Falsa Realidade
10 Chacina II
Notas iniciais
– Teresa, espere! – Gabrielle grita enquanto tenta acompanhar seu ritmo. – Aquele garoto que saiu atrás da gente! Você viu o que aconteceu com ele!?
A garota diminui a velocidade, como se estivesse a recuar, serrou os punhos e continuou correndo.
– Você não sente nenhum remorso!? Ele morreu por nossa culpa! Aris? Julie? Vocês não vão falar nada?
Os dois evitam olhar para a garota. Continuam a correr em direção ao labirinto.
– Gabrielle, certo? – Bruna recua, para conversar com a mais nova. – Você sabe que cada um de nós temos o poder de escolher a morte de um garoto daqui. Essa foi nossa missão; Diríamos um nome e os verdugos responderiam a esse nome, todo esse lugar é gravado, não sei como, mas eles conseguem nos ouvir e espionar. Eles sabem o nome de cada – como eles dizem – “clareano”. Era ele ou alguém importante para você. Não tivemos escolha.
– Mas...
– Você ouviu o nome que a Teresa falou?
– Chuck...
– Ela disse o único nome que ela conhecia e que pensava que não iria atingir o Thomas. Infelizmente, ela errou. Ele foi o primeiro que morreu.
– Por que estamos aqui?
– As informações que eu e a Teresa temos, são extremamente limitadas e mecânicas. Não sabemos mais nada, além do que contamos. Por que nós? Quem dera eu tivesse essa reposta. Agora, enxugue essas lágrimas, nós precisamos correr.
Os cinco cruzaram a primeira seção do labirinto. Teresa os guiava com uma confiança peculiar, liderava a corrida, sem hesitar em virar por cada lance do labirinto. Era como se conhecesse o caminho de cor. Nenhum verdugo foi avistado, o que significava que todos estavam dentro da clareira. Isso preocupava a líder, entretanto acreditava no comando, cinco pessoas morreriam, e o seu Tom não seria um deles. Isto é, se ele não intervisse.
– Estamos quase chegando. Sobre esta noite, provavelmente não serão só cinco que morrerão. Eles foram claros. O ataque só terminará depois das cinco mortes, independente de quantas outras irão custar. – Teresa diz em tom melancólico e pesado.
O ataque na clareira chegava ao fim. O último verdugo foi derrotado com um ataque combinado de Gally e Thomas. O construtor desequilibrou a criatura atingindo suas patas com uma marreta, enquanto Thomas, dando um salto, perfurou o seu crânio com uma lança. Dos mais de trinta clareanos que lutavam no início, restaram pouco mais de vinte.
– Jeff, quantos perdemos? – Alby chega acompanhado de Newt e Minho.
– Essa noite, tivemos oito perdas... Chuck, Brooks, Clint, Darwin...
Enquanto Jeff relatava, Minho pensava consigo. Tanto companheiros mortos que sequer sabia o nome. Mais uma vez sentia um peso na consciência. Era fato, ele não sentia nada em relação às mortes senão pena. Criara poucos laços, Newt, Thomas... Sim, apenas com eles. Nem mesmo com Alby criara alguma relação que julgava importante. Minho sentia-se mal por não se sentir mal pelas mortes. Ele observava as expressões dos outros clareanos, muitos choravam às perdas, até mesmo Gally demonstrava algum sentimento, ainda que fossem finas lágrimas. Com isso foi afastando-se aos poucos do grupo, ele precisava agir; Bruna e Julie sumiram, a clareira foi atacada, os portões não estão fechando, nem mesmo o céu está se fazendo plausível. Chegou o momento de fugir daquele lugar. Precisava ir à Casa dos Mapas.
– Desculpa, Alby, Newt, preciso falar com o Thomas em particular. Tenho um plano, mas primeiro preciso conversar com ele. Já volto!
O moreno puxa o asiático pelo braço, gritando:
– Minho, eu sou o líder desse lugar, o Newt é o meu substituto, se você tem um plano, nós temos que ouvir, não o Thomas! Ou você está planejando fugir?
– Eu não me importo nem um pouco com a liderança desse lugar, cara de mértila. Você sabe muito bem que eu nunca recebo ordens. Olha o caos que isso aqui virou! É seu dever como líder, em primeiro lugar, o bem-estar dos outros clareanos! Você nunca foi um bom estrategista, deixe para quem entende disso!
– EU ESTOU CANSADO DA SUA ARRONGÂNCIA, MINHO, EU SOU O LÍDER...
– EU JÁ DISSE QUE NÃO ME IMPORTO COM ISSO, ENQUANTO TODOS ESTAVAM LUTANDO VOCÊ ESTAVA DEITADO, QUEM É VOCÊ PARA ME IMPEDIR...
Alby já lançava-se em direção ao asiático, quando Newt entra na frente.
