Fae - As irmãs fadas
1 Badb e Agiam
Notas iniciais
Era uma vez, numa terra encantada chamada Fae, havia um reino chamado Sidhé. Lá viviam o rei e a rainha de Sidhé, Gihard e Aisling, com suas duas filhas Badb e Agiam. O rei era baixo, gordo, tinha a pele azulada, os cabelos brancos e olhos rosas, sua esposa era uma fada alta, forte, de pele amarela, cabelos volumosos e vermelhos, seus olhos eram vermelhos. O rei e a rainha eram fadas diferentes uma da outra, ele era uma fada da primavera e ela uma fata do verão. Cada fada pertence a uma estação, em Sidhé ficavam as fadas da primavera e verão que viviam na parte de Fae onde jamais nevava ou ficava muito frio, era repleto de flores, muito sol e vida. Cada estação tem uma fusão diferente, as fadas da primavera são baixas e tem como função poções, principalmente de cura, enquanto as fadas do verão eram altas e fortes, são as fadas mais altas e eram guerreiras, mestres em combate corpo a corpo. As suas filhas também nasceram de estações diferentes.
Badb era alta, forte, pele amarela, forte, cabelos curtos vermelhos com mechas brancas, seus olhos eram vermelhos, Agiam era baixa, gorda, tinha a pele azul, cabelos longos e brancos, seus olhos eram azuis. As fadas da primavera podiam ser de várias cores, geralmente cores mais claras e não tão escuras, já as fadas do verão possuíam cores fortes, vermelho, rosa, amarelo, laranja.
Assim que seus pais perceberam que as meninas nasceram de estações definidas eles já as puseram em seus afazeres, Badb foi treinar as artes da espada e Agiam foi para as poções. Ambas eram muito dedicadas ao que faziam e não demoraram muito para se tornarem as melhores no que faziam. Badb com 12 anos derrubava fadas de 16 anos, ela era dedicada e apenas saia da área quando estivesse muito cansada. Agiam era a primeira da turma a entrar e a última a sair, passava horas no seu quarto trancada com a cara nos livros e testando poções. Ambas mal se encontravam agora. Mas chegou o aniversário de 12 anos de Agiam agora e seus pais a juntaram, Badb tinha 14. As colocaram para passear na floresta encantada. As duas saíram pulando e flutuando de mãos dadas pelo tempo perdido que ficaram separadas.
Beberam da fonte da água mais pura da floresta e se divertiam com os animais ali. Fadas além das funções de guerrilhar e fazer poções, também tinha que construir casas, fazer vestimentas, cuidar da comida e dos animais, fadas não comem carne, mas comem queijo e bebem leite. Elas vestem roupas leves de tecido e criavam cachorros, cavalos e gado. Eram boas nas artes de cavalgar e de aprender novas línguas, Agiam falava mais línguas do que Badb apesar de ser a fadinha do verão que se tornaria rainha, pois nas leis das fadas quem governa Sidhé é uma fada do verão.
As fadas também possuíam pequenas fadas que lhe ajudavam, as chamadas pixies. Assim que uma fada nasce uma pixie nasce junto e tornam-se amigas inseparáveis, as vezes as pixies somem por um tempo para seus próprios rituais e afazeres como cuidar dos animais selvagens ou portões mágicos, elas nunca falam sobre elas, apenas focam-se em ajudar as fadas. Naquele dia na floresta encantada apenas estava Badb e Agiam, sem seus pais ou qualquer outra fada e muito menos qualquer pixie.
—Estou tão feliz de passar esse tempo com você, senti tanta sua falta. — Comentava Agiam.
—Você estava sempre trancada no seu quarto. — Dizia Badb meio zangada, apesar de treinar bastante, esgotava-se demais e ao chegar em casa ela apenas relaxava, mas Agiam sempre estava no quarto e não saia, nem mesmo para jantar.
—Desculpa, é que eu estava descobrindo coisas novas.
—Você será uma ótima sacerdote quando crescer, irmã. Você é incrível. — Sacerdotes era o ponto alto para uma fada da primavera, eles viviam nos templos dos sacerdotes onde obtiam treinamento especial, dedicavam sua vida a meditação e podiam ler livros raros e que contém magia poderosa.
—E você será uma ótima rainha.
—Para eu ser rainha preciso aprender a proteger meu povo, ainda tenho muito o que aprender e crescer, preciso ser uma fada grande e forte o suficiente para derrotar qualquer um que se apossar do meu reino, sem os súditos do que atintará um rei?
