Für Arthur
3 Parte III - Hey boys!
Notas iniciais
Não sei quantas horas eu havia dormido, só parecia que tudo que aconteceu foi um sonho. Só estava eu no quarto, conseguia ouvir Miguel falando com uma pessoa na sala e depois ouvi uma porta sendo aberta ou fechada. Se passou alguns segundos antes do loiro entrar no quarto.
— Olha quem acordou. — Brincou ao me ver. Miguel sentou na minha frente e ficou me encarando com seus olhos cor de mel que eram contornados pela armação preta de seu óculos.
— Eu tenho que ir embora. — Anunciei. Não queria, mas tinha que ir.
— Você não é nem louco de ir embora. Meu pai foi ao mercado agora, acho que ele te mata se você sair antes do almoço de domingo dele! — Quando eu ia responder a porta do quarto foi aberta.
— Hey boys! — Uma garota entrou no quarto. A menina possuía os mesmos olhos de Arthur e também era muito bonita. Seu cabelo era longo, escuro e tinha uma mecha azul atrás, seu rosto possuía traços delicados e também tinha um corpo ótimo. Manuella iria detestar a garota por ser tão bonita (Ou mais) quanto ela.
— Júlia sabe que não pode ficar entrando assim no quarto das pessoas! — Miguel falou em um tom sério.
— Por que? Vocês estavam transando? Fica quieto aí garoto, se não te dou uns cascudos. — No final os dois começaram a rir e um sorriso confuso surgiu no meu rosto.
— Arthur, essa é minha irmã. Júlia, esse é Arthur.
— Seus olhos são de cores diferentes… É estranho. — Comentou a morena.
— Estranho é seu cabelo, Jú! — Miguel retrucou.
Júlia era uma garota legal, ela era dois anos mais velha que Miguel e cursava direito. Pronto, isso era tudo que sabia sobre a garota. Saímos do quarto e fomos para a sala tomar café da manhã. Tomei café puro e forte para acalmar os efeitos do álcool.
A irmã de Miguel saiu alguns minutos depois. “Estou indo para casa do Léo”, foi tudo o que ela disse. Ajudei o garoto com a louça do café, na verdade fiquei olhando enquanto ele lavava. Ficamos de bobeira assistindo um daqueles programas de domingo da parte da tarde.
— Cadê sua mãe? — Perguntei.
— Hm — O garoto desviou o olhar da televisão e me encarou. — Morta. — Não sabia como reagir quando alguém falava da morte de um parente, fiz minha melhor cara de paisagem. — Ela teve câncer de mama, sabe? Eu tinha sete anos quando ela nos deixou, papai foi o que mais sofreu com tudo isso.
Ficamos em silêncio por longos minutos, fingi um interesse tremendo no programa que passava na televisão.
— Cara, ela já morreu faz tempo. Já superei isso, desfaz a cara de bunda e olha para mim, por favor?! Se você não voltar a ser o Arthur babaca que eu conheço, que fingia que eu nem existia até ontem eu vou ter que ir aí e tomar certas providências…
— Isso é uma ameaça Sr... Hm, droga! Não sei seu sobrenome. — Foquei minha atenção no garoto, a sala tinha dois sofás e cada um estava em um.
— Sr. Duarte, Sant’Anna. E sim, é uma ameaça. — Comecei a rir do semblante sério que surgiu na cara de Miguel. — Você pediu, vou ter que botar minhas “providências” em ação. — Avisou.
Miguel levantou do sofá em que estava e se sentou na minha frente. O garoto olhava fixamente para mim e eu fazia o mesmo, estávamos perdidos nos lábios um do outro. Miguel tomou a iniciativa, o loiro me puxou para um beijo demorado, suas mãos fortes estavam dentro da minha camiseta e deslizavam sob meu corpo, Miguel era atencioso e tinha todo cuidado para não pressionar os hematomas que tinham na minha barriga. Nos separamos, tirei minha camiseta entre os beijos, Miguel me empurrou para trás e fez eu me deitar no sofá. Os beijos estavam mais agressivos e mais desesperados, Miguel mordeu meus lábios (Ouch!) e começou a descer seus beijos pela minha barriga, o garoto mordiscou meus mamilos fazendo eu rir. Ao chegar perto da minha virilha o garoto interrompeu os beijos e tirou sua própria camiseta, suas mãos velozes arrancaram a calça de moletom folgada que eu usava, fazendo eu ficar apenas com uma boxer preta que estava bastante volumosa pela ereção que continha.
— Puta que pariu, foi mal! — A porta do apartamento foi aberta rapidamente, fazendo o pai de Miguel nos pegar em uma cena um tanto constrangedora. Miguel ficou sem reação, congelou e ficou extremamente vermelho. Uma risada nervosa começava a surgir de dentro de mim, estava fazendo o máximo para sufocá-la. — E-eu tenho que pegar o resto das compras no carro. — Ele não tinha, as sacolas já estavam todas no chão. O pai de Miguel fechou a porta e saiu.
Olhei para o garoto e ele olhou para mim, estava todo envergonhado. O clima havia morrido, Miguel se levantou e voltou com uma toalha para mim. Peguei a toalha e fui na direção do banheiro, aquele era o jeito dele de me fazer sumir enquanto se explicava com seu pai. A cena com certeza iria causar trauma tanto no pai quanto no filho.
