Notas iniciais
Oi gente, surpresa!
Um especialzinho de Halloween com os nossos meninos (e também uma boa porta para quem está chegando no universo agora e quer entender as relações entre os personagens).
Divirtam-se!

— Todo mundo já tem refrigerante? — Luke gritou, tentando se fazer ouvir acima do burburinho agitado na muito apinhada sala da mansão Xavier.

Era dia trinta e um de outubro. A ruas estavam cheias de gente àquela altura, crianças e adolescentes saindo em grupos, fantasiados, para pedir doces nas casas das pessoas. Na mansão Xavier, no entanto, sair para gostosuras ou travessuras tinha sido proibido para qualquer menor de idade. Ainda havia muita instabilidade na situação do terrígeno, e permitir que um grupo grande de crianças mutantes saíssem na rua de uma só vez em um dia de altíssima movimentação seria algo muito perigoso e vulnerável. Por conta disso, para diminuir a frustração das dezenas de crianças abrigadas ali, Bobby sugeriu organizar uma noite de filme de terror. A ideia de assistir a um filme desses tinha interessado a maior parte das crianças e adolescentes, empolgados com a perspectiva muito adulta de assistir um filme do gênero, o suficiente para acalmar os ânimos exaltados por precisarem ficar em quarentena naquela noite.

É claro, quando Luke concordou com a ideia, não levou em conta a complicação de enfiar todas aquelas pessoas na sala — acomodadas no chão em meio a edredons e almofadas depois de todos os móveis serem arrastados — ou a de organizar o evento todo. É claro, ele não precisava fazer isso, mas tinha se voluntariado e agora precisava dar conta. Felizmente, Nath e Balu estavam ajudando.

Nath distribuía pacotes de pipoca para grupos de crianças, fazendo algum esforço para olhá-los nos rostos ao entregar, caso alguém quisesse mencionar alguma coisa. Tinha perdido um ou outro aviso ou pedido ao dar as costas muito cedo, e tivera de lidar com alguém puxando a barra de sua calça depois. Não tinha imaginado como ficar sem sua audição implicaria em se acostumar com detalhes tão pequenos como aquele, e ainda vinha sendo um trabalho, de certa forma, lidar com tudo isso. Naquela sala, com tanta gente conversando, seria impossível para ele confiar em seu recém descoberto poder de audição tátil para descobrir se alguém estava falando consigo. Em verdade, o excesso de barulho apenas incomodaria, motivo pelo qual estava com a coleira de supressão de poder, emprestada a ele por Bobby, presa em seu pescoço.

Do outro lado, Balu estava se ocupando de distribuir os doces. Várias das crianças estavam com alguma fantasia improvisada, feita de restos de uniformes de mutantes encontrados no sótão da mansão ou outros objetos espalhados pela casa, e Balu tinha escolhido para si jogar um lençol com furos nos olhos por cima da cabeça. Ainda não sabia se ficaria para o filme; tanto ele quando Luke receavam — com razão — que poderia ser um ambiente de muito medo para ele absorver, poderia acabar lhe fazendo mal. No fim das contas, Balu trazia uma das coleiras de supressão de poder consigo, considerando ainda usá-la caso necessário. Não dava para discutir com a eficiência delas.

A maior prova disso estava parada no batente da porta da sala, com uma mão no bolso, checando o celular com a outra. Damon nunca era visto sem sua coleira no Instituto, havia sido uma regra instaurada graças à natureza de seu poder, e ele nunca tinha discutido em voz alta contra a ordem. Não era do tipo de discutir. Uma ordem era uma ordem, e se tinha de ser feito, então tinha. É claro, tinha aprendido sua lição sobre seguir qualquer balela cegamente, mas conseguia ver com muita facilidade o problema em andar pelo Instituto livremente sem uma coleira, e não seria ele a resmungar contra algo que fazia tanto sentido. O objeto incomodava às vezes, mas, a essa altura, estava se acostumando. Esperava poder aprender a controlar sua habilidade em breve para se livrar daquilo, mas o caminho era longo. Sabia disso.

