FEITICEIROS

Por Kath Klein

Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 15

Eclipse Mortal

Shyrai abaixou o braço a fim de cortar o braço direito de Eriol, que estava caído de joelho no chão tentando se recuperar, quando bateu no metal mágico . Arregalou os olhos não acreditando no que estava a sua frente. Por trás da arma pôde ver os olhos castanhos determinados encarando-o. Syaoran empurrou o homem, fazendo-o dar alguns passos para trás.

‘Como... como bloqueou meu golpe, garoto?’ Perguntou atordoado.

Syaoran passou a espada para a outra mão e logo depois segurou o cabo da arma com as duas mãos. ‘Vamos dizer que já estou me acostumando a eles.’ Respondeu se colocando em posição de luta.

‘Eu pensei em atingi-lo pelas costas....’ Shyrai voltou-se para trás e viu a figura da jovem ruiva encarando-o com raiva, aos pés dela a imensa mandala se formava enquanto as luzes mágicas e as cartas circulavam seu corpo. ‘Assim como fez comigo... mas aí seria muita covardia.’

O mago virou de um para o outro. Tinham poder, conseguiu sentir que aquele casalzinho de namorados poderiam atrapalhar seus planos, seria muito melhor que eles estivessem a seu favor do que contra ele. Desviou os olhos para Eriol que ainda tentava se recuperar. Franziu a testa. ‘Não entendo vocês dois...’ Começou a falar e observou que os dois trocaram olhares, eles eram realmente muito ligados um ao outro, se terminasse com um, acabaria com os dois. ‘Ouvi parte da narrativa de Clow sobre a criação de vocês.’ Fez questão de enfatizar a palavra criação. ‘Realmente meu querido ex-amigo fez um trabalho fenomenal com vocês dois, crianças.’ Falou em tom paternal. ‘Pena que ele não levou muito em consideração o que sentiam, não é?’

Eriol trincou os dentes, tentou abrir a boca para falar, mas acabou cuspindo sangue, Li percebeu a agitação do amigo por trás de si. Não desviou os olhos para ele porque estava com todas as atenções voltadas para o mago das trevas a sua frente, analisando o inimigo.

Sakura deu um passo a frente fazendo Shyrai voltar-se para ela. Mulheres... sempre são as mais sentimentais. ‘Principalmente você não é, minha querida?’ Reparou que os olhos da jovem tremiam. ‘Deve ser muito ruim saber que o rapazinho por quem é apaixonada está contigo só porque Clow arquitetou.’ Ele fez uma pausa de forma teatral. ‘Clow realmente é um homem sem amor no coração.’

Sakura desviou os olhos de Shyrai para Li que fez um gesto com a cabeça em negativa. Ele precisava de mais tempo. ‘Realmente... Clow não ligou muito para os meus sentimentos.’ Ela falou devagar.

Shyrai sorriu e se aproximou dela. ‘Sim, criança. Ele não ligou para o seu sofrimento. Ou você acha que seu namoradinho realmente a ama por causa destes seus lindos olhos verdes? A família Li é muito exigente, você nunca seria aceita para ser uma deles.’ Li franziu a testa, já estava cheio deste cara falando merda.

‘Por Deus... Li... não o deixe influenciar Sakura.’ O rapaz ouviu Eriol murmurar. Precisava de mais um pouco de tempo. Tomoyo deixou Kaho e caminhou até o inglês, ela não sabia nem como ajudá-lo pela quantidade de ferimentos que o rapaz tinha pelo corpo. Olhou a chave caída e a pegou, oferecendo a ele, mas o rapaz estava com sua atenção toda voltada para o diálogo entre sua sucessora e seu inimigo. Porque Syaoran não atacava? O que o rapaz estava fazendo deixando Sakura ouvir aquele monte de veneno que saía da boca de Shyrai?

‘O clã Li...’ Sakura falou e estendeu a mão para frente. As cartas pousaram na palma de sua mão e ela as pegou. Sabia que poderia pedir para qualquer uma se manifestar, mas... ‘Por que não me devolve minha chave?’

Shyrai arregalou os olhos de leve. A garota era esperta. ‘Prometo que a devolverei assim que terminar o que tenho que fazer. Peço perdão pelo meu mau jeito em pegá-la de você.’

Ela sorriu de lado. ‘Devolver?’

‘Sim... e então você poderá ficar com o seu namoradinho para sempre. Não é uma ótima proposta? Depois do que eu fizer, o Clã Li nem existirá mais.’

‘Realmente, proposta tentadora.’

‘Ah, sim... Querida, você tem poderes fenomenais... seria uma ótima aliada para mim. Tenha certeza que nunca subestimarei seus sentimentos.’

‘Será?’

‘Ah, sim...’ Ele continuou. ‘Você terá o que mais deseja, ficando ao meu lado.’

‘Sério?’ Ela perguntou semicerrando os olhos, já tinha dado muito tempo para Li. ‘E o que você acredita que eu mais desejo?’

Shyrai não esperava aquela pergunta. Não sabia muito bem o que responder, ele percebeu que a energia do rapaz tinha aumentado, virou-se para ele rapidamente e o viu se aproximando devagar. Aqueles dois estavam armando alguma coisa.

‘Eu respondo...’ Sakura falou chamando a atenção do homem a sua frente. ‘O que eu mais desejo era que você nunca tivesse existido.’

‘Achei!’ Syaoran gritou correndo na direção do mago.

Sakura jogou uma carta para cima. ‘Luz!’

Shyrai não soube direito o que aconteceu. A magia de Sakura o cegou por alguns instantes e, atordoado, acabou deixando a guarda baixa. Sentiu a espada mágica do guerreiro chinês cortar sua carne e a chave que tinha tirado de Sakura cair no chão. Os dois tinham-no engambelado com aquele papo mole, para identificarem onde estava a chave da mestra das cartas. Caiu igual um pato, sendo que ele é que estava armando uma armadilha psicológica para ambos. Clow tinha escolhido muito bem. Deu dois passos para trás com a mão no enorme ferimento da altura do peito. Quase foi atingido novamente pelo golpe de Syaoran, se não tivesse desviado na última hora.

‘Vou acabar com vocês dois...’ Trincou os dentes e concentrou energia numa das mãos para atingir o rapaz, mas foi surpreendido pelos inúmeros disparos de energia que o atacavam por ordem da mestra das cartas. Estava em desvantagem. Enquanto tentava inutilmente fugir dos golpes do rapaz, já tinha sido acertado no braço direito também. Desviou os olhos de seus opositores e viu uma jovem morena pegando a chave de Sakura no chão. ‘Ora, ora...’

Com as últimas forças que ainda tinha naquele momento, concentrou toda sua energia e explodiu fazendo todos serem empurrados pelo poderoso golpe. Sakura bateu numa árvore e caiu no chão sentindo a cabeça, Syaoran estava mais próximo do homem e por isso recebeu o impacto mais forte, bateu contra Eriol que estava tentando se aproximar para ajudar. Os dois foram arrastados pelo chão até baterem em alguma construção. Os guardiões que no chão estavam e pelo chão foram arrastados também, assim como Kaho.

Sakura abriu os olhos devagar, passou a mão no rosto e sentiu que tinha feito um pequeno corte na maçã do rosto. Limpou o sangue e se levantou. Tinha batido forte contra a árvore sagrada, mas achava que não tinha quebrado nenhum osso. Olhou para Syaoran que estava se levantando devagar, ficando de joelhos com a mão no ombro que havia sido golpeado por Takeda um tempo atrás. Aquele ferimento nunca cicatrizava devido os últimos acontecimentos. Deveria estar doendo bastante. Eles se fitaram por alguns instantes e, mesmo sabendo que o outro se irritava com isso, analisaram-se para saber se estavam bem. Ela caminhou devagar até ele que respirava fundo e se levantava completamente.

‘Como você está?’ Ela perguntou.

‘Dolorido.’ Respondeu novamente.

Ela sorriu com a resposta malcriada do namorado. Nem tentou ajudá-lo, pois saberia que ele a rejeitaria naquela hora, foi até Eriol que ainda não tinha conseguido se levantar.

‘Eriol...’ Ela falou, segurando o braço do rapaz e passando por cima dos ombros para ajudá-lo a se levantar. ‘Como você está?’

