Fairy Tail: Operation Fairy Back
3 Capítulo 3 – Mira e Yuu
Notas iniciais
Fairy Tail: Operation Fairy Back
POV Mira:
Mais um dia se passou na cidade de Londres, capital da nossa amada Inglaterra. Os dois agentes da MI-Fairy seguiam dedicados em uma árdua tarefa: “localizar a bomba no London Coliseum, um dos mais magníficos teatros da cidade”. Há poucas horas atrás, o Mi-5 interceptou conversas em um chat online de uma página na darknet, onde os usuários orquestram um plano com um mercenário, que se autointitula “O bombardeiro de Kosovo”.
Ele é um velho conhecido das agências de inteligência, famoso por usar explosivos contendo minérios mágicos anti-magias, um sujeito altamente perigoso que nunca teve sua real identidade divulgada e tem apenas um perfil traçado pela equipe especial de perfiladores forenses da inteligência. Sabe, aqueles caras que fazem leitura de um suspeito com base no seu modus operandi. Hoje há ferramentas muito avançadas para se traçar um perfil e graças a isso, conseguimos obter 98% de solução efetiva em campo. Os outros 2% dependem exclusivamente das habilidades técnicas e experiências dos agentes.
Hoje é 15 de março, havia uma peça em cartaz: “A Odisseia” e ninguém menos que a modelo e atriz famosa Mirajane Strauss poderia ser designada para esse tipo de tarefa. Ela usou de sua influência para adiarem as apresentações até confirmarmos que é seguro para todos estarem ali. Montamos um pequeno bloqueio de policiais do lado de fora e isolamos toda área no interior do recinto. Não queremos gente inexperiente andando pelo lugar e podendo, acidentalmente, ativar a bomba e provocar uma imensa explosão que irá mandar tudo pelos ares em instantes.
Para evitar isso, um segundo agente especialista em bombas foi designado, seu nome é Yuusel Dawnford. Ele está na casa há 4 anos e já se provou ser um dos melhores, quando o assunto envolve explosivos mágicos, tanto é que recebeu altas condecorações militares por servir ao seu país. Lembro-me como se fosse ontem, ele entrando pela porta frente da nossa casa, tímido e atrapalhado, acabou fazendo meu irmão derrubar uma caneca de cerveja ao contar algumas piadinhas sobre japoneses, a qual seu velho mestre lhe compartilhava após os treinos.
Não sei exatamente que tipo de treinamento ele recebeu, pois é péssimo em manejar uma espada e mal sabe segurar um arco. Sem falar que sua mira não é lá muito precisa. Mas ele sabe como cortejar uma mulher, tem uma voz suave e canta como os pássaros em uma floresta de uma beleza exuberante e selvagem. Consultei até as cartas da Cana, minha melhor amiga e profunda conhecedora das artes ciganas.
Estranhamente elas revelaram que nossos destinos ainda estão entrelaçados, porém, meu coração está dividido entre alguns homens. Três homens para ser bem específica. Isto, posto que numa das missões de alta periculosidade que recebi da base, me envolvi com um homem mascarado, e que, sabia usar um arco como ninguém mais. Lutava bravamente como um bárbaro sanguinário, se movia com a destreza de um leopardo e saltava por entre as árvores como um macaco. Nunca contei a ninguém sobre essa pequena aventura no Congo.
Libertamos alguns homens e mulheres que eram mantidos em condições análogas à escravidão, isso com a ajuda de uma figura misteriosa e estonteante, lembro que ele trajava um manto e seu rosto era coberto por um capuz azul. Ele ostentava um arco e flecha mágicos com os quais lutará contra os inimigos daquele lugar. Depois desse episódio foi quando conheci o Yuu, em um Pub ao sul da cidade de Londres, muito frequentado por mafiosos e toda a escória da sociedade. Erza e Eu estávamos disfarçadas de jovens ricas oriundas de família muito influentes na Inglaterra. Lembro-me dos olhares daqueles marginais e os sorrisos sádicos, mas também havia o olhar especial de um certo idiota que era intenso e carinhoso, e ardiam de paixão.
Yuu apesar de tudo era um sujeito muito cuidadoso, gosta de animais, tanto que adotou um gato de estimação e o chamou de yan em homenagem ao seu falecido irmão caçula. As circunstâncias que levaram a sua morte, no entanto, levaram a prisão de sua mãe e consequentemente a sua estadia em um orfanato. Uma infância muito cruel para não dizer injusta. Apesar de tudo, ele aparenta não guardar mágoas de sua mãe, mas tem evitado contato com ela, desde que se tornou um agente brilhante da Mi-Fairy. Certamente, ela deve estar bem orgulhosa do que seu filho se tornou, creio que possa estar se imaginando quantas vidas ele já salvou durante esse tempo. Só o que posso dizer é que tenho orgulho em ser sua superior e parceira de campo. Temos uma relação bastante complicada, porém, muito profissional.
Por ora, precisávamos nos concentrar na “bomba”. Eu em particular, precisava de mais atenção, pois estando ao meu lado esta figura peculiar de um homem alvo, por volta de 1,73 cm e cabelos azulados. Meu coração ficava perdidamente acelerado. Não sei se era o seu cheiro, ou o seu jeito de querer fazer as coisas à sua maneira que me deixava louca. Quero dizer, ele não cheirava mal, pelo contrário; podia sentir uma doce fragrância de uma loção famosa, cara e importada do Sul de Paris exalando pelos membros superiores de seu corpo. Nos membros inferiores havia um odor de morango com chocolate belga. Uma combinação um tanto estranha, eu diria. Podia afirmar isso, sem sombra de dúvida, graças aos meus sentidos aguçados. Afinal, sou uma usuária experiente de take over, e essa habilidade me concede alguns privilégios, e ora ou outra, um tormento daqueles de arrasar com a minha consciência. Por sorte, sei bem quando e onde usar o meu faro avançado. E inclusive estava o usando, naquele momento, para tentar demonstrar um pouco mais de trabalho nas buscas pelo material explosivo e com isso, poderia dar uns baitas puxões de orelha no meu “pupilo” por ser tão vagaroso quanto impertinente.
