Félix & Niko - Dias Inesquecíveis
7 O aniversário de Jayminho - parte 2
Notas iniciais
Félix explicou rapidamente a Niko como o menino estava com medo e os dois foram falar com a mulher.
– Fala você, carneirinho, você tem mais jeito pra lidar com as pessoas... – Disse Félix empurrando Niko para falar com Marta.
– Senhora, seu marido bate no Lucas?
A mulher olhou surpresa.
– O quê?! O Lucas disse isso?! Onde ele está?!
– Calma, senhora, já achamos o Lucas, ele está sim aqui, está com nosso filho ali e com os outros garotos... Mas, o que queremos saber é...
– Não, não, meu marido nunca bateu no Lucas! Ele é o pai dele! Ele não é o pai mais carinhoso com o filho, mas, nunca chegou a bater nele, eu não deixaria!
– Bom, aparentemente, o Lucas está com medo de voltar para casa! Não é Félix?!
– É! Ele segurou no meu braço pedindo, quase chorando... Senhora Marta... Eu sei o que é ter medo do próprio pai! Se o Lucas tem medo, a senhora tem que fazer alguma coisa e quanto antes melhor!
A mulher ficou com os olhos cheios de lágrimas.
– Eu... Eu queria que o Antônio fosse mais carinhoso, mais delicado com o Lucas, mas... Ele veio de uma família muito tradicional, arcaica, machista... O meu Lucas é um menino sensível... Adora desenhar, me ajudar nas tarefas domésticas... Mas, o pai diz que isso, bem, que isso não é coisa de homem, que quer que ele seja jogador de futebol... Eu não sei o que fazer...
Niko se aproximou da mulher, colocando as mãos em seus ombros, confortando-a.
– Infelizmente, muitos homens são assim... Têm a cabeça pequena, mas, cheia de preconceitos bobos, acham que homens e mulheres não têm os mesmos direitos... Mas, aqui estamos falando de uma criança... Ele não pode pressionar o próprio filho a ser algo que não é... – Niko olhou para Félix que permanecia estranhamente calado e falou para Marta: — Acredite... Não compreender e não amar o próprio filho como ele é pode levar a caminhos terríveis!
Félix notou que Niko se referia a ele.
No mesmo instante, ouviram uma batida na porta. Adriana falava alto:
– Ei, espera aí, quem é o senhor? Não pode ir entrando assim não...
Foram ver.
– Ei, quem é o senhor?! – Perguntou Niko.
– Antônio! – Exclamou Marta.
– Esse é o pai do Lucas?
– Sim, sou o pai do Lucas e quero saber agora onde está aquele moleque!
O tom de voz daquele homem fez Félix arrepiar. Como lembrava o jeito como César falava com ele.
– Senhor, se acalme, seu filho está brincando com os outros garotos lá no jardim, é aniversário do meu filho...
O homem nem deixou Niko terminar de falar, saiu andando procurando a entrada para o jardim. Eles foram atrás. Quando o homem apareceu no jardim, Lucas o viu de longe e pediu:
– Jayminho, me esconde, me esconde... Meu pai veio atrás de mim!
Os dois ficaram abaixados embaixo de uma mesa perto da piscina. A mesa não os cobria, eles apenas ficaram abaixadinhos, tentando fazer com que não os vissem na sombra.
– Cadê aquele moleque?! – Dizia o homem olhando para os lados, até avistar os meninos embaixo da mesa. Quando ia atrás deles, Félix puxou seu braço.
– Espera aí... Vai lá pra fora que eu levo o Lucas, o senhor não vai estragar a festa do meu filho!
O homem se soltou olhando com estranhamento.
– Seu filho?! Não era o aniversário do filho daquele ali?! – Fez um gesto com a cabeça para Niko.
Niko se aproximou de Félix, pôs a mão em volta de seu braço e respondeu:
– É nosso filho... É o aniversário dele e o senhor não vai acabar com a festa das crianças! Faça o favor de esperar lá fora que nós levaremos seu filho!
O olhar de estranhamento daquele homem se transformou em olhar de nojo.
– Nosso?! Nosso?! Mas que... Vocês são dois homens, não podem ter um filho!
Niko já estava ficando revoltado com aquele homem.
– Podemos sim! E ele é nosso filho! E ao contrário de muitos pais por aí, nós amamos nossos filhos!
Fernanda e Milena estavam por perto e ouviram a conversa.
