Faltou Dizer Eu Te Amo

5 Capítulo 5: Predadores


Em um prédio abandonado, nos arredores da cidade, Kuroi está sentado em um canto, olhos fechados e com o rosto sem expressão alguma. Ouve passos leves como plumas se aproximando e abre os olhos, encarando os olhos prateados de Muteo.

—Estou cansada de esperar, Kuroi. Quando terei a cabeça de Kurama?

—Paciência minha cara, paciência. -e sorriu. -Lembra do que combinamos? Vocês me livram dos companheiros de Kurama, eu me divirto um pouco com ele...e depois a Raposa é de vocês?

—Sim. Mas estou cansada de esperar! -a youkai com suas garras praticamente retalha uma viga de metal.

—A paciência não é um dom que Muteo tenha, Kuroi. -Rikuo comenta, enquanto brincava com um inseto enorme na mão.

—Grrrrr...nem minha. -Shunsaku, o youkai felino também estava inquieto. -Quando teremos mais ação? Nolt foi derrotado!

—Nolt era um inútil descartável. -respondeu Kuroi. -Serviu ao seus propósito, que era testar a força do lendário Hiei.

—Também somos descartáveis, Kuroi? -Muteo pergunta, mostrando as presas.

Kuroi se levanta e acaricia o rosto da Youkai mariposa, acalmando-a com esse gesto.

—Você é insubstituível, minha cara. Sabe disso.

—Grrrrrr...eu não aguento mais ficar aqui. PRECISO CAÇAR! -esbraveja Shunsaku.

—Então...cace. -respondeu Kuroi, ainda fitando o rosto de Muteo. -Por que não vá caçar dois garotinhos espertos para saciar sua fome. Sei que gosta de carne de filhotes humanos...

Shunsaku sorri.

—Tem minha permissão para caçar os filhos de Urameshi... mas preserve as cabeças, sim? Quero mandá-las de presente para o pai depois. -e sorri se afastando de Muteo. -Torturar meus inimigos, eliminando aqueles que mais prezam... é tão divertido!

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—Parô! Parô! Dá um tempo! -pede Yusuke. -O Koenma enviou vocês para serem os guarda-costas da Botan e da minha família?

—Sim. -respondeu Takaki.

—Não precisamos de vocês amadores nos atrapalhando. -Hiei responde.

—Ouçam então. -Yuki começa a falar. -Kuroi é um louco, isso já notaram. Ele tem o costume de eliminar os entes queridos de suas vítimas, e o faz diante deles, para em seguida deixá-los tão ansiosos pela morte, para negá-la em seguida. É comum seus desafetos se entregarem à loucura ou ao suicídio depois que o encontram.

—Muteo, Rikuo, Shunsaku e Nolt... -Takaki continua. -Todos criminosos com uma extensa folha de crimes no MaKai e no Ningekai. São responsáveis por inúmeras mortes e atos cruéis. Não são adversários que devam ser menosprezados.

—E não devem ser mesmo ignorados. -Kurama chegava naquele momento.

“Nem percebi sua chegada!”, pensou Yuki.

—Diz aí, Kurama. Você conhece esses caras? -Yusuke perguntou logo.

—Sim. E lamento que isso tudo esteja acontecendo.

—Não pense nessas coisas, Kurama. Vamos acabar com esses canalhas e pronto! -Yusuke fala determinado, socando a própria mão. -E diz aí? Cadê a Botan?

—Em sua casa. Vim até aqui para dizer que acho melhor levar Botan até a minha casa de campo."

—Acha uma boa ideia? -pergunta Yuki. -Lá estarão isolados.

—Conheço aquela área como a palma da minha mão. –responde o ruivo. –Se forem tolos em nos atacar ali, terei a vantagem do terreno. E não é uma boa ideia atrair confrontos para uma área urbana como esta.

—É! O estrago ia ser terrível! –comenta Yusuke. –Fora que pessoas podem ser pegas em meio ao fogo cruzado!

—Ficar na cidade iria nos limitar, no caso precisarmos lutar seriamente. –Kurama continuou.

—Se houver lutas, não há riscos de pessoas inocentes serem envolvidas. -pondera Takaki.

—Preciso arrumar umas coisas antes de partir. Não posso esquecer que sou um Promotor e tenho uma audiência daqui a pouco. -o youko comentou desanimado.

