Fadas - A Maldição

5 Capítulo 3 - Minha vida de cabeça para baixo


Capitulo 3

Minha vida de cabeça pra baixo

(não que isso seja incomum pra mim)

Aquele mês, Sean decidiu me ajudar a controlar os nervos. Ele tentava me intimidar de toda forma possível, me expondo em situações perigosas. Antes que meus reflexos ativassem meu poder, Sete o anulava.

Com o passar do tempo, eu consegui me acalmar e derrotar Sean em uma rasteira surpresa. Ele sorriu para mim, com aquele jeito brincalhão e se levantou

– É, estou vendo que está melhorando bem… logo, logo não vai mais precisar de mim e vai sair por ai despreocupada, como se eu não existisse.

– Ah, Sean – eu o abracei – eu nunca te abandonaria, okay? – sorri para ele, que fechou a cara em uma de suas imitações.

– “Okay, okay” – disse com sarcasmo – é sempre assim, dizem isso e no outro dia saem por ai nadando como se nunca tivessem visto água na vida – ele deu as costas e pude ver um sorriso no seu rosto, logo depois dele piscar pra mim.

Eu já tinha entrado em um estado de controle impressionante, começava a olhar o perigo com indiferença, não me incomodava com irritações, apenas as ignorava. Aprendi a não ficar sentida por erros e a não ser tão frágil quando os outros de que eu gostava sofriam, em vez disso tentava ajudá-los.

O tempo passou e eu estava mais confiante em meus poderes, estava sempre alegre e me encarreguei dos estábulos, alimentando os cavalos e limpando a madeira, enquanto Set tirava o estrume. Depois, íamos para o pomar, onde Sean e Duda sempre encontravam algo novo para fazer.

O vendo começou a aumentar, as árvores balançaram fortemente ao meu lado. Eu olhei para os outros, estranhando um vento tão rápido vindo do nada. Sean segui pelo pomar, até a borda e olhou para o céu, do meu lado, eu observei seus olhos verdes escurecerem rapidamente, ele se virou para nós:

– Corram para casa, Set, você sabe que tem um alçapão no meu quarto, entrem no porão e se escondam, vem um ciclone por ai.

– Mais e você? O que vai fazer? – perguntei meio aflita

– Vou puxar os cavalos para o abrigo subterrâneo. Eles estão em perigo tanto quanto nós. – ele corria enquanto falava e o final da frase foi quase impossível de se ouvir. Eu olhei para Set, que pareceu saber o que eu pensava

– Lila, ajuda ele a puxá-los, eu vou com Duda, recolher os mantimentos e guardá-los em segurança- Ele saiu desembestado, Duda atrás dele e gritou a ultima palavra para que eu pudesse ouvir com clareza. Eu disparei na direção oposta por onde Sean havia passado.

Cheguei no estábulo e vi pelo canto do olho Sean puxando dois cavalos. Eu disparada, peguei os outros dois, Sean me viu e começou a gritar à uma altura maior que o vento.

– O que você faz aqui você devia estar em casa com Duda e Sete! O que eu te falei?

– Sete foi recolher mantimentos e eu vim pra te ajudar. — respondi puxando a rédea de Gen e Cadoc, cavalo de Sete.

Depois de guardar todos os cavalos, corremos pelo gramado até nossa casa, passando pela cozinha, pude ver pela janela o vento forte devoravam quase tudo, Kensy, normalmente ficava furiosa assim quando uma fada ou dicns comete um crime grave e não faz à re-ligação, mas só acontece isso depois de muitos anos. Quando isso acontecia Kensy se revolta e ataca o ponto em que o crime havia ocorrido, seguindo até o criminoso. Nunca tive perseguição de tornados e vendavais porque sempre que machucava ou matava alguém ia direto fazer a re-ligação.

Vocês devem se perguntar por que eu não fico logo no lugar, que não tem ninguém e onde se poderia fazer à re-ligação? A resposta é simples, eu quero viver a vida e achar a solução desse problema. Eu quero aproveitar tudo o que posso enquanto existo. E se eu não fizer a re-ligação cedo? Kensy poderia me “caçar” me matar. Não era isso que eu queria. Ela não punia quem não merecia, e eu sempre merecia.

Duda e Sete estavam dentro do quarto, os mantimento no chão. O vento parou do lado de fora.. Sean jogou em cima de cada um de nós, um grosso cobertor, com o qual nos enrolamos. Set abriu o alçapão, Duda abraçou e beijou Sean, então entrou. Lá dentro havia espaço suficiente para três pessoas e nós éramos quatro. Sean se voltou para mim com um olhar triste.

