Fame

6 #06 Promessas que não deveriam ter sido feitas


Notas iniciais
Pra quem tá acostumado com minhas fanfics, os itálicos são os flashbacks!

Blaine acordou e não encontrou Kurt em sua cama, assim como quando foi dormir e Kurt também não estava presente. Esfregou os olhos, ainda deitado e esperou alguns minutos até levantar. Provavelmente não sairia do quarto de pijama, e esperaria o castanho voltar para pedir mais algumas roupas emprestadas — se, felizmente, achasse alguma que o servisse.

Rachel sequer deu as caras para o moreno, que começou a ficar preocupado com o sumiço da amiga. A morena não era nem um pouco sociável e provavelmente já teria sido expulsa do hotel por causa de suas grosserias com algum funcionário ou até mesmo com a própria Fabray.

Foi perto do meio-dia quando a maçaneta do quarto se abriu e entrou Kurt Hummel, vestindo roupas nada casuais para um simples hotel em Bahamas. Blaine piscou algumas vezes, mas foi obrigado a se recompôr assim que Kurt o encarava sem reação nenhuma.

– Eu estava me perguntando se você, hm, me emprestaria algumas roupas... — Disse tentando ignorar seu cérebro tentando lhe dizer que o outro modelo estava encarando seu peito nu.

Kurt revirou os olhos.

– Parece que vai ser assim o final de semana inteiro, certo?

Blaine meio que assentiu, se sentindo um pouco culpado por causar essa reação em Kurt. O castanho procurava dentre os cabides suas roupas mais largas, que pudessem caber no Anderson. Aquele peitoral enorme (qual Kurt não ficou observando de noite, qual Kurt não havia reparado que tinha poucos pêlos e se movia lentamente conforme a respiração sonolenta de Blaine) deveria caber em uma das suas camisas Mr. Porter.

Uma pitada de amargura no coração do castanho aconteceu quando percebeu que a única roupa ali que caberia no moreno era sua favorita. Sentiu ciúmes de emprestá-la, mas já havia dito que sim, e por mais que não gostasse da ideia de dividir suas vestimentas com o outro modelo, cumpria todas as promessas que fazia, não importasse à quem.

– Ei. — Resmungou Blaine assim que as roupas foram jogadas em sua direção com um pouco de raiva.

– Desculpe.

Kurt deu de ombros e sentou-se em sua cama, ligando a TV e zapeando
pelos canais. O primeiro sorriso daquele final de semana chegou quando viu a programação de um canal: A história da Broadway. Sentou-se mais confortável, com as duas pernas cruzadas e ficou observando a tela com admiração. Teria que passar o resto do dia naquele quarto, afinal a companhia aerea ainda não havia informado o novo voo e uma nova tempestade parecia se formar lá fora.

Blaine saiu do banheiro ajeitando as mangas de sua camisa branca. Usou sua calça, já que as calças do Hummel ficavam grandes para si, maldita altura. Enquanto colocava o broche observou a televisão com o documentário que chamou sua atenção.

– Podem falar o que quiser dessa Christine Dwyer, mas Wicked só é Wicked com Idina. — Kurt observou o outro modelo pasmo. Blaine conhecia broadway? Aliás, Blaine reconhecia Wicked? Antes que o castanho pudesse perguntar, o Anderson completou. — E não me olhe assim. Esses caras podem até substituir a Kristin, ou o Norbert, mas Idina é icônica.

Blaine caminhou até a janela e abriu as cortinas, mostrando um perdido entre as nuvens, ainda chuvoso. O cheiro de chuva no ar trazia memórias boas de sua infância para o moreno. Suspirou e observou as gotas caírem rapidamente.

– Você gosta de Wicked, então?

– A pergunta deveria ser "quem não gosta de Wicked?". — Gargalhou
baixo, ainda encarando o lado de fora do quarto. Olhou o visor do seu celular e estranhou a mensagem que havia recebido segundos atrás.

Kurt também desviara o olhar do modelo para ler uma mensagem em seu celular que vibrava em seu bolso. Arqueou uma das sobrancelhas, porém assentiu. Desligou a televisão e caminhou até o closet para pegar uma jaqueta, já que sairia do quarto naquele frio.

– Você pode me emprestar uma também? Estou indo para a cobertura. — Perguntou Blaine um pouco incerto, logo Kurt jogava um sobretudo para o moreno que o pegou no ar e começou a vestir.

– Me acompanhe, pois estou indo pra lá também. — Disse o Hummel.

