Falling in Real
26 "A special girl..."
Notas iniciais
P.O.V Austin
–Ally, eu vou surtar! – Digo andando em círculos, desesperado.
–Não vai não. Você precisa ter calma. – Diz pelo telefone.
–Olha quem fala... Mas enfim, você pode me dizer o porquê de você não poder vir hoje?
–Já disse Austin! Meu pai está irritado de eu ir todo dia “na casa da Trish”, você precisa entender isso!
–Eu sei que seu pai é complicado, mas eu preciso de você!
–Ei, amor, com quem está falando? – Ouço uma voz ao fundo falando. – Ahh, pai, a Trish. – Diz mais baixo. – Bom, tchau Trish! Bom estudo! – Diz com a voz normal e o telefone é desligado.
– Ah! Ótimo! O que eu faço agora?! – Grito, me jogando na cama.
–O que foi filho? – Diz meu pai entrando em meu quarto.
–Minha última prova de “recuperação” é amanhã, e, a Ally não pode vir.
–Ah, sua amiga tutora! Mas, por quê?
–Antes que você responda Austin, Mike, faça uma correção: namorada, não amiga. – Diz o ruivo entrando comendo panquecas.
– Amigos Dez! Quantas vezes vou ter que dizer isso? – Digo roubando uma panqueca de seu prato.
–Só se for por que você não toma atitude, por que vocês gostam um do outro, isso você não pode negar! – Continua ele.
–Posso negar sim! Não é verdade isso.
–Imagina! Com menos de uma semana aqui e vocês me deram diversos motivos para provar o contrário. Só para constar, Annie concorda comigo.
– E posso saber que motivos são esses? – Desafio.
–Bem, posso enumerar, – Diz começando a contar com as mãos. – Os abraços, sorrisos, o fato que você só presta atenção nela quando estamos próximos, e é claro, os vídeos/fotos, que eu, por gentileza a sua pessoa, juntei em apenas um vídeo.
–Vídeo? – Perguntamos eu e meu pai, intrigados.
–Sim, querem ver? — Pergunta ele.
–Sim! – Reponde meu pai. – Não! – digo eu.
–Então vamos lá!
Os dois saem do meu quarto e começam a gritar por minha mãe e Rosa.
Minutos depois posso reconhecer a baixo, minha música, “Superhero” começar a ser tocada.
Foram momentos de pura curiosidade e vergonha que passei enquanto, lá em baixo, se resumia em puros “ownts”.
Tranquei a porta de meu quarto, estressado. Liguei meu som enquanto procurava insistentemente meu caderno. Antes que pudesse acha-lo, começaram a bater na porta. Ignorando completamente, continuei com a busca. Os chamados e as batidas cessaram tempo depois. Recolhi meus materiais e comecei a luta para estudar.
Com muita luta, consegui entender, aos poucos a complicada matéria. Não sei ao certo quando comecei, mas pelo jeito, demorei muito. Perto das duas da manhã, exausto, acabei todo conteúdo, entendendo grande parte dele, sem a ajuda de Ally, o que me causou certo orgulho.
Assim que recolhi folhas soltas, lápis e canetas, senti meu estômago pedir por comida. Desci silenciosamente até a cozinha, e encontrei um bilhete de minha mãe com os dizeres:
“Querido, espero que tenha conseguido estudar ao máximo. Pedi a Rosa que fizesse chocolate quente e panquecas a você. Coma e durma. Amanhã será um longo dia.
Ps: Independente da nota, saberei que se esforçou.
Com orgulho,
Mamãe.”
Sorri. Minha mãe, apesar de não tão presente, é incrível.
Fui até o micro-ondas e esquentei “meu lanche”, que estava mais para jantar. Comi rapidamente, realmente, estava faminto. Assim que terminei, fui em direção às escadas, porém percebi que a televisão estava ligada.
Ao apertar o botão de “desliga” a tela acendeu, mostrando o tal vídeo do Dez. Sentei-me indeciso. Deveria vê-lo? Apertei o play decidindo-me, e esperei.
Como já sabia, minha música começou a tocar. Em seguida uma foto minha e de Ally, abraçados, aparece. Lembro-me bem daquele dia. Tínhamos comido pizza e assistido um filme de drama qualquer que passava pela televisão. Ally ficou abalada e quase chorou. Ao final, pediu-me um abraço reconfortante. Ficamos minutos abraçando um ao outro, só nós separando pela chegada de Jake. Foi um dos nossos melhores abraços.
