Fallen Angels

1 Paradox - POV Hayley


Notas iniciais
Bom, removi a outra Fic, para criar uma Fic na qual o assunto seja compreendido por todos. Espero que seja de agrado a vocês.

Sabe, as vezes eu me deixo abater por algumas coisas tão bobas. Mas, quando uma pessoa é ferida, não por cortes, ferimento carnal, e sim por dentro, ela jamais volta ser a mesma pessoa de antes. Posso dizer isso por experiência própria, e dessa vez, isso não só me abateu, como me corroeu por dentro. Uns anos atrás eu me perguntava como era sentir o tão desejado por uns, indesejado por outros, Amor. Como seria acordar e já ter pensamentos e suspiros por uma pessoa? Como seria sofrer por amor? Como seria fazer seus olhos se tornarem alvos fáceis, te fazendo chorar facilmente durante dias. As lágrimas não são simples gotas de água, vêm da alma, da dor que sente tua alma e seu coração quando teu amor se cansa de lutar, quando tua alma chora interiormente e há um mar imenso que sai pelo seu reflexo, pelos olhos que são o espelho da alma. Hoje, eu nunca queria ter me feito essas perguntas. Não após ser tão machucada. Eu não sou forte, nasci com o distúrbio dos sentimentos frágeis e incrivelmente confusos.

Em 2011, eu conheci ele. Jogado, descabelado, éramos apenas desconhecidos em uma sala de aula infernal. Naquele tempo eu era tão ingênua, e tímida. Passei metade do ano sem me relacionar com ninguém naquela sala, até começarem me atormentar por isso.

Certo dia, Luc, um dos ridículos com piadas medíocres da sala, durante meu horário de saída, me puxou pelo braço, e derrubou minhas coisas no chão. Eu não tive reação, só pude permanecer calada, e tentei juntar meus livros enquanto estava ajoelhada no chão.

Luc então, chutou um deles para longe.

– Oh... foi sem querer. — Luc disse ironicamente, enquanto olhava para seus amigos e ria. — Sua nerd do caralho, você é uma vergonha para este Colégio sabia? Ver você andando com nosso uniforme pelas ruas me enoja. Esconde esse rosto por trás dos cabelos, e nunca fala com ninguém. Se acha a Dona do Mundo ignorando a todos?

Eu nunca havia ouvido tanta criancice na minha vida, eu não perderia meu tempo com alguém como ele. Até que ele pisou em um dos livros, e forçou para rasgar. Rapidamente tentei puxar o livro do pé dele, então seu pé escorregou e atingiu meu rosto, eu acertei a cabeça na parede, e caí tonta no chão.

– Luc, vamos sair daqui, você está louco? — Os garotos pareciam estar assustados, e agitados. Minha visão estava embaçada, eu estava perdendo os sentidos pouco a pouco.

– Ela está sangrando, o que vamos fazer?

– Deixe-a aí, essa ala do Colégio não possuem câmeras, andem, vamos sair daqui rápido.

Eis que escuto uma voz um pouco distante, parecia vir do final do corredor onde era o único trajeto de saída: "Deixe-me ouvir o Hino do Desespero e da Dor." Por um instante, todo o Colégio ficou em um silêncio perturbador, e prosseguiu assim durante 15 segundos. Até que então, pude ouvir gritos e gemidos desesperados e nessa trajetória perdi meus sentidos, e desmaiei.

Não me pergunto porque tenho isso em minhas memórias, creio que eu já estava delirando pela forte pancada na cabeça, então não me faço questionamentos. Depois daquele dia, os garotos nunca mais foram vistos na cidade, creio que foram embora por medo, ou fugindo das autoridades.

Mas minha história começa no Hospital de Centralia, Pensilvânia.

Ao acordar, posso sentir minhas mãos frias, e uma claridade nos meus olhos que os faziam doer só de abri-los ligeiramente. Como se eu tivesse passado meses dormindo. Parecia que eu estava adivinhando, não foram meses, mas passei quase um mês desacordada. Eu tive um traumatismo craniano leve, e entrei em coma.

Ao poder enxergar o quarto completamente, olhei pro lado, e pude ver minha Mãe dormindo em uma poltrona. Pelo seu rosto, parecia que ela não tinha uma boa noite de sono a tempos. Tentei chamá-la, mas minha voz não saia. Então achei melhor esperar acordar, ou alguém vir dar uma olhada em mim.

Eis que alguém entra na sala.

– Você acordou! — A enfermeira disse com um sorriso no rosto. Ela estava acompanhada por alguém, porém a claridade impedia de ver o rosto direito, não consegui reconhecer. Eu tentei forçar meus olhos para ver se melhorava. Então a enfermeira viu minha situação quanto a isso.

