Falsas Memórias.
4 Capítulo 3
Notas iniciais
AEEE. brigada amores por comentar. Eu demorei anos pra postar, mais ta ai, espero que gostem.
A sala tinha poucos moveis, algumas cadeiras combinando com a cor das paredes, e, obviamente um diva espaçoso e colorido, parecia ser muito fofinho e macio, também. E, para completar a aparência aconchegante da sala, Gerard avistou uma velhinha sorridente sentada atrás de uma mesa de madeira grande. Ela segurava sua cabeça com as duas mãos, com um sorriso enorme, fazendo parecer com que sua mandíbula fosse se deslocar a qualquer momento. - Então, o que achou? Muito menos pior do que você imaginava, não é? – ela disse, segurando a cabeça agora com só uma das suas mãos, permitindo que a outra ficasse livre. - É bem melhor do que eu imaginava, na verdade. – Gerard respondeu sinceramente, mordendo os dois lábios, continuando a analisar a sala. A velha sorriu mais ainda.- Você pode sentar, se você quiser. Depois te mostro a sala melhor, sabe, ela tem alguns segredos que quase não são visíveis a olho nu. Pode sentar aqui, nas cadeiras em frente à mesa ou pode se deitar no diva, eu me sinto bem mais profissional quando as pessoas se sentam nele. – ela piscou para ele. Gerard franziu o cenho levemente, imaginando quais segredos uma sala daquele tamanho podia esconder. Gerard sorriu. Ela parecia ser legal, muito legal, na verdade. - Acho que eu prefiro o diva. – sorriu vendo-a se levantar e sentar em uma cadeira aparentemente confortável ao lado do diva que mais parecia uma cama de solteiro. Ele se deitou devagar, se sentindo desconfortável por não saber como agir ali. Ela continuava sorrindo. Gerard notou que ela estava segurando um caderninho e uma caneta, aparentemente esperando ele começar a falar. - Eu vi um menino sentado na sala de espera, e, quem é ele? – Gerard perguntou, mais por impulso. Só depois percebeu o quão inconveniente estava sendo, afinal, a psicóloga não tinha dito nada ainda. — Então você conheceu Frankie? Ele é um doce, faz terapia comigo há uns dois meses. Ele tem algumas coisas a ver com você, Gerard, enquanto você quer lembrar das coisas, ele quer esquecer. Ela o encarou por alguns segundos, seu sorriso agora era pequeno e fraco. Gerard a olhou confuso, não havia entendido. - Talvez vocês tenham terapia conjunta. Sempre dá certo. **** **** **** Por incrível que pareça, Gerard gostou da psicóloga, gostou da terapia e gostou do consultório. Sentia-se seguro, até. A mulher era muito simpática, tratava-o como amiga. Gerard sabia que tudo que ele dizia era anotado, mas não se importava. Havia tido a mesma sensação que teve antes de entrar na sala dela varias vezes, a sensação de já ter visto aquela cena. Ele saiu do consultório, sentindo o cheiro de chuva que ele tanto gostava. O vento estava frio, as ruas estavam molhadas, o céu estava escuro, mesmo sendo dia. Gerard andou despreocupadamente, repassando mentalmente as conversas com Marie. Ele a chamou de senhora varias vezes, e ela imediatamente o corrigia, dizendo para chamá-la apenas pelo nome. Gerard concordou, achando muito mais fácil. Gerard olhou para o fim da rua, tentando enxergar o mais longe possível. Alguns segundos depois ele sentiu uma dor de cabeça forte, milhões de vezes mais fortes que aquelas que ele costumava ter. A dor foi aumentando, fazendo-o sentir sua cabeça sendo esmagada. Até que ele não sentiu mais nada. **/** - Gerard! Deixa eu dirigir, não é bom você dirigir nesse estado! – Bert puxava a barra da blusa dele enquanto ele andava rápido até o carro parado no estacionamento. - Nem vem, Robert! Você nem fez nada pra impedir! Muito sacana. – Gerard disse, soltando-se das mãos de Bert, que puxavam-o com mais força.- Oh meu deus, o que eu poderia ter feito? E alias, eu não tenho nada a ver com isso.- Se não tivesse não teria me avisado. – ele abriu a porta do carro com força, sem ligar para o garoto protestando atrás dele. - Okay, eu não tenho nada a ver com isso, mas não deixo de ser seu amigo. Gerard bufou, já dentro do carro. Colocou o cinto e se ajeitou no assento. - O que? Vai ficar ai fora? – ele olhou para bert, que continuava de pé ao lado de fora do carro, sem reação.
