado, levantando as mãos dos modelos ao alto como o fim de uma grande luta. Kurt não conseguiu segurar o sorriso para si e sorriu de orelha à orelha. Não se importou de dividir o primeiro lugar com Blaine, apenar deixou-se livre e sorriu, como se toda a raiva fosse tirada de si.
O lugar parecia em câmera lenta para o castanho. Sam aplaudia das primeiras cadeiras orgulhoso do ex-namorado, por mais que não tivesse influencia nenhuma na trajetória do castanho até lá. Blaine sorria também, mais ainda por Kurt do que por si mesmo. Sabia que aquilo era o que o castanho precisava agora.
– Parabéns aos meninos. — Porter continuou. — Declaro encerrado o desfile. Obrigado à presença de todos, e até Paris. — Disse o velho homem.
Os aplausos ficaram maiores e mais fortes. Alguns confetes caíram sobre os modelos e a música de fundo começou a tocar mais forte. Alguns segundos e os holofotes se apagaram.
Kurt e Blaine estavam indo à Paris.
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