– Oh, seus olhos ainda estão sensíveis, um instante, irei fechar as cortinas... prontinho.

Então eu pude conhecer, aquele que seria quem eu iria conhecer sentimentos inexplicáveis e me tornaria a melosa que sou hoje.

– Hayley, este é o Rick, foi ele quem te encontrou no Colégio e chamou a emergência. Se você continuasse perdendo sangue por mais algum tempo, não sei se você estaria aqui ouvindo esta história. Ele te salvou, deve sua vida a ele mocinha.

E ele era simplesmente ele. Tinha apenas 15 anos de idade. Continha olhos negros, cabelos longos ao ombro, branco como a neve. Era de poucas palavras, parecia ser um tanto emotivo e depressivo. Nunca saía, o máximo que fazia era ir até a varanda de sua casa e olhava para o céu. Aquele sem estrelas que lembrava o vazio de sua alma, pelo menos, era o que eu achava nos primeiros meses..

E eu não conseguia parar de olhar para ele, devo ter ficado 1 minuto vidrada. Eu nunca havia me sentido atraída por nenhum garoto, mas desde que o conheci, minha vida virou no avesso, e eu gosto de lembrar dos tempos em que eu achava que esse avesso era meu lado certo.

Minha Mãe acordou com a nossa conversa, e tomou um grande susto ao me ver acordada, e correu para me abraçar, chorando e dando Graças a Deus. Quando as pessoas adicionam essas palavras religiosas no diálogo do dia a dia deles, e se comunicam dessa forma comigo, eu fico sem reação, não gosto desse tipo de coisa..

– Se você continuar desse modo sobre mim, é possível que eu apague novamente, Mãe.

– É tão bom te ter de volta, e ter de primeira essa tua ironia. — Disse minha Mãe, com os olhos carregados. — Porém, filha, eu não queria fazer você se esforçar, mas eu quero que quem fez isso contigo, seja penalizado logo, por favor, me diga quem fez isso com você, e o que ocorreu.

Após explicar tudo a minha Mãe, ela passou tudo ás autoridades, e então, o fato que eu havia comentado, foi descoberto. Aqueles garotos haviam sumido sem deixar rastros, continuou assim, desde aquela época.

Então, o Rick se aproximou de mim, e segurando minha mão, falou com a voz calma como sempre falava:

– Por favor moça, se acalme. Você não terá mais problemas, posso garantir isso a você. Eu estudo no mesmo Colégio que o seu, não sei se sabes. E seus pais me pediram para que eu ficasse de olho quanto aos garotos de lá, enquanto eu estiver por perto, ninguém tocará em um fio de cabelo teu.

Creio que um dos motivos de me apaixonar por pequenas palavras, talvez tenha sido por ninguém fazer nada por mim a vida toda. Viver solitária foi sempre algo normal, um normal doloroso, mas que a vida me dava somente este modo.

– Está tudo bem.. Rick. Obrigado. — E abri um sorriso disfarçado, eu não sabia como agir, mas também não queria demonstrar ser frágil.

– Ora, vamos lá. Sua boca pode mentir dizendo que você está normal, ela também pode abrir um sorriso para que as pessoas se convençam disso, mas os seus olhos, eles sempre irão mostrar o que realmente se passa no seu coração, poucas são as pessoas que conseguem enxergar isso. — Rick sorriu.

– Hayley, como se sente? Alguma dor? Você sofreu um traumatismo craniano leve, e teve que passar por uma cirurgia, não quero criar expectativas, mas você pode ter ficado com algumas sequelas. — A enfermeira que tinha um sorriso no rosto, tomou um rosto sério repentino ao dirigir essas palavras a mim, que até pude me assustar de certa forma.

Porém, incrivelmente, eu me sentia bem, não sentia alguma dor, era como se eu somente tivesse dormido por muito tempo.

– Eu me sinto bem, sem dores ou qualquer queixa parecida.

– Muito bem, irei dar uma olhada nos exames, e ver quando você poderá ir para casa.

– Bom... — Rick disse baixinho, e complementou — Eu irei para casa Hayley, eu tenho que cuidar do meu irmão mais novo, ele está sozinho em casa. Mas logo venho buscar notícias sobre você. Por favor, fique bem, até.

– Obrigado... por salvar minha vida, na verdade.. não sei como agradecer isso, é algo muito imenso para se agradecer com palavras, mas uma hora irei saber como agradecer. Mas de qualquer forma, estou muito grata.– Foram as únicas palavras que eu conseguia pensar naquele momento, quais palavras você pode dizer a um desconhecido que salvou tua vida? Creio que seja impossível que alguém saiba dizer com todas palavras qual seja a sensação disso.

Notas finais
Somente isso por hoje pessoas, até o próximo capítulo. Comentem o que acharam. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.