A subida de elevador foi calma, porém silenciosa. Podia-se ouvir apenas a música ambiental do lugar, algo como Adele ou Christina Aguilera, nada que os dois homens se importassem em decifrar naquele momento. A cobertura parecia nunca mais chegar e assim que aberta a porta, os modelos saíram lado a lado procurando por algum sinal de gente naquele lugar, ou algum sinal de que passaram pessoas por ali.

– Ali. — Kurt apontou para um mesa onde as amigas sentavam.

– Juntas?

Blaine arqueou a sobrancelha e deu de ombros, caminhando até a mesa das meninas junto com o outro modelo, que também tinha uma certa curiosidade. Quinn percebeu a presença dos modelos e pediu-lhes para sentarem. Assim que fizeram, a loira não sabia o que fazer.

– O que está acontecendo? — Kurt tirou as palavras da boca de Blaine.

– Bom, isso pode ser estranho, mas queríamos conversar com vocês para que não seja... — Rachel se atrapalhava nas palavras. — Estranho. — Completou, recebendo um olhar curioso do melhor amigo.

– Estamos juntas. — Quinn completou. — E queríamos saber como se sentem sobre isso porque zelamos muito nossa amizade com vocês para tomar qualquer tipo de decisão onde vocês possam se sentir desconfortáveis. — Dizia em um tom calmo.

Blaine arregalou os olhos sem saber o que falar. Kurt provavelmente não havia entendido o modo em que a loira falou, afinal de contas, havia passado a noite passada com a Fabray e havia deixado bem claro que resolveria a mostra de Paris antes de se envolver com qualquer pessoa, mesmo sendo essa pessoa a fotógrafa pessoal e melhor amiga do seu único concorrente real.

– Como assim? — Perguntou tentando obter uma resposta diferente.

– Elas estão juntas. — Blaine repetiu com os olhos ainda em Rach.

– Essa parte eu entendi. — Kurt cerrou os dentes.

Finalmente a ficha de Kurt havia caído ao ver a amiga tentando lhe passar algum tipo de sentimento pelo olhar. Aquilo era realmente sério, e não uma brincadeira onde Quinn estaria tentando testar os nervos do modelo. Encarou então a amiga com um olhar de nojo, como se ela tivesse o traído pelo motivo mais fútil do mundo. Logo com a fotógrafa de Blaine? Isso era como... Era como traição!

– Eu pensei que vocês namorassem. — Blaine apontou para Quinn e Kurt, que gargalharam esquecendo o assunto principal da conversa.

– Quinn é mais gay que Ellen Degeneres e Neil Patrick Harris junto. Limpou as lágrimas que caíam de seu rosto. Demoraram longos segundos até a risadaria parar e Blaine encarar a amiga novamente.

– E achei que você fosse hétero. — Disse em um tom firme.

– Acredite, eu também. — Quinn resmungou, observando Rachel corar. — Meninos, não queremos que isso fique estranho. Aconteceu. Estávamos conversando ontem a noite e... aconteceu. Parece que foi o destino que nos colocou naquele mesmo quarto de hotel. — Quinn tentava explicar, e foi nesse momento que os jovens perceberam que as meninas estavam de mãos dadas.

– Pelo amor de Deus, Quinn. — Kurt jogou um olhar de reprovação para a amiga. — Eu e Blaine estamos no mesmo quarto de hotel e nem por isso vamos sair nos beijando por aí, que nojo, ele é Blaine Anderson. — Blaine revirou os olhos, não gostando do modo em que havia sido citado. — Gostaria de ter sido comunicado antes de você ter tomado essa decisão. — Disse agora como modelo e agente, e não melhores amigos.

– Eu e Barbra estamos apaixonadas! — Falou em um tom de desprezo.

– Ela ao menos sabe seu verdadeiro nome? — Blaine encarou Rachel, que se pudesse, coraria mais do que antes. Desde o começo da confusão, a judia estava apenas de boca fechada. Conselho de Quinn, para que não pudesse falar algo que estragasse toda aquela comoção que a loira tentava fazer.

– Isso não vem ao caso. — Rachel limpou a garganta, finalmente aparecendo na conversa. — Pensei que vocês ficariam felizes por nós, principalmente você, Blaine, que até horas atrás estava me aconselhando sobre largar meu passado.

– Quando eu disse para largar seu passado, eu estava dizendo para dar aquele gato para alguma criança carente, e não para sair se engrenhando com a agente de um concorrente. — Suspirou. — Estou decepcionado com você, Rach. — Levantou da cadeira e seguindo até o elevador, sem se importar com a amiga o encarando de boca aberta por causa do ato.

No mesmo momento, Kurt tentava encarar Quinn no fundo dos olhos tentando achar sua antiga amiga, porém não encontrou, encontrava apenas uma louca apaixonada por alguém que conhecia há dias, traindo o melhor amigo de anos. Se levantou e acompanhou o outro modelo.

– Você tem alguma ideia do que acabou de acontecer aqui? — Quinn
perguntou e Rachel apenas negou com a cabeça, vendo os modelos entrarem no elevador e sumirem de seu campo de visão.

.:.

– Isso não pode estar acontecendo. — Passava as mãos pela cabeça.

– Não finja como se não soubesse que isso poderia acontecer. — Respondeu grosso. — Aposto que foi sua a ideia de Barbra nos fotografar, e que teve algum dedo seu em colocá-las no mesmo quarto. — Cuspiu.

– Claro. — Falou em desdém. — Até porque se eu tivesse alguma coisa a ver com a escolha de quarto, eu escolheria ter ficado logo com você! — Kurt ficou surpreso com a ironia do rapaz.

– Sabe o quê mais? — Aquela parecia uma briga de alunos do primário discutindo sobre alguma coisa irrelevante. Kurt estava prestes a explodir com tanta coisa em sua cabeça, e Blaine não conseguia mais mentir para si mesmo que o Hummel era uma pessoa boa. — Já que não se sente tão à vontade comigo aqui, poderia começar devolvendo minhas roupas.

– Você não está fazendo isso. — Blaine sentou em sua cama, encarando o modelo. Kurt estava à sua frente, com as mãos na cintura batendo os pés com força, como uma criança que fazia birra para os pais.

– Pode ter certeza que estou!

– Ótimo!

Blaine se levantou rapidamente e arrancou a blusa de si, fazendo alguns
botões voarem pelo quarto sem se importar se aquela era ou não a melhor camisa do Hummel. Kurt abriu a boca para falar alguma coisa, mas se confundiu com o modelo chegando tão perto de si com o peito à mostra.

– Aqui está sua roupa. — Completou, colocando o pedaço de pano amassado nas mãos de Kurt, sequer percebendo falta de espaço entre eles. Olhava para o modelo com seus olhos hazel semicerrados de raiva. Estavam a centímetros de distância e Kurt poderia jurar sentir o hálito quente de Blaine sobre seu rosto. – Te vejo na conferência, como vice-campeão. — Blaine sussurrou bem perto dos lábios do outro modelo e então caminhou até a porta com passos firmes.

– Você vai pagar por isso! — Sussurrou tentando se referir à camisa estragada em suas mãos, quando na verdade seu cérebro gritava por ter instigado sua vontade de ter Blaine em seus lábios por um breve momento.

Blaine já havia batido a porta atrás de si e Kurt tentava conter a respiração forte, sem obter sucesso. Tentou ignorar seus pensamentos e fingir que isso não havia sido nada, que não deveria se importar, mas algo o falava mais forte de deveria. "Não faça isso, Hummel", dizia seu subconsciente.

– Que se foda.

E correu até o elevador para tentar convencer o Anderson a voltar para o quarto e conversar como adultos civilizados que eram, mas ele já havia ido embora. Correu até as escadas e começou a descê-las com um tanto de pressa. Não foi uma boa ideia, porque depois do segundo lance de escadas Kurt já estava ofegante, agradecendo ao frio não deixá-lo suado, continuando a descer os degraus com rapidez.

Chegou ao térreo e encontrou Blaine não mais sem camisa, agora com um casaco fornecido pelo hotel. O modelo conversava com a moça da recepção. – Blaine. — Caminhou ofegante até o homem, que ficou surpreso ao ver Kurt ali.

– Aqui estão as chaves do seu novo quarto, Sr. Anderson. — A mulher entregou a chave para o hóspede, ignorando o fato de que era Blaine Anderson à sua frente. — Suas malas chegarão em breve, segundo nota da própria companhia. Pedimos desculpas pelo inconveniente. — Ignorando o Hummel, Blaine deu uma piscadela para a atendente que se derreteu toda logo em seguida.

– Pensei que não pudéssemos trocar de quarto... — Kurt ainda procurava ar. Provavelmente deveria voltar a fazer exercícios, já que alguns lances de escadas estavam o deixando naquele estado.

– Esse é por minha conta. A companhia não nós proíbe de pagar nossos próprios quartos. — Passou direto por Kurt e caminhou até o elevador. O castanho colocou as mãos no joelho, e depois de alguns segundos, seguiu o outro modelo.

– Você vai mesmo fazer isso, Blaine? Que atitude de quinta!