‘Eu sinto muito, Sakura.’ O rapaz falou.

‘Não é hora...’ Ela tentou falar, mas o rapaz a abraçou contra o corpo. Sakura não recuou, deixou-se ser abraçada pela reencarnação de Clow. Tinha sido dura com ele, mas não tinha como reagir de forma diferente depois de tudo que ele tinha lhe contado. Fechou os olhos e envolveu o corpo do rapaz com seus braços. ‘Eriol...’

‘Eu te amo, Sakura.’ Falou com sinceridade. Tinha a amiga mais do que como uma irmã. ‘Nunca quis o seu mau.’

‘Eu sei disso.’

Syaoran pigarreou, já tinha passado dos limites agora o que o seu ciúme tolerava.

Sakura afastou-se do rapaz e o encarou, sorriu de leve e viu os lábios do inglês se curvarem também. ‘Se não fosse você, não teria conhecido Syaoran e nunca saberia o que é o amor.’ Falou, por fim, antes de dar um beijo demorado no rosto machucado do amigo. ‘Vamos, Eriol. Precisa de cuidados médicos.’ Ela se levantou, puxando-o. Li estava tentando acordar Kerberus. A jovem sorriu de lado percebendo que ele tinha ficado bem preocupado com seu guardião solar. Implicavam-se tanto que acabaram virando amigos, finalmente.

Eriol observou os guardiões se levantando aos poucos, ainda atordoados com a luta que travaram. Seus olhos foram até Kaho que ainda estava sem os sentidos. Spinel Sun foi até ela e fitou seu mestre fazendo um gesto com a cabeça informando que ela estava bem.

‘Onde está Tomoyo?’ O inglês perguntou olhando em volta.

‘Tomoyo?’ Sakura repetiu se dando conta que tinha visto a amiga perto de Eriol quando chegou com Syaoran. Varreu o lugar com seus olhos, começando a ficar desesperada em não ver a amiga. ‘Syaoran!’ Gritou pelo namorado que ajudava Kerberus a se levantar. O rapaz a fitou sem entender o desespero da namorada, estaria ela ferida ou Clow mais ferido do que tinha imaginado? ‘Tomoyo... Tomoyo sumiu!’ Alertou o rapaz que também agora se dava conta da falta da amiga. Tinha a visto pegar a chave de Eriol e...

‘Droga!’ Syaoran gritou soltando finalmente Kerberus que já tinha conseguido ficar de pé. Correu até a namorada e Eriol. ‘Ela estava com as duas chaves?’ Eriol confirmou com a cabeça. ‘Inferno!’ Exclamou com raiva percebendo que o último golpe de Shyrai foi para pegar a garota que estava com as duas chaves e fugir.

‘Mas por que ele levou a Tomoyo?’ Sakura perguntou atordoada.

Eriol levou a mão até o lado esquerdo do corpo onde havia um grande ferimento, estava tremendo, Sakura percebeu isso. Ela insistiu na pergunta, pois sabia que o amigo tinha a resposta.

‘Eu... eu não sei... talvez...’ Ele falou, buscando forças para falar, sua cabeça funcionava a mil. ‘Para algum ritual...'

‘Que ritual, Hiiraguizawa?!’ Syaoran gritou nervoso.

‘Do alinhamento de astros...’

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‘Sabe... eu pensei que só o casalzinho ali que tivesse problemas...’ O enfermeiro Taniguchi falava enquanto cuidava de Eriol.

Estavam no hospital de Tomoeda. O homem estava cansado, mas continuava a trabalhar. Sakura e Li chegaram com o amigo nos braços, machucado e já chamaram pelo senhor. No final, ele já tinha virado o enfermeiro oficial dos dois.

Eriol desviou os olhos do senhor e virou o rosto, observando Li e Sakura conversando. Li tinha pedido para o senhor apertar melhor as ataduras que protegiam seus ferimentos assim que finalizasse os cuidados de Eriol e agora o próprio rapaz fazia o curativo na namorada no rosto.

‘Eles realmente têm um monte de problemas.’ Eriol falou e suspirou, trincou os dentes sentindo o ferimento. ‘Nós todos estamos com problemas.’ Falou de forma enigmática. Taniguchi levantou os olhos e observou o casal.

‘Os pombinhos poderiam me dizer pelo menos em que estão se metendo? Porque duvido que isso aqui tenha sido resultado de uma ménage à trois.’

‘Hei, que é isso?!’ O inglês falou arregalando os olhos. ‘Sou um homem casado!’ Levantou a mão suja de sangue para mostrar a aliança.

Sakura e Li riram, já estavam acostumados. Não valia nem a pena explicar para o enfermeiro tarado.

‘Oras, senhor Hiiragizawa...’ repetiu o nome dele devagar lendo na ficha. ‘Isso não quer dizer nada.’ Depois voltou a atenção ao ferimento do rapaz. ‘Vocês não vão mesmo me contar o que está acontecendo? O delegado Amizuki está no meu pé por causa de vocês dois.’ Sakura e Li se entreolharam. ‘Eu realmente gostaria de saber onde vocês tanto se machucam desta maneira.’

‘Somos feiticeiros e estamos tentado salvar o mundo.’ Li respondeu sem emoção.

O enfermeiro tirou os olhos da sutura e encarou o rapaz. Caiu na gargalhada. ‘Claro, claro...’

Syaoran deu de ombros e Sakura sorriu, não era para ele acreditar mesmo.

‘Era mais fácil falar que vocês estavam fazendo uma ménage à trois bem pervertido.’

‘Hei!!’ Eriol voltou a reclamar.

‘Já sei... é um homem casado.’ Ele respirou fundo e deu um tapinha no ombro do rapaz, falando que ele poderia se sentar. ‘Já terminei isso daqui. Vou amarrar uma faixa no senhor, assim como o senhor Li pediu. Deu para ver que vocês vão continuar com esta loucura quando saírem daqui.’

Logo Yukito entrou com Nakuru ao lado, os dois estavam com os rostos péssimos. A jovem parou em frente ao seu mestre e tentou ajudá-lo a se levantar.

‘E Kaho?’ O rapaz perguntou assim que sua guardiã se aproximou.

‘Está em observação. A senhora Mizuki está com ela. Não se preocupe.’ Respondeu ajudando Eriol a vestir a camisa, pois estava com os movimentos limitados devido aos ferimentos.

Yukito parou perto de Sakura. ‘Vocês estão bem?’ A jovem fez que sim com a cabeça. Ela só estava esperando o amigo se tratar dos ferimentos para irem atrás de Shyrai. Yukito mostrou o livro que o inglês tinha pedido para buscar. Syaoran tirou o livro da mão do rapaz e começou a folhear tentando achar o que queria.

Taniguchi observou o grupo a sua frente, sabia que tinha alguma coisa estranha no ar. Na verdade, a cidade de Tomoeda estava parecendo um campo de guerra. Contra o quê? Ninguém sabia ao certo. As pessoas apareciam mortas ou feridas, com histórias cada vez mais loucas de demônios. Ele limpou as mãos com gel antisséptico e caminhou até Li que estava lendo alguma coisa no livro.

‘Fica com isso aqui para você, rapaz.’ Estendeu a mão com uma cartela com comprimidos. Li desviou os olhos do livro e fitou o senhor, sem entender direito. ‘É analgésico. Se pretende fazer alguma coisa com este monte de machucados, precisará de alguma coisa para ajudá-lo a controlar a dor.’

‘Eu não gosto...’ Li começou a falar.

‘Isso aqui não vai te deixar dopado.’ Interrompeu-o, olhando sério para ele. Li pegou a cartela e tirou um comprimido colocando na boca, engoliu sem água. Guardou o restante no bolso de trás da calça jeans.

‘Obrigado.’

O senhor bateu de leve no ombro são dele e tentou sorrir. ‘Dê um jeito nesta bagunça, Senhor Li.’ Falou afastando-se, passou por Sakura e deu uma piscadinha para ela antes de desaparecer pela porta do quarto.

Sakura caminhou até Eriol, perguntando como ele se sentia. Ele respondeu que estava melhor e sorriu de leve para a amiga. Sentia-se imensamente aliviado por ela tê-lo perdoado. O rapaz respirou fundo pensando agora em como deter Shyrai e salvar Tomoyo.