–Não, você certamente não vai fazer isso.- eu comecei a gritar, lá fora, uma chuva de granizo caía. — Sean você entra e eu vou embora, não sou nada para vocês e não quero causar problemas.- Seus olhos começaram a marejar e ele me levitou até o abrigo subterrâneo. Ele abraçou Set e mandou-o entrar, eu não consegui sair, mas quando abri caminho Sean fechou o alçapão. Tudo ficou silencioso e escuro. Eu comecei a chorar, encostei na parede e fui escorregando até o chão. O choro ficou mais intenso quando ouvi um grito, e a casa caindo.

Senti um calor ao meu lado, alguém havia agachado ali, braços fortes me envolveram em um abraço gostoso e eu comecei a adormecer, com o cheiro de frutas frescas do pomar de Sean no ar.

Acordei com os primeiros raios de sol no rosto, a pessoa que me abraçara ontem, não avia desgrudado de mim a noite toda, olhei para trás e me deparei com Set. Avistei Duda dormindo próximo e me lembrei que Sean estava morto. Eu virei para o peito de Set e comecei a chorar em silêncio, mas ele acordou com a lágrimas escorrendo pela blusa. Ele apertou o abraço, me deixando mais próxima de seu corpo, eu me acalmei.

– Como você esta?- ele me perguntou.

– Mal, Sean morreu, e se eu não estivesse lá vocês poderiam se abrigar. – Eu tentei me levantar sair daquele buraco, não relutei quando ele me segurou. Relaxei o corpo enquanto ele passava a mão na minha cabeça e acariciava o meu rosto. Tentando me acalmar.

– Se você não estivesse aqui, eu não teria superado a morte de meus pais e não teria encontrado algo útil para fazer na vida, que é te am… — Eu não ouvi o resto, acabei dormindo

Tive pesadelos horríveis com Sean machucado, perto de águas cristalinas, o chão era úmido e denso. Sean era tratado por alguém que usava uma touca que tampava totalmente as orelhas, ela estava de costas para mim, mais eu podia ver seus cabelos negros, cortados na altura da cintura, usava uma roupa magnífica, bordada a mão com tecidos altamente delicados, era uma moça pelo que eu podia ver. O pesadelo realmente começou quando a moça colocou substâncias nos ferimentos profundos de Sean o que o fazia sofrer e se contorcer mesmo estando desacordado. As feridas fecharam e o sonho terminou.

Acordei ainda nos braços de Sete que me olhava preocupado, devia ser pelos pesadelos, Duda preparando um lanche. Me dei conta de que não estávamos na propriedade de Sean, o chão era mais arenoso e as árvores mais altas. A vários metros eu podia ver um riacho, parecia o mesmo do meu sonho com Sean. Eu me levantei em um movimento brusco, e rápido, o que não deu tempo de Set reagir.

Eu comecei a correr na direção do riacho com Set no meu encalço. Acelerei o passo, quando cheguei no riacho olhei um campo mais aberto, onde havia grandes árvores, com 2 metros de distancia em cada uma. Subindo o riacho o chão era mais arenoso, as árvores eram mais unidas, o chão denso, úmido.

Agora Set estava a 4 metros de mim, Duda estava logo atrás dele. Eu comecei a correr desembestada, pulando obstáculo que for, pulando buraco ou falha da terra que fosse, Sete e Duda não conseguiram passar por muitos lugares. Eu virei para ele dei um tchau, relutante, não queria deixá-los. Mais virei e comecei a correr ainda mais rápido. Ouvi um forte barulho de água, e de repente ele gritou.

– Liiilaaaaa.- Eu não olhei para trás, mas isso me custou algumas lágrimas. Uma respiração podia se ouvir cada vez mais próxima, e a água cada vez mais agitada. Quando olhei para o lado Sete estava nadando, ele pegou meu pé, e me puxou com o máximo de força que ele tinha. Eu caí na água, afundando pelo desespero. Eu desmaiei de medo.

Morri?! Não, certamente estava viva, acordei seca, enrolada em um cobertor e sendo observada de perto por Set, que tinha os olhos inchados e vermelhos. Ele sorriu quando eu abri os olhos e dei sinal de vida. Ele segurou minha mão e começou a falar, a voz embargada.

