Por Conrado.

Calor. É a palavra que define o que estou sentindo. Estamos no inverno em Beaufort, mas hoje um sol escaldante se faz no céu que está me incomodando muito. Aceitar ir em um trabalho com Phill e Carl pela manhã está me fazendo enlouquecer se soubesse que o clima aqui seria esse. Nosso trabalho que escolhemos não é muito difícil, porque de acordo com o camponês que deixou o recado na nossa parede era somente para ver o que ocorria com o clima na safra de mirtilos dele que de repente do nada estava quente e do nada esfriava como se fosse mágica. Lucius disse que poderia ser algo mais sério então nos enviou lá, Annie não quis vir então nosso grupo veio com dois membros a menos, porque Eduardo não estava bem hoje.
A paisagem era verde em todo caminho com árvores e animais correndo pela floresta que havia, fizemos uma pausa perto de um riacho que tinha junto a um pé de laranja – pois já havíamos andado pelo menos duas horas sem parar — e voltamos ao nosso objetivo. Phill fala muito então nos entretemos no caminho que estava um tédio no começo. Quando faltava apenas alguns metros para adentrarmos a propriedade do velho e já pude sentir uma mudança de clima tremendo e vejo que meus colegas também, pois perceptivelmente a pele de Carl se arrepiou com a pequena onda de frio que sentimos. Phill não teve reação, pois como ele era um moldador de gelo ele não sentia frio algum, e se deixasse ele andava de cueca no gelo como já o vi fazendo várias vezes.
— Tem alguma coisa errada. Estávamos a um calor de quase quarenta graus e agora sinto que estamos quase no Polo Norte.
— Concordo. – digo. – E por percepção sinto uma aura poderosa rodeando a fazenda inteira e para te falar verdade eu desconheço esse poder.
Phill permanecera calado como se estivesse sentindo algo de olhos fechados e não dizia nada.
— É uma garota.
Ele disse depois de uns minutos de cara fechada. Só podia estar brincando.
— Como você sabe? – pergunto.
— Não sei, mas sinto. Como moldador de gelo eu sinto a diferença no poder de um homem e de uma mulher, mas não discordo de você, para rondar a propriedade inteira creio que seja uma maga muito poderosa.
— Maga. Assim você me ofende.
Ao mesmo tempo nós três viramos para trás e encaramos uma garota muito linda que aparentava ter uns dezoito anos com uma roupa que destacava seus seios fartos – não exagerado, mas fartos – sua roupa era de azul para um azul escuro e as beiradas brancas e em suas mãos dois leques como armas se mostrando suas pontas metálicas afiadas e que poderiam cortar qualquer um no meio somente com um pequeno movimento. Seu olhar recaiu sobre mim e sinceramente ela não estava a fim de lutar conosco, pois de longe eu sentia que ela queria caçar confusão. Seu rosto delicado fazia jus a sua postura durona mesmo sem fazer rugas de que está nervosa ou ansiosa para algo. Ela é simplesmente linda.
— Quem é você?
— Eu vim em paz, a mudança climática da fazenda e a morte de uma parte da safra era para chamar a atenção de vocês.
— Ocasionar a morte de animais e criar marcas e símbolos de rituais para ganhar juventude eterna também fazia parte? – disse Phill tomando a frente.
— Isso eu não sei, mas eu queria somente...
Antes que ela terminasse Carl a derruba longe indo os dois rolando no chão. Fui notar o que era quando uma enorme bola de fogo que se chocou com o chão nos jogando longe, levantando muita poeira e deixando nossa visão um pouco complicada. Quando ia se desfazendo a nuvem de terra que se fez minha atenção foi voltada a um pequeno ser que estava suspenso do ar e flutuava com fogo a sua volta, não consegui ver quem era ou o que era, aos poucos foi descendo e com um sorriso diabólico se aproximou de nós quatro mantendo uma distância significativa mas que dava para se ouvir, era uma mulher de cabelos negros e olhos vermelhos com suas vestes expelindo fogo sem se importar se iria machucar alguém ou não.
De imediato invoquei minha espada do imperador do fogo e fiquei em posição de ataque, ao meu lado Phill soltava algumas rajadas pequenas de frio mostrando que estava alerta e Carl ao lado da garota ficou em posição de ataque deixando um chicote de fogo a mostra e fazendo-o estalar no ar.