– Niko, Félix, está acontecendo alguma coisa?!
Antônio olhou para as duas de mãos dadas e reclamou para a mulher:
– Era aqui que você queria deixar o Lucas vir?! Nessa pouca vergonha?!
A mulher engoliu em seco e gaguejava para falar.
– Antônio... M-mas que p-pouca vergonha? N-não estão f-fazendo n-nada demais... Q-querido, vamos embora... Deixa deixa o Lucas se d-divertir...
– Divertir?! Divertir?! Como... Pintando as unhas?! Eu vou levar meu filho dessa imundície agora mesmo!
Ele se virou para onde os meninos estavam e não deu nem dois passos, Lucas saiu de debaixo da mesa e correu, se jogando na piscina, como se quisesse se esconder embaixo d’água. Ao mesmo tempo, Félix impedia que aquele homem avançasse.
– Sai da minha frente, seu...
– Vai! Me chama do que ia me chamar! O único animal aqui é o que está na minha frente!
O homem voltou indo em direção a porta como se finalmente tivesse aceitado esperar do lado de fora, quando Jayminho foi correndo em direção a eles.
– Papai, papai, o Lucas se jogou na piscina e ainda não saiu!
Marta se desesperou. – O Lucas não sabe nadar!
Félix jogou imediatamente os chinelos para os lados e correu, se jogando na piscina, tirando o menino de lá. Ele já estava desacordado. Félix lembrou que seu irmão Cristiano havia morrido afogado e ele nem sequer o conhecera. Ele não podia deixar outra criança morrer. Ele não tinha nada a ver, mas se sentiu culpado por não saber o que fazer naquele momento. Ele deitou o menino na beira da piscina.
Félix: — O que eu faço, eu não sei fazer primeiros socorros!
Niko: — Eu aprendi algumas coisas, me deixa tentar...
Antônio: — Você não toca no meu filho!
Félix levantou alterado: — O senhor prefere que seu filho morra?!
Milena: — Não, espera, eu sou salva-vidas, sou treinada para isso!
Ela pediu espaço e fez respiração boca-a-boca. Logo Lucas começou a tossir, retirando a água dos pulmões. As outras crianças estavam ao redor, olhando o que acontecia com o colega. Félix se afastou enquanto Milena prestava os primeiros socorros, chorando, lembrando quando seu pai lhe disse que preferia que ele tivesse morrido no lugar do irmão.
Niko notou o quanto Félix estava atordoado e, assim que viu que o menino Lucas estava bem, foi até Félix.
Félix estava todo molhado por ter mergulhado atrás do menino, mas, a água que escorria em seu rosto era quente, salgada com gosto amargo, eram lágrimas. Niko não falou nada, apenas pôs as mãos em seu rosto e lhe encarou, tentando acalmá-lo com o olhar.
A paz que Félix sentiu no momento em que Niko tocava seu rosto, se dissipou quando ouviram novamente a voz daquele homem irritante. Antônio levantou o filho, quando este parou de tossir, e o puxou para a porta dizendo:
– Vamos para casa! Viu o que você arrumou?! Quase se afoga, não foi nem capaz de aprender a nadar... Você vai ficar de castigo!
Niko, Félix e Jayminho foram atrás. Os outros convidados ficaram um pouco mais atrás. Os outros pais que lá estavam mandaram as crianças voltarem para o jardim e ficaram lá também junto com Adriana. Eles sabiam que aquele homem poderia arrumar uma confusão e não queriam que as crianças vissem isso.
Eles estavam certos...
– Lucas, espera, não vai embora...
Jayminho correu e segurou na mão do amigo. Lucas se soltou do pai e abraçou Jayminho. Antônio separou os meninos dizendo: — Já chega disso! – O filho chorava e Jayminho olhava confuso. Ele gritou com o filho: — Engole esse choro! Já te disse que não quero te ver chorando feito mulherzinha!
Jayminho, inocente, ainda voltou a segurar na mão do amigo e pedir: — Senhor, deixa o Lucas ficar, por favor!
O homem soltou a mão dos meninos com ignorância e empurrou Jayminho. O menino deu dois passos para trás e se agarrou a Félix que estava mais perto dele. Niko, vendo aquela cena, ficou vermelho, enfurecido. Félix nunca tinha visto seu carneirinho com tanta raiva, mas, para defender os filhos, aquele carneirinho se transformaria em um dragão.