A algumas horas atrás, estávamos tendo uma conversa daquelas, bastante calorosa e me senti uma tremenda idiota por deixar ele me levar no papo, de que dessa vez queria liderar na missão e estava preparado para assumir os riscos de uma eventual falha. É óbvio que se o diretor e nosso mestre, Makarov, souber disso, irá pensar seriamente numa punição adequada para ambos. Em outras palavras, ele vai se dar muito mal e me arrastar junto para o buraco. Por isso tinha que confiar nos seus instintos, embora minha intuição diga que esse idiota não merece tantos privilégios assim, em relação a toda confiança que venho depositando nele. Contudo, era preciso manter a calma e redobrar os cuidados, pois a qualquer momento essa coisa pode explodir enquanto nos distraímos com situações inusitadas.
Foi quando, de repente, em meio ao clima de tensão. Uma das portas do lugar se abriu, e adentrou no recinto um oficial um tanto acima do peso devidamente fardado se prontificou a falar e assim, atrasando eventualmente o êxito de nossa missão.
– Desculpe interromper, chefe Mira. Mas os homens lá fora estão apreensivos, e ainda temos de conter a imprensa e uma pequena aglomeração de curiosos com câmeras no celular. — Falava o policial, enquanto resfolegava e aguardava novas instruções.
Levei uma das mãos até o rosto, como quem não acreditava no que estava ouvindo. Enquanto Yuu gargalhava da minha situação, rebento em lágrimas e me forçava a tomar uma decisão da qual poderia me arrepender amargamente mais tarde.
– Sgt.Dooley, quantas vezes terei de repetir que esta é uma cena de crime ativa e, por isso, não quero ninguém. Além do especialista em bombas e eu dentro do teatro. Principalmente, um certo alguém que se fartou de comer hambúrguer, batatas fritas e milk shake de morango. – Esclareci, notavelmente nervosa e bufando de ódio, que até um animal perceberia tal ato e se afugentaria.
– Er, bem. Sabe é que hoje teve uma promoção rápida no drive-thru do Kings & Kings Burger, com direito a desconto para policiais e... – Ele tentava se justificar, mas fora em vão. Pois sabia melhor do que ninguém, o que naquele momento uma mulher como eu não queria escutar.
Logo, um silêncio sepulcral se formou em todo o ambiente e meio constrangido, o dócil sargento calvo já se posicionava em direção a saída. E vendo aquela cena tão ilustre, não havia como não se emocionar e refletir sobre as duras palavras que pudera ter dito. Tanto é que o idiota do Yuu tomou a iniciativa de dialogar e amenizar o clima.
– Não esquenta não, Dooley. Ela só acordou com o pé esquerdo hoje, porque esse caso está tomando demais o seu tempo precioso, que certamente ela gastaria num encontro em algum lugar legal; com um sujeito boa pinta, como esses galãs que aparecem na novela das oito. – Dizia Yuu, meu parceiro, notavelmente tentando apaziguar a situação com o aquele seu jeitão um tanto infantil e brincalhão de sempre.
Dito isso. Fiquei ainda mais irritada, mas sem transparecer, obviamente. No fundo, entendia o porquê daquela provocação e tive que reconhecer que deu certo, o semblante do sargento mudou rapidamente para uma expressão mais alegre e determinante. Estava claro que foram as palavras inteligentes do Yuu que o motivou a seguir minhas ordens, embora não concordasse com seus métodos todas as vezes. Ele sabia lidar com gente melhor do que ninguém, estando sob forte pressão, um ponto alto de sua personalidade que por vezes me faz querer admirá-lo.
– Mas que humor, hein, parceira. Fria como uma pedra de gelo, pareceu até a Erza por um momento. – Ele relembrou, chamando a minha atenção. – Admita, você sente minha falta quando não estamos em missão juntos... – Por fim, ele provocava com seu típico comentário só para ver minha reação.
Por alguma razão, cerrei os punhos de ódio ao ouvir aquele comentário besta e que demonstrava o quanto ele tinha uma autoestima nas alturas. Mordisquei a ponta dos lábios. Procurei me acalmar, não poderia descontar minhas frustrações e raiva num subordinado, ainda mais estando naquela operação específica.
Mas em outras circunstâncias, eu já teria mostrado o quanto realmente sinto sua “ausência”. Só gostaria, por um momento, que ele fosse designado por outra equipe na casa e aí, juro que o faria sentir na pele com quantos paus se faz uma canoa. Todavia, ele é um profissional exemplar, que por tragédia do destino acabou se tornando meu subordinado e conquistou o direito de ser meu parceiro em ocasiões especiais.
Esta era uma dessas tristes ocasiões, se não fosse por isso, o deixaria a ver navios e seguiria meu rumo de alguma forma. Não é difícil encontrar outro agente especial tão bom do esquadrão antibombas, entretanto, em se tratando do possível material a ser encontrado e o autor em particular dessa obra, precisaria me contentar com os esforços e as piadinhas de um sujeito metido a bonachão.