– Lila, me desculpe, a três dias eu quase te matei, não gostaria de passar pela tortura de achar que você morreu nas minhas próprias mãos. Todas essas noites eu passei em claro vendo se você iria acordar, chorei por achar que você tinha morrido e saber que você não respirou por longos 5 minutos, que seu coração parou por 10 milésimos de segundos, saber que você poderia não voltar, foi agonizante demais, e como o seu organismo voltou a funcionar eu não sei, mais graças a Kensy você não partiu.- ele falava tudo em pontos exatos. Os minutos, os milésimos.

Minha voz estava falhando, então a única coisa que consegui falar foi:

– Deve ser desti…- dei um longo suspiro e terminei a frase sorrindo- … no – levantei a mão e arrumei o seu cabelo que estava caído em cima do olho, colocando-o atrás da orelha. Antes de abaixar a mão, acariciei sua bochecha, fazendo Set fechar os olhos. Meu braço começou a pesar, eu o abaixei e meus olhos começaram a fechar, mas não iria conseguir dormir com fome e sede, aquilo não me deixava a vontade.

Set entendeu minha angústia e correu até o riacho com a metade de um coco em mãos, trazendo a água dentro dele. Com grandes goles, recuperei parte das minhas forças, mas meu estomago logo rejeitou o liquido depois de tanto tempo em jejum, eu vomitei e me deixei cair sobre o cobertor.

– Céus Lila, por favor, vá mais devagar — podia ouvir a dor na voz de Set, ele foi buscar mais água, no caminho pediu para Duda fazer alguma coisa, porque ela saiu correndo na direção das árvores. Quando ele voltou, me entregou a água que eu consegui levar a boca, desta vez, com pequenos goles.

Duda se aproximou com uma colher e uma panela em mãos. Set pegou a cumbuca de mim e jogou a água fora serviu um pouco de sopa e começou a me dar colheradas mornas.

– Você sabe nos preocupar hein Lila – Duda disse, abrindo um sorriso para mim.

– Me desculpe – disse entre algumas colheradas.

Depois de uma hora o prato finalmente estava vazio. Eu já estava bem melhor. Tentei levantar mais minha cabeça girou e eu comecei a cair, Duda segurou minhas mãos e Set ajudou-a a me deixar sentada.

– Está com frio – perguntou ela

– Muito pouco, está tudo bem, obrigada.

– Está tudo bem? – eu acenei afirmativamente para ela

– Acho melhor levar você para um lugar mais coberto – Set disse pegando minha mão e logo me levantando em seu colo, ele me levou até uma árvore com folhas largar e espessas, me sentou entre duas raízes sobressaltadas e se sentou em uma delas, Duda na outra. Eu me sentia uma criança sendo cuidada e observada continuamente pelos pais. Conseguia ver a preocupação nos olhos dos dois e também escutar o ronco do estomago de ambos.

– Vocês já comeram? Dormiram? Parecem tão cansados...

– Esta tudo bem, nos alimentamos e revisamos um pouco o sono enquanto você estava desacordada.

– Então, por favor, vão se recuperar, eu estou bem – eles se entre olharam e se levantaram devagar. Relutantes, se afastaram. Olhei meu sobretudo ao meu lado, não tinha me dado conta de que não estava comigo, logo me vesti, me encolhi e descansei a cabeça no tronco, observando e mata a minha volta, uma que nunca tinha visto antes. Duda veio com um prato de sopa e se sentou ao meu lado

– Acha que começou a esfriar? – ela perguntou, tremendo depois de um calafrio

– Não sei… agora que você disse, parece que esta mesmo.

– Onde estamos? Não conheço essa região…

– Aqui é uma reserva humana, a poucos quilômetros da fazenda de… de Sean. Aquele é o Rossi – ela apontou o rio a alguns metros mata a fora. Depois de algumas colheradas, ele suspirou e deitou em meu ombro — Você não me deixou dormir de tanta preocupação, vou ter que dormir dois dias seguidos para me recuperar…

– Sabe que isso nunca funciona Duda, já tentou, se lembra?! – Set sentou à nossa frente

– Detalhes Set, detalhes… — ela terminou de comer rapidamente, enrolou um cobertor no corpo e se escorando na árvore, dormiu.

– Acho que temos que começar a andar, se rumo, até achar uma vila onde possamos ficar

– Eles nunca vão me aceitar – respondi tristemente

– Mas… o que vamos fazer, perdemos completamente o sitio, os cavalos fugiram, nada restou…

– Como estava? Como estava a fazenda?

– Árvores despedaçadas, entulhos no lugar das construções. Luck correu pela mata, tentei achá-lo mas não consegui. Os cavalos, Gen, o pequeno Petris, Cadoc e o resto dos cavalos fugiram em direções opostas… Encontramos os moveis de nossa casa a muitos metros e recolhemos algumas roupas e panela, tentamos aproveitar o máximo do que restou…

– Não consigo entender a causa da fúria de Kansy… eu sempre re-ligo e atualmente não fiz nada ruim, isso é muito frustrante.

