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38 Capítulo 38 — Ação de graças.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 38 — Ação de graças.

— Eu já disse que não sei do que você está falando! — Theodore colocou ambas as mãos no peito de Sidney, o empurrando com força.

— Já que é assim, vamos ver o que sua mãe acha do seu segredinho, hein? O que você acha?

— Foda-se, vá em frente, conte a ela!

— Ah, olha só, se fazendo de durão... — Riu, em tom provocativo. — Tá certo, garoto, por enquanto vou esquecer isso, mas caso sua mãe revelar alguma coisa do que vocês andam fofocando, você já era.

...♕...

Na manhã seguinte, no fim das últimas aulas daquela terça-feira, o professor de matemática andou até o garoto que arrumava sua mochila, enquanto todos os outros alunos se levantavam.

— Bom dia...

Theodore olhou em direção de Christopher, nada respondendo.

— O que foi? Que cara é essa, Theo?

— Sidney.

— O que ele fez?

— Ele está estranho...

— Oras, então ele está normal.

— Não é isso, Chris, ele tá bem mais esquisito que os outros dias...

— Você acha que ele está planejando alguma coisa?

— Disso eu sempre soube. — Fechou o zíper da bolsa. — Mas enquanto ele me deixar em paz, eu fico de boa.

— Tá certo. — Concordou. — E o que você vai fazer hoje? Quer ir lá pra casa?

— Eu vou te incomodar?

— Você sabe que não.

— Então eu vou. — Sorriu.

— Eu aluguei alguns filmes e tem pipoca doce. — Se aproximou.

— Não fica tão perto não, alguém vai ver... — O garoto olhou para os lados.

— Não estou vendo ninguém. — Puxou-o para perto, tomando seus lábios.

...♕...

Algumas semanas depois, era quinta-feira, dia de ação de graças.

Susannah colocou suas malas sobre a cama do quarto de hóspedes e logo depois, saltitou, na direção de Theodore.

— Então, o que temos para hoje?! — Perguntou, animada.

— Vamos para a casa da minha avó a noite.

— Sério? Achei que o jantar seria aqui.

— A casa da minha avó é bem mais espaçosa, aqui não caberia todo mundo.

— Entendi... — Afirmou, arrumando o cabelo em um coque alto. — Eu acabei de me lembrar, já vi a sua vó quando eu vim para o noivado, mas não me lembro de perguntar o nome dela...

— Cora. — Respondeu. — Na verdade é Coraline, mas ninguém a chama assim.

— E como ela é? Ela é legal?

— É sim, bem mais do que a minha avó por parte de pai.

— Isso é bom, porque acredite ou não, estou com vergonha de aparecer no jantar de vocês assim, de intrusa.

— Fala sério, todo mundo sabe que você é praticamente a minha irmã.

— Ah, Theo, eu trouxe uma coisa pra você... — Remexeu dentro de sua bolsa. — Aqui, seu presente de aniversário, super atrasado.

— Não precis...

— Não diga que não precisava, idiota. — Interrompeu, entregando-lhe a embalagem pequena.

O garoto deu um sorriso envergonhado, tratando de abrir o embrulho.

— Eu adorei, Su! — Observou a carteira nova, com os olhos brilhando.

— Tem uma coisa dentro, abre.

Curioso, Theodore achou um compartimento dentro da carteira, com uma foto nele, onde ambos sorriam para a câmera, dez anos atrás.

— Eu me lembro disso... — Murmurou.

— Lê o que tá escrito atrás da foto.

— Deixa eu ver. — Pegou a fotografia em mãos e leu a frase escrita à mão. — “Obrigada por me aturar todos esses anos, pestinha”.

Abraçou a amiga fortemente, beijando-a na bochecha.

— Isso é lindo, Susannah!

— Você gostou? É tão simples...

— Eu adorei, para de bobagem!

— Você ganhou um celular, um carro, uma festa surpresa, presentes caros dos amigos milionários do Christopher, eu fiquei receosa...

— Boba! Você sabe que uma foto como essa vale mais do que tudo isso! — Afirmou. — Eu estava banguela! E seus cabelos bagunçados de tanto brincar e pular! Nada pode comprar uma amizade dessas!

— Isso foi tão lindo, Theo... — A garota fez bico.

— Eu tenho meus momentos.

— Falando dessa maneira tão filosófica, até parece que você é de humanas...

— Credo, não diga isso em voz alta, esse é um caminho sem volta. — Provocou.

— Ei!

— É brincadeira! — Riu, esfregando o braço, onde Susannah estapeou.