‘O livro?’ Perguntou e Syaoran aproximou-se dele com o livro aberto.

‘Acho que era isso aqui que você queria ver.’ O chinês mostrou para ele. Nakuru estendeu o óculos para Eriol que os colocou no rosto e fitou a página aberta que Li lhe estendia. Era exatamente isso. Ele leu em silêncio e franziu a testa. Olhou para Sakura que estava a sua frente apreensiva. Engoliu seco.

‘E então Eriol? Tem ideia de onde aquele maluco levou Tomoyo?’ A ruiva perguntou ansiosa.

Ele balançou a cabeça. ‘Não sei onde ele vai fazer o ritual, mas realmente ele levou Tomoyo para isso.’ Falou mostrando a figura do alinhamento dos astros.

‘Quando Sakura transformou as duas últimas cartas, você fez isso?’ Syaoran lembrou.

‘Não... eu apenas encobri o Sol para vocês. Foi um truque simples. O que Shyrai precisa é mudar a órbita da Lua para encobrir o Sol, pois ele precisa da força mágica de interação entre os astros. O que eu fiz naquela época foi apenas para assustar e obrigar Sakura, com a ajuda de vocês, a converter as últimas cartas.’

‘E onde entra Tomoyo nisto tudo?’ Sakura perguntou, aflita pela amiga. Reparou que Eriol desviou os olhos e franziu a testa. ‘Eriol... sem enigmas agora, por favor.’ Ela pediu.

O rapaz suspirou fundo. ‘O feitiço precisa de uma grande quantidade de sangue.’

‘Como assim sangue?’

‘Sim, ele precisa de uma grande quantidade de sangue, acho que Daidouji não teria como sobreviver.’

Syaoran caminhou até o rapaz, nervoso. ‘Hiiragizawa, Shyrai está ferido, ele precisa de um tempo para conseguir fazer qualquer coisa. Você precisa nos dizer onde ele levaria Tomoyo.’

Eriol balançou a cabeça. ‘Eu não tenho a menor ideia.’

‘Droga! Ele era seu amigo, não é possível que você não tenha ideia de onde o lunático poderia estar neste mundo.’

‘Daidouji não tem presença mágica e não consigo identificar a presença de Shyrai com a quantidade enorme de seres das trevas neste mundo. Não consigo... eu sinto muito.’

Li passou a mão nos cabelos nervoso. Se não fizessem rápido alguma coisa, a amiga poderia até já estar morta. Olhou para Sakura que também se mostrava desesperada com a possibilidade enorme daquele louco matar a amiga de infância. ‘Droga.’ Falou novamente, irritado por não ter conseguido acabar de uma vez com aquele verme. Sentia-se um inútil.

Sakura caminhou até a janela do hospital, olhou para o céu e arregalou os olhos. ‘O sol...’ Falou, chamando a atenção de todos. O grupo se aproximou da janela fitando o céu e olhou o enorme astro sendo tampado aos poucos pelo satélite lunar. ‘Ele já começou o eclipse....’

‘Tem como reverter isso, Hiiragizawa?’

‘Não... não tem...’ O mago falou assustado. ‘Ele está mais ansioso do que imaginei para abrir logo o portal.’

Li respirou fundo pensando no que poderiam fazer. ‘Tem ideia de onde este feitiço tem que ser feito?’

Eriol novamente negou com a cabeça. ‘Eu sinto muito.’

‘Droga!’ Falou cerrando os punhos sem saber o que fazer. Franziu a testa reparando que a magia da namorada tinha aumentado. Ela estava envolta da bela luz multicolorida agora.

Sakura estava com os olhos fechados e as mãos juntas na altura do peito, estava tentando desesperadamente encontrar a presença da amiga de infância. Pedia desesperadamente para que alguma coisa a ajudasse a encontrar sua adorada amiga. Ela abriu os olhos de repente e fitou os dois rapazes.

‘Tomoyo está na Torre de Tókio.’ Falou simplesmente. ‘Eu sei disso.’

‘Tem certeza?’ Eriol perguntou e ela confirmou com a cabeça.

‘Vamos.’ Syaoran falou caminhando depressa para fora do hospital. ‘Acha que tem condições de ir, Hiiragizawa?’

‘Não vou deixar vocês dois sozinhos com aquele louco.’ O inglês falou seguindo os amigos. Encontraram com os guardiões que já estavam a espera de seus mestres.

‘O Eclipse começou.’ Yue falou nervoso.

‘Vamos para Tókio. Shyrai está lá.’ Eriol explicou para as criaturas mágicas.

Syaoran já estava com sua espada nas mãos. Olhou para Sakura e franziu a testa reparando nas asas que surgiam nas costas da namorada. ‘Você não está mais usando sua chave.’ Ele finalmente reparou neste detalhe. Eriol também não havia se dado conta disto.

‘Não é possível. Como conseguiu?’ O inglês perguntou surpreso.

Ela olhou para ele e deu de ombros. ‘Eu apenas peço para as cartas.’

Syaoran olhou intrigado para Eriol que, realmente parecia surpreso com a interação entre a mestra e as cartas, mas ponderou que aquela não era a melhor hora para entender. Precisavam salvar Tomoyo.

Kerberus parou a frente de Syaoran e olhou para ele. ‘Eu levo você. Está muito machucado, precisa se poupar.’ Falou para ele com o tom preocupado. O rapaz franziu a testa.

‘Está preocupado comigo, bola de pelo?’

‘Não me provoque. Vamos lá, antes que eu me arrependa.’ O rapaz montou no grande tigre alado. ‘Está mais pesado do que eu me lembrava.’ Kerberus retrucou.

‘Da última vez que peguei uma carona com você, eu tinha 11 anos. Acho que cresci um pouco. Ou será você, que ficou mais fraco e mole?’

‘Ora, seu moleque desaforado.’ Falou entre os dentes levantando voo e fazendo Li quase cair, de propósito.

Sakura esboçou um sorriso vendo os dois se entendendo a maneira deles. Ela sabia que Kero, por mais que implicasse com Syaoran, gostava e muito do rapaz. Assim como o próprio namorado gostava do implicante guardião. Acompanhou os dois cortando os céus do Japão em direção a Torre de Tókio. Ruby Moon levava Eriol, enquanto Yue e Spinel Sun voavam ao lado deles.

De longe, puderam avistar a Torre de Tókio iluminada pela magia de Shyrai que percebeu a aproximação do grupo.

'Ora, ora, mas não é que conseguiram me encontrar bem rápido.' Disse o mago das trevas, observando-os.

De repente, o grupo foi atacado por demônios parecidos com dragões.

Yue usou seu escudo para protegê-los do primeiro ataque de fogo de um deles. Kerberus desviou protegendo assim a si e Syaoran. Não queria admitir, mas realmente estava preocupado com o rapaz. Ruby Moon fazia o mesmo com Eriol que estava aos seus cuidados. Sakura desviava com facilidade das bolas de fogo dos dragões.

Yue e Spinel Sun contra-atacaram com suas poderosas magias matando dois dragões. Ruby segurou Eriol com uma das mãos e com a outra atacou um com seu poder, porém este conseguiu desviar do ataque da guardiã e acabou atingindo-a. Ela e Eriol começaram a cair com tudo até o chão. Yue, num voo desesperado, conseguiu pegar seu criador a poucos metros do chão, porém a moça não teve tanta sorte e atingiu o concreto com tudo. Spinel Sun voou desesperado até ela, tentando reanimá-la.

Eriol, depois de ser deixado em terra firme por Yue, correu até Ruby.

Syaoran materializou sua espada e pegou um de seus talismãs. ‘Conjuração ao Deus do fogo!’ Gritou acertando mais um com sua magia.

Kerberus deu um rasante evitando ser atingido por outro dragão. ‘Não adianta ficar só fugindo, Kerberus. Vamos ter que atacar.’ Li falou para o guardião solar que teve que concordar.

‘Segure-se.’ Advertiu planando no ar. ‘Bola de fogo!’ A magia do guardião atingiu a asa de um dos monstros que caiu por cima de um prédio destruindo parte dele.