– Vamos dormir, de manha estaremos melhor e resolveremos o que fazer, ok?

– Ok… — eu fechei os olhos e ouvi Set terminar de comer, arrumar-se no cobertor e deitar próximo de, quando abri os olhos, ele dormia tão calmamente e com tanta ingenuidade, que minha dor pelo ocorrido diminuiu e eu finalmente pude dormir bem novamente.

Quando acordei, a manhã estava por começar, eu não me sentia mais tão mal, então levantei e organizei nossas coisas em algumas mochilas, esquentei o resto da sopa e dividi em três cumbucas. Enquanto comia, Set e Duda acordaram, pareciam não ter dormido o suficiente, o que me fez sentir culpada. Deram um bom dia quase inaudível. Eles comeram em silêncio, ainda embriagados pelo sono.

Depois de um tempo Set finalmente disse

– Duda, conversei com Lila ontem, acho bom começarmos a andar, se ficarmos aqui, é possível que humanos apareçam. — Ela balançou a cabeça e olhou para ele

– Deveríamos sair dessa reserva, aqui os “ambientais”, se é que se pode chamar assim, devem vir pesquisar e fazes coisas humanas aqui.

– Há uma saída para aquele lado – Set apontou o leste – vamos por lá então. – Recolhemos nossas coisas e dividimos o peso do que nos havia restado. Atravessamos o rio e começamos a andar na direção do sol que nascia.

Conversamos muito pouco, paramos algumas vezes para descansar os pés tomar água, mas só fomos nos alimentar depois de algumas horas. Eu e Duda montamos uma pequena fogueira e preparamos um chá, enquanto Set entrava um pouco mais na mata atrás de uma animal ou frutas.

Duda acabou dormindo e Set apareceu carregando um coelho, já limpo e sem o pelos

– Ele estava com uma pata quebrada, seria melhor matá-lo antes que ficasse doente

– Certo, deixe que eu cozinho desta vez – ele me entregou a carne e eu comecei a trabalhar nela, jogando alguns temperos e colocando no fogo, Set se sentou ao meu lado, com as pernas cruzadas e duas xícaras de chá nas mãos, me entregou uma e começou a bebericar a outra

– Tem um rio não muito longe daqui, paralelo ao nosso caminho, acho melhor segui-lo, para não faltar água. – eu acenei

– Como você está?

– Bem, porque?

– Parece muito cansado…

– Esta tudo bem, não se preocupe, logo vou ficar bem.

–Eu estava pensando, você rodaram o sítio a procura de algumas coisa, pegaram esses cobertores, mas… vocês não o encontraram não é… o corpo? – ele suspirou vigorosamente

– Não, eu não o encontrei. Eu tive que ficar com você. Você ficou muito mal quando ele se foi – eu conseguia enxergar seu olhos úmidos, assim como os meus estavam, então me aproximei mais, até nosso braços se encostarem e repousei minha cabeça em seu ombro, ele correspondeu tombando sua cabeça sobre a minha e procurando minha mão.

Depois de apertá-la ele parecia um pouco mais calmo.

– Obrigado

– Está tudo bem

– Essa carne esta cheirando muito bem… — nós observamos a gordura pingar no fogo, produzindo estalos, enquanto a carne começava a ficar dourada. Minha barriga roncou alto e nós abrimos um sorriso singelo.

Quando a carne finalmente ficou pronta, acordamos Duda, que parecia um pouco melhor depois de dormir mais um pouco, Set também tirou alguns cochilos, mas ficamos de mãos dadas o tempo todo. Pegamos as facas e fomos comendo ali mesmo — com o fogo abaixo do espeto suculento – cortando e colocando na boca sem devaneios.

Quando terminamos de comer, recolhemos o que tínhamos usado e andamos na direção do rio, para lavar a gordura dos dedos e das facas. Estávamos agachados e assim que terminamos de lavar as facas e a guardá-las, Duda empurrou Set no rio. Ele caiu dentro da água, molhando toda a margem, quando colocou a cabeça pra fora da água…

– Ora sua… — ele saiu do rio e correu atrás de Duda, trazendo-a depois de um tempo e jogando-a na água. Depois ele se afastou, veio correndo, pulou e segurou as pernas. Então começou a brincar com ela- Quem mandou começar? – agora ele ria vigorosamente – Vem Lila! Ta uma delícia – eu balancei a cabeça

– Não sei, não tenho certeza se devia – ele segurou minha mãos

– Vem, vai ser divertido, não é fundo e sabe que estarei aqui – tirei meu sapato de couro e mergulhei calmamente, aproveitando a água enquanto ela umedecia minhas roupas e espantavam o calor de mim.