- Tem certeza que não quer que eu dirija? – Bert praticamente implorou, mas o mais velho apenas o encarou, esperando que ele desistisse da idéia e entrasse logo no carro. Então ele finalmente começou a se mover, deu a volta no carro e abriu a porta devagar. Sentou-se, colocando o cinto de segurança rapidamente, segurando-o com força, como se aquilo pudesse protegê-lo de qualquer coisa. Gerard sorriu um pouco, achando graça na expressão amedrontada do outro. Estava olhando-o com completo horror, na verdade. - Acalme-se, Robert. Nós não vamos morrer. E com isso ele ligou o motor do carro, saindo do estacionamento da boate e rumando para a estrada escura. Gerard tentou ligar o radio sem tirar os olhos da estrada, o que foi quase impossível porque ele não conseguia acertar o botão. Ele estava zonzo e nervoso. Olhou então para o radio, ligando-o. Bert arregalou os olhos quando viu o carro sair um pouco da pista. - Eu disse que nós não vamos morrer! – Gerard riu, voltando a prestar atenção na estrada.[/i] **/** Gerard abriu os olhos devagar, levando sua mão quase que automaticamente para perto do seu rosto. Tocou levemente com as pontas dos dedos no local um pouco abaixo de suas narinas. Afastou sua mão, olhando-a. Juntou a ponta do seu polegar com a ponta do dedo indicador, tocando o liquido vermelho. Um filete de sangue ainda escorria pelo seu nariz, então ele levou a mão de novo ao seu nariz, repetindo o movimento que havia feito antes. Sua cabeça doía ainda, porem muito menos que antes de... desmaiar? Não sabia ao certo. Nem sabia onde estava. Ouviu o barulho vindo da televisão, parecia um desenho, ou alguma coisa do tipo. Quando seus olhos finalmente se acostumaram com a luz, ele pode ver o rapaz ao seu lado com um controle na mão, totalmente concentrado na televisão e no barulho bobo. Olhou-a de novo, pode ver o nome do jogo escrito no canto da tela: Mario. Levantou seus olhos, arregalando-os logo em seguida ao ver quem o rapaz era. Era aquele mesmo garoto que lhe soltou uma risada debochada assim que percebeu que estava sendo encarado tão fixamente. Ele olhou para Gerard e levantou uma sobrancelha ao perceber que seu nariz estava sangrando, muito pouco agora. Gerard abriu a boca, sem saber exatamente o que falar. Queria saber como havia parado ali. Assim que ia começar, o garoto o cortou. - Você esta bem? – ele pausou o jogo e o olhou preocupado. - Estou, só com um pouco de dor de cabeça. Mas... Como eu vim parar aqui? - Eu estava chegando em casa e te vi caído em frente ao meu portão. Ai eu lembrei que eu tinha te visto na psicóloga, e lembrei também do tanto que você ficou me encarando. Eu até achei que tinha algo de errado comigo, sabe. Então, quando eu te vi caído lá, eu não sabia o que fazer, ai eu chamei meu pai. Ele disse que talvez fosse melhor te levar para o hospital, mas ai eu disse que não, que talvez não fosse grave e que, acordar aqui seria bem melhor que acordar no hospital. – ele disse, rápido, tomando ar assim que terminou de falar. Gerard sorriu, agradecendo mentalmente por não ter sido levado para o hospital. - Não tinha nada de errado com você. – ele disse, fazendo o garoto franzir o cenho levemente. - Como? - É, quando eu olhei pra você daquele jeito não foi porque tinha algo de errado, e sim porque eu senti que já tinha te visto em algum lugar. Se fosse em outra ocasião aquilo teria soado como um flerte. Um flerte barato, mas mesmo assim, um flerte. O garoto se mexeu desconfortavelmente no sofá, encarando Gerard por segundos e coçando seu queixo longamente. - Eu já volto. – ele se levantou e desapareceu rápido da sala. Gerard afundou a cabeça no encosto macio do sofá, sem saber o que fazer ali. Começou a bater os dedos insistentemente no sofá, começando a ficar impaciente, até que o outro reapareceu trazendo um paninho branco na mão. Sentou-se ao lado dele, bem perto. Trouxe o paninho para perto do rosto de Gerard, que se afastou um pouco, mas logo relaxou. O garoto começou a limpar gentilmente o pouquinho de sangue no seu nariz. Gerard ficou estático por alguns segundos. Ele mordia seu lábio inferior de leve, parecendo muito concentrado no que estava