—Minha missão é proteger a ex-guia espiritual. -Yuki diz olhando para Kurama e depois irritada para Hiei ao ouvir um risinho de deboche vindo dele.

—Nós também cuidaremos dela, Kurama. -Yusuke confirma.

—Então, devo ir. -Kurama lança um olhar em direção a casa de Yusuke. -Volto em algumas horas para prepararmos nossa partida. Pense em levar Keiko e os meninos conosco, Yusuke.

—Tá, mas acho que a patroa vai ser do contra.

Hiei se afastou sem dizer nada.

—Ei, Hiei. Aonde vai? -chamou Yusuke.

—Não gosto de ficar de braços cruzados. Vou caçar esses idiotas. -e desaparece em seguida, graças a sua velocidade.

—Sujeitinho estressado. -comentou Yuki.

—Esquenta não. Ele está de mal humor. -responde Yusuke, depois pondera. –Ele tá sempre de mal humor... tem razão, ele é estressado mesmo!

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Na sala de visitas da residência dos Urameshis, Botan e Keiko conversavam, enquanto Yutaro e Koji espionavam. O mais velho fez um gesto para que o mais novo se afastasse devagar, e saíram pela porta dos fundos.

—A gente vai se encrencar. -comentou Koji, vendo o irmão pegar o skate, enquanto pegava a bicicleta.

—O que prefere? Brincar no parque ou ir na casa da vovó? -perguntou Yutaro dando impulso no skate e saindo.

Koji imediatamente colocou o capacete e seguiu o irmão mais velho.

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—Então conversaram? -Keiko perguntou preocupada, estendendo a amiga uma xícara de chá.

—Sim. Mas, Keiko...não posso afirmar que estejamos bem. -suspirou.

—Mas...você e ele... -deu um sorriso malicioso e riu baixinho ao ver Bota corar violentamente.

—Sim, mas... -corou mais ainda ao relembrar do que ela e Kurama fizeram na noite anterior.

—Mas? -insistiu Keiko.

—Sentir atração...é uma coisa, mas amor...

—Oh, por favor Botan! Me poupe! -exclamou Keiko, um pouco nervosa. -Será que só você não vê o quanto o Kurama é louco por sua causa?

—Como assim?

—Yusuke me contou muitas coisas a respeito de Kurama. Ele é um youkai com centenas de anos. Não acho que saia por ai demonstrando seus sentimentos a torto e a direito. O que ele não demonstra em palavras, Botan... ele o faz com gestos, olhares. -e piscou. -Ou não notou a maneira que ele te olha, de como está preocupado com seu estado e sua segurança?

—Talvez... -Botan ficou pensativa.

—Botan. -Keiko parecia intrigada com algo, olhando para as escadas que levavam ao andar superior. -Não acha que está quieto demais por aqui?

—Hum? -parecia não ter entendido.

Keiko levantou-se e foi até a escada que leva ao andar superior, chamando:

—Koji! Yutaro! -nenhuma resposta. -Espero que eles não tenham saído!

—Saíram?"-Botan se aproximou.

—Tenho certeza que sim. -foi ao quintal. -Levaram a bicicleta e o skate! E o pai deles avisou para não saírem de casa! Ai, como são teimosos! Igual ao cabeça dura do Yusuke!

—Devem estar por perto.

—Não. -Keiko ficou apreensiva. -Estou com um mal pressentimento, Botan.

Keiko foi até o lado de fora da casa, onde avistou Yusuke conversando com outros dois garotos. Correu até ele, seguida por Botan.

—Yusuke! Você viu os meninos?

—Que? Eles não estão em casa? -o ex-detetive ficou alterado. -Ah, de onde eles puxaram a teimosia?

—Não consigo imaginar. -Keiko ironizou.

—Acho que de mim. -ficou sem graça, depois furioso. -Mas mesmo assim, eles não deviam ter saído!

—Estou com medo, Yusuke. -Keiko agora demonstrava toda a sua aflição.

—Keiko...querida. Acalme-se. -ele a segurou pelos ombros, fitando-a intensamente.- Eu vou achar os meninos, fique aqui com Botan.

—Mas... -quis retrucar.

—Eu os trarei para casa. Pois quero pessoalmente dar uma sova nesses teimosos!

—Yusuke!