– Olha Yuu, melhor deixarmos de papo furado. E acharmos logo essa bomba. – Retruquei, o fazendo recuar nas suas brincadeiras e focando no seu objetivo.
Logo, ele me mostrou algo que atraiu minha atenção, um dos assentos na quinta coluna da quarta fileira em direção ao centro da sala estava desarrumado. Nos aproximamos com cuidado, respiramos lentamente e observamos atentamente cada passo que dávamos à frente. Até que finalmente ficamos diante do lugar, no ar não conseguia identificar o cheiro e, por conseguinte, não era possível entender que tipo de composto fora utilizado. O que só nos deixava com a opção de levantar a almofada e rezar para que nossas ações não desencadeassem uma explosão catastrófica, sem precedentes históricos.
Yuu se agachou com cautela, antes que pudesse tocar naquele objeto. Pus uma de minhas mãos sobre o seu ombro, chamando sua atenção para mim e ele entendeu o “recado” que queria dar com aquele gesto. Então, se afastou de lá e tomei o seu lugar. Afinal, era minha responsabilidade como sua superiora averiguar a situação mais de perto, antes dele finalmente proceder com seu trabalho de desarmar.
Muitas perguntas ecoavam em minha mente naquele momento. Quanto tempo ainda tempos? Que tipo de explosivo estava sendo utilizado? Temos alguma chance de reverter o quadro? Essas e outras questões técnicas me incomodavam um pouco, mas era preciso ser fria e calcular precisamente os meus movimentos; sincronizando o tempo e o momento oportuno, até definitivamente revelar o conteúdo oculto debaixo daquela almofada. Estava apreensiva, ansiosa pelo que poderia acontecer e foi aí que aconteceu... assim que levantei a almofada, uma pistola de brinquedo foi acionada e despejou um líquido colorido no vestido que trajava. Em seguida, uma bandeira foi hasteada com a mensagem: “Boom, Minha Rainha! ”
O de cabelos azulados, logo caiu no chão e começou a dar boas risadas desenfreadas. Mas logo ficou em silêncio ao ver que não partilhava da mesma graça, me levantei com calma e parando para ver o estrago que ele me causou. Não havia outras palavras que pudesse sair de minha boca, senão:
– Take Over: Satan Soul!
Liberei minha primeira forma demoníaca para a surpresa e certo espanto da parte dele. Comecei a massagear os punhos e a me alongar, seria uma surra bem dada naquele cafajeste que ele jamais iria esquecer.
– Calma aí, coração. Foi só uma brincadeira, brincadeirinha... – Ele tentava se explicar, inutilmente, àquela altura já não suportava nem mais uma palavra daquele mentiroso contumaz.
Me aproximava lentamente do corpo dele, o pegando pela gola da camisa e o erguendo para o alto. Em uma de minhas mãos emanava uma poderosa onda de magia negra que tomou a forma de uma esfera obscura, e levei essa mão até bem perto de sua face jovial.
Ele estava de olhos fechados, trêmulo, balbuciando uma série de palavras sem sentido e às quais não queria dar ouvidos. Mas deveria tê-lo escutado, logo após isso, tudo o que vi e senti era um peso de um mundo inteiro desabando sobre minhas costas. Antes, pude ouvir o estrondo de uma explosão e minhas memórias ficaram uma bagunça a partir disso. Por um longo período de tempo, fiquei desacordada e mal sabia como ainda respirava.
Talvez fosse graças ao take over ter me protegido de grande parte da colisão, absorvido o impacto e reduzindo os danos causados ao meu corpo. Recobrava meus sentidos lentamente, um a um, a princípio ouvi uma voz feminina e muito familiar me chamando. Uma figura reluzente surgiu diante dos meus olhos, sorridente, ela estendeu sua mão para mim e de alguma forma ela me trazia uma sensação de calmaria.
Quem sabe fosse um anjo enviado para salvar uma jovem demônio de um destino trágico? Quem sabe fosse o pior dos demônios prestes a levar minha alma para a punição nos confins do tártaro? Fitava seus cabelos brancos, sua pele da mesma cor e a aparência semelhante a mim; sendo alguns anos mais jovem. Foi aí que percebi que em meu delírio, a minha mente resgatou a imagem de Lisanna – Minha falecida irmã –, tudo o que mais queria naquele momento era me juntar a ela e nos tornamos uma família unida, como em outrora. Queria poder sentir o seu cheiro, tocar na sua pele tão macia e quente, tê-la no conforto de meus braços e não deixar que ela escapasse novamente.
Contudo, nada daquilo era real, tratava-se de uma experiência paranormal. Um encontro com o acaso, um momento inoportuno onde duas almas se encontravam e precisam se despedir por ora. Aos poucos, percebo que a distância entre nós duas apenas aumentava e sentia leves pontadas de choque no meu peito. Assim, recuperei minha consciência plena e podia ver o meu parceiro, a poucos metros do meu corpo. Em sua cabeça havia apenas um ferimento leve e superficial. Ele estava de pé, gritando algo que até então não conseguia escutar e ao olhar de relance ao meu redor, era possível notar o tamanho dos estragos. Tudo veio abaixo, as chamas se espalharam por todo lado, não deixando espaço para uma saída e era só questão de tempo até consumir, tudo e todos lá dentro. Enfim, recuperei minha audição, um dos últimos sentidos que faltava e podia escutar o que ele estava dizendo.
– Mira, acorde. Olhe para mim, onegai! – Ele exclamava aquelas palavras com toda a força e energia que encontrara. Idiota. Se estava bem, e sabe-se lá a quanto tempo estava acordado, ele deveria ter me deixado de lado e se salvado.