—Você já é uma rainha para mim. — Agiam levantou-se, limpou seu vestido e curvou-se. — Majestade.
—Deixe disso, somos irmãs. — Badb soltava um sorriso largo. — Feliz aniversário, mana.
As duas voltaram a passear, as asas das fadas das estações eram diferentes de cada. As asas das fadas da primavera eram menores e mais delicadas, as fadas do verão possuíam asas que lembravam borboletas, eram grandes e demonstravam força e ferocidade.
Andando as duas descobriram um templo, era o templo da Deusa Aine, uma das Deusas que as fadas cultuavam, as duas decidiram entrar e falar com a Deusa, deixaram suas cestas de flores e frutas no chão, limparam os pés descalçados e entraram no templo ainda de mãos dadas andando olhando como o templo era muito bonito por dentro, cheio de luz e retratos da bela moça de asas longas ali.
As fadas cultuavam duas Deusas: a Deusa Aine e a Deusa Grian. A Deusa Aine é representada pelo sol, o símbolo das fadas da primavera e verão, o sol que estampam as bandeiras do reino de Sidhé. A Deusa Grian é a Deusa das fadas do outono e inverno, representada por uma lua minguante.
A lenda diz, que não havia nada no chão, todas as criaturas viviam nas nuvens, todas elas tinham asas de várias formas e cores, e do palácio mais lindo do céu de Sidhé, exatamente em cima de Sidhé, nasceram as duas meninas gêmeas, a Aine e Grian. Infelizmente quando nasceram, os céus tornaram-se cinzas ao comando de criaturas com asas de penas brancas, uma dessas criaturas tentou dominar os céus, era a criatura mais linda já vista no mundo, todos se encantavam por ela, mas seu interior era horripilante, ele queria dominar os céus e se tornar comandante de tudo, até que descobriu que as duas garotas o derrotariam, mandou mata-las, então sua mãe, a Deusa Danu, deu a vida para criar o chão, as mães das Deusas tornou-se a terra e as abrigou nas florestas de Sidhé sendo criadas pelas criaturinhas que foram nascendo daquele lugar, até que chegaram a fase adulta e foram mata-los. A arma de Aine era uma espada dourada, chamada Excalibur e a de Grian era um arco brilhante, chamado Aarg. Com essas armas elas derrotaram a criatura de asas de penas e ele foi mandado para o mais fundo da terra, as Deusas em agradecimento as pessoas da terra que nasceram para cuidar delas deram-lhe asas e assim surgiu as fadas. E as duas foram conhecidas como Deusas pelo povo de Sidhé. Além disso deram a eles os dias e as noites, já que o mundo era apenas cinza. O sol representa o dourado da arma de Aine e a noite o brilho do arco de Grian.
O estranho é que aquele templo era um pouco longe do reino e parecia abandonado, algumas partes estavam destruídas, se havia um templo em culto a mais amada Deusa das fadas, por que ela estaria assim todo destruído e escondido? As duas apertaram mais as mãos e decidiram ir
mais a fundo no templo. Descobrem uma passagem apertada e passam por lá, ali já era escuro, apenas iluminados por tochas e elas começam a ouvir barulho de coisas sendo destruídas, andando vagarosamente e apertando as mãos com força elas se preparam para o pior.
Ao chegar o mais próximo do barulho havia uma escada para descer e dali onde estavam podiam ver uma sombra com asas e uma espada destruindo as coisas. Badb foi na frente andando sorrateiramente, uma pena que os guerreiros não eram tão ágeis como as fadas do outono com habilidades de se esconder e espreitar por ai, mas ela era conseguia observar o que estava acontecendo sem ser vista. Era uma das criaturas de asas de penas. Era um jovem de cabelos castanhos, com uma espada na mão destruindo as coisas falando em um idioma que nenhuma das duas conhecia. Ele empurrava e destruída tudo, parecia estar procurando alguma coisa. Até que ele se segura no símbolo do sol na parede e ela se abre pra uma porta, a criatura abre um sorriso e vai, as meninas se esgueiram e o segue.
Elas descem mais ainda até que chegam num santuário com água, peixes diferentes do que elas já viram, muita luz e plantas, como ninguém nunca viu aquilo? Tudo aquilo era mágica, magia das Deusas, até que no topo de um altar tem uma espada cravada em uma pedra, a criatura da um sorriso e sente-se aliviada e vai em direção a espada. Badb não se segura e comenta que aquela é a espada dourada da Deusa, Excalibur. A criatura a ouve e vira-se, rapidamente surge na direção das duas, as meninas desviam, Agiam cai na água e Badb continua em pé tomando cuidado com os golpes de espada da criatura alada.