— Mas falando nisso, Sr. Exatas, como vai o seu professor preferido?

— Ele está bem, vai passar o dia de ação de graças com a família também, inclusive, me convidou para ir conhecer os parentes dele.

— Como assim?! Me fala mais sobre isso!

— Ah, então, foi o seguinte, umas semanas atrás, ele perguntou se eu estaria livre hoje, para comemorar com a família dele e aproveitar para me apresentar aos seus pais e parentes, mas eu disse que não poderia, por causa da minha mãe, aí ele falou que não tinha problema, que teríamos outra oportunidade... E foi só isso.

— Ah, Theo, como você não me contou essas coisas antes? Você fala como se não fosse nada demais, mas tem noção do que isso significa?!

— Tenho, eu acho...

— Ele quer oficializar! Ainda mais! Ele já te deu a aliança, falta só metade do caminho!

— Fala baixo! — Exigiu, rindo.

— Mas é sério, Theo... — Sussurrou. — Agora só falta sua mãe saber, o que você acha de contar pra ela? Tem coragem?

— Tá louca?

— Eu sei, eu sei, foi só uma ideia.

— Você sabe que eu quero, mas as coisas não são assim, eu prefiro manter em segredo por enquanto...

— Mas pretende contar quando?

— Acho que quando eu iniciar a faculdade, eu conto, ou quando sair de casa, porque aí tem menos chances de ela me matar com um travesseiro enquanto eu durmo, como no sonho que eu tive com o Sidney.

— Exagerado. — Rolou os olhos.

— Esquece isso, vai. — Sentou na cama. — Você quer sair hoje? Ir ao shopping, sei lá...

— To com preguiça... — Deitou-se, empurrando as malas da cama com os pés.

— Então vamos ficar mofando até dar a hora de ir para à minha avó, o que acha?

— Perfeito.

...♕...

— Christopher! Chegou cedo! — Avalon o cumprimentou, assim que chegou na casa de seus pais.

— Trouxe isso. — Ergueu uma sacola, com três garrafas de vinho.

— Vou colocar na geladeira.

Adentraram a casa, que já cheirava às típicas receitas de família e passaram pela sala de estar, até chegarem a cozinha.

— Olha quem está aqui, Dulce! — Uma de suas tias anunciou.

— Filho! — A mulher abandonou o que fazia, para ir até Christopher e o abraçar. — Que saudade!

— Precisa de ajuda? Vim mais cedo pra isso. — O professor explicou.

— Aqui está sob controle, mas seu pai está tentando instalar sozinho uma tenda gazebo lá fora...

— Vou lá, então. Já volto! — Recebeu um beijo na testa, antes de se retirar.

Caminhou até o quintal, um espaço verde grande, onde sempre se reuniam para as festas.

— Oi pai. — Se aproximou.

— E aí, campeão?!

— Quer uma mãozinha aí?

— Já estou quase acabando... — Respondeu, ajeitando as últimas articulações que faltavam.

— Você poderia ter comprado uma dobrável, é bem mais simples.

— Eu queria ter descoberto isso há duas horas atrás, antes de começar a montar essa daqui. — Riu.

Avalon surgiu detrás de Christopher, segurando duas garrafas de cerveja, entregando-as nas mãos do irmão.

— Aqui, pra vocês.

— Leu minha mente. — O homem de meia idade parou o que fazia, passando a mão sobre a testa, enxugando o suor.

— Eu vou lá dentro, qualquer coisa, me chamem! — Deslizou a porta de vidro do quintal e entrou novamente na casa.

Edgar arrastou duas cadeiras de jardim para baixo da tenda, na sombra que ela fazia, chamando seu filho para se sentar ao seu lado.

— Andamos nos falando pouco, como vai a vida, filho?

— Ah, está tudo bem. — O professor deu um gole na bebida.

— É impressão minha ou isso aí na sua mão é uma aliança?

— Não, não é impressão. — Sorriu.

— Você parecia não querer se prender em um relacionamento sério, o que houve?

— Eu conheci um cara que mudou tudo.

— Eu sempre te disse que isso aconteceria, você só parecia não acreditar.

— É verdade, eu me lembro. — Soltou uma risada.

— Quando conheceremos o rapaz?

— Não vai demorar muito, não.

— Ótimo, fico feliz por você. — Edgar deu o primeiro gole. — Sua mãe já sabe?

— Não, não tive tempo de conversar com ela.

— É, a melhor coisa é esperar um pouco, a cozinha está um caos, suas tias estão perambulando de um lado para o outro com facas afiadas na mão, parece até um campo de batalha. — Gargalhou.