Demorei no banho para assegurar que o clima estivesse normal, ou, o mais normal possível para quando eu saísse. Enquanto me trocava no banheiro consegui ouvir o mais velho falando algo do tipo, “Filhão, não sabia que seu namorado estava aqui. Meu Deus! Foi mal. Mas, né… O quarto não estava muito longe da sala. Eu sei, eu sei, você é jovem — também já fui, sei que quando a vontade bate não existe o lugar certo. Desculpa, não queria ser o tipo de pai ‘empata-foda’, agora vai tomar banho enquanto eu faço seu almoço. E, vou tentar ser o mais legal possível com seu namorado”. Foi a conversa mais estranha e mais divertida que eu já havia ouvido, nunca tinha visto um pai tão compreensivo ao pegar o filho seminu com outro cara em sua sala de estar. Se meus pais vissem eu fazendo isso na sala deles eu já estaria arrebentado (Ainda mais) e eles me mandariam para a casa dos meus avós no interior, porque a homossexualidade é uma doença das metrópoles apenas.
Sai do banheiro com as mesmas roupas que eu estava usando (com exceção da cueca, roubei uma limpa do armário de Miguel) e Miguel esperava no quarto.
— Se você fizer uma piadinha eu te mato. — O garoto estava envergonhado demais para me olhar no rosto, mas falou a frase com um sorriso bobo em seus lábios, e então entrou no banheiro.
Fiquei no quarto, tentei achar minha lente que havia deixado na mesa na noite passada mas não a encontrei. Tomei coragem e saí do quarto, o pai de Miguel estava na sala e um delicioso cheiro de comida vinha da cozinha.
— Opa. — Falei tentando parecer o mais casual possível.
— Oba! — O pai de Miguel levantou para me cumprimentar, ele realmente parecia interessado em me conhecer. — Me chamo Jonas, sou o cara que não vai conseguir dormir graças a visão que tive de você junto com meu filho. — Jonas gargalhou. — Mentira, era brincadeira, tá? — Jonas não era muito velho, usava óculos assim como seu filho e tinha cabelo grisalho (Do jeito legal), possuía linhas de risos nítidas e uma expressão alegre. Depois de vê-lo comecei a entender o motivo dos filhos serem tão bonitos.
— Arthur, Sr. — Nos cumprimentamos com um aperto de mão.
— Não venha com Sr. para cima de mim, por favor!
Fomos para cozinha, Jonas cozinhava nosso almoço enquanto nós conversávamos. Ele era extremamente legal, não parecia que estava conversando com o “pai” de alguém. Miguel parou na porta da cozinha confuso ao ver a cena, e saiu rapidamente em direção do seu quarto, o segui.
— Você tava conversando com meu pai? — O garoto aparentemente estava inconformado.
— Sim… Ele é super legal.
— Mas é meu pai! Como você conseguiu?! Eu não consigo. — Miguel estava agitado e andava de um lado para o outro, eu ri.
Saímos do quarto e ficamos na sala assistindo televisão. Um tempo depois Jonas anunciou que a comida estava pronta. Arrumei a mesa junto de Miguel, pouco antes de começarmos a comer Júlia chegou. Sentamos todos na mesa e comemos, foi uma refeição repleta de conversas e risadas.
— Pai, pai. — Júlia falou. — Acho que você não teve “a conversa” com Miguel, ele nem sabe o que fazer em um quarto. Ouvi Art chorando a noite toda. Diga-me Arthur, o sexo dele é tão ruim assim? — Fui pego de surpresa pela pergunta, quase engasguei de tanto rir. Era com certeza um dos melhores almoços da minha vida.
— Talvez ele não saiba o que fazer no quarto mas, na sala… Sim. — Jonas soltou. Eu caí de rir junto com ele, Júlia ficou perdida e Miguel queria sumir de vergonha.
Estávamos comendo a sobremesa e Jonas passava os detalhes do ocorrido de mais cedo para Jú, ele se interrompia toda hora para rir. Todos já estavam satisfeitos, Miguel e Júlia conversavam na sala e eu ajudei Jonas a levar as sobras para a cozinha.
— Arthur, agora que somos amigos, vai me contar o que aconteceu com seu rosto?
— Hm… Eu caí. Skate, sabe? — Deus, eu era um péssimo mentiroso.
— Certo, certo. Quando você for embora eu te empresto um boné, só ficar com a cabeça abaixada e em um lugar não muito iluminado que seus pais não vão nem notar, ok? — Agradeci. — E toma cuidado ao andar de skate, garoto.
Já estava de noite, tinha que ir embora. Jonas ofereceu uma carona, e foi insistente até eu falar “sim”. Me despedi de Júlia e desci com os homens da família Duarte para o estacionamento. O trajeto foi silencioso e um pouco demorado, estava no banco de trás e Miguel no banco do passageiro, o único som vinha da música péssima que o loiro havia colocado. Ao chegarmos agradeci por tudo, coloquei o boné e me despedi de Miguel com um “tchau” – Uma despedida bem seca se compararmos aos acontecimentos das últimas vinte e quatro horas. Jonas manobrou o carro e foi embora, fiquei um pouco do lado de fora antes de entrar.
A casa estava toda apagada, não tinha ninguém em casa, não era uma surpresa para mim. Peguei a chave reserva que estava atrás de um vaso na entrada da casa e abri a porta, Margot me proporcionou a melhor recepção.
Fiquei pensando na cena do sofá por um tempo, aquilo havia sido completamente impulsivo. Minha existência é movida a isso, mas foi demais até para meus níveis. Miguel era bacana, pena que eu tive que apanhar para perceber isso (literalmente), mas o ideal era sermos amigos. Prometi a mim mesmo que nunca mais me envolveria com o garoto dos olhos cor de mel. Não demorei muito e fui dormir, o dia tinha sido incrível graças aos Duarte, obrigado.
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