– Ba-baka! Não grite tanto, estou com uma dor de cabeça. – Comentei para alívio dele. E dei uma risadinha singela que fez doer um pouco o meu estômago.
Havia dois pilares de madeira da coluna para baixo, mas por algum motivo milagroso conseguia sentir as minhas pernas. Já movimentá-las era outra conversa.
– Uffa! Mas que susto você me deu, sua... idiota! – Yuu respondia com um olhar afetuoso e pela primeira vez, pude notar a certa preocupação em seus olhos comigo.
Por isso, não podia me dar por vencido. Precisava sair daquela armadilha de madeira, de qualquer jeito. Pensei um instante, e logo tentei usar o take over. Mas minha magia estava fraca, não conseguia acessar minha forma demônio. O que me fez tentar outra coisa, magia de elementos que é uma das mais básicas no nosso aprendizado.
Minhas pernas se transformaram em água assim como o resto do meu corpo, dessa forma pude passar pelos escombros com facilidade. Mas a magia durou pouco, tempo o bastante para que pudesse me afastar daquele lugar e voltei a forma humana, caindo nos braços firmes do meu subordinado. Aquele idiota havia malhado bem, sua musculatura era bem definida e ele me segurou ao notar que ainda estava sendo um pouco complicado para ficar de pé. Estava zonza, com um zumbido impertinente nos ouvidos e precisaria passar por uma avaliação médica mais detalhada depois. O que importava era encontrarmos uma maneira de escapar com vida de lá, e sem nos causar mais ferimentos ou algum sofrimento.
Yuu, não obstante, enfiou a mão debaixo de sua jaqueta e pegou um objeto que me deixou para lá de atordoada naquele momento. Era uma flecha de cor azul, muito semelhante à usada por aquele sujeito misterioso do capuz que conheci no Congo e olhei para ele sem entender como aquilo foi parar nas mãos de um idiota como ele.
– Escute, Mira. Eu sei que isso vai parecer loucura e, te garanto que explicarei as coisas no momento certo. Mas agora a única chance de sairmos daqui com vida, é confiando em mim e usando isso. – Ele começou a esclarecer um pouco as coisas, embora não tivesse certeza se era ou não o momento para questioná-lo. Apenas assenti com a cabeça em concordância com as suas palavras.
– Muito bem. Flecha número #337: Magia secreta – Buraco do Espaço e Tempo! – Ele entoou aquelas palavras, da mesma maneira que o elemento o fazia. Não podia ser verdade. E quebrou a flecha no meio, dando início aos seus efeitos práticos.
Em seguida, fomos engolidos por um buraco mágico que surgiu repentinamente em pleno ar e desaparecemos num piscar de olhos daquele lugar. A princípio fomos parar numa via movimentada na cidade de Nova Iorque, estávamos na Broadway diante daquelas luzes brilhantes, e os outdoors gigantescos da Times Square. Era uma praça frequentada por milhares de cidadãos nova iorquinos, e por alguma razão, estava completamente despida e sendo alvo de fotos, assobios e comentários maliciosos de todos os tipos.
– Nossa, mas que corpão parceria. Até que está em forma para uma modelo – Comentava o idiota do Yuu, provocando altas risadas dos transeuntes no local.
– Baka, faça alguma coisa e me tire daqui logo! – As maçãs do meu rosto estavam ruborizadas e avermelhadas. Era uma situação para lá de embaraçosa, a qual me encontrava. Implorava enquanto tapava os meus fartos seios com os braços e tentava cobrir minhas partes íntimas.
Ao dizer aquelas palavras, o buraco se formou novamente e dessa vez nos levou a um lugar diferente. Completamente distante de onde havíamos estado a poucos instantes. Era o interior de uma banheira espumando até em cima, meu corpo caiu por cima do dele e ficamos naquela posição até que percebi o que havia ocorrido. Me levantei, eufórica, ainda com minhas dúvidas e um ódio pelo que outrora me fez passar. Esse idiota sabia magia de Rank-S o tempo todo, e só agora, após tentar treiná-lo diversas vezes e vê-lo fracassar diante dos meus olhos; ele me revela algo assim. Juro pelos céus que quero esganar um certo alguém, não sem antes me vestir e após ser cuidadosamente tratada na ala médica.
Só depois disso, iremos conversar a respeito das suas atitudes estranhas. E espero uma boa explicação para tamanha confusão ocasionada por suas ações. Para nosso espanto, um sujeito de baixa estatura, de idade avançada, grisalho adentrou no recinto despreocupado com seu roupão de banho e chinelos de patinhos de borracha. Em sua mão trazia um jornal que ainda gostava de comprar para se manter bem informado, ele não era muito fã de tantas inovações tecnológicas. Sabia disso porque geralmente sou eu a comprar o jornal e a responsável por servir a bebida deste pequeno senhor; bem como as bebidas de todo o pessoal. Ele era ninguém menos que o diretor da MI-Fairy e Mestre da Fairy Tail, Makarov Dreyar. Aborrecido e espantado com o que virá, ele se prontificou a falar:
– Mira, Yuu. Mas o que diabos está acontecendo aqui?? E o que estão fazendo na minha banheira?? !! – Ele questionou, franzindo o cenho e me deixando completamente encabulada. Sem defesas ou explicações sucintas em que ele vá acreditar.
Só o que me restava agora era uma coisa apenas para tentar contornar aquela situação. Plaft! Foi o som do tapa que dei de marcar o rosto no Yuu, este caiu com o susto na banheira e logo deixei o local às pressas gritando pelos corredores:
– Seu pervertido, desbocado e idiota!