‘Assim é melhor.’ Syaoran comentou sabendo que isso irritaria o tigre alado. Quando deram por si estavam cercados, Li franziu a testa pensando no que faria. Atrás dos dragões viu o corpo da namorada que estava planando no ar. Com uma rápida troca de olhares se entenderam. ‘Eu invoco o Deus trovão com a máxima urgência, de acordo com o pacto estabelecido. Ataque Relâmpago!’

‘Tempestade!’ Sakura invocou sua magia jogando a carta para cima. As magias se uniram formando uma imensa tempestade de redemoinhos de vento e relâmpagos atingiram as bestas aladas.

‘Sakura!’ Li gritou chamando a atenção da jovem. Ela virou-se para trás observando o animal se aproximar rapidamente. Arregalou os olhos e desviou dele no último segundo evitando assim que ele abocanhasse o seu corpo.

‘Vento! Transforme-se em correntes da justiça!’ Pediu para carta jogando-a para cima. Ela ficou em sua forma original avançando para cima da besta e logo tornou-se círculos de ar que aprisionaram as asas da fera fazendo-a cair ao chão em queda livre.

A jovem parou perto do namorado e do seu guardião solar. Yue foi ao encontro dos três. ‘Precisamos deter Shyrai.’ O anjo falou com os olhos no mago. Porém logo apareceram outros demônios alados que tentavam impedir a aproximação do grupo até a torre de Tókio.

‘Precisamos chegar até o maluco!’ Syaoran gritou logo depois de atingir um dos demônios com sua espada.

‘Sakura.’ Yue falou parando ao lado dela. ‘Vá com Li para a torre. Eu e Kerberus nos encarregaremos deles.’

A mestra voltou-se para o guardião da lua e concordou com um aceno de cabeça. Estendeu a mão para Li que a pegou, tirando o rapaz das costas de Kerberus.

Li jurou que ouviu o felino alado pedir para eles terem cuidado, mas achou que seria delírio. Kerberus andava muito preocupado ultimamente. Deveria estar com medo, pensou para si. ‘Hei, não me deixe cair.’ Falou para a namorada que fazia rasantes desviando dos monstros alados.

A mão esquerda dela segurava firmemente Syaoran, enquanto a esquerda tinha a Espada que usava para desferir golpes nos que se aproximavam deles. Li também fazia o mesmo. De longe parecia que os dois estavam dançando pelo céu avermelhado enquanto desferiam golpes em seus inimigos.

Shyrai observou o casal se aproximando e começou a projetar inúmeras lanças de energia contra eles. Sakura tentava se desviar de todas, mas acabou sendo atingida por uma. Os dois caíram, mas o rapaz conseguiu se segurar na estrutura metálica da torre.

‘Eu conjuro com a máxima urgência as Flores do Vento!’

Com esta magia Sakura pousou segura no chão, estava levemente atordoada pelo impacto da magia de Shyrai. A menina olhou para cima e viu Li começando a subir a Torre pelas ferragens indo ao encontro de Shyrai. Ela olhou para a grade que impedia de entrar na torre.

‘Salto!’ Solicitou sua carta e começou a pular pelas ferragens da torre indo em direção ao namorado, quando teve que desviar de uma forte rajada de fogo de um dos dragões que agora estava em seu encalço.

Syaoran alcançou a grade de proteção do último andar da torre. Pulou-a e encarou Shyrai que o fitava com uma expressão neutra. O rapaz olhou em volta e achou Tomoyo desacordada encostada numa das paredes com os pulsos cortados. Sentiu a fúria crescer cada vez mais dentro de si, Shyrai reparou nisso.

‘Que bom que chegou a tempo de ver a minha vitória, guardião. Olhe para o céu e verá o símbolo do meu triunfo.'

Li desviou os olhos para o sol e viu o eclipse solar completo, se não fosse o desespero, falaria que até era o mais bonito que já havia presenciado.

‘Agora sim podemos começar a cerimônia que irá limpar este universo.’

O rapaz franziu a testa e segurou sua espada com as duas mãos colocando-se em posição para atacar. ‘Mas não vai começar mesmo.’ O guerreiro chinês correu ao encontro do inimigo desferindo inúmeros golpes, mas Shyrai os defendeu muito bem com uma espécie de escudo pequeno de energia.

Syaoran pulou para trás afastando-se apenas para solicitar sua magia. ‘Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas que dominam os cinco elementos, eu invoco com a máxima urgência o supremo Imperador dos Trovões. Ataque relâmpago!’

Shyrai não conseguiu anular completamente o golpe de Li e acabou tendo que dar alguns passos para trás pela força da magia do guardião. O homem então desferiu uma poderosa energia contra o rapaz, mas este pulou fazendo com que o golpe atingisse uma parte da Torre, destruindo-a.

Sakura levou um susto com a explosão e o tremor da torre. Olhou para o alto e percebeu que a presença mágica do namorado estava aumentando e tornando-se estranhamente mais nociva. Era como se, de alguma forma, a proximidade do mundo das trevas e a energia perigosa que era irradiada por aquele mundo se envolvesse com a magia do rapaz. Começava a temer pelo namorado. “Ele morre”! As palavras pronunciadas de forma debochada por Mirena invadiram novamente a cabeça da jovem. Ela fitou o gigantesco animal alado a sua frente pensando que ele o já estava atrapalhando demais.

‘Trovão!’ Solicitou o poder da carta que atingiu a fera deixando-a desnorteada. ‘Flecha!’ Ela estendeu o braço a frente e o arco mágico se formou, atirou uma flecha em direção à fera que no percurso se multiplicou por várias, atingindo finalmente de forma mortal o animal que desapareceu. Levantou o rosto e voltou a saltar em direção a luta de Shyrai e Syaoran.

O mago das trevas encarou o rapaz com puro ódio, virou-se para o corpo de Tomoyo e, com um gesto, fez com que ele voasse torre abaixo. Li correu o mais rápido que pôde e pulou da torre em queda livre, tentando desesperadamente pegar a amiga. Com este momento de desespero do rapaz, Shyrai aproveitou para desferir um outro golpe nele, fazendo-o soltar a espada.

Li não sabia o que fazer, estava junto com Tomoyo caindo em queda livre no chão de concreto. O rapaz envolveu-a pela cintura e, numa tentativa ousada, tentou se segurar na estrutura metálica novamente. Conseguiu, porém sentiu todos os pontos dos seus ferimentos estourarem novamente. Mordeu os lábios a fim de evitar soltar um grito de dor. Tentou recuperar o fôlego e esquecer das dores. Percebeu que Shyrai começava a cerimônia para abrir o portal. Respirou fundo, olhou para a amiga desacordada em seus braços e pediu a Deus para que estivesse viva.

Ele não estava mais aguentando o peso dele e dela. Tentou achar algum lugar para se segurar melhor, mas o vento que começava a bater neles atrapalhava-o cada vez mais. Ele não podia subir apenas com uma das mãos, que já estava começando a escorregar. Olhou para o horizonte onde via claramente Yue e os outros guardiões lutando com os inúmeros dragões. A mão do rapaz começou escorregar, fazendo-o entrar em desespero, foi quando sentiu segurarem o seu pulso, olhou rápido para cima e viu o rosto tão amado.

‘Eu peguei você... eu peguei você...’ Ela falou conseguindo puxar o namorado e a amiga para dentro da estrutura metálica da torre. Utilizou o poder de Força para ajudá-la na tarefa. Sakura abraçou o corpo de Tomoyo e colocou seu ouvido no peito dela para ouvir seu coração.

‘Ela está viva.’ Falou sentindo-se aliviada e sorrindo de leve.

‘Precisamos estancar os pulsos dela.’ Ele se abaixou e rasgou uma parte da saia da menina. Com o pedaço de pano amarrou firme os dois pulsos. Depois tirou o seu casaco e enrolou na menina. ‘Me dê o seu casaco, precisamos tentar mantê-la aquecida.’

Sakura não falou nada, apenas tirou o seu casaco e entregou ao namorado sem reclamar, apesar de sentir todos os pelos do corpo se arrepiarem com o frio. O rapaz enrolou mais a morena e a deixou atrás de uma mureta para que o vento não a atingisse.

‘Acha que ela ficará bem?’ Sakura perguntou, passando a mão pelo rosto da amiga, mais lívido que o normal.

