Fame
7 #07 Não tente forçar uma amizade entre nós
Notas iniciais
A companhia aérea havia ligado para todos os quartos logo em seguida para avisar que não era mais necessária a estada no hotel por mais uma noite, e que daqui a algumas horas um carro da American Airlines pegaria os passageiros e os encaminharia até o aeroporto, uma vez que a tempestade havia passado e não havia mais riscos para a aeronave.
Kurt já tinha malas prontas e encarava a outra cama bagunçada com um pingo de arrependimento por ter falado aquelas coisas sobre Blaine. É claro que o outro modelo não tinha culpa da sua amiga Quinn ter se envolvido com
sua fotógrafa, aliás, Kurt conhecia Quinn muito bem e sabia que a loira não conseguiria controlar seus instintos.
Era provável que daqui a alguns dias acabaria brigando com a Barbra e passaria semanas chorando e comendo apenas sorvete, mas logo se recompunha e partia para outra. Quantas vezes isso já havia acontecido? Deu uma última suspirada e fechou a porta do quarto, deixando pra trás os dias que passaram.
Blaine sequer chegou a estrear seu quarto novo, apenas viu TV e se deitou um pouco na cama. Não havia malas para o moreno arrumar, então esperou até o último minuto para descer e pegar o taxi, não queria ter a má sorte de encontrar o Hummel pelos corredores. Ainda vestia a jaqueta do hotel e no telefonema foi informado que suas malas já seguiam para a Irlanda.
Quinn e Rachel chegaram ao térreo de mãos dadas, parecendo um casal em lua de mel. Queriam conhecer uma à outra, queriam aproveitar os poucos momentos que passariam juntas, pois sabiam que uma vez que chegassem à Irlanda, o clima entre seus melhores amigos não ficaria nada bem, levando em consideração às mensagens de texto que ambos haviam enviado para as garotas.
O embarque foi tranquilo e a companhia aérea fez questão de colocar Blaine e Kurt em assentos extremamente distantes um do outro já sabendo da confusão que havia acontecido no voo anterior e até mesmo queixas de gritos no quarto dos modelos. Isso assustava os homens ainda mais, pois o medo de que aquelas crises caíssem em mãos de jornalistas era enorme.
Durante o voo os modelos sequer se viram. Rachel e Quinn sentaram-se
juntas e ficaram trocando carícias a viagem inteira, tentando não tocar no assunto "amigos loucos", mas foi quando o piloto anunciou que pousariam em alguns minutos, viu-se necessário.
– O que faremos em relação à Kurt e Blaine?
Quinn engasgou com a pergunta da Berry. Não sabia uma resposta adequada. Kurt era seu amigo há anos e a loira sabia exatamente seu jeito de pensar, sabia que toda aquela discussão havia sido culpa exclusiva do castanho e sabia também que ele não pediria desculpas por nada.
– Por enquanto temos que fazê-los se aguentarem na frente dos fotógrafos e dos paparazzis. Eles podem se odiar o quanto quiserem fora das câmeras, mas espero um pouco de respeito vindo de Kurt. — Respondeu.
– Estava me referindo sobre nós. — A loira encarou a fotógrafa. — D-digo, isso é algo que eu quero que continue depois dessa viagem, e vai ser difícil mantermos alguma coisa se nossos melhores amigos se odiarem.
Então Barbra queria levar essa relação adiante? Quinn não havia pensado no assunto, fazia tempos que não tivera uma namorada duradoura, ou um namorado, e concluiu com o fato da Berry ser hétero que aquilo seria um caso de apenas alguns dias. Sorriu e apertou a mão da judia, completando:
– Faremos dar certo.
Rachel sorriu de volta e apertou os cintos, prestes a aterrissar em Dublin, na Irlanda. As namoradas se despediram com um "até breve" e foram até seus amigos. O saguão do aeroporto estava lotado de entrevistadores e máquinas fotográficas querendo registrar a chegada dos dois maiores modelos de toda a atualidade naquela cidade que sediaria o segundo maior evento de moda de todos os tempos.
Não demorou muito para Kurt e Blaine passarem pelos portões de desembarque e os paparazzis cercarem dois modelos com suas respectivas amigas. Todos faziam perguntas ao mesmo tempo e flashes eram disparados contra os modelos a todo o momento, nada como se não tivessem acostumados. Blaine sorriu para os repórteres e pediu ordem, e uma pergunta por vez.