Niko cerrou os punhos e se aproximou daquele homem pisando forte no chão. Antônio levava o filho segurando-o forte pelo braço e o fez entrar no carro.
– Você se acha muito homem não é?! Se acha muito macho?! Tem que ser muito macho para assustar crianças! Que tipo de homem é tão frio e desgraçado com o próprio filho?!
– Não venha me dar lição de moral, você não é homem nem nada!
– Sou muito mais do que você que age pior que um animal!
Félix nunca viu Niko tão alterado. Ele gritava, enfurecido. Félix mandou Jayminho entrar.
– Meu filho, entra, vai lá...
– Eu quero ficar papai...
– Não, vai lá, meu filho... Imagina a gente dar uma festa e o aniversariante não ficar, não, não, nem que eu tivesse salgado a Santa Ceia... Entra, Jayminho, vai ficar com seus amigos, a gente vai já!
Jayminho entrou. Ao mesmo tempo, a mãe de Lucas entrava no carro e pedia:
– Entra, Antônio, entra nesse carro, vamos embora!
– Cala a boca! – Gritou com a mulher. – Você é a culpada pelo Lucas andar fugindo assim, você o mimou demais!
Félix, ao ouvir essas palavras, lembrou novamente de todas as vezes que seu pai acusava sua mami poderosa de tê-lo mimado demais e ser a culpada por ele ser como era.
Niko estava com cada vez mais raiva daquele ser a sua frente.
– Você acha mesmo que vai educar seu filho dessa maneira?!
– Pelo menos, ele vai ser homem, não uma bichinha, como eu tenho certeza que aquele negrinho vai ser!
Niko abaixou a cabeça e sentiu uma cólera subir nele, seu sangue esquentar, seus punhos se fecharem com mais força.
Félix, que estava mais atrás, disse bastante alterado:
– É a gota d’água! Além de homofóbico, é racista!
Niko, com os dentes trincados, levantou a cabeça e falou:
– Lava a boca pra falar do meu filho!
Niko deu-lhe um soco tão forte que aquele homem caiu no chão, demorando a conseguir se levantar de tão tonto. Quando conseguiu, limpou o sangue que escorria pela boca e partiu pra cima de Niko.
– Você não vai encostar mais um dedo em mim, seu viado!
Niko o encarava. Agora, ele tinha a expressão de nojo.
– Não vou precisar! – Falou convicto.
Antônio tentou dar vários golpes em Niko, mas ele se esquivava e o homem ainda se machucava. Foi uma briga muito pior do que a que Niko teve tempos atrás com Eron. Mas, como na mesma, Niko saiu sem nenhum arranhão.
Antônio, mesmo perdendo feio, só parou quando a mulher saiu do carro e o puxou mandando-o entrar. Lucas, no banco de trás do carro, chorava inconsolável.
Ele entrou, arrancando o carro, mas, Niko e Félix ainda o ouviram dizer ao filho que tudo era culpa dele.
Niko, apesar de não ter sofrido nada, ainda se recuperava daquela briga. Estava ofegante, mas, pela raiva que havia sentido. Félix se aproximou dele e Niko o abraçou. Os dois se acalmaram abraçados.
– Vamos voltar Félix! A festa ainda não acabou! O Jayminho precisa de nós!
– Carneirinho, nunca te vi assim...
– Eu me transformo num monstro se for pra defender minha família Félix!
– O único monstro aqui era aquele homem... – Félix suspirou. — O que vai ser desse garoto carneirinho?!
Niko não soube o que responder. Apenas colocou o braço em volta de Félix e ambos entraram.
Horas depois, a festa estava acabando, quase todos os convidados já tinham ido embora. Jayminho se despedia e agradecia a cada um pela presença e pelos presentes que lhe deram. Niko e Félix também agradeciam a todos. As últimas a saírem foram Fernanda e Milena, com sua filha Angélica.
– Mais uma vez, foi muito bom conhecer vocês! – Dizia Félix.
– Imagina... Adoramos conhecer vocês também! Sempre que o Jayminho quiser ir lá à nossa casa brincar com a Angélica, já está convidado! – Confirmava Fernanda.
– Ah, Milena, não sei o que faríamos se você não estivesse aqui para prestar os primeiros socorros aquele garoto! Eu até aprendi há algum tempo atrás como fazer respiração boca a boca, massagem cardíaca, mais uma série de coisas que eu acho importante saber, mas eu nunca tinha feito na prática sabe, e ainda mais com uma criança!