— Quando cheguei, até que estava tudo tranquilo, tanto que ela me disse que não estava precisando de ajuda...

— Tá certo.

— Ah, pai, eu queria te perguntar uma coisa...

— Manda.

— É sobre algo que me deixa um tanto curioso. — Pensou em como falar, enquanto coçava a nuca. — Você por acaso sabe qual é a idade de consentimento¹ do nosso estado?

— Que tipo de pergunta é essa? — Ergueu uma das sobrancelhas.

— Você é juiz, achei que saberia responder...

— Por favor, me diga que você não está metido com um menor de idade.

— Então, é que...

— Christopher. — Suspirou. — Qual a idade dele?

— Dezessete.

— Ah! — Arregalou os olhos. — Isso é um alívio...

— O que você pensou?!

— Treze, catorze, talvez.

— Eita! Também não é assim, né.

— Mas por que teve que escolher um rapaz tão jovem?

— Aconteceu.

— E a mãe dele não sabe que vocês dormiram juntos e é por isso que está preocupado?

— É exatamente isso. — Afirmou, com as bochechas coradas.

— Fica tranquilo, ele já é grandinho o suficiente para responder por isso, caso seja necessário.

— Isso é bom, fico mesmo aliviado, principalmente porque a mãe dele é promotora de justiça.

— Sério?

— Sim, ela se chama Alba Brandford, já ouviu falar dela?

— Não, mas qualquer coisa, eu te falo.

— Talvez seja porque eles se mudaram para cá no ano passado... Enfim, de qualquer maneira, eu quero que ela tenha uma boa impressão de mim quando formos nos conhecer, não quero ter nenhum imprevisto com ela, só que o problema é que ela nem sabe que o Theo é gay.

— Theo é o nome dele?

— Sim, apelido de Theodore.

— Acredito que não há ninguém melhor do que você para auxiliar esse garoto, eu me lembro muito bem de como foi quando você nos revelou.

— Foi assustador. — Riu. — Eu morria de medo de como você reagiria, o que me surpreendeu, já que no fim, quem me compreendeu melhor foi você, enquanto a mamãe ficava maluca, sem falar comigo por vários dias!

— Até hoje ouço a Dulce reclamar, querendo netos...

— Então ela não irá reclamar mais.

— Huh?

— Vocês saberão. — Deu um sorriso torto. — Hoje mesmo.

...♕...

— Michael! Emmet! — A senhora bem humorada cumprimentou ambos, assim que passaram pela porta de entrada. — Venham, entrem!

— Trouxe macarrão com queijo, mãe, a única coisa que sei fazer bem. — Emmet riu alto, colocando o pote sobre a mesa.

— Precisa de ajuda, Sra. Antonella? — Michael indagou.

— Fica tranquilo, Fergus já está com a mão na massa, ele está me ajudando bastante. — Afirmou. — E pode me chamar de Ella, querido.

Enquanto Antonella arrumava a mesa, ajeitando os pratos e talheres em seus devidos lugares, Fergus trazia bebidas em uma bandeja.

— Então, meninos, quando é que sai o casamento?

Michael arregalou os olhos, enquanto Emmet simplesmente ergueu os ombros e respondeu:

— Quando tivermos condições, só.

— Você sabe muito bem que caso você queira uma festa grande, nós ajudaremos, filho.

— Eu não quero atrapalhar vocês, tenho certeza que o Mikey também não está com pressa.

— Isso é verdade, Michael? — Antonella inquiriu.

— Estar ao lado do Emm já basta.

— Mas você já pensou em se casar? — Ela insistiu.

— Já, mesmo nunca imaginando que eu realmente planejaria isso com alguém...

— O que quer dizer com isso? — A sogra lhe olhou fixamente.

— B-Bom, é que... Sabe, por eu ser gay, sempre pensei que nunca poderia ter uma vida normal e...

— Mas que bobagem!

— Meus pais nunca me apoiaram dessa maneira, por isso sempre digo ao Emmet que ele é sortudo por ter vocês dois.

— Bom, imagino como deve ter sido difícil. — Antonella concluiu. — Eu só quero que saibam que não precisam se envergonhar em pedir ajuda para nós, ficaremos honrados em ajudar com a festa de vocês.

— Mamãe, dá pra parar de assustar o Mikey, por favor?

— Tudo bem, Emm, eu gosto de falar desse assunto. — Michael sorriu.

...♕...

Após o grande banquete daquela noite, Theodore se retirou da mesa junto a Susannah, que o seguiu para fora do grande casarão de sua avó.