– Oi, meu nome é Anna Madson, sou da revista IT MODA. Você poderia me falar sobre sua relação com o Sr. Hummel? Há boatos que dizem que vocês se odeiam, mas nada oficial vindo de nenhum dos dois.
E mais uma vez a mesma pergunta. Parecia combinado às vezes. Blaine sorriu para o chão. Se pudesse falaria que achava Kurt o cara mais mesquinho da face da terra, que se não fosse por sua maravilhosa aparência e corpo ele nunca teria tanta fama. Era egoísta, esnobe e todos os adjetivos de má qualidade que encontrasse. Encarou a repórter e falou com a boca cheia.
– Parece que todas as perguntas que os repórteres vêm me fazendo ultimamente é essa, e vou responder esta pergunta como todas as outras. Admiro muito o trabalho de Kurt. O cara é muito talentoso e sabe o que faz, não é a toa que está anos nessa carreira. Ficaria feliz de um dia trabalhar ao lado dele. — Se esforçou em dar o sorriso mais falso que podia. Rachel apenas
apertou a mão de Blaine, orgulhosa com a entrevista sensata que o amigo acabara de dar.
– E sobre esses boatos de que essa mulher desconhecida ao seu lado poderia ser um affair seu, algum comentário? — Completou a repórter.
– O quê?! Não. — Gargalhou rápido. — Ela é minha fotógrafa e somos amigos desde o colegial praticamente. Ela é boa no que faz, e nas horas vagas serve de melhor amiga. É como aqueles brinquedinhos que você compra e tem mil e uma utilidades. — Blaine gargalhou ao ver o rosto da pequena se fechar. Agradeceu à repórter e continuou a andar, levando a multidão de entrevistadores atrás de si.
– Sr. Anderson, pode nos falar porque está usando uma jaqueta de um hotel? — Gritou um dos jornalistas da multidão que o seguia.
– Oh, man. — Sorriu se lembrando do fato. — Conseguiram de algum jeito desviar minha mala para um lugar desconhecido e a única roupa que consegui foi esse casaco do hotel em que ficamos. Pensei que não iriam desconfiar, droga, iria assim para o desfile.
Todos que estavam no local deram uma risada gostosa e Blaine se despediu, entrando em um taxi com a amiga. Logo todos correram até Kurt, que estava incomodado até então de ter sido a segunda opção de todos eles.
– Sr. Hummel, poderia responder algumas perguntas?
Os fotógrafos e repórteres agora também cercavam o castanho no saguão do aeroporto, querendo obter informações do voo. Quinn obrigou Kurt a parar de andar e responder algumas perguntas.
– Sou Luna, colunista do blog de moda Fash. Gostaria de saber se você tem algum plano futuro em trabalhar em dupla, já que na última sessão de fotos que teve fotografou com a Srta. Fabray, e se há alguma possibilidade de um trabalho conjunto com o Sr. Anderson.
Kurt engoliu seco.
– Muitas perguntas. — Brincou. — Sim, minha última sessão de fotos eu contei com a ajuda da minha amiga e agente, mas um fato curioso é que isso não estava nos planos. Precisávamos de uma modelo e ela era a cobaia mais próxima. — Sorriram.- Foi com o momento, e os resultados foram ótimos, quem sabe eu ainda consiga convencê-la a mudar de profissão. — A colunista sorriu satisfeita. — E sobre um projeto com Blaine, não sei, tudo depende das oportunidades aparecerem. Mas como sempre disse, Blaine é maravilhoso. Um cara com essa idade chegar aonde ele chegou, em nível internacional, tem que ser bom. Seria uma honra trabalhar com alguém com tanto prestígio e fama. — Terminou dando um sorriso falso e Quinn se segurava para não gargalhar na frente dos paparazzis por conta do cinismo do amigo.
– E sobre os boatos de que você e o Sr. Anderson tem uma relação de rivalidade por conta de suas carreiras, é verdade? O que você tem a dizer sobre isso? — E novamente, a mesma pergunta.