– Foi muito bom ter ajudado esse menino Niko, afinal, esse é meu trabalho! Eu era salva-vidas no Guarujá e continuei quando conheci a Fernanda, salvando-a por sinal, e nos mudamos pra cá! A Nanda é advogada!
– Ah, Nanda... Vocês também têm apelidos?! Eu nunca dei um apelido pro Félix, mas ele, desde antes, quando éramos só amigos, ele já me chamava de carneirinho!
Enquanto conversavam, Angélica e Jayminho voltaram ao jardim.
– E o pai do Lucas brigou muito com ele, Jayminho?!
– Sim, ele estava muito bravo! Eu não vi quando foram embora por que o papai Félix disse para eu entrar!
– Será que ele bate nele?
– Não sei! Mas, o Lucas ficou com muito medo, ele até me deu um abraço, mas o pai dele não gostou e até me empurrou!
– O pai dele é muito mau! Por que será?!
– Eu acho que ele não gostou dos meus pais, acho que eles brigaram!
– Minhas mães disseram que tem muita gente que não gosta de quem tem duas mamães ou dois papais que nem a gente!
– Não sei por quê! Meus dois papais me amam mais do que quando eu tinha um pai e uma mãe que me devolveram pra o orfanato!
– Você nunca quis ser igual aos garotos que tem pai e mãe Jayminho?
– Até seria legal, às vezes... Mas, às vezes, eu penso que eu só teria um pai e eu tenho dois, eu não tenho mãe, mas tenho a Adriana que cuida de mim! Então, antes eu não tinha ninguém e agora tenho uma família bem grandona!
– Eu também não tinha ninguém até que minha mamãe Nanda me adotou junto com minha mamãe Milla! A mamãe Milla salvou minha mãe Nanda, um dia, que ela estava se afogando no mar, e elas se apaixonaram, foi muito antes de me conhecerem e virarem minhas mamães!
– Que legal, Angélica! Sabe o que meu papai Félix fez? Ele levou meu papai Niko de carro para salvarem meu irmãozinho Fabrício que tinha sido raptado por uma mulher má, chamada Amarylis, que dizia que era amiga do meu papai Niko! Meu pai Niko diz que o papai Félix foi um herói que resgatou meu irmão das garras da bruxa que queria fugir com ele!
– Que legal, Fabrício! Minhas mães e seus pais são heróis!
A menina então ouviu uma de suas mães lhe chamar:
– Filha, vamos! Segunda você vê o Jayminho na escola!
– Já vou mamãe!
Os dois correram para onde seus pais estavam e a menina se despediu:
Tchau Senhor Félix, senhor Niko! Tchau Jayminho!
Angélica deu um beijo na bochecha de Jayminho ao se despedir e saiu correndo para o carro, suas mães entraram e foram embora.
Félix notou que Jayminho ficou todo envergonhado, segurando na bochecha, onde sua amiguinha havia lhe dado um beijo.
– Olha Niko, esse rapazinho mal entrou nos dois dígitos, já tem uma namoradinha!
– Não é verdade papai... Eu vou abrir meus presentes! — O menino saiu correndo.
– Félix, ele só fez dez anos, não quinze!
Eles riram e foram abrir os presentes com Jayminho.
À noite...
– Ah, Félix, finalmente o Jayminho dormiu! Ele ainda estava curtindo os presentes... E depois de toda aquela agitação né?! Ainda bem que ele esqueceu logo e conseguiu se divertir depois de tudo...
Félix continuava calado, olhando para o nada, sério e pensativo.
– No que você está pensando?
Félix suspirou.
– Ah, carneirinho... Em tanta coisa... Tem tanta gente como aquele cara por aí... O Jayminho vai ter que aprender a lidar com isso... Ele já tem dez anos, daqui a pouco já é adolescente...
– Eu sei Félix, mas, o Jayminho tem a nós para darmos a melhor educação possível para ele, toda nossa compreensão, amor, carinho...
– Nós vamos dar tudo isso ao Jayminho, Niko! Mas, quem dá tudo isso àquele garoto?
Niko sentou na cama de frente para Félix.
– Você se identificou muito com aquele menino não foi?!
Félix suspirou de novo.