— Que lindo, terei carne fresca para usar no meu ritual e ainda mais com esse poder incrível da garota. Ellie será bem servida hoje.
Sua voz era de puro desprezo em relação a nós, como se não fossemos nada. Mas eu sentia que ela estava certa, apesar da idade da mulher o poder da garota era forte e creio o suficiente para matar todos aqui em um estalar de dedos.
— Deixe que eu cuido dela sozinha.
A menina se levantou e abriu seus leques deixando pequenas pontas de metal a mostra, mas não era um metal qualquer, era um metal encantado por algum poder espiritual. Como eu sei? Eu conheço runas e neles havia algumas. Antes de Carl interferir Phill colocou seu braço a frente dela e o impediu e o mesmo ficou resmungando por concordar de deixar a garota lutar. A mulher riu sarcástica e foi atacar a garota misteriosa que nem sabíamos o nome para confiar em seus poderes. Antes do soco acertar o rosto dela, Ellie ficou imóvel em seu lugar com uma cara de dor e desespero por não poder se mexer, e com um movimento de suas mãos ela foi arremessada para trás como se fosse um fantoche, sem chances de revidar.
— Você se acha poderosa? Comédia. – e com apenas um movimento do seu leque uma rajada de vento jogou a estranha para o ar.
A garota com suas mãos fez a água do poço que havia perto de nós levitar e formar em poucos segundos se materializar em uma enorme ponta de gelo deixando Phill de boca aberta em um “O” – nunca havíamos visto alguém fazer isso, e para ser sincero achamos estranho ela ser uma moldadora de gelo e vento ao mesmo tempo — quando Ellie estava voltando para o chão a jovem arremessou à estaca de gelo contra a mulher e somente quando caiu vimos seu coração na ponta e nisso ela pegou a ponta da estaca e sorriu como se fosse um troféu e deixou sua adversária com um sorriso no rosto de vitoriosa. Isso deixou Phill enjoado e o mesmo acabou vomitando seu almoço no pé do Carl que ficara nervoso com isso.
— Me lembre de nunca deixar você nervosa. – disse Carl impressionado e limpando a sujeira do amigo.
— Você nos deve algumas respostas. – digo.
— Sei que devo, mas antes como faço para entrar na Faces Running?
— Você quer ser um de nossos membros? – questionou Phill.
— Não, quero ser contratada para cozinhar. – ironizou da pergunta de Phill e cruzou os braços com as sobrancelhas arqueadas.
— Bom a Judith cozinha bem, mas não vejo...
Antes que ele terminasse Carl lhe dá um tapa na nuca deixando resmungando de dor.
— Porque deveríamos aceita-la?
— Convenhamos dizer que sou boa o suficiente para derrotar o mais forte de todos da sua guilda se esse for o teste para entrar. – disse ela me olhando em um tom desafiador.
— Annie não gosta de lutar. – disse Phill tomando a frente.
— Deixa que eu vou. – disse Carl a olhando divertido. – Mas como primeiro teste você precisará encontrar nossa guilda sozinha e chegando lá veremos do que você é capaz.
Nem deu tempo de pensar e Phill jogou o pó de teletransporte em nossos pés e quando nos vimos estávamos na frente da nossa gloriosa guilda.
— Será que era irá achar nós?
— Creio que sim. – concordo abrindo as portas.
— Você também ficou confuso por ela ser moldadora de gelo e ar?
Não consegui responder mas pela minha reação de confuso ele deveria ter tido sua resposta, o mesmo coçou a cabeça e sentou-se perto do balcão e começou a se refrescar com um suco.
— Conrado meu querido que bom que você chegou. – ouvi uma voz que me dava arrepios. Sim acredite Dona Judith dá medos em todo mundo.
Ela é uma mulher... Excepcional – eu diria velha mas o último que a chamou desse nome sofreu consequências terríveis. Ela deve ter quase um milênio de idade, mas sua aparência é de uma mulher de vinte e cinco anos e com um corpo de modelo da revista de Magos Magazine. Seu poder é o segredo para sua beleza e aparente juventude, ela era a mulher mais experiente que todos nós na guilda, até mais que seu filho Lucius que é nosso mestre aqui. Judith é uma dominadora do tempo, seu poder é muito antigo e sinceramente hoje em dia não se sabe se há outra pessoa com a mesma habilidade.