fazendo. Aquilo pareceu durar muito mais tempo do que realmente durou. O aparentemente mais novo sorriu, afastando-se de Gerard, levando o paninho para longe de seu rosto. - Agora esta melhor. Acho que você esta com hemorragia ou algo do tipo, porque você esta sangrando dês de que você chegou aqui. – ele riu. Sua risada era alta e contagiante, não tanto quanto a de Bert, mas mesmo assim, fazia Gerard ter vontade de rir também. - Obrigado. Espero que não seja algo sério – Gerard franziu o cenho parecendo pensar um pouco no assunto, depois olhou novamente para o outro garoto. – Ei, eu deveria saber o seu nome, sabe, você de certa forma me salvou de ser pisoteado ou atropelado. – ambos riram. Gerard por perceber o quão idiota havia sido aquilo que tinha falado. - O meu é Frank. – ele disse, se levantando e esticando a mão para Gerard, esperando que ele o segurasse. Ele o fez, segurou sua mão e a balançou de leve.- O meu é Gerard. Gerard sorriu de novo ao vê-lo ainda de pé, segurando sua mão, tentando parecer educado, talvez até cordial. - Então, quer jogar? – Frank disse inclinando sua cabeça levemente para o lado.- Eu... Não sei jogar eu acho... Frank olhava-o com os olhos arregalados, como se antenas tivessem saído da sua cabeça. - Não sabe jogar Mario? – ele soltou um risinho baixo.- Não. É que.... Na verdade, eu perdi a memória recentemente e não me lembro de certas coisas. Ambos estavam corados. Frank estava se sentindo culpado pela situação, Gerard estava com vergonha por não saber jogar um jogo que parecia ser totalmente fácil. O mais novo coçou a nuca, pegou um controle e deu para Gerard, que o segurou, sem saber muito o que fazer. — Eu posso te ensinar. – disse, sorrindo.***Frank já havia perdido a paciência com Gerard que só ria, e se descontrolava por não conseguir jogar. Algumas vezes ele até chegou a pegar na sua mão, numa tentativa frustrada de tentá-lo fazer entender que os botões de cima não serviam pra nada a não ser parar o jogo e ir para o menu. — Gerard, okay, eu respeito o fato de você ter perdido a memória e tudo mais. Mas não ter coordenação já é demais. – ele tentou parecer sério de inicio, mas depois começou a rir abertamente da situação. — Eu não estou prestando atenção ok. E você estava me distraindo até agora, conversou comigo o tempo todo. Não quero mais também. – Gerard fez bico, cruzou os braços falsamente emburrado, Frank riu. — Tudo bem. O que você quer fazer? Quer comer alguma coisa? Era incrível o fato de eles terem se tornado quase íntimos em poucos minutos. Talvez Gerard tivesse gostado dele também porque ele de certa forma o salvou. — Não, obrigado. Eu acho melhor eu ir, minha mãe não sabe que eu estou aqui, ela vai me matar quando eu chegar em casa. Frank assentiu com a cabeça. Ambos levantaram, o mais novo na frente. Saíram da sala entrando em um grande corredor cheio de portas, a casa era bem grande.Depois de alguns segundos eles já estavam fora da casa, andando por um grande gramado até chegarem até o portão. — Frank, se tiver algo que eu possa fazer pra te agradecer, é só me falar. Frank assentiu de novo, aproximando-se dele e dando um abraço rápido e amigável. - Não precisa agradecer, eu não te deixaria lá deitado. De qualquer jeito, nós nos vemos na escola? Escola. Gerard não lembrava que existia escola. Não lembrava mesmo. Não por causa da falta de memória, mas sim porque até agora ninguém tinha falado sobre esse assunto. Então ele se deu conta que estavam de férias e que, infelizmente, elas estavam acabando. Frank abriu o portão e acompanhou o outro garoto até o lado de fora. Gerard ainda não havia respondido. - Hun... Eu tinha me esquecido de escola. – ele coçou a nuca por breves instantes, e depois voltou sua atenção ao Frank. – Mas acho que nós nos vemos sim. Mas, eu não sei se nós estamos na mesma escola. O mais novo corou um pouco, encarando o chão.
- Eu acho que já te vi por lá sabe... Antes de... Do acidente. Gerard sorriu, pensando que seria legal voltar à escola com amigos novos. Até porque não lembrava dos que tinha antes. No Maximo lembrava vagamente de Bert. - Nós nos vemos, então.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor