Falácia da Mente
1 Trapaça da Alma
Notas iniciais
Falácia da Mente
Por Pikenna/Rebeca
Trapaça da Alma
Tema:Imaginação
Gênero:Sobrenatural
Original
"Os suicidas, mesmo os que planejam a morte, não querem se matar, mas matar a sua dor."
Augusto Cury
Olho-me no espelho e vejo a minha imagem mórbida e gorda que bruxuleava como um fantasma assombroso, uma lágrima escorrendo de seus olhos. Toco no meu rosto que nem se quer está molhado, aquilo é uma mera ilusão criada pela minha mente para zombar de mim, apenas porque não sou como as outras garotas: lindas modelos em seus corpos magros, repletos de curvas demarcadas pelas roupas. Sou apenas a estranha. Ninguém sabe as marcas que possuo nos braços, marcas estas causadas por mim mesma. É mais fácil suportar a dor física que a emocional. Fraca! Fraca! Fraca! Eu sou fraca! Não sei lidar com esse vazio que me tortura por dentro, muito menos com a dor do abandono. Minha mãe me rejeitou quando era criança, largando-me com meu pai que só tem tempo para si próprio e para seu dinheiro. Tudo isso, somado ao fato de eu não ter nenhum amigo ou algo similar, mais os bullyings diários que sofri ao longo dos meus anos escolares, foi o suficiente para que eu me trancafiasse dentro de mim mesma. Sou um minúsculo corpo perdido no meio de uma extensa escuridão que me engloba.
Gritar por ajuda seria em vão, pois quem conseguiria me escutar? Quem estenderia a mão para me puxar? Quem teria coragem o suficiente para me trazer de volta a luz? Frágil, fraca e com tendências suicidas, quem se atreveria a encarar esse desafio? O meu reflexo ri de mim, zombando pela minha fraqueza e inutilidade. Eu sorrio de volta e estico o braço. Mais um corte! Mais um para a coleção de muitos! E faria quantos mais fossem necessários para sobrepujar aquela dor sufocante que ainda recai sobre mim. Fraca! Eu sou tão fraca que chega a ser patético. Não consigo enfrentar os fantasmas que me assombram. Não tenho forças para combater os monstros escondidos no meu armário e embaixo da minha cama. Sou digna de pena. Gorda, feia, fraca, quem iria se interessar por mim? Ninguém!
Continuo a olhar meu reflexo no espelho. E então uma sombra perpassa atrás de mim. Viro-me de uma vez e deparo com o meu eu me encarando. Meu reflexo saiu do espelho e agora está rindo de mim, rindo da minha desgraça, da minha fraqueza. Ela é parte dos meus fantasmas e está me assombrando. Veio para me relembrar o quão idiota e fraca eu sou. “Saia!” Eu grito, mas é em vão. Ela continua a rir. Tenho medo. Seus olhos são brancos e vítreos. Onde está o verde deles? Sua pele é tão pálida quanto um alabastro. Onde está a cor dela? Há vários cortes em sua tez. Ela coloca sua mão sobre o pescoço. Imito-a automaticamente. Sinto um liquido viscoso. É sangue. Não há dor. Não sinto nada. Eu sou ela e ela é a projeção do meu eu morto. Sou apenas um fantasma. Um outro reflexo de quem um dia já fui. Matei-me sem perceber. Apenas um corte certeiro na veia. Fraca, na vida e na morte. Fraca.
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