– Mas o que foi isso, meu pai?
– Bem, sr.Yuu. Espero que tenha explicações bem razoáveis para o que acaba de acontecer. – O mestre falou, bufando de raiva e lançando um olhar mortal para o rapaz de cabelos azulados.
– Er... o que que há, velhinho? – Perguntou com um sorriso amarelo no rosto tentando amenizar o clima de tensão que pairava no ar.
Depois daquele dia, o que aconteceu entre Yuu e Eu foi noticiado em todo lugar. Nunca senti tanta vergonha, como antes na vida por causa disso e tudo o aquele idiota soube dizer eram meras desculpas esfarrapadas. Mas ele ainda vai me pagar pelo vexame das outras pessoas me verem completamente nua, nas principais páginas de redes sociais e de ser comentada com ar de reprovação por vários irmãos e irmãs da igreja que frequentava. Seria cômico, se não fosse trágico.
Pelo menos, o diretor lhe deu uma advertência por adentrar em área proibida aos demais agentes da casa. Contudo, em algumas semanas e o trabalho árduo das minhas amigas na inteligência, tudo não passou de uma jogada de marketing da editora e ficou por isso mesmo. Só os mais céticos, de fato, acreditaram que havia algo mais naquele episódio e que estava sendo omitido até as redes públicas de internet.
Porém, não foram adiante na sua empreitada de tentar me difamar de alguma forma ou descobrir minha verdadeira identidade, como uma espiã da Mi-Fairy. Mais uma página virada da minha história, todavia a história do Yuu ainda precisava de umas páginas a mais e ser escrita com toda a franqueza. Isto é, se ele não quiser perder uma companheira e, eventual parceira de campo.
Uma semana depois, os ânimos de todos se acalmaram, principalmente o do meu irmão mais novo e super protetor Elfman que recém havia regressado de uma missão na Polônia junto com Cana – Minha melhor amiga –, Laxus –O segundo homem por quem estava apaixonada – e a Raijinshuu – Seus leais seguidores e uma turma do barulho quando estavam juntos. Os recebi com um sorriso singelo de sempre, demonstrando bom humor e já trazendo suas típicas bebidas em uma bandeja. Preparei tudo às pressas com ajuda de Laki e Kinana.
Para nossa sorte, eles estavam bastante entediados e com muita sede, logo lhes foi servido também alguns aperitivos para acompanhar; como um suculento búfalo das montanhas assado. Cada um se deliciava à sua maneira, Laxus era uma rara exceção. Não bebeu nada, não comeu e tampouco fez questão de explicar suas razões. Nem mesmo eu quis entender o motivo de não partilhar o momento com seus companheiros de casa. Às vezes, o silêncio é a melhor companhia de uma pessoa, segundo um antigo ditado da Rússia, ou talvez da China. A origem não importa agora. Só o que queria saber era o motivo daquelas caras lavadas e aspirando um ar de graça. O loiro subiu o lance de escadas e seguiu para o seu cômodo em silêncio, enquanto os demais atacavam ferozmente cada pedaço de carne.
– E então pessoal. O que contam de novidade? – Perguntei inocentemente, procurando entender a fundo os detalhes sórdidos da sua operação.
– Tsc, tudo ocorreu bem. Seguimos as orientações da equipe de disfarces e infiltração que nos deram suporte em toda a operação. Estouramos diversas fábrica clandestina de explosivos, e com apoio da inteligência militar polonesa fomos capazes de prender os principais negociadores, envolvidos em transações ilícitas com o bombardeiro. É só uma questão de tempo até revelarem sua identidade nos interrogatórios. – Explicava Bickslow, um dos membros da Raijinshuu que é a equipe de assalto do Laxus. Ele dava suas típicas risadas estéricas e colocando sua língua comprida para fora ao final da frase.
– Strauss, cadê o molho e a pimenta? – Questionava Cana, a morena e ébria número um da casa.
– Ah, droga, me esqueci. Acho que deve ter acabado, graças ao joguinho idiota de certos, dois rapazes que se lançaram ao desafio de fungar todo o seu conteúdo após uma discussão acalorada sobre o que já relatei e, aconteceu de fato, entre mim e o Yuu. Não é, Elfman? – Comentei dando um olhar sério para meu irmão.
– Aquele idiota... envergonhou minha família, o que ele fez não é coisa de homem! – Exclamava Elfman, exaltado, e ainda furioso com o meu ex-parceiro de campo.
– Elfman, quantas vezes vou ter que repetir que ele não me fez nada. As coisas apenas aconteceram, e ele agiu como agiu por instinto. Qualquer outro aqui não teria feito diferente. – Tentava acalmar os seus ânimos aflorados, mas isso era como jogar mais lenha na fogueira.
Realmente estava sem palavras para o que aconteceu depois da explosão. O pior é que nas minhas lembranças, tudo o que me vem à mente e a imagem dele desesperado chamando o meu nome. E em seguida, quando fomos parar na Times Square, ele não poupou comentários sobre o meu corpo desnudo apenas para descontrair o clima de tensão que se formou no ambiente. No fim, acho que só estava me defendendo, mas sua personalidade brincalhona falou mais alto, do que deveria ter dito na situação.