Tinha ficado com a incumbência de arrumar o filme para a noite, e acabou escolhendo Halloween mesmo. Talvez o filme traumatizasse as crianças mais novas, mas daí também não era problema seu. Estavam vivos dentro de casa, e esse era o objetivo, não era?

Ele tossiu, encarando o celular e puxando uma lufada forte de ar. Estava esfriando, o que felizmente o ajudava a respirar melhor, mas pelo que seus testes diziam, ainda tinha muitos remédios pela frente para ficar bom de novo. Ao menos era uma possibilidade; podia ser muito pior.

Damon recebeu a mensagem a qual estava esperando e deixou a sala, encaminhando-se para os portões de entrada do Instituto. Niko tinha informado na noite anterior que estaria na cidade para o Halloween, e no primeiro instante, Damon não soube como reagir, pensando nas implicâncias disso. Desde que ela e Theo tinham partido, nunca mais havia visto os dois. Mal tinha trocado mensagens com Niko, e nunca mais tinha falado com o garoto. Tinha vontade às vezes, muita. Sentia saudade, mas não conseguia encontrar a coragem para contatá-lo, depois de tudo o que acontecera entre eles. Se não conseguia sequer falar com ele, como iria encontrá-lo?

Ainda assim, o resquício de sentimento de solidão falou mais alto, e ele cedeu à vontade de convidá-la para a sessão de filme do Instituto, mesmo sabendo que isso poderia significar ver Theo pela primeira vez depois de tantos meses — algo para o qual não fazia ideia se estava pronto —, e Damon ficou tão focado e preocupado com isso que sequer soube como reagir quando a porta do carro se abriu e não foi Theo o garoto a sair de lá.

Primeiro, ele ficou parado na frente do portão, um pouco boquiaberto com a ousadia. Niko desceu do carro primeiro e, com exceção do lenço rosa amarrado na cabeça, agora raspada, parecia exatamente a mesma. Ela abriu um sorriso, abraçando-o brevemente, e Damon suspirou ao sentir o ar escapar dos pulmões com o impacto contra o corpo dela.

Estava prestes a comentar algo sobre ainda não conseguir respirar direito quando um garoto desceu atrás dela, com cabelo castanho penteado para cima, óculos escuros — apesar de estar de noite — e as mãos nos bolsos das calças jeans.

— E aí? — O menino perguntou, com um sorriso atrevido no rosto.

Depois de tanto tempo sem ver a amiga, Damon sentia que tinha muita coisa importante para falar ou perguntar, mas diante da situação e da onda de susto e indignação que se apossou em seu corpo, o que saiu de sua boca foi:

— Você não é o Theo.

— Não me diga…

— Theo está na Escócia resolvendo uns assuntos — Niko respondeu, olhando um pouco ansiosa de Cass para Damon e de volta para Cass. — Eu trouxe meu namorado para ele não passar o Halloween em casa sozinho. Tudo bem, não é? Ele é mutante também, então eu pensei…

Damon bufou. Não, não estava nada bem. Ficou dias se preparando para encontrar Theo depois de tanto tempo, e além de ter sido a toa, teria que engolir um esquisito desconhecido no lugar. Ele deu as costas e entrou de volta para dentro da casa sem dizer mais nada. O dia tinha ido de “bom prospecto” para “filme de terror” rápido demais para seu gosto, apesar da data. Não fosse por Niko, abandonaria o filme e passaria o dia dormindo no quarto.

De qualquer forma, agora era tarde. Ali estava Niko e ali estava o namorado, quer gostasse disso ou não. Luke, ainda terminando de ajeitar o refrigerante e as comidas de todo mundo, viu o visitante chegar com um olhar meio atordoado, mas acabou não dizendo nada, e nem diria. Sabia que Damon tinha “dois amigos humanos” pra chamar e já tinha concordado, não era hora de dar para trás.

Os mutantes terminaram de se acomodar. Damon pegou o controle da televisão, achando o filme em um serviço de streaming para assistirem. Balu apagou as luzes e então a sessão começou.

O filme era um pouco tosco, com direito a ressurreição em sequência e todo o resto, mas não demorou para Balu colocar a coleira no pescoço, uma vez que o ambiente estava ficando bem tenso. Mas Halloween era para ser assim mesmo na opinião de Damon, e para Luke e Nath, em um canto, e Niko e Cassian, no outro, enrolados em abraços de casal, havia seus benefícios no filme de terror.