– Não, não é verdade. — Era verdade. — Digo, há tantas possibilidades de emprego e revistas para estamparmos. É insano acharem que nos odiamos porque disputamos a fama. Não há competição alguma, apenas um pódio cheio de lugares, e tenho certeza que eu e Blaine ocupamos o mesmo patamar. — Sorriu, fazendo a repórter agradecer e sair.
Outros entrevistadores tentaram perguntar alguma coisa, mas Kurt deu a resposta rápida de que estava cansado de uma viagem longa e precisava descansar, e que poderiam fazer as perguntas que quiserem depois na coletiva de empresa da conferência. Entraram em um taxi na porta do aeroporto e seguiram para o hotel que a agência havia reservado.
Agora ambos os modelos seguiam para hoteis diferentes em diferentes partes da cidade, prontos para o desfile no outro dia. As meninas suspiraram, tentando iniciar um assunto com seus amigos, que pareciam no mundo da lua.
– As respostas que você deu sobre Blaine foram ótimas! — Quinn disse.
– As respostas que você deu sobre Kurt foram ótimas! — Rachel disse.
– Foi apenas o meu trabalho. Não iria revelar aos paparazzis que nossa relação é horrível. Completou Blaine, não tirando os olhos da janela.
– Minha vida pessoal está bagunçada o suficiente para ficar divulgando com as revistas e sites de fofoca que eu e Blaine Anderson somos rivais. — Suspirou Kurt.
– Vocês pareciam estar se dando bem. — Rachel arriscou.
– Vocês pareciam estar se dando bem. — Quinn arriscou.
– Pensei isso também, mas acabamos brigando e criando a rivalidade que todos queriam que tivéssemos. — Respondeu Kurt finalmente encarando Quinn.
– Seu caso com a Fabray ajudou para isso acontecer. — Olhou Rachel de rabo de olho, tentando não ferir seu orgulho.
– Tantas pessoas no mundo, Quinn, e você foi se meter nas saias logo da fotógrafa e melhor amiga de Blaine. Geez. — Levou as mãos ao alto.
– Mas você sabe que uma parceria sua com Kurt traria muitos benefícios à sua carreira, não sabe? — Rachel mexeu um pouco mais na ferida.
– Mas você sabe que uma parceria com Blaine Anderson não seria má ideia, não sabe? A Pegasus estava estudando em algo assim... — Quinn
tentava puxar uma conversa normal com o amigo.
– Espero que não. — Falaram Kurt e Blaine em conjunto.
– ...Digo, será mentira se eu falar que Blaine não é bom no que faz, mas estou anos nesse ramo, eu sei coisas, eu vivi coisas. — Disse orgulhoso.
– O cara é profissional, mas consegue ter uma personalidade horrível. Espero que minha relação com ele seja somente nas passarelas. — Completou o Anderson, ignorando totalmente a amiga e encarando a janela do carro.
Rachel e Quinn ainda não se deram por vencidas.
– Espero que meu relacionamento com Quinn não nos afaste. Você é o meu melhor amigo e quero que isso continue por muito tempo.
– Você e Barbra tem muito em comum, Kurt. Músicas, seriados, livros... Talvez possam se tornar amigos. Isso é o que acontece quando você conhece uma pessoa. — Quinn tentou pegar a mão do castanho. — Li em um artigo que Blaine é um fã de musicais da broadway também. Isso não daria uma boa conversa?
– Eu sei o que você está tentando fazer. — Falaram os modelos em uníssono.
– Não há nenhuma chance de eu e Blaine virarmos amigos.
– Você pode fazer essa carinha de cãozinho chutado o quanto quiser que eu não vou cair. Eu não vou, eventualmente, ficar amigo dele. E espero que entenda. Você pode namorar quem quiser, mas não me force a virar amigo de uma pessoal qual nem suporto ver na frente. — Blaine respondeu ríspido.
– Tudo bem.
– Tudo bem.
E assim a viagem continuou, num silêncio total. Rachel e Quinn trocaram algumas mensagens durante o caminho, falando que seria impossível fazer os dois voltarem a pelo menos se falar. Rachel havia desistido, já Quinn tentava pensar em um jeito de fazer Kurt mudar de ideia.
É claro que depois do incidente Sam Evans em sua vida, confiança era uma coisa que você nunca teria de Kurt por mão beijada. A loira suspirou. Só esperava que esse desfile fosse bom, porque sua carreira dependia dele.
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