Várias fotos passaram, enchendo minha memória de ótimas lembranças.
Já mais ao final, vídeos curtos começaram, fazendo a música abaixar. Dentre eles muitos me fizeram sorrir bobamente. Ally fazia isso comigo. Só ela.
O último era o de nós dançando. Pude ver a felicidade da garota, e principalmente a minha. Eu ficava tão feliz perto dela? Digo, visualmente? Realmente, eu ficava. Qualquer um que me visse nesses vídeos/fotos poderia perceber. Sorri ainda mais com isso.
Antes de a tela ficar preta, Dez ainda adicionou uma frase, deixando meio brega, mas todo esse vídeo já era, então:
“As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.”
Ri. Tão brega.
–Realmente Austin, o amor é algo engraçado. –Diz meu pai me assustando.
–Somos amigos. – Digo cansado.
–Eu sei. Mas o amor não é só romântico sabia? Existem vários tipos de amor. – Diz sentando-se ao meu lado no sofá. – E você ama essa garota.
Respiro fundo antes de falar:
–É, acho que amo. – Ele me olha estranho. Corrijo. – Sim, eu a amo. Só... Não desse jeito que todos pensam. Eu não posso gostar dela assim.
–E, por que não? – Questiona.
–Por que... Não é certo.
–O que não é certo, meu filho, é achar que amar é errado.
–Eu a amo, como amiga. Isso, eu tenho certeza.
–Bom, se você diz. – Ele se levanta e começa a subir as escadas. Para na metade a diz:
–Filho? — Ele me chama.
–Sim?
–Só não se esqueça de algo: Amor, não é algo que acontece e ponto. Permanece e dependendo da situação, ele pode crescer e se transformar em outro tipo de amor. – Ela volta a subir e eu digo:
–O que?
Ele se vira para mim, sorri amigavelmente, e volta a subir, sem nada a dizer a não ser:
“Vá descansar. Amanhã será um longo dia.”
Sorri de canto e passei a mão no cabelo. O que está acontecendo comigo?
[...]
– Tá, relaxa. Você consegue. – Disse Ally a minha frente.
–Eu consigo. – Digo para mim.
–Sim, você consegue.
Estávamos à frente da porta onde eu faria a prova. Esperávamos apenas o professor me chamar. Não demorou muito para o senhor aparecesse e me chamasse:
–Vamos lá, senhor Moon?
Olhei para Ally nervoso. Ela sorri para mim e começo a entrar na sala. Ela, porém, me para e rapidamente dá-me um beijo em minha bochecha e sussurra:
“Boa sorte, loiro.”
Sorrio novamente e entro. A porta é fechada e a prova é começada.
Mentiria se dissesse que não fiquei, em grande parte do tempo, em desespero, mas tentava manter a calma e lembrar-me de tudo que tinha estudado.
Com o final da prova, a entrego, receoso. O professor, como prometido, a corrigiu na mesma hora.
–Senhor Moon?
–Sim. – Disse apreensivo.
–Bom, o senhor até que teve uma boa nota. Acertou cerca de 75% da prova. Então, aprovado.
Sorri exageradamente a agradeci contente. Sai da escola e decidi dar a noticia pessoalmente a Ally. Mudei minha rota e fui em direção à casa da morena.
O.V Ally
Quando enfim cheguei em casa, meu pai me esperava ansioso. Perguntei o motivo, e ele, surpreso questiona-me:
–Você se esqueceu, Ally? –Faço cara de confusão e ele continua. – seus avós estão vindo para cá hoje.
Como eu pude esquecer-me disto? Meus avós me ligaram há duas semanas para confirmar a sua vinda.
–Ah, tem razão. Eles já estão chegando?
–Sim, sim. O motorista deles me ligou a uns 10 minutos avisando.
Assim que meu pai terminou de falar, a campainha toca. Meu pai rapidamente vai à porta e a abre. Meu avô, rapidamente, abraçou meu pai, emocionado.
–Filho! Que saudades! – Ele passou a mão no ralo cabelo do meu pai, fazendo-o parecer mais jovem, e meu pai, uma criança.