‘Só podemos fazer isso por ela agora. Ela precisa ir o mais rápido possível para um hospital.’ O rapaz se levantou e levou uma de suas mãos ao ferimento do ombro que voltara a sangrar. Pegou a cartela que o enfermeiro havia lhe entregado e tomou dois comprimidos, tinha que aguentar até tudo estar finalizado.

‘Você voltou a sangrar, Syaoran. É melhor...’

‘Sakura! Precisamos parar aquele maluco.’ Ele interrompeu a jovem. Sentiu que falou ríspido demais. Fazia muito tempo que não falava com este tom com Sakura, mas agora as coisas estavam mais complicadas do que quando eram Card Captors. Respirou fundo e desviou os olhos dela. ‘Fique aqui com ela e, assim que Yue ou um deles aparecerem, leve-a ao hospital mais próximo.’

Li já estava se virando para correr ao encontro de Shyrai quando Sakura o segurou pelo braço.

‘Eu vou com você.’

‘É melhor você ficar aqui com ela e...’

Ele não pode completar a frase, uma explosão de magia negra explodiu, o rapaz correu até a marquise e se debruçou, observando o que estava acontecendo. Flashes de outros mundos começaram a mostrar outras pessoas, outras paisagens e outras criaturas.

Sakura tentou ir até o namorado, mas sentiu ser empurrada por pessoas que passavam entre eles, mas desapareciam e apareciam com um piscar de olhos. Li olhava para tudo aquilo atordoado, enquanto Sakura permanecia sentada no chão. O céu acima da Torre oscilava e ora era negro com estrelas, ora era vermelho como o fogo. Li olhou para baixo e viu um brilho, era sua espada. Concentrou-se e estendeu a mão fazendo com que ela voasse até ele em segundos. Seguiu até as escadas e começou a subi-las correndo. Pulando os degraus de dois em dois. Sakura levantou-se, atordoada, e seguiu o namorado, ignorando a recomendação dele para que ficasse com a amiga em segurança.

Syaoran chegou até o final do lance de escada, estava sentindo a presença de Shyrai cada vez aumentando mais. Pegou um dos talimãs e jogou encostando sua espada.

‘Flores do vento!’ Invocou a magia e a rajada de vento arrombou a porta, fazendo-a cair longe. Estava nervoso, sabia disso. Tinha que manter a calma para saber como enfrentar o inimigo e, como o próprio enfermeiro Taniguchi tinha lhe falado, dar um jeito naquela bagunça. Pensou rapidamente que o remédio que ele tinha lhe dado estava ajudando, não sentia tanto a dor dos ferimentos que sabia que serem profundos.

O rapaz empunhou sua espada e depois de respirar fundo cruzou a porta.

Shyrai estava a poucos metros do chão, flutuando, envolto em uma aura vermelha tão brilhante que incomodava os olhos. Ele tinha as mãos levantadas para o alto e entre elas um objeto, na verdade uma chave, emitia um poderoso raio para o céu. Li olhou para cima e pôde ver um redemoinho de nuvens prateadas. O mago não parava de falar na língua antiga e rir. A risada era estridentemente, chegando a irritar os ouvidos de Li.

Syaoran respirou fundo e levando outro de seus ofudas na altura do rosto começou o ataque. ‘Metal, madeira, água, fogo, terra...’ A magia começou a circular o corpo do rapaz. ‘Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas... eu os invoco para meu auxílio.’ Ele foi envolvido por um brilho intenso. Abriu os olhos fitando o inimigo. ‘Agora!’ A magia rapidamente saiu de seu corpo e atingiu em cheio a chave fazendo com que voltassem a ser as duas chaves, a de Eriol e a de Sakura.

Shyrai levou um susto quando o poderoso raio cessou. Ele virou o rosto e viu Li o encarando sorrindo. Os olhos do inimigo começaram a se estreitar de raiva fitando o guardião.

‘Idiota, vou torturá-lo até que implore pela morte!’

Shyrai juntou as mãos e depois as separou formando sua espada de energia e voou para cima do rapaz, sua raiva era tanta que a cada golpe que Li bloqueava, tinha que dar um passo atrás para firmar os pés, tamanha era a força das estocadas do inimigo.

Li segurava sua espada com força impedindo que Shyrai o atingisse, este aproveitou e concentrou sua energia numa das mãos e desferiu a magia com tudo no abdômen do rapaz. Li voou longe, batendo na estrutura da torre. Shyrai nem esperou, atacou-o com inúmeras bolas de energia que explodiam assim que atingiam alguma coisa.

Explosões sucessivas aconteciam onde o rapaz havia caído. Uma enorme nuvem de fumaça permaneceu no local por poucos segundos. Shyrai olhava apreensivo enquanto aos poucos a nuvem ia sendo levada pelo forte vento que batia na torre. Já imaginava ver o corpo do rapaz morto estirado no chão. Franziu a testa observando por trás da nuvem que se desfazia, Li, bem machucado de joelhos se apoiando na espada.

O rapaz olhou para o inimigo e se levantou, mesmo sob os apelos de todo o seu corpo para que permanecesse quieto. O mago pensou que estava subestimando aquele rapaz, estava percebendo a energia dele aumentando aos poucos, não importando a quantidade de ferimentos que tinha pelo corpo.

O mago levantou o braço esquerdo para cima formando um círculo de energia mágica, estendeu as mãos a frente e a magia nociva avançou em direção do rapaz, mas bateu forte num escudo mágico. Virou para o lado e viu a Mestra das cartas encarando-o séria.

Ela não estava com seu báculo, não deveria conseguir usar as cartas sem a chave mágica. Em volta da jovem podia ver a belíssima aura multicolorida. Aqueles dois tinham sido criados por Clow para destruí-lo e começava a temê-los, agora, observando-os evoluindo daquela maneira.

Sakura caminhou devagar sem tirar os olhos do mago das trevas e parou ao lado de Syaoran. Fitaram-se rapidamente sabendo que teriam que trabalhar em conjunto para acabar com aquele monstro.

‘Vou matar vocês dois.’ Shyrai falou encarando-os. ‘Vou mandar vocês dois para o inferno.’

‘Você...’ Syaoran sussurrou. ‘... fala demais.’ Disse empunhando sua espada.

‘Espada.’ Sakura jogou a carta para cima e diferente do que Li esperava a arma não se materializou nas mãos da feiticeira. Ela envolveu a espada mágica de Li que agora brilhava mostrando-se mais mortal do que antes. Ela sabia que as cartas obedeceriam a Li, se assim ordenasse.

Syaoran sorriu de lado e caminhou em direção a Shyrai que ao se proteger do primeiro impacto da arma mágica foi obrigado a dar um passo para trás tamanha energia e força. Franziu a testa. Ele estava certo, os dois juntos eram perigosíssimos. Tinha que dar um jeito de acabar com um deles.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo avanço dos golpes de Syaoran que eram cada vez mais fortes e precisos. Tinha que fazer alguma coisa. Shyrai estreitou os olhos no rapaz, que começou a sentir o peito queimar, como se o coração estivesse em brasas. Li deu um passo para trás com a mão no peito, não teve como não gritar de dor e cair de joelhos.

‘Diga-me, Guardião como é sentir o corpo inteiro queimando nas chamas das trevas?’

Syaoran nunca havia sentido nada igual àquela dor, era como se estivesse em brasas, como se todas as partes do corpo estivessem queimando eternamente.

Shyrai andou devagar até ele, deliciando-se com cada grito de dor do rapaz. Daria o golpe final, quando foi atingido por uma poderosa rajada de Vento que o fez voar para longe de Li. Caiu no chão e mal teve tempo para levantar o rosto e já sentiu o poderoso Trovão a eletrocutar-lhe o corpo. Trincou os dentes, e sentiu quando um jato de Água o atingiu fazendo a descarga elétrica se intensificar. Sakura não dava trégua nos seus ataques mágico. O bruxo gritou de dor e caiu no chão. Não imaginava que a feiticeira fosse tão forte.

Levantou o rosto e a viu ajoelhada na frente de Syaoran com as mãos nos seus ombros. A magia dela era muito forte. Logo a aura dela envolveu o rapaz, fazendo assim com que sua maldição finalizasse. O mago se levantou com dificuldade concentrando sua energia novamente nas mãos para desferir contra os dois jovens quando seus olhos encontraram os olhos verdes de Sakura. Arregalou-os de leve assustado. Nunca pensou que teria medo na vida.