Embora gostosuras e travessuras sempre fosse ser mais divertido, não dava para dizer que a noite não tinha potencial para ser muito divertida. As crianças mais novas acabaram dormindo depois de um filme e meio, e aos poucos a sala foi esvaziando e deixando os adolescentes — e Balu, firme em sua missão como Novo Mutante — para trás. Tudo parecia seguir muito bem dessa forma, quando de repente um estrondo muito forte soou, um barulho de estouro ensurdecedor seguido da televisão e todas as outras luzes da casa apagando de uma vez.

Nath foi o primeiro a reagir. O barulho o fez gritar, levando as mãos aos ouvidos e choramingando, e Luke passou um dos braços pelas suas costas, abraçando-o para perto. No segundo seguinte, os demais presentes na sala começaram a gritar e reagir, e o medo estava estampado no rosto de todo mundo: a mansão estava sendo atacada? E se fosse um atentado?

Luke levantou a mão, acendendo uma luz na palma e usando para iluminar a sala o suficiente para ver todo mundo. Apesar do susto, ninguém parecia ferido. Damon estava de pé e a amiga dele também, ambos tendo tirado uma faca de algum lugar e a empunhando em posição defensiva. O instinto de Purificador deles parecia tão afiado quanto as lâminas.

— Ótimo — Balu suspirou. — E agora?

— Não tem X-men na casa hoje, a autoridade de segurança somos nós — Luke respondeu, levantando-se e ajudando Nath a ficar de pé. O garoto cambaleava um pouco, mas parecia estar se recuperando devagar.

Balu se levantou também, puxando o lençol de cima de si, e então o namorado de Niko. Luke correu os olhos pelo grupo: eram seis, e o barulho tinha vindo da parte norte da mansão.

— Ok, vocês dois aí — Luke tomou a frente, dirigindo-se a Niko e o namorado. — Vão ajudar? Você sabe fazer alguma coisa, garoto?

— O suficiente — ele respondeu, com um sorriso no rosto de quem achava muita graça em algo.

— Beleza. Peguem o andar de cima, são só quartos, não tem como se perder. Balu, acompanhe Damon nesse andar daqui, eu vou descer com Nath — Luke explicou, fazendo sinais simultâneos em ASL para Nath entender. — Balu, busque duas lanternas na cozinha para vocês, eu vou ir descendo com Nath.

— Ok.

— Espera — um garoto sentado no chão interrompeu, levantando a mão. — Estamos assistindo filmes de terror faz horas, a gente sabe o que acontece quando as pessoas se separam. E o que vai acontecer com a gente, sozinhos aqui na sala?

— Não vai acontecer nada, vocês vão ficar bem — Luke respondeu. — Continuem juntos e, se ouvirem alguma coisa, saiam para a cozinha.

Obviamente, não dava para ter certeza de nada disso, mas Luke estava fazendo bem seu trabalho de passar confiança como líder. Balu voltou da cozinha com as lanternas nesse instante, entregando uma para Niko, e as duplas se separaram.

A garota esperou até os dois subirem parte das escadas e estarem fora de vista para guardar a lanterna no bolso do casaco.

— Não vai usar? — Cass perguntou, a voz saindo em um sussurro baixo. Ele andava bem atrás dela, cobrindo suas costas, e ao falar, ela pôde sentir o sopro de sua fala em sua nuca.

Niko arrepiou. Ela apertou o cabo da faca e seguiu com calma no corredor.

— Você não enxerga no escuro? Tá de brincadeira, né? Eu tô contando com isso.

Cass soltou uma risada sarcástica baixa e se adiantou, passando para a frente dela. É claro que ele enxergava no escuro. Os dois avançaram, um passo de cada vez, Niko atenta aos movimentos de Cass e a qualquer possível reação dele.

Até o meio do corredor, não havia nada, já dava para perceber. A garota suspirou, guardando a faca e cruzando os braços.

— Tá legal, Cassian, pode parar agora.

O garoto, que ainda estava andando em direção ao final do corredor, parou, surpreso e confuso, virando-se para ela.