Enfim, suas palavras não me incomodavam nem um pouco, o fato de ter escondido o conhecimento de magias de alto nível é que ainda me intriga. Ele se omitiu ao falar a respeito em relatório oficial, e tal revelação, quase culminou na sua expulsão do esquadrão antibombas e consequentemente da MI-Fairy. Mas, contudo, porém, todavia, entretanto... O mestre e nosso atual diretor, decidiu interceder politicamente a seu favor e dado a reputação reconhecida ao redor do globo, como um dos lendários agentes que prendeu a ameaça de codinome: Zeref.
Ele pode permanecer na ativa, desde que cumpra obrigações administrativas designadas diretamente pelo diretor e de quebra, ainda ressaltou que caso demonstre habilidades efetivas para o cargo; ele pode ser promovido oficialmente a espião e considerado um mago de Rank S. Talvez, essa seja a razão pela qual Laxus está seriamente preocupado.
Ser um Rank S, exige muita responsabilidade e disciplina do indivíduo; além do preparo técnico para em situação crítica, ser escalado pelo conselho de relações para substituir o posto de diretor do serviço de inteligência e mestre na guilda. Claro, enquanto estiver vivo e com a conduta ilibada, essa decisão crucial ainda cabe ao atual diretor e mestre. A sua soberania na casa prevalece acima de tudo e de todos. Mas é evidente que caso cheguemos a essa situação, seremos democráticos e iremos eleger o indivíduo mais qualificado para preencher os requisitos do cargo.
O mais próximo nesse momento de substituir, eventualmente ou permanentemente, nosso mestre e diretor é o Gildarts. Este que raramente se encontra na casa, contudo nos envia imagens com certa frequência do seu paradeiro e nas redes públicas; ele se identifica como um nômade sábio. Sempre brinca dizendo que ficou rico vendendo rosquinhas recheadas para figurões do Wall Street e policiais.
Na realidade, ele era um agente da antifraude altamente especializado e com profundos conhecimentos de causa, ganhou rapidamente a atenção dos superiores que o convidaram e nas entrelinhas investiram na sua formação para que um dia pudesse suceder o velho Makarov. Mas ao conhecê-lo pessoalmente, passou a admirá-lo ainda mais e criou-se um clima amistoso de camaradagem entre ambas as partes. E isso nunca aconteceu, de fato, exceto uma vez.
Porém foi um ato simbólico, e não consideramos efetivamente como sendo algo sério. Aliás, era uma brincadeira típica do Mestre/Diretor para testar a todos os interessados na casa. Todo ano, ele tirava alguém para assumir o posto e deixava as árduas tarefas para seu “sucessor” cuidar, enquanto tirava um tempo para descansar. Todavia, aprendi ao longo do tempo o observando e ouvindo atentamente seus conselhos, que o tempo é vital e nem sempre estará à nossa disposição. Por isso, é importante vivermos cada momento como se fosse único e inesquecível, pois pode haver um tempo em que esses sorrisos calorosos não estarão mais ao nosso lado para nos confortar.
E falando em conforto. Desde aquele dia, Yuu e eu mal nos falamos. Ele me evita sempre que possível, quando ocasionalmente nos encontramos, não tocamos no assunto em questão e tratamos como dois grandes profissionais que somos. Isso me irrita, embora não esperasse algo diferente da parte dele. Está processando a situação e seguindo em frente, sem olhar para trás. Acho que, algumas vezes, ele deveria ser franco com os seus sentimentos por mim e encarar a fera do meu irmão. O máximo que posso lhe dizer é um “Não”, mas não irei frustrá-lo dessa maneira.
Aprecio homens que sabem tomar as rédeas da situação e não deixam a peteca cair em mãos erradas. Sabem, refletindo melhor a nossa trajetória até aqui, diria que meu coração se reparte em quatro homens.
O Elfman é o primeiro por razões mais do que óbvias, é meu irmãozinho idiota e meu porto seguro, quando todo o meu mundo está caindo em mil pedaços. O segundo é o Laxus, não posso negar que o seu jeitão de cara durão e sua personalidade enigmática me atrai. O terceiro é o encapuzado, este homem que conheci no Congo e creio que seja mesmo um homem pelo que os boatos sugerem. E por fim, o cabeça oca e coração puro, o Yuu. Quanto mais o destino tenta nos unir, mais surgem mistérios e eventualidades acerca da sua identidade que nos distanciam. Mas não nos separam, ao contrário, ela aproxima e sintoniza nossos karmas. Só esse idiota que não se dá conta, do que realmente penso sobre ele e sinto em relação ao nosso possível futuro juntos.
Logo que recobrei a consciência da realidade, me deparei com a figura de duas pessoas bem conhecidas e um deles estava bastante contrito em seus pensamentos. Nem parecia o mesmo homem que, apesar dos pesares, salvou minha vida naquele teatro em chamas. O outro era o nosso atual diretor e mestre, Makarov. O rapaz se abaixou para que o diretor pudesse subir em suas costas e depois na cadeira próxima do palanque. O microfone que até então estava desligado, foi acionado ao receber dois toques do dedo do diretor e então, pudemos ouvir sua voz nitidamente.
– Atenção a todos! Peço um minuto do seu tempo... – Ele anunciava sua fala, mas apesar disso não fora escutado. Já que as atenções de todos, se voltavam para uma briga típica do Natsu e Gray, que aproveitavam a ausência da Erza naquele momento. Do contrário, teriam se arrependido amargamente dos seus atos.
– Ei, Pessoal. Escutem! – Tentava apoiar o mestre, mas minha voz não ecoava tão longe.
Tal situação levou o Diretor a perder sua paciência e fazer um deus braços crescer, e esticar até alcançar aqueles dois briguentos e os atinge em cheio, levando-os ao nocaute imediato. Assim, as atenções se voltaram para ele e finalmente pode prosseguir com a sua fala; sem maiores interrupções.