‘Disparo.’ Ela sussurrou e logo o mago foi obrigado a se proteger dos projéteis de pura energia, rápidos e mortais.

Sakura levantou os olhos, observando onde o redemoinho de nuvens começava a se abrir mostrando um céu vermelho pelas chamas e demônios voando em direção a passagem do portal. ‘Droga...’

Shyrai sorriu observando o céu tão familiar do mundo onde passara tanto tempo durante os últimos séculos. ‘Este é o meu triunfo!’ Gritou alucinado.

Li levantou trincando os dentes. ‘Ainda não acabou.’

‘Precisamos fechar o portal.’ Sakura falou encarando o rapaz rapidamente.

Shyrai ria como um lunático observando os imensos demônios que atravessavam o portal e atacavam a cidade. Eles logo atacariam o mundo. Ria de forma estridente.

‘Esta risada dele está me irritando.’ Syaoran não conseguiu evitar comentar. ‘Você fecha o portal e eu vou acabar com a alegria dele.’

Sakura segurou o braço do namorado que já estava indo em direção ao inimigo. Li voltou-se para ela rapidamente. ‘Eu te amo.’ Ela disparou. ‘Não me deixe, Syaoran.’ O rapaz não entendeu o porquê daquela observação, franziu a testa e percebeu os olhos dela brilhando. Ela estava querendo chorar, mas se segurava.

‘Já prometi que nunca mais a deixaria. Vou sempre seguí-la, Sakura.’ Sorriu para ela e a jovem sentiu o coração fisgar.

Por alguns segundos pôde ver o rosto de Syaoran com 12 anos de idade fazendo esta mesma promessa quando ela converteu a última carta Clow, engoliu em seco e voltou a ver o rosto que tanto amava. Soltou o braço dele permitindo que o rapaz se dirigisse ao inimigo. Abaixou os olhos e sentiu duas lágrimas saírem de seus olhos. Tinha que confiar nele novamente.

Pegou suas cartas e jogou para cima, fazendo-as voltarem às suas formas originais. ‘Ajudem-no. Projetam-no para mim.’ Ordenou pegando as duas chaves que estavam caídas no chão. Ela sabia que precisaria delas para fechar aquele portal, teria que confiar no seu instinto de sucessora de Clow.

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Kaho olhava para o céu com lágrimas nos olhos, ela estava indiferente à confusão na cidade, pessoas assustadas corriam e gritavam pelas ruas, demônios que saíam de sua tocas, graças à escuridão do eclipse, atacavam as pessoas que tentavam desesperadamente se defenderem. A polícia estava enlouquecida. ‘Meu Deus... será que não vão conseguir?’ Ela soltou atordoada.

‘Confie neles, minha filha.’ A voz materna chamou sua atenção. Virou-se para o lado e abraçou a mãe com carinho.

‘Eu tentei ajudar, mas não fui forte.’ Choramingou.

‘Não tinha o que fazer, Kaho.’ Ela reconheceu a voz masculina. Abriu os olhos e observou o rosto sério do ex-namorado. ‘Diga-me o que está acontecendo e que não posso mais perceber.’ Touya falou. Ele tinha passado seus poderes para Yue, sabia que naquela época o guardião de Sakura precisava mais que ele. Abriu mão por amor e não se arrependeu disto. A questão é que agora sentia falta da sua sensibilidade para entender o que estava acontecendo.

‘Os universos estão instáveis.’ A senhora Mizuki esclareceu ao homem.

‘E o portão foi aberto.’ Kaho completou. ‘Não sei como eles vão conseguir fechar.’

‘Então este é o Caos?’ Touya perguntou apenas para confirmar. Caminhou até as duas e viu pela janela do hospital a loucura que estava nas ruas. Pessoas gritando e correndo para todos os lados. A senhora confirmou com um gesto. ‘Nas escrituras eles conseguiam vencer isso. Por que não confia neles agora?’

Kaho arregalou de leve os olhos, Touya estava certo. Tinha que confiar neles. Tinha que confiar no marido, que tinha reencarnado para enfrentar este momento. Era o seu dever. ‘Você está certo, Touya.’

Ela reparou o homem batendo de leve no parapeito da janela. ‘Acho que vou rezar.’ Ele falou baixo. ‘Pedir para meus pais ajudarem minha irmã e...’ Ele deteve-se por alguns segundos, custava a acreditar que era exatamente isso que faria, respirou fundo. ‘...ajudarem minha irmã e aquele moleque.’

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Eriol fechou os olhos e concentrou energia em suas mãos. ‘Poderes das quatro direções do Planeta, Norte, Sul, Leste e Oeste. Forças dos elementos Terra, Ar, Fogo e Água. Eu as invoco ao meu auxílio!’ Ele estendeu o braço acima da cabeça e desceu formando um círculo de energia a sua frente. ‘Agora!’ Ordenou estendendo as duas mãos e atingindo um grupo grande de criaturas das trevas que estavam enfrentando.

O rapaz olhou para cima onde via Ruby Moon lutando violentamente contra duas criaturas das trevas. A guardiã estava esgotada. Os outros também estavam lutando. Todos estavam esgotados. Olhou para o imenso portal aberto e cerrou os olhos, vendo criaturas mais poderosas se aproximando para atravessá-lo. Sentiu uma leve vertigem, fazendo-o cambalear, mas manteve-se ereto.

‘Preciso de sua ajuda, Eriol.’ Ouviu a voz de Sakura. Olhou para os lados não vendo sua sucessora. Fechou os olhos e percebeu que ela se comunicava com ele, usando Voz à distância. Sorriu de leve pensando que ela estava realmente muito evoluída para conseguir fazer isso. ‘Preciso que me ajude a fechar isso daqui.’

‘Onde você está?’ Ele sussurrou e abriu os olhos, logo reparou na luz multicolorida no alto da Torre de Tókio. ‘Já a encontrei.’

‘Ótimo.’ Ouviu novamente a voz dela. ‘Movimento.’ Sakura evocou e, logo, o rapaz foi envolvido por uma névoa mágica. Piscou os olhos não acreditando que estava na frente de sua amiga que olhava séria para ele.

O inglês abriu a boca duas vezes para falar o quanto estava impressionado com a jovem, mas viu que o rosto dela transmitia uma tristeza ímpar. Ouviu os sons da luta atrás de si e virou-se, encontrando Syaoran e Shyrai lutando violentamente. Seu descendente estava em estado deplorável, mas Shyrai começava a apresentar ferimentos pelo corpo, além de uma fragilidade em sua aura mágica. Li estava tornando a luta cada vez mais equilibrada.

‘As cartas...’ Ele reparou que elas estavam flutuando em torno de Syaoran e se manifestavam conforme ele solicitava. ‘Mas como?’

‘Ele é parte de mim, Eriol. Ele é o meu coração.’ Ela esclareceu para o amigo.

O inglês arregalou os olhos de leve, aquilo em teoria não poderia ser possível. As cartas obedeciam apenas a um único mestre. Quando eram cartas Clow e estavam sendo caçadas pelos dois, algumas tinham sido capturadas por Syaoran e o obedeceram, no entanto elas estavam seguindo a insígnia de Clow que, temporariamente, estava aberto para o desenvolvimento de seu sucessor. Mas depois que Sakura as converteu e as renasceu em cartas Sakura elas, em teoria, deveriam obedecer apenas sua mestra. O que estava acontecendo ali só mostrava que os dois estavam ligados de maneira muito mais profunda que até mesmo Clow poderia um dia ter sonhado.

‘Preciso que me ajude a fechar isto.’ A voz de Sakura o despertou de seus pensamentos. Ela apontava para o portal e tinha as duas chaves estendidas para ele. ‘Como podemos fazer isso?’

Ele caminhou até ela e pegou as duas chaves, estavam quentes chegando a queimar sua pele, não entendeu como Sakura não tinha percebido isso. Franziu a testa. ‘Vai precisar de muita energia para...’

‘Eu consigo.’ Ela interrompeu. ‘Só me diga, como.’