A criatura alada, derruba Badb no chão e ela se machuca, ele corre em direção a espada dizendo zombarias que elas não poderiam retrucar já que não falavam sua língua, as meninas se assustaram e abraçaram-se, pois assim que ele pegasse a espada da Deusa, seria invencível, mas para a surpresa delas, ele não conseguiu pegar a espada, tentou e tentou, as meninas se entreolharam e decidiram fugir enquanto ele ainda estava distraído, mas Badb sentiu dor e não conseguiu voar, Agiam notou que as asas de Badb estavam seriamente machucadas, ela não conseguiria voar, Agiam a apoiou no seu ombro e foi subindo as escadas até ouvir um choque e silêncio, as duas viraram-se e a criatura havia sumido, a espada brilhava fortemente. Badb caminhou até a espada e Agiam a seguiu, a fada do verão ficava encantada com o brilho e quis pegar na espada, mas sua irmã não deixou.
—Não sabemos o que essa espada fez com a criatura de asas de penas, não podemos fazer isso.
—Mas ela me chama. — Disse Badb hipnotizada. Ela segura na espada e a retira de primeira, ao retirar a espada surgiu um brilho intenso que tomou a sala inteira e a espada tornou-se mais dourada do que nunca. — Excalibur, a espada da Deusa Aine.
As meninas estavam espantadas com tudo o que tinha acontecido ali, as armas das Deusas eram armas abençoadas por criaturas da terra e do céu, feita do mais puro material, as fibras mais fortes da terra e do céu, armas invencíveis e inquebráveis. Badb ainda sente dor e as duas vão embora rapidamente junto com a espada, quando saíram do templo, ele sumiu. Elas não queriam saber, só queriam ir para casa rápido. Badb foi rapidamente atendida pessoalmente pela sacerdotisa do reino, as asas são as partes do corpo mais sensível das fadas, as fadas curavam-se rapidamente, menos nas asas, e até mesmo um simples arranhão pode ser permanente e as impedindo de voar. Agiam rezava pelas Deusas que sua irmã pudesse ficar boa novamente, afinal ela havia ganhado a espada de Excalibur.
Asas são as partes mais importante do corpo de uma fada, dizem que uma fada sem asas não chega nunca a sobreviver, uma fada sem asas tem febres altíssimas, enxaquecas, dores no corpo e pode levar até a morte.
Enquanto os pais estavam muito preocupados com Badb, não repararam na espada que Agiam carregava na mão, era muito pesada e dava leves choques nela, encostou-a na parede e esperou no chão do lado de fora do templo da sacerdotisa seus pais e sua irmã, aquilo levou o dia todo, não comeu e nem dormiu até que as portas se abrem. Badb estava chorando, Agiam a abraçou e a sua irmã mais velha a jogou no chão.
—Vocês fadas da primavera não podem fazer nada. — Pegou a Excalibur e saiu correndo dali.
—BADB! — Gritou Agiam indo voando até ela, mas foi impedida pelos pais.
—Deixe-a. — Eles disseram a ela e a pequena fada da primavera ficou sem entender, Badb não conseguia mais voar é isso? E o que ela vai fazer com Excalibur?
—Pais, Badb conversou com vocês sobre o que aconteceu?
—Ela não quis falar no assunto querida, você pode nos contar? — Pedia a mãe agachando-se para ficar do tamanho da pequena filha.
—Encontramos um templo da Deusa Aine, lá havia uma criatura com asas de penas. — Os pais se entreolhavam chocados com o que sua filha caçula os contava. — Ele estava destruindo o templo, até que achou uma passagem secreta para um santuário onde ali estava a Excalibur, ele nos atacou, eu apenas cai na água e Badb foi cortada, ao pegar a espada ele sumiu, surgiu raios e ele sumiu, mas Badb pegou a espada, está com ela agora, não sei como ela consegue, é muito pesada e da choques.
O rei e a rainha ficaram muito assustados, perguntaram a filha se ela tinha certeza, perguntaram do templo e perguntaram dessas criaturas aladas, ela relatou tudo de novo o que tinha acontecido detalhe por detalhe, inclusive que o templo havia sumido. Os pais conversaram entre si nervosos, a rainha disse que iria falar com Badb e saiu voando para encontrar rápido sua filha, o rei levou Agiam para o quarto enquanto conversavam pelo caminho, voavam calmamente, sem pressa.
—Diziam a lenda, que quem só é digno pode pegar a espada, e acreditam nas lendas que apenas os descendentes das Deusas podem pegar na Excalibur.
