Fadas - A Maldição
2 Prefácio Como tudo aconteceu e como tudo é.
Prefácio
Como tudo aconteceu e como tudo é.
Na atualidade, humanos dominam os continentes, criando imensas metrópoles. As florestas aos poucos foram derrubadas para fornecer matéria-prima e espaço para o amontoado que os humanos criaram e chamam de lar. Agora, pouco resta da antiga natureza.
Contudo, seres fantásticos sobreviveram nas profundezas ocultas e seguras das matas que ainda restam. Seres cuja aparência é semelhante à dos humanos, sendo ainda mais ressaltada a beleza de todos de sua espécie. A única característica que diferenciava essa belíssima espécie da dos humanos eram as magníficas asas que brotavam de suas costas.
Fadas.
Seres com poderes e habilidades diversos. Cada fada, sendo homem ( chamados de Dicns), mulher ou criança, possuía gravada em seu próprio corpo a marca de seus poderes e habilidades, uma tatuagem na barriga em volta do umbigo, sendo que já nasciam com elas.
Mesmo entre esses seres belos e bondosos, uma maldição rondava, criando vítimas de tempos em tempos. Muito raramente ela surgia, gravando com uma segunda marca as fadas amaldiçoadas. Essa marca encontrava-se no ombro direito.
Quando uma nova criança nascia, toda a comunidade entrava em festa. Porém, em um dia, a festa cedeu à lamentação. Uma criança amaldiçoada nasceu. A mãe morreu ao dar a luz e a parteira tomou a criança, mesmo temendo-a, criou-a e deu-lhe o nome Lila Linten, como pedira a mãe.
Também há alguém por quem devotam como os humanos devotam um Deus. Ela se chama Kensy, é a mãe de toda a natureza. Kensy… deram-lhe esse nome porque se refere à canção, pois, todas as noites, os sons da cidade são abafados por seus cantos, que os acalmam e os fazem adormecer rapidamente.
Uma boa introdução, não? Um pouco cansativa, mas é a verdade. E eu não podia simplesmente começar com algo do tipo: “Eu sou uma fada amaldiçoada e vou contar a minha história.” Não. Tá certo que eu sou uma fada e sou amaldiçoada, mas isto assustaria qualquer um de cara, correto? Não é minha culpa eu ter essa maldita segunda marca no meu ombro direito. Eu sou a vítima aqui!
Ok. Vou colocar minha mártir interior de lado e vou contar o que realmente interessa, e o que espero estar deixando todos curiosos: minha vida.
Apesar de ser uma fada amaldiçoada, nunca aconteceram acidentes sérios comigo. Eu nunca matei outra fada ou algum ser vivo importante até os meus sete anos. Eu vou explicar. Eu fui criada pela parteira que ajudou minha mãe a me dar a vida, a que me criou por sete anos. Não sei explicar como ou porque, eu estava na nossa casa, brincando, ou fazendo algo do tipo. Um homem apareceu, me procurando, não pude ver seu rosto, pela vitrola, pois usava um sobretudo negro e um chapéu. A mulher se recusou deixar ele me ver, eles brigaram feio e o homem saiu correndo, quase sem vida, eu, revoltada com a situação, a matei.
Foi aí que tudo mudou. Eu tive que fugir da comunidade em que vivia, pois as outras fadas começaram a me caçar para me matar.
Veja bem, não é da natureza das fadas matarem outros seres vivos. Pelo contrário, nossa missão no planeta é protegê-los. A maioria das fadas vive reclusas, escondidas nas matas, longe dos humanos, dando continuidade à nossa espécie. Alguns de nós, com coragem e audácia suficiente, vão para as reservas que os humanos criaram, para proteger as espécies em risco, cumprindo nossa missão no planeta.
Agora você deve estar confuso, pensando: “Se não é da natureza das fadas matar outros seres vivos, por que ela matou a parteira dela e por que as outras fadas queriam matá-la também?” Ok, eu explico. Eu a matei, mas não tive culpa. Foi a maldição. Eu não tenho controle algum sobre os meus poderes, eu sequer sei exatamente quais são.
Ninguém sabe explicar essa maldição. Ninguém nunca teve coragem suficiente para viver com uma pessoa amaldiçoada para descobrir a verdade. É por isto que a minha antiga comunidade queria me matar. Todos tinham medo de mim, medo do que eu podia fazer. E depois de matar a mulher, todos decidiram que era o estopim.
Então eu fugi. Meu instinto de sobrevivência e as próprias habilidades da minha espécie me permitiram sobreviver sozinha na floresta. Os animais me ajudavam, desde os herbívoros aos carnívoros.
Só para acabar com qualquer eventual curiosidade: fadas não são vegetarianas. Nós nos alimentamos de animais sim, mas apenas o suficiente para a nossa sobrevivência e que não afetará o equilíbrio da natureza.
Eu perdi as contas de quantas comunidades eu visitei. Bem, visitar não é o termo completamente adequado. Eu me refugiei pelo tempo que pude, ou seja, até que algum acidente aconteceu e minha real condição foi exposta. Quando isto acontecia, eu fugia novamente e minha sobrevivência era assegurada pela própria natureza, Kensy.
As fadas que controlam totalmente seus poderes têm a habilidade de esconder as suas asas e eu, como não tinha controle algum dos meus poderes, sejam lá quais forem, não escondia as asas. É a partir daqui que começo minha história atual.
Fale com o autor