— O quê?

— A pegadinha — ela respondeu. — Legal, escurecer a casa dos X-Men no Halloween e todo resto, mas tá assustando demais as pessoas. Tem gente aqui com medo de morrer.

Por alguns segundos, ele apenas a encarou, embasbacado, e ela retribuiu o olhar, ficando mais confusa e desconfortável a cada segundo. Então, Cassian respondeu.

— Não fui eu. Juro.

Niko o conhecia. Tinham mentido um para o outro por anos, defletindo assuntos e evitando qualquer tópico o qual fosse precisar de explicações demais. Era como agiam. Se precisavam esconder algo, contornavam o assunto, e quando confrontados, diriam a verdade um ao outro. Ela acreditava nisso e, tinha certeza, ele também.

— Droga — ela resmungou, tirando a lanterna do bolso. — Achei que esse lugar fosse impenetrável.

— Deveria ser — ele respondeu, pousando a mão na parede. Uma massa de sombra negra começou a espalhar sobre a parede, avançando pelo corredor, entrando debaixo das portas e tomando conta da parte restante do andar. — Não acho que tenha ninguém aqui — ele respondeu enfim, chamando as sombras de volta e guardando as mãos no bolso.

— Me pergunto como os garotos estão se saindo no andar de baixo.

No térreo, Damon e Balu não estavam tendo muito mais sorte. Os dois seguiram por alguns metros no corredor até Balu estar longe o suficiente das crianças na sala para tirar a coleira, na esperança de que, se houvesse mais alguém naquele corredor, ele pudesse sentir. Mas a única coisa que Balu captou foi a tranquilidade de Damon diante da situação, quase um pensamento frígido e tático, um controle emocional de dar inveja nele, que vinha tendo tantos problemas para lidar com as ondas emocionais causadas por seus poderes.

— Nada? — Damon perguntou, girando a faca na mão enquanto encarava Balu parado no meio do corredor.

O garoto negou com a cabeça, colocando a coleira de volta.

— Só você mesmo.

Mais ou menos nesse instante, Damon viu Niko e o namorado no final do corredor deles, também de mãos abanando. Isso só podia querer dizer uma coisa.

— Excelente, ficou tudo na mão do pisca-pisca e do namorado medroso dele — Damon resmungou, enfiando a faca na bainha irritado e passando pelo corredor a passos pesados. — Vamos descer logo. Se eles acabarem encontrando um Purificador sozinhos, o resultado pode ser desastroso demais.

E Luke estava ciente disso. Não por si; acreditava ser capaz de dar conta de um inimigo sozinho. Mas a tarefa seria mais complicada com Nath ao lado, se tivesse que cuidar dele e lutar ao mesmo tempo… A situação poderia se complicar.

Tinha ponderado deixar o garoto na sala com os demais, mas depois de um surto sensorial como aqueles no momento da explosão, não tinha coragem de dar as costas a ele. Nath ficava muito assustado e desorientado quando isso acontecia.

Havia uma linha fina entre trazê-lo consigo ou deixá-lo sozinho, um equilíbrio entre o que era mais seguro e o que era mais confortável, mas Luke não sabia se conseguia medi-lo com sabedoria ainda. Era muito levado pelas emoções, e ver Nath tonto daquele jeito já era o bastante para não querer deixá-lo sozinho.

“Fique perto de mim”, Luke sinalizou, com as mãos brilhando levemente para Nath enxergá-las. O garoto concordou, e os dois avançaram para o jardim na parte de trás da casa.

Apesar dos receios de Luke, Nath estava atento. O barulho tinha o desnorteado, mas mais ainda, tinha o aborrecido, o suficiente para que estivesse muito interessado em chegar na fonte e encontrar o problema. O casal seguiu a passos pequenos por sobre a grama, e em algum ponto, um cheiro de queimado chegou ao nariz deles.

Luke se virou para trás, e os dois se olharam surpresos: viram os quatro companheiros correndo pela grama atrás deles, Damon e Niko de facas em punho. Teriam sentido o cheiro também? Não sabia. Mas estava ali. O que quer que fosse, bem ali.