Ele vem até mim e segura meu rosto entre as mãos:
–Allysota? Você cresceu! – Ele me abraça carinhosamente, dando-me segurança.
Assim que nos soltamos, pergunto sobre minha avó:
–Vô, onde está a vovó?
– Quando estávamos virando a esquina, ela encanou com uma flor da floricultura aqui perto e ela ficou para compra-la para você.
Sorri, minha avó era tão fofa!
–Bom, vou espera-la lá fora.
Caminhei até a porta e a abri. Encaro surpresa a minha frente.
–Oi Ally. – Diz Austin tímido, com flores na mão.
P.O.V Austin
Pouco antes de chegar à casa de Ally, resolvi dar-lhe uma surpresa. Parei em uma floricultura perto para lhe comprar flores.
Em meio a minha dúvida, uma senhora baixinha de cabelos chocolate veio me ajudar:
–Quer ajuda rapaz?
Olhei para a mulher em tom de súplica, que riu e disse:
–Bom, não sou adivinha, mas acredito que essas flores sejam para uma garota especial. -Assinto, envergonhado. – Bom, — Continua. – eu escolhi essas flores para a minha neta, acho que ela irá gostar, talvez a sua garota também goste.
As flores, de variadas cores, eram pequenas e brilhantes. Lindas.
Sorrio e digo:
–Realmente, acho que ela irá gostar.
A senhora sorri também e diz:
–Bem, pode pegar as minhas. Assim posso ficar mais tempo admirando as outras flores enquanto o outro bu quê fica pronto.
Rio com a estratégia da senhora. Pergunto se não tem problema mesmo e ela assente feliz. Pago-a e agradeço.
Finalmente chego à casa de Ally. E antes que pudesse tocar a campainha, a porta é aberta. A morena me encara surpresa e eu digo tímido:
–Oi Ally.
–Oi Austin. – Ela olha para dentro de casa assustada e se volta para mim. – É... Desculpa perguntar... Mas, o que você está fazendo aqui?
–Eu vim falar sobre a prova. – A garota estava desesperada, dava para perceber. Perguntei: – Ei, está tudo bem?
–Na verdade, não. Meu pai está aqui, junto com o meu avô, e a minha avó vai chegar daqui a pouco. Vim esperá-la aqui.
–Ah! – Digo. — Será rápido, prometo.
–Ok. – Concorda.
–Ally! Adivinha só: eu acertei 75% da prova! Eu passei! – Digo feliz.
A garota, para a minha surpresa, pula em meu pescoço, me abraçando. Tomando cuidado com as flores, retribuo. Ela diz:
–Parabéns! Eu sabia que conseguiria!
Soltamos-nos e digo:
–Eu não conseguiria sem você, Ally. De jeito nenhum.
Ela sorri sem graça. E antes que o clima ficasse estranho demais, entrego-lhe as flores:
–Bem, para agradecer, eu... Comprei-te flores. Espero que goste.
Ela sorri encantada. Abraça-me, cariosamente e diz baixinho:
–Obrigada Austin. De verdade. Por tudo.
–Eu que agradeço Ally.
–Ah! Então essa é a sua garota especial? – Nos separamos rapidamente e vejo a senhora da floricultura.
–Vovó? – Diz Ally, surpresa.
–Ah, desculpe minha neta, mas você terá dois buquês iguais agora. – Diz a senhora rindo.
–Ah, vovó, ah... Sobre isto. – Diz medrosa.
–Bom Ally, depois conversamos. Mas, acho que seu pai não pode saber.
Sorrimos, os dois, culpados. A senhora completa:
–Já imaginava. Agora, querida, se despeça desse jovem, antes que seu pai decida vir aqui.
Ela beija a minha bochecha e sussurra “Tchau”. Faço o mesmo e elas entram rapidamente, fechando a porta. A última coisa que escutei foi:
“Promoção dois por um: dois buquês pelo preço de um”. – Mesmo mal a conhecendo, sabia que a voz era da avó de Ally.
Ri, e fui embora da casa da minha garota especial.
P.O.V Ally
Beijo a bochecha de Austin, rapidamente e sussurro um “Tchau”. Ele faz o mesmo e eu e minha avó entramos rapidamente, fechando a porta.
“Garota especial?” – Pergunto a mim mesma. Como assim?
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