— Theo, por que não me falou antes que era para vir com uma roupa um pouco mais formal?

— Não tinha necessidade...

— É claro que tinha, você viu como os seus parentes estavam vestidos! Quase tão bonitos quanto o dia que foram ao noivado da sua mãe!

— Bobagem, ninguém vai aparecer em uma revista, nem nada do tipo.

Continuaram caminhando pelo quintal, por uma trilha de palmeiras, onde, ao fundo, já se podia notar a claridade vinda de dentro das luzes da piscina.

— A casa da sua vó é tão bonita, ou melhor, mansão, né. — Riu.

— Não exagera, não é tão grande assim.

— Realmente, a sua casa em Roseville era maior... — Observou. — Theo, ouviu esse barulho?

— Qual?

— Ei! — Uma voz chamou-os ao fundo.

Viraram e puderam ver Elizabeth caminhando em sua direção, segurando uma garrafa de vodca, andando desajeitadamente na grama, por conta do salto alto — ou talvez pela bebida.

— Ah não, ela não... — Susannah reclamou, em voz baixa.

— Por quê? Não gosta dela?

— Não é que eu não goste... — Torceu o nariz. — É que ela estava te beijando aquele dia e...

— Por que tem ciúme dela?

— Não é ciúme!

A prima do garoto os alcançou, logo fazendo uma pausa para tirar os sapatos.

— Cara, eu comi tanto que parecia que eu tava de larica. — Elizabeth gargalhou.

— Eu também... — Theodore se sentou na beira da piscina, com as pernas cruzadas.

Susannah os acompanhou e assim se sentou perto da água, retirando a sandália.

— Alguém quer um gole? — Elizabeth ofereceu a bebida.

— Eu quero. — O garoto aceitou, tomando a garrafa em mãos e tomando do seu conteúdo pelo gargalo.

— É tão engraçado ver você se revelando, você parecia ser tão comportado. — Elizabeth brincou. — Você sempre foi assim no fundo, ou o Christopher que te ensinou?

— Sempre fui assim, ele só deu um empurrãozinho. — Deu mais um gole. — Quer, Su?

— Não, valeu.

— É sério, toma só um golinho.

— É muito forte? — Relutou.

— Só o suficiente. — Sorriu. — Toma de uma só vez, vai.

Susannah imitou o amigo e entornou a garrafa, logo fazendo uma careta pela ardência da bebida.

— É isso aí! Vai, mais uma vez!

— Credo! Como vocês conseguem?! — Reclamou, após a segunda rodada. — Ah, e Elizabeth, eu não sabia que você conhecia o Christopher...

— Verdade, Su, eu esqueci de te contar, ela o conheceu quando eu fui à praia.

— Entendi...

— E que gato era aquele, hein?! — A prima se abanou. — Se ele tiver algum amigo ou amiga solteira, me apresente!

— Como assim, amiga? Você joga no outro time, também? — Theodore perguntou, curioso.

— Sim, tive poucos relacionamentos com mulheres, mas sim. — Elizabeth encarou Susannah. — E você? Tá namorando?

— Eu? Terminei com meu primeiro namorado tem um tempinho...

— Olha só, temos uma iniciante aqui!

— Se eu fosse você, não me chamaria dessa maneira.

— Ah, é? Quer dizer que é bem experiente, então?

— Mais do que você imagina. — Susannah deu outro gole na vodca, sem fazer careta dessa vez.

— Você é bem gatinha, sabia? Já ficou com alguma mulher antes?

— Não, eu não curto muito.

— Sério? Como pode saber se nunca experimentou?

— Porque eu... Sei lá, nunca quis.

— Nunca quis ou nunca teve a oportunidade?

— Tanto faz.

Theodore observou a breve discussão, até o momento que Elizabeth se levantou e seu queixo caiu; sua prima tombou o corpo de sua melhor amiga e se deitou sobre ele. Prendendo-a sobre a grama e se aproximando cada vez mais, dessa maneira, cobriu os lábios de Susannah com os seus, beijando-a lentamente.

Notas finais
♕ Idade de consentimento¹: é a idade abaixo da qual se presume legalmente que houve violência na prática de atos sexuais, independentemente de a prática ter sido forçada ou não. O sexo com indivíduos de idade inferior àquela de consentimento é considerado abuso sexual, e por isso é crime. Essa idade varia conforme os países e seus estados. ♕ Vai sair do capítulo sem deixar um review? Deixe seu comentário dizendo um simples #gostei para assim continuar me incentivando! :3