— Fiquem espertos — Luke sussurrou, passando a mesma mensagem a Nath com uma troca de olhar. O grupo se organizou e seguiu em frente, em direção à fumaça.

Poderia se tratar de qualquer coisa. Tinham de estar preparados. Os mutantes prenderam a respiração, atentos à frente, um passo de cada vez, e a qualquer instante agora encontrariam a fonte do barulho. A qualquer instante…

A fumaça estava saindo do gerador da casa. Algo tinha o explodido, justificando a falta de luz e o barulho forte. O grupo ergueu as mãos e as armas, prontos para brigar, mas não levou dois segundos para perceberem que a situação parecia… esquisita.

Havia apenas uma mulher, de ascendência japonesa, escorada contra o gerador com uma garrafa de cerveja na mão. Ela parecia ter acabado de vomitar, e faíscas elétricas escapavam dos seus dedos.

Luke pigarreou devagar, trocando um olhar breve com Damon. Confiava mais na opinião do garoto para detectar perigo graças à experiência dele, mas Damon não parecia nem um pouco alarmado com a situação.

— Com licença — Luke chamou, piscando uma luz na direção da mulher. Ela levantou a cabeça muito devagar, abrindo um sorriso de repente ao vê-los.

— Ah, olha só, as crianças do Bobby! E aí? — Ela acenou para cumprimentá-los e um raio elétrico escapou de suas mãos, errando por pouco o ombro de Cassian. — Opa. Foi mal.

— Quem é você? — Balu perguntou, o cenário ficando mais claro para eles a cada segundo. A mulher era eletrocinética, tinha se embebedado em alguma festa de Halloween e, ao escorar no gerador para vomitar, tinha causado um belo incidente.

Bobby não ficaria nada feliz.

— Noriko, mas me chamam de Faísca. Tô com os X-Men, mas eu era Nova Mutante igual a vocês — ela respondeu, percebendo de repente a forma como o grupo a encarava. Ela desviou o olhar para o gerador, onde tinha se apoiado, e se afastou dele, cambaelando enquanto andava para trás. — Iiiih, caramba, o Bobby vai me matar!

— Vai nada — Damon respondeu, abrindo um sorriso macabro e divertido em seguida. — Mas a Kitty… É. Você tá com problemas.

— Ai, meu Deus, por favor, não digam que fui eu!

— Sem chance, tenho que reportar tudo que aconteceu na mansão na ausência deles — Luke respondeu. — E você assustou todo mundo lá dentro. Pensamos que estivéssemos sendo atacados.

— Tô ferrada… — ela resmungou, sentando-se na grama, escorada no gerador queimado.

— Balu, vê se consegue matar a bebedeira dela — Luke pediu. — Ela desse jeito é um perigo pras pessoas ao redor.

— Beleza. E o Halloween, o que fazemos com ele?

Luke franziu a testa, pensativo, pois não estava esperando por isso. O plano era verem filmes. Não sabia muito bem o que fazer no lugar disso e, no fim das contas, foi Nath quem levantou a mão.

Horas mais tarde, quando Bobby chegou com Kitty da festa onde estiveram, não entendeu muito bem o amontoado de crianças dormindo na sala, em círculo, com algumas lanternas acesas, mas Kitty abriu um sorriso pequeno assim que reconheceu o padrão.

— É uma roda de histórias. Bem pensado.

— Interessante — Bobby suspirou, com a mão no interruptor da sala. — Mas eles iam ver filme, e a luz da sala não quer acender. Será que aconteceu alguma coisa? A luz não parece ter acabado no quarteirão.

— Quem liga? — Ela perguntou, espreguiçando-se e saltando sobre algumas das crianças para ir em direção ao seu quarto. — Estou morta de cansada. Seja lá o que for, é problema da Kitty de amanhã.

Talvez Bobby tivesse discutido em outras circunstâncias, mas as crianças pareciam bem. Dado o cenário atual, isso já era dizer muita coisa. Ele bocejou e decidiu ir para seu quarto também. De terror já bastava seu dia a dia.

Notas finais
Tenho vagas em uma interativa nesse universo! Acesse aqui:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/irmandade-de-mutantes-supremacia-marvel-717-3-22978456
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!