Fairy Tail - Natsu, espere por mim!
3 Capítulo 3 - Tic Tac
Notas iniciais
Lucy POV
–Admiro a tua força de vontade Lucy, vou te fazer minha aprendiz, assim como Katsu. Você irá se tornar uma verdadeira Dragon Slayer! – Arregalei meus olhos. Ser uma Dragon Slayer era a última coisa que eu esperava ser.
–Mas para não se deveria aprender essa magia em pequeno!?
–Supostamente. Mas não tem problema. Katsu também está começando agora. A única coisa que pode acontecer, é o treino demorar mais que o esperado. – Assim que terminou de falar, Asalor saiu do quarto se dirigindo para as escadas. – Está à espera do quê, garotinha!?
–Hã!? – Fiquei confusa.
–Vamos começar o treinamento agora! – Asalor falou, dando ênfase ao “agora”.
–M-mas já!?
–Sim! Algum problema? – Asalor voltou para trás e me direccionou um olhar assustador. Me pergunto onde foi parar aquele jeito maternal! Parecia a Erza quando alguém derrubava o seu bolo de morango. Ah…Erza, como estarão passando na Fairy Tail…Não, concentração Lucy!
Levantei-me da cama e fui com Katsu até ao campo de treino.
–Ah, é verdade Asalor, você ainda não me mostrou como é a sua versão em dragão! – Falei com algum entusiasmo na voz.
–Tudo bem. – Logo Asalor virou um dragão, enorme por sinal. As suas escamas eram rosas e os seus olhos continuavam com o mesmo verde esmeralda. Antes que desse por isso ela já tinha voltado ao seu corpo de humana. – Agora vamos ao que interessa. Lucy, eu prevejo que o treinamento dure de dois a três anos. No primeiro mês você irá treinar sua aptidão física, no segundo, vai trabalhar a sua força pelo meio da meditação, no terceiro e quarto mês, irá aprender várias magias celestiais, a partir do quinto mês irei te ensinar técnicas de Dragon Slayer. Entendido? – Assenti. – Ainda bem, quero cem abdominais. Já!
–Mas, no final de contas, eu vou ser a Dragon Slayer do quê? – Asalor sorriu de canto.
–No final do dia, se tudo correr bem, eu te falo.
–Não mereço saber?
–Não! Quero cem abdominais!
Suspirei. Ia me deitar para fazer os abdominais quando Katsu pousa a sua mão no meu ombro.
–Haha, deixa Asalor, ela é assim mesmo. Ela só me falou o que eu ia ser após um mês de treinamento! – Ele sorriu. E como era lindo aquele sorriso. Mil vezes mais bonito do que o do Natsu. Senti-me corar uns segundos, mas logo me recompus.
–Ixi! Morria de curiosidade antes mesmo do cansaço me matar! E então, você é o Dragon Slayer do quê?
–Eu sou o Dragon Slayer do Apocalipse.
–Apocalipse!? Esse tipo não devia ser ensinado por Acnologia!?
–Hahaha – De novo aquele sorriso! – Mas a Asarol é a mãe de Acnologia! – Escancarei a boca. São tão diferentes…não admira que Katsu a chamasse de velha!
–Uau! — Foi a única coisa que consegui dizer antes de me deitar. Fiz os cem abdominais sem muito esforço.
–Muito bem Lucy. Agora, descanse um minuto e faça mais cem, descanse dois minutos e faça mais cem, descanse um minuto e faça mais cem, assim sucessivamente até chegar aos mil. Faça exactamente isso com as flexões.
Suspirei. Foi bem difícil. Quando cheguei aos quinhentos abdominais só me apetecia morrer, mas após algumas horas consegui fazer as mil. Deixei-me ficar deitada a olhar para o céu.
–E aí, conseguiu fazer as mil!? – Katsu aproximou-se deitando-se ao meu lado. Dava para perceber que tinha estado a correr.
–Sim. – Sorri, virando a cara de leve. Arrependi-me do que fiz, pois notei que ele olhava fixamente para mim. Corei violentamente, virando a cara o mais rápido que pude. Vi pelo canto dos olhos que ele teve a mesma reação. Voltei a admirar o céu.
–Que foi? – Ele perguntou retulante.
–Nada, não….É só que…o céu é tão azul que até irrita. – Ele olhou-me confuso. Soltei um risinho, que por sua vez saiu abafado. – Já sabia! Quase nunca ninguém entende. Vê. Experimenta olhar o céu de uma ponta à outra, começando onde é mais claro. Quando o céu estiver sem uma única nuvem, como hoje, irás notar que não há nenhuma falha na cor, como se tivesse sido trabalhado durante anos. Chega a ser tão perfeito, tão puro que até irrita.
Os seus olhos atravessaram o céu de uma ponta à outra, concentrando-se num tom intermédio. Ele ficou admirando o céu até que falou.
–Uau! Nunca tinha reparado! É tão perfeito e mesmo assim ninguém nota. Parece até um plano de fundo. – Katsu realmente tinha entendido a ideia, estava fascinado.
–Bem, hora de começar as flexões! – Levantei-me, espreguiçando-me. Comecei a fazer as flexões, que por sua vez eram dez vezes mais difíceis que os abdominais. Por isso custou-me até à hora do jantar para acabar, e eu tinha começado às duas da tarde!