– Agradeço a atenção de todos e prometo não tomar muito tempo, ainda tenho outros assuntos importantes para resolver. – Esclarecia o diretor. – Bem. Como alguns já devem estar sabendo, graças às ações coordenadas e bem-sucedidas da Rajinshuu, liderados pelo meu neto Laxus e acompanhados dos agentes: Elfman e Cana. Não só fechamos fábricas clandestinas de explosivos usados por terroristas como o “Bombardeiro de Kosovo”, como também conseguimos prender os agentes do braço financeiro que sustentou suas operações ao redor do globo. Embora, ainda não tenhamos confirmação da sua real identidade, estamos a um passo importante de desvendar esse atordoante mistério e, solucionar efetivamente esse caso! – Continuava o diretor, a esclarecer os fatos ocorridos na última operação.
O coro de alegria e abraços fraternos tomaram conta de todo o lugar. Todo mundo explodia de felicidade, saltitavam pelos cantos e esboçavam um sorriso largo, enquanto alguns cantarolavam em harmonia; expressando os sentimentos mais profundos e sinceros que existiam em seus corações. E por falar em sinceridade, aparentemente o diretor/mestre ainda não terminou de dar as boas novas do dia. Mais alguém que estava um tanto trêmulo também iria falar, e não havia como eu não escutar, afinal, estava curiosa em saber o que ele tinha para dizer diante dos acontecimentos.
– E sem mais delongas. Irei passar a palavra para alguém que deseja se pronunciar e falar abertamente algo que vem pesando a consciência não apenas deste humilde rapaz. Como também de uma família que se sentiu prejudicada por suas falas, impensadas e no calor do momento. Com vocês, o senhor Yuusel Dawnford. Uma salva de palmas para o filho, please! – Concluía o diretor.
Podia escutar quase todo mundo batendo palmas e os mais velhos, bobos, assobiando para estimulá-lo. Todos exceto meu irmão, que apenas batia com o punho cerrado na mesa, aumentando ainda mais a pressão e balançando as bebidas do pessoal. O que logo despertou a atenção de Cana que não deixou barato e já soltou os cães para cima dele.
– Elfman, queridinho. Se você derramar essa cerveja em cima da minha calça e, eu me sujar. Juro por sua irmã que ela será a última Strauss com vida nesse universo... se é que me entende. – Ao dizer aquelas palavras. O meu irmão gelou e apenas pediu desculpas por suas atitudes impensadas.
–Pode continuar, fofinho! – Dissera ela, Cana Alberona, minha melhor amiga para o que der e vier. E vice-versa.
Naquele momento, a sala inteira ficou em silêncio para ouvir o que aquele idiota tinha para dizer. Até mesmo Laxus, recatado e olhando de relance do alto do segundo andar. Fez questão de aparecer e escutar.
– Bom. Mu-muito obriga-gado a todos. – Ele falou gaguejando, pigarreando e fazendo um breve minuto de silêncio antes de continuar. Retirou do bolso uma pequena folha de papel e, se prontificou a falar. – Nos dias que se passaram, lamentavelmente, algo trágico aconteceu no teatro e posterior a isso, causei danos à imagem de uma família ao proferir palavras que se caracterizam como assédio para minha ex-parceira de campo e superior hierárquica Mirajane Strauss. Aliás, por falta de maiores conhecimentos acerca da magia que precisei utilizar para salvá-la, a deixei completamente nua em público, e dirigi comentários maliciosos sobre seu corpo. E que corpo, permita-me dizer. – Ele continuava sua fala, o que gerou muitas risadas até do próprio diretor, que fingiu que nada demais tinha acontecido. – Enfim, o que eu quero dizer gente é que, estou seriamente arrependido dos meus atos e vim aqui me redimir com toda a família, amigos, e fãs da modelo. Por favor, aceitem minhas desculpas. – Por fim, ele fez uma reverência e manteve sua cabeça baixa durante um tempinho.
– Tudo bem por mim. – Disse Elfman para minha surpresa e espanto dos membros presentes. –
Mas comigo não seria tão simples aquele discurso colado e manjado. Queria saber a verdade, e somente isso poderia me fazer aceitá-lo de volta como parceiro e reconhecer seus esforços em se desculpar publicamente.
– Muito bem, Yuu. Chega de rodeios. Você quer o meu perdão? Então vai ter que me responder, sim ou não. – Dizia em tom autoritário. – Todo esse tempo que, a Erza e Eu passamos ou perdemos tentando te ensinar alguma magia. E você já tinha conhecimentos de habilidades mágicas muito avançadas até para um humano e comparável ao Rank S, o nível mais alto da magia classificada pelo conselho. Você esse tempo todo era um mago experiente, de alto nível e fingiu ser um sujeito frívolo, patético, digno de dar pena só para conseguir entrar no maior serviço de inteligência que já existiu em todo esse mundo? – Inquiri ele, lançando um olhar sereno e aspirando um ar tenebroso.
– É sério? Então só está com raiva de mim por causa disso? Ai, meu deus, que alívio em saber disso. Mas pera aí, que história é essa de patético? Eu sou engraçadinho. Só isso. – Respondera ele, inicialmente, em sua tese de defesa.
– Você ainda não respondeu... – Tornei a interrogá-lo, dessa vez o deixando sem reação.