– Vocês dois estão de cabeça quente! Alby, o Minho tem razão, nossa primeira meta não são os planos, mas eles. Temos que orientá-los. E Minho, agora não é hora de ser arrogante e impor sua vontade, você não tem o direito de simplesmente tomar decisões por si só, vai esfriar sua cabeça com o Tommy. Assim que chegar a alguma conclusão, venha imediatamente nos informar.
Ambos abaixam a cabeça, acenando que si e divergindo espaços.
– Thomas! – Minho acena para o outro corredor e o chama com a mão.
– Vamos lá, Newt... – Alby dá um tapa no ombro do loiro. – Para quem odiava liderar, você está se saindo muito bem... Estou orgulhoso. – Fazendo Newt corar.
– Alby, você notou o que o Jeff disse? – o loiro indaga.
Minho e Thomas correm para a Casa do Mapas, cruzando um cenário macabro. Sangue no chão da clareira, alguns garotos mortos e sendo carregados pelos sobreviventes.
– A Teresa, os fedelhos em geral, estão seguros? – Thomas pergunta enquanto corre.
Minho não responde nada, permanecendo com uma feição séria e estática.
– Você não está dizendo que...
– Não, eles não morreram, pedaço de plong! Ou pelo menos espero que não...
– Como assim!? O que aconteceu com ela!?
Minho começa a contar sobre ter procurado os fedelhos. E logo após Newt ter contado o que Alby havia presenciado. Os cinco gritando nomes familiares e então saindo, como se estivessem fugindo da sede.
– O que isso significa?
– Eu não sei, e eu estou preocupado, minha irmã está com eles, a Bruna também!
– E a Teresa...
– Eu não confio nessa garota.
– Posso dizer o mesmo da outra.
Os dois se encaram por um tempo, mas continuam a correr em direção aos Mapas.
O espaço lembrava um depósito. As paredes de madeira e o teto de palha davam ao local um aspecto antigo e rebuscado. No centro da sala, uma mesa de madeira sustentava uma enorme maquete do labirinto. Na parede à esquerda, encontrava-se outra mesa cheia de mapas, correspondente à maquete. Os dois se dirigiram para lá.
– Quando fomos ao Buraco, eu percebi algo estranho. – Minho começa
– Sim, o fato de não ter fim, mas isso eu também percebi...
– Deixe-me terminar, idiota. Aquela mesma luz vermelha que desenhou no céu aquelas palavras, tinha em um ângulo daquele penhasco. E em Código Morse, representavam à mesma palavra: Asteroide.
– Desde quando você sabe esse tipo de código?
– Não faço a menor ideia.
– Asiáticos...
– Voltando. Eu comecei a pensar no labirinto. Como eu decorei caminho por caminho, não deixei de notar que formavam letras, e olhe aqui – Minho começa a arrumar os mapas. – Olhe o que as seções formam juntas, nessa mesma ordem e repetindo todo mês.
Thomas observava boquiaberto. Sob a mesa estavam as palavras: BRUNA, TERESA, ASTEROIDE e CRUEL.
– Mas que mértila...
Os clareanos haviam se reunido no chão da clareira. Apesar de cansados, nenhum ousava fechar os olhos. O que viram em menos de uma hora trouxe um choque atemporal. Gally discutia baixo com Winston e um outro clareano.
– Então, Winston, Mend... Não dá para continuar assim, eles não fizeram praticamente nada. Fugiram que nem bebês chorões.
– O que você sugere, Gally? – Mend, o outro clareano, responde.
Mend era um jovem de aparentemente 17 anos, baixo, porém com tronco, dando-lhe uma aparência mais forte, o que o fez construtor junto com Gally.
– Um golpe.
– Você planeja matar o Newt e o Alby? – Winston entrepõe-se.
– Espero que não, mas se for necessário, antes duas mortes do que outro massacre. Perdi um dos meus melhores construtores, não vou deixar que a morte do Darwin seja em vão.
– Darwin também foi meu amigo, assim como você também estou muito abalado, Gally... Mas precisamos de mais mortes?
– Mendel, faremos o que for necessário. Mas antes, espalhem essa ideia para trolhos confiáveis, temos menos de 24 horas para pôr o plano em ação. – Gally justifica-se. – Posso contar com vocês?
– Sim. – Ambos respondem.
Newt repete sua pergunta para o moreno, enquanto conversavam nos campos da Clareira.
– Então, Alby, você percebeu, não percebeu?
– Do que você está falando Newt?
– Aqueles nomes que eles gritaram... Estão todos mortos.
– O que você quer dizer com isso?
– Sinceramente, não faço a menor ideia. Mas tenho um mal pressentimento do que isso possa significar.
– O caos finalmente mostrou sua face... Mértila.
Ambos silenciam-se. Todos naquele lugar limitavam suas palavras, mas Alby notava um clima de tensão no lugar. Como líder sentia que havia algo de errado. O quê? Não saberia definir e detalhar, mas reconhece uma aversão prontamente, devido a sua experiência de líder.
– ALBY, NEWT, TEMOS UMA COISA PARA MOSTRAR! – Thomas entra na sala.
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