—Takaki, fique com a senhora Urameshi. Eu vou ajudar a procurar os meninos. -avisou Yuki, e o rapaz concordou com um aceno de cabeça. -Tem ideia de onde eles podem ter ido?

—Ao parque. -diz Keiko. -Ou a escola.

—É ruim deles estarem na escola. -disse Yusuke, debochado.

—Eles vão até lá para brincarem na quadra. -a esposa completou, fuzilando o marido com o olhar.

—Vamos nos dividir então. Eu irei a escola e o senhor ao parque. -sugeriu Yuki.

—Então, vamos minha filha! -avisou Urameshi correndo na frente.

A youkai do clã do Dragão de Gelo salta para alcançá-lo. Botan começa a sentir-se culpada por tudo o que estava havendo. Se machucarem os meninos, jamais conseguiria se perdoar.

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No Supremo Tribunal de Justiça...

Sentado ao lado de seus colaboradores que ainda discutiam os últimos tramites da lei e as novas provas contra Wakabayashi, Shuuichi Minamino tinha o pensamento longe, apesar de querer se concentrar nessa primeira sessão e terminar logo para se encontrar com Botan.

Apesar de saber que estava muito bem protegida com Yusuke e os detetives sobrenaturais, de Hiei estar empenhado em caçar Kuroi, não se sentia confortável em tê-la longe de seus olhos, de sua proteção.

Só se sentia aliviado, quando estava ao lado dela.

—Minamino-sama? -chamou um dos colegas -O Juiz o está chamando!

Kurama piscou algumas vezes, antes de se desculpar com o Juiz de Direito e responder suas questões sobre o caso. O Youko achou melhor se concentrar plenamente em sua tarefa no momento, para sair de lá o mais rápido que fosse possível.

O Juiz lia os autos do processo, para que os promotores e os advogados de defesa ouvissem, conforme a lei mandava. O ruivo encarou os advogados e sorriu intimamente. Eram os melhores que o dinheiro poderia comprar, mas ele não estava intimidado, sabia o que enfrentaria, e gostava do desafio...apesar da certeza que aquele caso se arrastaria a tarde toda, e mesmo com seus esforços de querer voltar correndo para os braços de Botan, seria um longo dia.

—Botan. -pensou nela. -Que feitiço você me colocou que agora não consigo pensar em mais nada a não se ficar perto de você, de nosso filho, de protegê-los.

—A defesa tem algo a declarar? -a pergunta do juiz fez novamente o rapaz despertar de seus pensamentos.

Do lado de fora, alguém olhava pela janela do quinto andar do prédio da justiça, onde a sessão acontecia e sorria.

—Muteo. -Kuroi chama a youkai. -Quer visitar a família Urameshi?

—Para que? -ela também encarava Kurama. -Quem eu quero morto está ali.

—Ora... você não reclamou agora de sentir fome? -e sorriu. -Aposto que eles lhe darão uma deliciosa refeição. Por favor, minha querida. Faça isso para me agradar... prometo que você terá o prazer de dar o golpe final em Kurama, no momento certo.

—Pedindo com essa gentileza... — Muteo sorriu e se afastou dali.

—Chega de contratempos, Kurama. -Kuroi murmurou.- Vamos começar a nossa festa! Como diriam os humanos: Que os jogos, comecem!

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Shunsaku se esgueirava próximo aos parques da cidade, onde haveriam prováveis vítimas para saciar a sua fome. Avistou ao longe várias crianças que aproveitavam os últimos dias de férias, brincando pelo parque. Sua boca começou a salivar ao imaginar devorando as carnes macias delas.

Então, algo chama a sua atenção. Dois meninos que passavam naquele momento. O mais velho em uma bicicleta e um menor agarrada a ela, sobre um skate. Percebeu que eles não eram normais, possuíam uma força espiritual latente, adormecida. Alimentar-se deles não só saciaria a sua fome e desejo de caça, mas também aumentaria sua própria força.

—São os pirralhos Urameshis! -sorriu exibindo os longos caninos e começou a segui-los.

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No playground da escola...

—E pensar que as aula começam logo! -Yutaro reclamou, se exibindo de cabeça para baixo no balanço. -E temos que passar os últimos dias trancados em casa!

—Papai disse que tinha alguém muito mal atrás da tia Botan e da gente. -falou Koji, ocupado em mexer com um grilo com um graveto.