Pedi a Virgo que trouxesse as minhas malas, e assim que ia começar a arrumar as coisas no quarto de visitas Asalor falou que eu não podia.
–Lucy, você não sabe o significado de “Quarto de Visitas”? – Asalor falou com o dedo indicador esticado para cima como se fosse uma coisa muito importante e muito difícil de perceber.
–Sim, entendo, mas visto que só há três quartos nesta casa, vou ter que ficar aqui, não? – Perguntei retulante. Será que ela me queria jogar fora e não me iria deixar viver aqui!?
–Não, no quarto de Katsu tem mais uma cama, você vai dividir o quarto com ele. Tem algum problema? –Katsu, que me ia me ajudar a arrumar as coisas, corou violentamente.
–Não, nenhum. – Respondi retulante. Não tem nenhum problema partilhar o quarto, mas pela cara que Katsu fazia percebi que aqui havia gato…
Dirigimo-nos ao quarto de Katsu, e assim que entrámos apercebi o porquê do mesmo ter corado. O quarto tinha duas camas sim, mas o problema é que estavam juntas e faziam uma espécie de cama de casal.
–B-bem, o j-jeito é s-separá-las! Aye! – Falei praticamente deitando fumo da cabeça!
–Aye! –Katsu falou tendo a mesma reacção. Estávamos parecendo um bando de bêbados andando que nem robôs pelo quarto de olhos fechados. Acabámos por chocar um no outro e cair no chão. Ficámos tentando nos levantar até que começámos a olhar na cara do outro, depois na cama, depois na cara, depois na cama e acabámos por cair para trás, por conta da quantidade de sangue que subia à cabeça.
–Hahahaha, PODER! – Asalor provavelmente tinha bebido, estava se comportando que nem uma criança, e uma criança muito perversa, devo dizer. Ela não parava de gritar “Poder” pelo quarto, que até tinha um tamanho considerável. Recompus-me e comecei a tentar separar as camas com a ajuda de Katsu. – Hahahahahaha! Vocês nunca irão separar essas camas! – Asalor apontou-nos o dedo. O seu tom de voz e a sua expressão indicavam uma garotinha de cinco anos. – Eu colei elas com Super Cola 100! Hihihihi, Hahahhahaha! – Sim, Asarol definitivamente tinha bebido. Aquela velha perversa!
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E foi assim que eu passei meu primeiro mês de treinamento. Já conseguia fazer mil flexões e mil abdominais sem nenhum esforço e tinha aumentado muito a minha resistência. Aproveitámos também para trabalhar batalha corpo a corpo, tanto eu como Katsu. Podíamos ser lutadores profissionais, além do mais estávamos exactamente no mesmo nível de combate. Sempre que lutávamos, empatávamos e isso de certa forma agradava-me. É incrível o que se pode fazer num mês se trabalharmos duro! Além do mais, tinha-me aproximado muito do Katsu, tínhamos nos tornado melhores amigos. Descobri que ele tinha um lado bem perverso, um lado maligno, um lado inocente que às vezes me fazia perguntar se ele fazia de propósito; um lado fofo, um lado sério. Claro que à noite, reinava a vergonha e tentávamos sempre afastarmo-nos o máximo um do outro, fazendo com que cada um ficasse numa ponta da cama.
Era de noite e eu já estava na cama com Katsu, quando sinto um braço forte me puxar. Era dele. Quando olhei eu seus olhos, percebi que ele já dormia. Ele me puxou inconscientemente para ele. Agora minha cabeça estava aninhada no seu peito. Olhei de novo para a sua face. Ele podia ser facilmente comparado a um anjo. Levantei um pouco a cabeça sentindo a sua respiração batendo em minha testa.
–Katsu…- Gemi seu nome baixinho quando ele me apertou mais contra si. Tentei me soltar pois estava a ficar corada com esta situação.
–Lucy…-Ele praticamente suspirou o meu nome, mas numa voz rouca sensual que me fez estremecer. Não me contorci mais, pelo contrário me aninhei mais no seu peito, sentindo o calor vinha do mesmo. Sorri, adormecendo algum tempo depois.
Enquanto isso, na Fairy Tail…
–Mira-nee, veja! – Lisanna, animada, se dirigia a Mira, sua irmã, mostrando-lhe uma marca no seu pulso.
–O que é…? – Mirajane respondeu desinteressada.
–Natsu-kun e eu ontem ficámos e eu ganhei uma marca como prova disso. – Mira bateu com as mãos no balcão com tamanha força que dirigiu todos os olhares da guilda para si.
–Como você consegue ficar com esse depois do que ele fez à Lucy, hein!?
–Essa loira oxigenada!? Ele fez muito bem em tê-la espancado. Mas afinal de que lado você está, Mira-nee?
–Do lado do bem, onde você não está incluída! – Mira praticamente gritou. A guilda toda assistia à conversa.
–Mas, Mira-nee…
–Mas nada Lisanna! E pra você é Mirajane! – Mira gritou, dando ênfase ao “-jane” – Agora desapareça da minha frente!
–Vem Lis, ela não te merece. – Natsu falou puxando Lisanna pelo braço. Ele levou-a para sua casa. Só Deus sabe o que eles ficaram fazendo.
De volta à Lucy…
Em meio a sonhos, a única coisa que a futura Dragon Slayer pensava era em como seria sua vingança.
“Pode começar a contar os segundos até à sua morte, Dragneel.”
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