– Foi, carneirinho! Cada vez que o pai daquele menino olhava pra ele eu sentia como se fosse eu ali e aquele fosse meu pai me olhando! Era igual, carneirinho...
Uma lágrima escorreu no rosto de Félix. Niko enxugou e ficou segurando seu rosto.
– Sabe carneirinho... Eu tinha um sonho quando era pequeno! Eu não pensava em trabalhar com números aquela época, apesar de ter sido muito bom em matemática, eu tinha um sonho totalmente distante disso...
– O que era Félix?
– Eu... Você vai rir de mim!
– Não, não vou, fala!
– Eu queria... Ser dançarino! Pronto, falei!
– Dan-dançarino?! Félix... Nunca poderia imaginar... – Niko não conteve uma risadinha.
– Viu! Eu sabia que você ia rir! Será que eu roubei os peixes multiplicados pra te ver rindo de mim enquanto eu conto meus devaneios de infância?!
– Devaneios de infância Félix?! Ai ai... Criança não tem devaneios, criança sonha! Eu só não imaginava que você já quis ser dançarino!
– É... Quando eu via na TV os casais dançando, ou até as pessoas dançando sozinhas, danças de salão, de todo tipo, eu achava lindo! Um dia eu também fugi para uma festinha, igual ao Lucas, era um aniversário de um colega de escola e eu queria muito ir! A mami me arrumou, mas meu papi não me deixou ir quando me viu fantasiado, porque era uma festa à fantasia, era época de carnaval, enfim, e o papi não me deixou porque eu pedi pra mami uma fantasia de dançarino de salsa, sabe, aqueles com maracas e tudo!
– Ahn Félix, deve ter ficado tão fofinho vestido asssim...
– Fiquei... Mas, meu papi não achou nada fofo... Disse que aquilo não era roupa de homem, que se eu quisesse que pedisse uma fantasia de super-herói como todo garoto, enfim... Eu acabei me vestindo e saindo escondido, e eu só tinha nove anos! O papi foi atrás de mim na festa e me arrancou de lá, principalmente, porque quando ele chegou eu estava dançando, dando um show no meio de uns colegas de classe... E o pior que eu soube que foi a Paloma que foi ao meu quarto na ocasião e disse ao meu pai que eu não estava lá... Deu pra entender né?! Já tinha raiva dela...
– Entendo Félix... E entendo também sua preocupação com esse menino! É difícil pensar que esse garoto pode estar sofrendo o mesmo que você sofreu...
– E eu não desejo isso pra ninguém, carneirinho! O que eu passei nessa idade me levou a fazer a maior parte das coisas que eu fiz quando adulto...
– Foi sim Félix... Mas, depois de você ter feito coisas péssimas, você fez coisas maravilhosas, principalmente por mim! Pra mim, você não precisava de uma fantasia de super-herói como seu pai dizia... Você é meu super-herói Félix!
Ele sorriu fazendo um carinho no rosto de Niko.
– Você é que é o super-carneirinho! – Riram. – Hoje você demonstrou isso mais que nunca! Aquele infeliz mal conseguia ficar de pé depois dos golpes que você aplicou nele! A partir de agora, acho que vou te deixar de te chamar de carneirinho e vou te chamar de Niki-Chan!
– Niki-Chan?! Mas que nome é esse Félix?
– É Niko, mas, misturado com Brad Piti e Jackie Chan!
Eles gargalharam. – Porque tá me comparado a esses dois, hein Félix?
– Ué, Jackie Chan pelos golpes de ninja que você dá, e Brad Piti, porque você é meu galã loiro, carneirinho!
– Ah ah... Sou é?! Então quer que eu te chame de quê? Félix Jolie?!
Caíram nas risadas de novo quando Félix tentou imitar a boca de Angelina Jolie. Niko aproveitou para enchê-lo de beijos.
– Eu posso até ser super Félix! Mas, todo herói tem sua fraqueza... A minha é minha família!
– Sabe qual minha fraqueza carneirinho? Você!
Eles se beijaram e se amaram aquela noite esquecendo todas as coisas ruins que haviam passado naquele dia, lembrando apenas as coisas boas.
De madrugada, ainda conversavam...
– Agora, falando sério, carneirinho... Esse foi só o primeiro de muitos aniversários de nossos filhos, de muitas festas que eles vão querer ir... O que será que o futuro nos reserva?!
– Seja o que for Félix, superaremos juntos! Estaremos juntos como agora... Esse é nosso futuro!
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