—Mas mesmo assim. -bufou o menino mais velho, antes de descer. -E eles não nos contam nada que está havendo direito.

—Acha que devemos contar para a mamãe sobre o que você fez... você sabe... com o dedo? -o menor perguntou.

Yutaro olhou para o seu indicador e deu os ombros.

—Melhor não. Eu ainda sinto meu dedo formigar.

—Eu achei legal! Parece um superpoder igual ao Ciclope, mas não eram os olhos, e sim o dedo. -o menor fazia pose como se fosse atirar também com o dedo. -Você é mutante?

—Eu não sou mutante. Você é... com essa cara de bobo!

—Você que é!

—Você!

—Você!

—Você!

—Você!

—Você!

—GRRRRRRRRR!!!!!

Ouviram um rosnado e se viraram devagar na direção do som, que parecia vim de um aglomerado de arvores e arbustos do jardim da escola.

—O-o que foi isso? -perguntou Koji se escondendo atrás do irmão mais velho.

—N-não sei. Fica aqui que vou ver. -ordenou, se soltando do menor.

—Não vai. -pediu o menino com medo.

De repente, um vulto sai das arvores e com um salto incrível, fica diante dos dois garotos. Ele sorri ameaçadoramente, achando divertido o cheiro de medo que exalava deles. Ele encara os garotos e...

—Bu!

—AAAAAHHHHHHHHHHH! -gritaram os meninos, assustados demais.

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Naquele momento, em outro lugar.

Botan olhava pela janela, esperando notícias das crianças. Vez ou outra percebia o quanto Keiko estava nervosa com o sumiço dos meninos, e se sentiu em parte culpada. Keiko guardava louças, tentando se acalmar em vão e deixou alguns pratos caírem e se espatifarem.

Começou a imaginar que eles não estariam muito longe dali. Esperou que Takaki, o detetive sobrenatural que a estava protegendo se distraísse ajudando Keiko a recolher os cacos pelo chão, abriu a porta dos fundos e saiu, para procurar Koji e Yutaro pela vizinhança.

Muteo do alto de uma árvore a viu sair, a fêmea era de Kuroi, então não fez nada para impedi-la. Com graça desceu da árvore, caminhando até a casa de Yusuke Urameshi.

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Kurama rebatia com maestria todas as argumentações apresentadas pelos advogados de defesa, a ponto deles se sentirem acuados e pedirem ao Juiz uma nova data para outra audiência.

Talvez por estar cansado, o Juiz assentiu e marcou outro dia, o que Kurama apreciou. Finalmente poderia deixar as suas obrigações como o promotor de justiça Minamino e cuidar de Kuroi e seus comparsas.

Saia da sala, sendo cumprimentado pelos colegas, ansioso para acabar com isso logo e correr até a casa de Yusuke, estava tendo um mal pressentimento. Foi quando seu celular começou a tocar insistentemente, atraindo o olhar de todos ao redor. Olhou o número de chamada e reconheceu sendo de sua secretária, a senhora Takahaci.

—Ela sabe que não pode ligar quando estou em audiência. -pensou antes e atender.

—Kurama, demorou a atender. -uma voz sombria e divertida do outro lado causou arrepios em Minamino.

—Kuroi? -pensou na senhora Takahaci. -Onde está a senhora...

—Infelizmente a senhora não vai poder atender o telefone. -respondeu com deboche. -Sabe como é difícil falar sem a língua?

—Você... -apertou o celular na mão com raiva.

—Se correr...pode impedir que ela morra esvaindo-se em seu próprio sangue. -e gargalhou. -Estou esperando na residência dela.

Kuroi desligou. Kurama estava farto dos joguinhos dele. Iria terminar com o jogo doentio e as ameaças de Kuroi hoje.

Assim que desligou o celular, Rikuo apareceu.

—Muteo me disse por telepatia que a companheira de Kurama está na rua... sozinha. -e deu um sorriso sarcástico.

—Tão fácil assim? -Kuroi gargalhou. -Eu irei atrás dela. Se divirta com Kurama. Ele chegará logo.

Um gemido fez com que ambos olhassem a mulher que se arrastava no chão, tentado sair dali.

—E ela? -perguntou Rikuo.

—Não tenho interesse nela. Pode matá-la se quiser. -e saiu dali.

Rikuo sorriu e começou a caminhar até a sua nova vítima.

Continua...