— Judith que saudade. Onde você se meteu?
— Se eu te dissesse acho que você não iria gostar. – e riu maliciosa me deixando com uma careta no meu rosto.
— Aprontando de novo? – digo.
— Não fiz nada do que você não faria meu caro Conrado. – ela piscou para mim e saiu rebolando para o balcão e foi fazer o almoço do pessoal da guilda.
Annie se juntou a nós para almoçar junto com Eduardo que ficou mais animado por agora. Ela é a namorada de Phill, muito meiga e poderosa para uma menina tão jovem. Ela tem um passado perturbador, mas ninguém a julga e a consolamos quando preciso, mas sempre Phill com suas trapalhadas anima todo mundo.
Conversávamos animadamente quando uma neblina gelada percorreu toda a nossa guilda e nossa atenção se voltou para a porta que mostrava a silhueta bem definida de uma garota que eu e os rapazes sabíamos muito bem quem era. Quando ela se desfez vimos que sua roupa havia mudado, ela estava com uma calça preta, uma bota até no joelho de couro preto e uma blusa azul escura cavada e um pouco decotada. Olhou diretamente para nossa mesa e riu.
— Como pode ver aqui estou. – nos encarou mais firmemente. – E cadê o bunda mole que vou ter o prazer de socar a cara? – disse ela estralando os dedos da mão.
— Posso dizer que gostei dela. – cochichou Judith em meu ouvido.
— Estou aqui. – disse Carl se levantando e estalando seu chicote de fogo no ar.
Muitos ali encaravam a cena sem entender, especialmente Annie que olhava a menina de cima a baixo, mas mantendo uma expressão indecifrável no rosto. Carl foi com tudo para cima dela e antes mesmo que pudesse ser atingida com um movimento de mãos ela o arremessou contra a parede dos fundos fazendo um buraco enorme – pelo visto teríamos que mais uma vez concertar essa parede. — então mais que depressa ela já estava segurando-o pelo colarinho com um olhar bem desafiador.
— Meninos calma, vamos para nossa arena do fundo e lá resolveremos isso. – disse Judith os separando.
Carl a encarava com fúria, e ela permanecia com a mesma expressão no rosto, mas só que mais desafiadora. Já na arena todos da guilda torciam por Carl. Menos Judith que ficou do lado da garota.
— Judith porque você vai ficar contra ele? – disse Annie.
— Quero ver esse bunda mole provar as bolas de fogo dele pelo rabo. – disse ela assoviando e torcendo pela menina.
Annie a olhava com uma expressão que ninguém sabia se era nojo ou sabe lá o que. Ambos se encaravam na arena, ela permanecia imparcial. Carl foi o primeiro a atacar com várias bolas de fogo contra a menina que não mexera nenhum musculo. Ela abriu os olhos e em um segundo elas se tornaram fumaça. Todos olharam de boca aberta o que acabaram de presenciar, isso era muito estranho.
— Vou te mostrar o verdadeiro significado de como se dominar o fogo. – deu ênfase nas últimas palavras.
Com movimentos curtos do nada ela produziu um dragão enorme de fogo e o fez soltar chamas pela boca em direção de Carl. A temperatura no ambiente ficara mais quente e meu olhar de espanto para ela foi mais significativo ainda. Como ela poderia ser moldadora de três elementos? Carl redirecionou o fogo para ela e com a palma de sua mão ele se tornou fumaça. Com fúria Carl atacou o dragão e sem que a menina percebesse ele acertou um soco em seu rosto a jogando longe levando a torcida por ele a loucura.
— Acho melhor eu para de brincar com você. – disse ela se levantando.
Ela emanou uma aura de poder tão grande que todos se aquietaram ao ver, estava visível a todos ali. Seus olhos ficaram brancos e seus cabelos flutuaram pelo ar. Carl recuou um pouco e esperou pelo pior. Quando achamos que já tínhamos visto de tudo, raios começaram a sair de suas mãos e parecendo uma dança ela os controlava sem medo e sem erro. Ela encarou e disparou toda a carga elétrica que poderia mata-lo em direção ao meu amigo. Ele não era um moldador de raio então não poderia atacar. Sem que ninguém percebesse Annie apareceu em sua frente e revidou com seu poder assim quando se chocou com os raios da garota uma enorme explosão aconteceu no meio da arena e todos foram jogados no chão pelo que ocorrera ali.