—Mas se formos descendentes da Deusa, eu deveria poder pegar na espada.
—Não pode filha, apenas aqueles destinados a serem governantes, como reis por exemplo, sua irmã será rainha e apenas quem será um grande governante pode tocar na Excalibur, você será uma sacerdotisa, não uma rainha.
—Ah, isso faz sentido.
Em seu quarto Badb limpava a espada dourada, quando sua mãe entra no quarto sem bater perguntando se podiam conversar.
—Você sabe o que significa possuir essa espada?
Badb não disse nada, apenas virou a cara.
—Badb, estou falando com você filha, olha, nunca jamais deve-se ter vergonha de ter perdido uma batalha, você estava desarmado e aquelas criaturas são perigosas, filha, achávamos que elas não existissem, que eram tudo lendas, mas acredito em Agiam, vocês realmente viram aquilo? Não era nenhum animal? Uma cegonha ou sei lá?
—Não eram cegonhas, eram as criaturas de asas de penas.
—Se você diz... mas... você agora tem a espada da Deusa, sabe o que isso significa né?
Novamente Badb não disse nada.
—Badb, as espadas das Deusas só podem ser possuídas por futuros grandes governantes, governantes que irão marcar uma nação, fazer grandes coisas. Filha, você é filha da Deusa Aine, você será a guerreira mais forte que Sidhé já teve e você será uma grande rainha.
—Não acredito nisso.
—A criatura sumiu quando tentou pegar a espada certo? Sua irmã disse que achou a espada muito pesada e que lhe dava choques, ninguém pode erguer essa espada além de você. Estou tão orgulhosa de você, minha filha, a descendente da Deusa, a maior rainha que Sidhé terá.
Os olhos de Badb brilharam ao ouvir aquilo de sua mãe e elas se abraçaram, Badb sempre via em sua mãe a grande guerreira que ela foi, Aisling é a fada mais alta do reino atual e a mais forte, ninguém nunca a venceu, e ela nunca teve a Excalibur, Badb estava destinado a algo grandioso e especial que ela jamais esperaria. Aquilo significava que ela precisava trabalhar duro, sua mãe recomendou que ela fosse coroada imediatamente, mas a filha recusou, precisava treinar mais, se tornar mais forte, disse que apenas assumiria o trono assim que torna-se forte o suficiente para proteger seu povo, mesmo sem voar... voar... naquele momento ela sentiu-se triste.
Ela amava voar pelos céus junto com as amigas ou mesmo travar batalhas no céu, mas aquilo agora era impossível ela jamais poderia voar, precisava ser o dobro de forte, sem suas asas, do que seria uma fada sem poder voar? Assim que sua mãe saiu Badb começou a chorar, sentia-se como se todos rissem dela por não poder voar, pegavam seus pertences e jogavam nos topos altos onde ela jamais pudesse alcançar, e os lugares favoritos dela no céu jamais poderia visitar novamente, triste e envergonhada ela chorava sobre seu reflexo na espada. Até que sua tristeza tornou-se raiva.
—É tudo culpa dessas fadas da primavera. — Disse com ira. — Elas vivem criando novas bebidas pra ficarem bêbadas em festas, MAS criar curas para asas é impossível né! Malditas fadas da primavera, onde estavam nas grandes batalhas hein? Em lugar nenhum, escondidas nas suas casas lendo livros, se fazendo de cults. Odeio-as, as Deusas não eram nenhumas curandeiras, eram guerreiras, com armas e tudo mais. Talvez eu seja tão fraca porque sou meio primavera.
Badb levantou-se da cama, deixou sua espada na parede e foi até o espelho, tentou arrancar suas mechas brancas. Fadas do verão jamais teriam a cor branca como uma de suas características, era impossível arrancar todos os fios brancos, Badb chorava de raiva e quebrou o espelho com as mãos, odiava-se ter uma parte primavera dentro dela. Culpava sua mãe, uma grande guerreira ter-se casado com um antigo sacerdote do reino. Passou a odiá-los, a odiar a irmã que é totalmente primavera.
—Inútil, você só serviu para ser jogada dentro d'água. — Dizia Badb com ódio nos olhos ao observar uma pintura de família que tinha no quarto, seus pais no trono com as filhas no colo, Badb com 10 anos e Agiam com 8. — Odeio todos vocês que me fizeram fraca. — Pegou a Excalibur e cortou o retrato. — Eu jamais serei fraca como vocês me criaram, eu sou Badb filha da Deusa Aine, a rainha da guerra.
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