Blaine parou no meio do saguão e deu a volta, dando alguns passos até Kurt. O mesmo sentiu arrependimento do que havia dito e sentiu sua espinha gelar ao ver o moreno dar meia-volta e caminhar até si.

– Eu tentei manter uma relação profissional com você, Hummel. — Blaine
dizia com os dentes cerrados. — Eu tentei ignorar todos os boatos que diziam que você me odiava e tentei manter, pelo menos, uma conversa normal com você. Eu tentei até continuar adorando você. Mas quer saber? Eles estavam todos certos. — Falava de um jeito que as pessoas ao redor não percebessem que era uma briga. Quem os olhasse poderia dizer, pela feição agradável do Anderson, que aquela era uma conversa entre amigos. — Você é a merda de um modelo mesquinho, que só enxerga seu próprio nariz e tem medo que alguém te tire do topo. — Blaine deu mais alguns passos, ficando próximo demais. Kurt apenas observava. — Mas sabe o engraçado? Eu nunca desejei tirar nada seu. Nunca desejei te tirar do topo, mas de hoje em diante, depois de todas as coisas que você disse e depois do jeito que agiu comigo, é exatamente isso que irei fazer. A cada campanha que você representar, a cada capa de revista que você conseguir, eu vou estar lá para tirar de você. E olha que pensei que pudéssemos fazer uma parceria... — Blaine gargalhou rápido, mantendo o ar cínico na voz. — Isso nunca irá acontecer. Então tenha uma boa tarde, Hummel. Boa sorte na conferência, mas creio que já sabe quem será o vencedor.

Então Blaine se virou novamente e caminhou até o elevador, sem deixar o castanho falar uma palavra. E mesmo se deixasse, não o faria. Kurt estava sem condições de encontrar algo para formular naquele momento. Acompanhou Blaine com os olhos até a porta do elevador se fechar. Sabia que parte disso era sua culpa, sabia que não deveria ser tão fechado com o modelo. E logo as lembranças de Sam invadiam sua mente.

"- Sammy?

Kurt entrou no apartamento do namorado com um buquê de flores. Estava animado pela entrada do loiro na lista de modelos mais famosos dos últimos tempos. Em parte, Kurt era o culpado disso por ter mexido atrás dos panos para que Sam pudesse ter uma chance no mundo da moda. Dividiria o topo com o castanho se necessário. Estavam juntos há quase um ano.

É claro que a fama de Sam apenas havia aumentado após os boatos de que o modelo estaria namorando Kurt Hummel, mas o castanho não se importava. De fato, até esperava ansiosamente pelo dia que assumiria o namoro com o outro modelo e poderiam, finalmente, sair em público. Se sentia tão bem ao lado do loiro que não se importaria em dividir a fama, porque no fundo, sabia que eram uma só.

Caminhou pela sala do apartamento do namorado e não achou o loiro. Sabia que deveria ter ligado, avisado que passaria ali para dar um oi, mas queria o surpreender. Caminhou então até o quarto do loiro, achando uma cena que fez o castanho soltar as flores imediatamente, assim como uma pequena caixinha que, com o choque do impacto com o chão, se abriu e derramou dois aneis de dentro. — Sam?! — Perguntou com nojo.

– Kurt! — O loiro se escondeu debaixo das cobertas, assim como a mulher ao seu lado. Antes que o modelo pudesse se explicar, Kurt já havia dado meia volta e corrido pra longe daquele quarto de hotel.

Se sentiu um nada quando chegou em sua casa e descobriu as conversas de Sam com aquela tal menina, quando descobriu que Sam só estava "usando" Kurt para ter fama. Se sentiu a pessoa mais nojenta do mundo por ter dormido com aquele cara, e por ter cogitado um dia casar com ele."

Prometeu a si mesmo nunca mais confiar em alguém do mundo da moda. Prometera que nenhum modelo, daquele dia em diante, chegaria perto de Kurt o suficiente para poder roubar um pingo de sua fama sequer. Por isso era tão fechado, por isso os boatos de Kurt odiar todos os outros modelos. Era uma promessa qual o Hummel nunca quebraria, mas por alguns segundos, por breves segundos, ao ver Blaine caminhar pra longe, se arrependeu de ter feito aquela promessa.

Notas finais
Então é isso. O motivo do Kurt ser um pé no saco foi finalmente explicado. O que acharam desse capítulo? Gostaram, odiaram? Estou esperando o comentário de vocês e algumas sugestões, já que a fanfic é mais de vocês do que minha, haha. Muito obrigada por acompanharem, nos vemos logo. Hasta la vista!