– Muito bem. Quer ouvir a verdade? Então lá vai. Eu não dou a mínima para essa história de serviço de espionagem, e blá blá blá. Só o que queria era fazer parte do esquadrão antibombas porque meu pai fez história em um esquadrão, e não queria decepcioná-lo, embora nunca o tenha conhecido pessoalmente. Por isso, me dediquei a estudar um sistema experimental e por experimental quero dizer arriscado, de magias práticas para não-magos desde os meus 8 anos de idade. Contudo, não medi as consequências dos meus atos, e em certa ocasião acabei causando um colapso na minha família. – Começou ele a se explicar. – Por me destacar demais, acabei escrevendo para alguns nomes no projeto que ficaram incrédulos que um garoto com tão pouca idade, tenha obtido grandes avanços e ao verem o meu desempenho, passaram a me apoiar durante toda a fase do desenvolvimento e no preparo das respectivas habilidades. Mas o meu irmão mais novo, por outro lado, ficou obsesso e durante uma de várias discussões que tivemos; ele roubou alguns livros e projéteis de flecha de madeira que guardava no mesmo armário que, sua aljava de flechas de caça. E adiantando um pouco a história longa e complicada, ele acabou usando uma dessas flechas e liberando uma magia perigosa; muito semelhante a que utilizei no teatro, mas com efeito reverso. Então, ele ficou preso no contínuo tempo e espaço, e eu tentei de todas as formas reverter o processo. Estudei por mais de uma década, mas nunca obtive sucesso. – Por fim, se justificou arrancando lágrimas de muitos dos presentes. – E daí eu deixei a magia de lado por um tempo, embora ainda continuasse sob a tutela desses altos figurões. Conclui meus estudos acadêmicos na melhor universidade de Londres, prestei ao serviço militar – onde adquiri as habilidades físicas e psicológicas necessárias para ser uma liderança forte. Mas não segui carreira, em vez disso, fui recrutado por um grupo secreto de mercenários do alto escalão do governo e fui arduamente treinado, dia após dia, noite após noite. Até atingir suas expectativas, e me tornar algo maior do que jamais sonhei. Um símbolo da luta pela justiça. Após isso, segui lutando com os meus próprios meios, lutando até mesmo contra essa gente e para isso precisei buscar refúgio dos meus velhos ensinamentos do sistema de magia. Pude aperfeiçoá-lo, e desde então, sigo numa jornada solitária sob um manto e um capuz, carregando uma aljava repleta de flechas mágicas. O meu codinome é flecha azul e venho atuando ao redor do globo, em defesa dos menos favorecidos economicamente contra todo esse sistema de opressão. – Por fim, concluiu sua história.
Isso era exatamente o que esperava ter escutado dele naquele dia. Mas nunca passou de um sonho, na realidade, ele só pediu desculpas envergonhado e todos o aceitamos de volta no calor de nossos braços. Mal sabíamos o que estava para acontecer, e das revelações que iríamos receber. Mas do que posso falar é o que aconteceu dois dias após o seu pequeno pedido de desculpas ter viralizado nas redes sociais, e as editoras publicarem a sua nota de retificação com a minha família.
O Diretor/Mestre, prontamente, nos convocou em sua sala e nos colocou a par da situação. Havia uma vigilante das ruas, uma jovem talento, em uma das salas de interrogatório aguardando a coleta do seu depoimento e como estávamos com a equipe desfalcada. Ora que muitos agentes estavam em campo realizando missões ou envolvidos em alguma operação de inteligência com nações estrangeira. E em outra sala, um elemento curioso, um garoto que de alguma forma inexplicável se envolveu no caso conhecido como o grande assalto à banco frustrado.
Essa era uma operação nossa para obtermos informações a respeito de um objeto peculiar, o famigerado livro laranja do crime organizado. Contudo, ele não é um livro comum, é um objeto mágico que codifica um index com todas as informações a respeito da atuação do crime organizado ao redor do globo; desde suas atividades mais recentes até movimentações financeiras, dados bancários sigilosos, bancos lavadores de dinheiro da máfia e do tráfico de entorpecentes, bem como registros sólidos de tráfico humano envolvendo altos dirigentes das nações unidas.
Enfim, uma peça chave para quebrar toda a cadeia de produção em massa da indústria vital do crime. Se ele cair em mãos erradas... nem queiram imaginar, o que raios possa acontecer. Seria o maior escândalo em escala mundial e, muitos governos democráticos eleitos seriam derrubados e seus respectivos países desestruturados política, militar e economicamente.
Por isso, temos nos empenhado arduamente em recuperar este item a todo custo e da última vez, em uma operação fracassada. Resultou na aparição de dois elementos, uma jovem oriunda de família rica e com recompensa considerável para quem a trouxer de volta com vida ao seu pai, e um garoto com uma imaginação fértil e para lá de criativo. Ele possuiu uma arma mágica muito poderosa, conhecida pelo conselho como o Martelo de Hércules. A outra é uma mulher que possui chaves mágicas que evocam espíritos do zodíaco para a batalha, aparentemente uma herança de família. A nossa missão nova é interrogá-la e extrair todo tipo de informação pertinente ao caso, em suma, precisamos obter uma confissão de que ela estava envolvida de alguma forma no assalto a banco.
Embora, as evidências sugiram o contrário. Mas não é a primeira vez que as aparências nos enganam. Yuu e Eu estávamos preparados para realizar essa missão em segredo de estado, por se tratar de um caso de interesse do governo. Estamos detendo os suspeitos sob alegação de segurança nacional, e evitando que advogados abutres tenham acesso aos autos e esse material sigiloso, seja vazado aos quatro cantos do planeta por uma mídia oportunista e que certamente está envolvida até o pescoço na lama asfáltica da corrupção.
Fim do Capítulo 3.
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