Os dois ouviram mais uma explosão e Sakura desviou os olhos do rosto de Eriol para observar a luta de Syaoran. Ela franziu a testa reparando na aura do rapaz se modificando. As cartas também estavam diferentes, estavam mais agressivas, violentas.

‘É a proximidade com o mundo das trevas. Syaoran é o guardião deste mundo. Sua proximidade faz com que ele se torne mais forte e as cartas...’

‘São originalmente demônios...’ Ela completou. Tinha prestado atenção na narrativa de Eriol apesar de ter sido dolorida.

‘Exatamente.’

Ouviram um grito de Shyrai. Li tinha o acertado de forma quase mortal fazendo o feiticeiro das trevas recuar, com as mãos no grande ferimento no abdômen, mas ele ainda não tinha se dado por vencido. Voltou a atacar Syaoran que protegeu-se sem grandes problemas com Escudo. Com a proximidade do mundo das trevas e a ajuda das cartas, o guerreiro chinês tornava-se invencível. Shyrai não tinha mais chances de sair vivo.

Sakura respirou fundo e desviou os olhos do amado. Eriol percebeu que ela já sabia o que aconteceria. ‘Sakura...’ Sussurrou o nome dela de forma dolorida. ‘Eu sinto muito...’

‘Não sinta.’ Ela respondeu pegando as chaves da mão dele. ‘Como faço para fechar logo este portal?’

Eriol fechou os olhos e tentou relaxar, precisava lembrar das palavras corretamente. Precisava mais que nunca buscar no fundo de sua memória da sua vida passada como Reed Clow para proferir as palavras corretamente. Ele sabia que, como Eriol Hiiraguizawa, não teria poderes para fechar o enorme portal, mas a jovem a sua frente seria capaz. ‘Estenda sua mão a frente com as duas chaves e repita comigo devagar...’

‘Süns ni ikh yum. Gal, usny sünsnüüd. Agaar, delkhii sünsnüüd’ (Grande espírito. Espíritos do fogo e da água. Espíritos do ar e da terra). Sakura estendeu a mão e começou a repetir as palavras que Eriol falava. Não sabia o que elas significavam, eram de um dialeto que não conhecia, por isso sua atenção estava toda voltada a pronúncia de cada palavra para não cometer nenhum erro. As chaves levitaram da mão da feiticeira e se fundiram, formando uma apenas.

‘Peço, por intermédio do Eterno Céu Azul, Tengri, e pela Fértil Mãe Terra, Eje, o poder para fechar este portal.’ Conforme as palavras eram ditas por Sakura, sua aura mágica aumentava e transformava-se em uma esfera brilhante de energia que envolvia as chaves.

‘Para que prevaleçam as regras do sagrado Filho do Céu. Evoco os poderes do Paraíso, da Terra, dos espíritos da natureza e dos ancestrais...’ Sakura sentiu sua força sendo sugada pela esfera a sua frente, sentiu as pernas bambas, mas manteve o braço estendido. Tinha que ser forte, tinha que fechar aquela porcaria de portal e evitar aquilo tudo. ‘Que provêm as necessidades de todos os seres humanos e os protegem...’ Ela sentiu as pernas novamente enfraquecidas e Eriol precisou segurá-la pela cintura para evitar que caísse de joelhos no chão.

‘Guiando-os a levar uma vida reta e respeitosa. Para que a humanidade finalmente mantenha neste mundo o equilíbrio e a harmonia entre o Céu e a Terra.’ Ele continuou a recitar de forma calma, esperando que a jovem repetisse. ‘Para que o equilíbrio se mantenha, que se encerre a porta para o plano inferior. Agora!’ De repente um raio saiu da enorme esfera brilhante das mãos de Sakura e subiu aos céus iniciando assim o fechamento daquela enorme brecha entre os universos.

Shyrai percebeu o que a jovem feiticeira estava fazendo. Arregalou os olhos finalmente reparando na presença de seu maior inimigo. ‘Desgraçado, novamente... novamente abortando meus planos.’ O mago falou trincando os dentes. Estava dando um passo em direção aos dois para impedir que fechassem o seu portal quando Syaoran se posicionou a frente dele com um sorriso irônico no rosto.

‘Nem pense em atrapalhá-los.’ O rapaz falou.

‘Saia da minha frente, seu inseto. Você já me irritou demais.’ Falou acumulando uma energia estrondosa nas mãos e desferindo em cima do rapaz que apenas estendeu o braço a frente dissipando-a. A magia do mago agora não era nada para ele. Shyrai arregalou os olhos reparando no poder que circulava no corpo machucado do rapaz. Era magia demais dentro daquele invólucro humano decadente.

Tentou novamente de forma desesperada atingi-lo, porém não finalizou o golpe sentindo finalmente a lâmina atravessando seu corpo, caiu no chão de joelhos, assim que o rapaz puxou a arma de dentro do seu corpo. Olhou para cima vendo o rosto de seu carrasco e sorriu de leve. ‘Fico feliz por ter minha vida tirada por um ser das trevas... assim como eu.’

Li franziu a testa não entendendo o que o homem falou. Até para morrer aquele idiota o irritava. ‘Quem sabe… nos veremos em breve, senhor Li.’ Falou finalmente tombando a frente com o corpo já sem vida.

Syaoran deu uns passos para trás fitando o corpo do mago que foi envolvido por uma energia negra. O corpo foi envelhecendo, envelhecendo até que finalmente apenas pó e as roupas rasgadas e sujas de sangue restaram a sua frente. Levantou sua mão e a viu envolta por uma aura vermelha, diferente da verde que sempre foi sua. O que estaria acontecendo com ele? Olhou para cima e viu entre as nuvens prateadas, demônios se aproximando do portal prontos para atravessar. Tinha que impedir.

‘Alada.’ Falou e sentiu quando um forte par de asas negras surgiu em suas costas. Levantou voo aproximando-se do portal. Sentiu o ar pesado com escassez de oxigênio. A atmosfera do mundo das trevas era nociva para seu corpo humano, sabia disso, mas tinha que tentar segurá-los até Sakura finalmente fechar aquele portal. Confiava na namorada, ela conseguiria. Só precisava de mais um tempo. E ele daria este tempo para ela.

Um grande demônio se aproximou e viu o rapaz a sua frente. Li passou sua espada para a outra mão, poupando o ombro machucado e encarou o ser das trevas.

‘Ora... então é verdade que existe um guardião.’ O demônio falou. ‘Pois você não vai me impedir de passar.’ Declarou mostrando suas garras e avançando sobre o rapaz que desviou no último segundo.

Syaoran empunhou sua espada. ‘Ataque Relâmpago! Trovão! Agora!’ Sua magia com a da carta de Sakura atingiu a fera que urrou de dor, dando a abertura necessária para o rapaz a atacar de forma certeira e transformá-lo em pó.

Sakura levantou o rosto e abriu os olhos. ‘Syaoran...’ Falou reconhecendo o namorado tão perto do portão do mundo das trevas. Eriol abriu os olhos devagar devido a forte luminosidade que estava à frente deles, piscou os olhos algumas vezes sem acreditar como Syaoran estava tão próximo assim à entrada do mundo das trevas e lutando de forma mortal contra os demônios que atravessavam o portal. Ele estava fazendo o papel dele de guardião impedindo que as criaturas passassem para o universo dele.

‘Rápido, Sakura. Ele não vai aguentar muito tempo.’ O inglês pediu, mas sentiu o corpo da jovem tremendo entre seus braços.

A jovem feiticeira fechou os olhos e firmou as pernas. ‘Afaste-se Eriol.’ Ela pediu.

‘O quê?’ O rapaz não entendeu o pedido. Ela empurrou-o com força para afastar-se do corpo dela. Ela teria que expandir sua magia para fechar aquele portal rápido. Tinha que fechá-lo ou perderia Syaoran para sempre. Usaria toda a magia que tinha. Toda, inclusive sua energia vital.

Eriol caiu sentado no chão pelo forte empurrão. Observou a jovem abaixar os braços e entrar na fonte de luz, fazendo, assim, com que a energia se elevasse de forma súbita e o portal começasse a fechar mais rápido.