Quando me levantei meus olhos assim como o de Phill se arregalaram ao máximo ao ver que Annie havia invocado sua Satan Soul mais fraca. Ela se chamava Devil Soul. Sua habilidade maior era a de raio, mas isso não a impedia de dominar seus outros poderes.
— Acho que essa luta agora é entre mim e você. – disse Annie amedrontando a garota que a olhava sem espanto.
— Uma Satan Soul. – disse. – Não me impressiono, já ouvi falar muito desse poder e impressionante você sendo tão jovem estar em uma classe avançada.
— Tem coisas de mim que você não sabe. – disse Annie prendendo a mandíbula de raiva.
Sem que ela respondesse Annie foi em sua direção e com um soco a jogou do outro lado da arena. Phill me olhava com uma cara de que estava preocupado, mas não interferiu.
— Sinto que você é forte, mas vejamos o que pode fazer quando se é dominada por outra pessoa. – disse ela sorrindo maliciosamente pela garota.
Antes que alguém atacasse Annie ficara imóvel, e de repente foi jogada contra a parede lateral, depois contra a outra, foi levitada no ar e jogada com tudo ao chão.
— O que está havendo isso nunca aconteceu antes? – disse Phill preocupado e apertando com força a barra de ferro.
Eu não respondi e apontei para a menina que fazia movimentos com as mãos enquanto Annie era machucada e sendo jogada e atingida por socos e chutes. E gemidos de dor saiam de sua boca, ela tentava revidar, mas era inútil ela estava sendo controlada pela garota.
— Ninguém nunca saiu do meu controle. – disse ela rindo. – Minha dominação de sangue é mais aperfeiçoada que a de qualquer pessoa que possa ter aperfeiçoado. Eu controlo cada veia do seu corpo, cada gota de sangue e cada músculo.
E com um soco jogou Annie para longe e sozinha sua Satan Soul foi sumindo e deixando-a com suas roupas rasgadas no chão, desacordada. Phill correu até ela e a mesma sorriu para ele que estava tudo bem e ela levantou e seguiu em direção a garota.
— Você é uma ótima dominadora, ficaríamos felizes se você fosse um de nossos membros. – disse ela sorrindo como sempre para a garota.
— Obrigada. – disse a menina e apertou a mão dela sorrindo. – Desculpa se eu te machuquei com os socos, mas eu tinha que vencer a luta...
— Fique tranquila. – disse Annie. – Seremos boas amigas.
— Me chamo Stella Freeman. – e elas se abraçaram como cumprimento e todos comemoraram.
— Menina do céu adorei você. – disse Judith indo em direção a ela e a esmagando com um abraço.
— Judith assim você mata a menina. – repreendi ela.
— Calado seu bastardo. – esbravejou para mim me dando um soco que me fez cair no chão. – Você me lembra a doce e jovem Judith que adorava chutar uns traseiros na rua para se divertir. Bem vinda a nossa guilda e para o que precisar pode contar comigo estarei sempre ao seu dispor para tudo o que precisar. – ela piscou para ela e saiu.
— Devo lhe parabenizar, mas me diga qual os seus poderes?
— Primeiro é um prazer conhecer você Conrado, meu nome é Stella. – e ela apertou minha mão me deixando sem graça. – Meu poder é simples. Sou uma dominadora de elementos e todas suas divergências. No caso da luta utilizei dominação de raio e de sangue, que são divergências dos elementos água e fogo.
— Uau.
— Deveria estudar mais. – ela piscou para mim e foi em direção a Annie e juntas foram conhecer a guilda.
Seu sorriso era lindo. Tudo nela era lindo, o jeito que ela fala, o modo que ela age com as pessoas, tudo. Acho que estou apaixonado.
— Querido Conrado limpe a baba. – disse Judith aparecendo do nada me assustando. – Ela é bonita eu sei, mas tome isso e use com cuidado.
Ela me entregou algo e quando ela estava longe eu quis socar a cara velha dela. Ela havia me dado uma cartela de preservativos. Judith e suas ideias malucas. Mas enfim, tínhamos uma nova integrante e nosso time para a grande competição estava formado.

Notas finais
Obrigado pela sua leitura... Não deixe de comentar e deixar sua opinião para que me incentive a escrever os próximos capítulos que serão postados todas quartas-feiras!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.