Depois de mergulhar totalmente, voltei a superfície, me deixando boiar e fechando os olhos. Eu fiquei ali, ouvindo Duda jogar água em Set e vice-versa. Então Duda jogou água em mim e meu espírito de calmaria se dissipou, eu virei para ele com a mão cheia de água, revidando. Ela respondeu socando a água para a minha direção, espirando água na minha cara. Eu comecei a rir e joguei água em Set desta vez.

Nós nos divertimos até nossos braços cansarem, quando fomos nos deitar à margem, com metade da perna dentro da água. Arfando Set disse

– Isso, foi a coisa mais divertida que nós três fizemos juntos – ele puxou o ar com força – nesses três meses que você esteve conosco Lila.

– Possivelmente foi sim – respondi, virei o rosto, sorrindo para ele. Duda se sentou, ela estava ao lado de Set, então podia olhar os dois ao mesmo tempo

– Acha que precisamos esperar? Não me sinto bem, parada em um único local por tanto tempo.

– Relaxe Duda, vamos sair daqui assim que o sol nos secar, ta? – Set respondeu

– Ok… — ela voltou a se deitar, eu tirei meu sobretudo, tinha esquecido de tira-lo e ele estava um pouco úmido no lado de dentro, que era feita por uma malha preta. Eu o virei do avesso e torci, jogando num arbusto próximo, para que secasse mais rápido.

– Devemos ficar mais atentos, acho que as chances de aparecer humanos é grande nesse lugar… — palpitei

– Huhum – Set fechava os olhos e parecia que os dois haviam começado a dormir, eu sorri e resolvi também, tirar um cochilo.

Acordei com Set balançado meus ombros

– Vamos, já esta ficando tarde, dormimos demais.

– Que horas são?

– Quase cinco, temos uma hora e meia antes de escurecer, temos que achar um lugar protegido para ficar – foi Duda quem respondeu, eu pulei e recolhi minha coisas, coloquei meu sobretudo e segui os dois, que já começavam a andar. O sol atrás de nós começava, a cada minuto, a lançar sombras cada vez mais fantasmagóricas no chão barrento por onde andávamos.

Eu tive um calafrio com aquelas sombras, me fizeram lembrar a primeira noite sozinha, logo depois de ter matado Lia.

Nós paramos depois de uma hora e o sol estava muito baixo, olhamos uma arvore, alta o suficiente para que ninguém nos enxergasse, começamos a subir, até encontramos um bom lugar, cada um se estabilizando em seu próprio galho. Conversamos até nossa fome voltar, quando nos servimos do resto da carne.

– Vão dormir, vou vigiar o lugar, quando cansar acordo um dos dois – eu propus e eles concordaram

– Não se esforce demais também – Duda amarrou uma ponta da corda no galho e a outra na cintura, para não acontecer nenhum acidente, assim como Set. Eu fiquei de bruços observando o chão, até me entediar e virar para olhar as estrelas e depois voltar a observar o chão, fiquei nesse ciclo por muito tempo. Quando me dei conta, Duda apareceu do meu lado, com olheiras escuras.

– Vá dormir, já são quase duas da manha…

Eu ia começar a me levantar, quando ouvi vozes no chão. Humanos! Eles falavam suspeitamente e logo um motor começou a soar, uma luz se acendeu e eles iluminaram o chão logo abaixo de nós.

– Eles querem cortar essa árvore Lila! – Duda sussurrou apavorada, eu acordei Set que olhou os homens, que eram mais de dez, no chão. Ele olhou para mim.

– Vamos ter que voar. – Set disse, me fazendo engolir em seco enquanto Duda já abria as asas. – Não se preocupe, vou bloquear seus poderes — Pegamos nossas coisas e alçamos um vôo silencioso, então, para meu desespero, senti que meu poder ia fluir, já estávamos a alguns metros de distância dos humanos e eu simplesmente não consegui voar mais, comecei a despencar. Caí com um forte baque.

Os humanos pareciam ter escutado, porque começavam a se aproximar, eu apavorada, comecei a correr para longe. Duda e Set estavam por perto, eu conseguia ouvi-los, estavam tentando me encontrar, mas nunca mais o fariam, eu havia entrado numa caverna, onde acabei por desmaiar.