‘Sakura!’ Ele falou desesperado entendendo o que sua amiga estava fazendo. ‘Está louca?!’ Gritou tentando se aproximar, mas a energia o repeliu fazendo-o se afastar. ‘Não faça isso!’ Gritou tentando se fazer ouvir. Tentou se aproximar novamente, mas a energia em torno de Sakura explodiu fazendo-o voar pelo menos uns cinco metros para trás e batendo com força em alguma estrutura metálica da destruída torre de Tókio.

Sentiu quando foi segurado pelo braço e levantado. Era Yue ao seu lado. O guardião estava com vários ferimentos por todo o corpo. Próximo a ele estavam os outros três guardiões, igualmente feridos.

‘Ela está conseguindo fechar.’ Kerberus falou observando o corpo da jovem flutuando envolto na estupenda energia que fechava o portal das trevas. O bichano levantou os olhos e observou Syaoran lutando contra pelo menos outros três demônios que tentavam passar pelo portal agora bem menor. ‘Droga.’ Falou trincando os dentes.

‘Não conseguiremos nos aproximar da energia das trevas.’ Falou Spinel Sun com pesar. ‘É muito nociva.’

‘Então porque ele consegue, Clow?!’ Yue perguntou em desespero para seu criador.

Eriol desviou os olhos de Sakura e fitou Syaoran. ‘Por que este é o papel dele. O papel do guardião das trevas. O poder se manifestou nele, só que não sei... na verdade...’ Eriol suspirou. ‘Eu sei que o corpo humano dele não tem como aguentar.’

‘Oh!’ Ruby Moon soltou colocando uma mão na boca. ‘Não me diga que...’ Ela não teve coragem de continuar.

Kerberus olhou para sua mestra que estava dando a vida para fechar o portal de forma rápida para diminuir o tempo que o rapaz ficaria exposto ao mundo das trevas. Ela estava se sacrificando na tentativa de salvá-lo. ‘Droga! Não vou ficar aqui parado.’ Falou levantando voo e indo em direção a Syaoran para tentar ajudá-lo, mas foi apenas se aproximar mais do pequeno portal que ainda estava aberto para sentir o ar lhe faltando nos pulmões. Sentiu as asas paralisarem e perderem a força. Começou a cair em queda livre. Fechou os olhos sentindo toda a dor por não ter sido capaz de ajudar sua mestra, quando sentiu ser pego no ar.

‘Tá maluco, bola de pelo?!’ Ouviu e sorriu sem abrir os olhos. Já sabia quem era. Li pousou na torre com Kerberus nos braços. Abaixou, deixando o tigre alado no chão, a criatura mágica estava muito fraca, principalmente porque havia inalado a atmosfera pesada e nociva do mundo das trevas. Yue se aproximou acudindo o teimoso guardião solar.

O portal se fechou finalmente.

‘Ela conseguiu.’ Eriol falou aliviado observando o eclipse se desfazer e o sol voltar a brilhar no céu japonês.

‘E você tinha alguma dúvida que ela conseguiria?’ Ele ouviu Syaoran. O rapaz estava a sua frente. As cartas estavam circulando o corpo do rapaz na forma de lâminas mágicas.

Syaoran caminhou até Sakura que ainda estava envolta na luz. Ela pousou no chão e abriu os olhos, fitando-o. Abriu um imenso sorriso. Ela tinha conseguido, ele estava vivo, pensou aliviada. A Luz que a envolvia foi diminuindo até desaparecer e em cada mão da feiticeira estava uma das partes da chave de Tengri e Eje. Ela soltou-as e deu um passo a frente em direção ao seu amado, o que queria era apenas sentir o abraço dele e saber que ele estava ali com ela, para sempre. Estava fraca, era verdade, mas não importava.

Logo sentiu os braços de Li envolver o seu corpo e sorriu. ‘Você conseguiu, minha flor.’ Ouviu-o sussurrar ao ouvido.

‘Nós conseguimos.’ Ela rebateu tentando abraçá-lo, mas não conseguia. ‘Eu te amo tanto...’ conseguiu falar antes de sentir o corpo pesado e a mente nublada. Li a segurou mais forte, impedindo que a jovem caísse no chão.

‘Eu também te amo demais, Sakura.’ Falou apertando o corpo da jovem em seus braços. Ela sorriu de leve antes de finalmente perder os sentidos.

Eriol se aproximou do rapaz que tinha a jovem feiticeira nos braços. Fitaram-se por alguns segundos até o guerreiro dar um beijo leve na testa da amada e caminhar em direção ao amigo.

‘Leve-a ao hospital. Ela precisa de ajuda.’ Li falou depositando o corpo da jovem nos braços do amigo que franziu a testa. ‘Tomoyo está num nível abaixo, também precisando ir para o hospital o quanto antes. Ela perdeu muito sangue, mas ainda estava viva quando eu e Sakura a encontramos.’ O rapaz respirou fundo e colocou uma mão no peito. Estava cansado.

Ruby Moon aproximou-se dele tentando ajudá-lo, mas o rapaz a afastou. ‘Busque Tomoyo. Leve as duas o quanto antes para o hospital para se recuperarem.’

‘Você também precisa ir ao hospital.’ A guardiã retrucou.

‘Não vai adiantar.’ Ele rebateu e tentou relaxar os músculos. Já começava a sentir que não aguentaria mais. ‘Vão... e venham me buscar depois que elas estiverem bem.’ Ordenou dando uns passos para trás. Sentiu-se cambalear, mas se segurou firme até que eles fossem embora.

Eriol se aproximou com Sakura ainda nos braços. ‘Venha conosco.’

‘Não!’ Ele gritou. ‘Leve-as logo para um hospital, Hiiragizawa!’ Os olhos do guerreiro desviaram do rosto assustado do mago e fitaram por alguns segundos o da amada que estava desacordada nos braços do inglês. Li pensou que não conseguiria cumprir o que havia prometido para ela. Depois voltou a fitar o amigo com o rosto sério. ‘Vão!’ Gritou.

Eriol observou o rapaz se afastar, Ruby Moon deu um passo na direção dele. ‘Ruby Moon...’ Ele chamou sua atenção. ‘Busque Tomoyo. Vamos levá-las ao hospital.’

‘Mas... mas e ele?’ A guardiã ainda se manteve indecisa. Olhou para Yue que tinha Kerberus nos braços desacordado. O guardião da lua fitou Li que sentava no chão com as costas apoiadas numa das estruturas metálicas destruída da torre de Tókio. Abaixou os olhos.

‘Vamos, Ruby...’ Eriol falou virando-se e desviando os olhos de Syaoran.

Li observou os amigos se afastando da Torre de Tókio seguindo em direção ao hospital. Reparou quando Ruby Moon foi buscar Tomoyo e estava com a jovem morena nos braços quando sumiram no horizonte. Fechou os olhos e jogou a cabeça para trás apoiando-a na estrutura de metal que formava a torre.

Abriu os olhos e contemplou novamente o belo sol que iluminava aquele mundo. Imagens da sua flor iam se formando em sua mente, enquanto pensava em todos os momentos que o rapaz viveu com ela. Pensou em como Sakura o fizera feliz. Lamentava que fora muito pouco tempo de felicidade.

‘Está na hora de ir, meu filho.’ O rapaz ouviu a voz familiar o chamando. Sabia que seria ele quem o buscaria.

‘Não pude cumprir o que prometi para ela, Wei.’ O rapaz falou, virando-se para o velho senhor e sorrindo de leve

Wei deu um bondoso sorriso. ‘Não tinha como cumprir meu rapaz.’

Syaoran se levantou e parou ao lado do senhor. ‘Ela não vai me perdoar.’

‘Ela entenderá.’ O homem falou pousando uma mão no ombro do rapaz.

‘Acho que não, Wei. Sakura mudou muito. Acredita que ela ameaçou me trancar com Cadeado se eu voltasse para a China?’

Wei riu. ‘Nunca conseguiu entender o coração de uma mulher, Jovem Syaoran.’

Syaoran começou a caminhar junto com Wei em direção a uma bela luz. ‘Eu já lhe disse, Wei, as mulheres são muito complicadas. E olha que acho que disse isso quando tinha apenas 10 anos.’

‘Ah, sim... quando se apaixonou pela senhorita Kinomoto.’

‘Exatamente.’

Wei sorriu para ele e Syaoran retribuiu. Os dois entraram na luz e desapareceram, deixando para trás o corpo de um bravo guerreiro chinês.

Continua.