Félix & Niko - Dias Inesquecíveis
11 O Futuro - parte 4
Notas iniciais
Félix deixou Niko no restaurante após saírem do médico. Antes de deixá-lo, Niko o fez prometer que iria obedecer ao médico e mandar fazer o quanto antes os óculos que precisava.
– Vai Félix... Hoje em dia a gente nem precisa mais esperar muitos dias para receber os óculos, às vezes, só algumas horas...
– Eu sei, eu sei, carneirinho... Ai, mas, tem certeza que eu vou ficar bem usando óculos?!
– Claro, Félix, vai ficar lindo! Olha, são onze horas, porque você não dá uma olhada por aí nas lojas, depois volta para almoçarmos juntos, e se você ainda estiver com dúvidas, eu dou um jeitinho de sair e ir com você escolher! Que tal?!
– Tá carneirinho, é o jeito... Tchau!
Despediram-se com um selinho e Niko entrou no restaurante, sabendo o quanto seria difícil para Félix dar o braço a torcer e comprar mesmo os tais óculos.
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Na escola, na sala do 5º ano, Fabrício estava sentado no meio de uma rodinha de colegas.
– Já fiquem sabendo, meu aniversário vai ser demais! Eu mesmo escolhi o lugar...
– E seus pais deixaram você escolher o lugar que queria Fabrício? – Perguntou um coleguinha.
– É... Claro... Meus pais deixaram! Minha festa vai ser a melhor que vocês já viram!
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Já, na parte da escola dedicada ao ensino médio, Jayme acabava de se preparar para o treino de basquete.
– Jayme, Jayme... – Alguém o chamava.
Jayme abriu um sorriso ao ver quem era.
– Oi, Angélica!
– Oi... Eu estou muito feliz de ter voltado! Passei tanto tempo no exterior... Estava com saudades!
– Eu... Eu também estava com saudade de você Angélica! Também fiquei muito feliz pela sua volta!
Eles se olhavam de um jeito tão especial que parecia que se perdiam no olhar um do outro por um momento.
– Ah... Jayme, você entrou para o time de basquete mesmo? Quando fui embora você ainda estava começando os treinos!
– Pois é eu me dei bem com o basquete... E... E você?
– Eu... Eu o quê?! Bom, eu aprendi a falar inglês mais fluentemente e...
– Não... Não tô falando disso! Quero saber... Como você está?! Quero dizer... Ficou com alguém durante esse tempo?!
– Ah... É isso?! Eu... Bem... Eu...
– Não, esquece... Quer saber, deixa pra lá... Foram seis meses, não seis dias né?!
Ele se virou para sair, mas a garota segurou seu braço rapidamente.
– Não, Jayme... Não vai embora... Eu... Eu não fiquei com ninguém! Eu... Ainda gosto de você!
Jayme sorriu novamente. Segurou as duas mãos dela e disse:
– Angélica... Eu... Eu também gosto de você! Nada mudou!
Eles se olharam outra vez, mas, agora, os corpos estavam mais próximos. O olhar desviou dos olhos para a boca e eles se aproximavam lentamente quando Jayme ouviu outra voz o chamar. Era o treinador que o procurava e já vinha no outro corredor. Eles se afastaram, mas Jayme continuou pegando nas mãos dela.
– Eu tenho que ir para o treino agora, mas... Ainda temos muito para conversar... Nos encontramos mais tarde?
– S-sim... Mais tarde... Na praia!
– Na praia! – Jayme respondeu, beijando sua mão e correndo para onde o treinador o chamava.
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No restaurante, Niko esperava Félix voltar para o almoço.
– Já é quase uma hora... Será que o Félix comprou os óculos?!
O restaurante ainda estava com muita gente por causa da hora do almoço. Niko preparava mais pratos no balcão quando um homem de óculos escuros, alto, branco, cabelos negros, bonito e elegante entrou no restaurante. Foi direto para a mesa mais próxima ao balcão, pois não tinha nenhuma outra vaga. Como Niko estava de costas, quando virou achou que fosse Félix.
– Félix... Ai, desculpa... Pensei que fosse outra pessoa...
O homem o olhou bem e perguntou:
– Ei, você é... Nicolas?
Como quase ninguém o chamava assim, Niko estranhou. Saiu do balcão e foi para o lado da mesa, para olhar o homem de frente.
– Sim, meu nome é Nicolas... Mas, eu o conheço?!
O homem sorriu. Era um belo sorriso.
– Err... Bom, você me conhece sim... Mas, não sei se lembra... Faz tanto tempo... Mas, eu lembrei de você!
Niko sentou de frente a ele.
– Não... Me desculpe, mas, não sei quem é...
– Não lembra mesmo de mim?! Lembra do nome Eduardo?!
Niko pensou por um momento, olhou de novo para o homem, mas repetiu:
– Não... Desculpa, não consigo lembrar mesmo!
O homem tirou os óculos escuros revelando belos olhos azuis. Sorriu e baixou o tom de voz para falar:
– Que coisa... Você não lembra... E dizem que a primeira vez não se esquece Nicolas!
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Na quadra, depois do treino, Jayme estava cansado e suado. Mas, mais uma tarefa apareceu para ele.
– Jayme, quando for para o vestiário, leva o Lucas, já que vocês já se conhecem, e mostra o que ele tem que fazer como ajudante do time!
– Sim treinador!
Lucas estava sentado na arquibancada vendo o treino. Jayme o chamou como o treinador havia mandado e o levou para o vestiário. No caminho ele explicava:
– Olha Lucas, ali fica o armário onde guardamos o equipamento... Ali guardamos coisas de manutenção, limpeza da quadra... Ali é a porta do vestiário! Geralmente, nós jogadores somos meio desleixados e jogamos as camisas por aí, principalmente depois dos treinos e jogos mais pesados, como o de hoje... Então, não liga pra bagunça, porque é normal! Acho que, por enquanto, você só vai precisar recolher as roupas jogadas por aí e guardar os equipamentos que estiverem espalhados!
– Sem problema, Jayme! Eu faço o que tive que fazer!
Mas, Jayme não notou que o amigo ficou mais tímido do que já aparentava, quando os dois entraram no vestiário e a maioria dos jogadores já estavam sem camisa, só com as bermudas suadas, ou já de toalha.
– Aê Jayme... Quem é esse? – Perguntou um dos jogadores.
– Pessoal, esse é o Lucas, vai ser o novo ajudante do time nesse final de ano e de campeonato... Ele já estudou aqui quando era menor, mas agora é praticamente novato de novo, então, peguem leve com ele, tá galera!
Jayme falou em tom de brincadeira com os outros, mas Lucas ficou ruborizado. Ele se sentou num canto e ficou olhando os jogadores, esperando saírem para poder começar a arrumar a bagunça. Só havia rapazes lá dentro, mas Lucas evitava ao máximo olhar diretamente para eles. Agia como se fosse uma menina envergonhada por estar no meio de tantos homens.
Um dos jogadores ainda perguntou a Jayme: — Aquele cara é meio estranho... Porque será que ele fica assim todo quieto num canto ao invés de falar com a galera?!
Jayme viu e também achou estranho o jeito de Lucas, mas respondeu: — Ah sei lá, acho que ele é tímido mesmo! Eu o conheci quando tinha uns dez anos, ele já era bem na dele! Mas, desenha bem pra caramba... Qualquer dia, eu peço o desenho que ele fez da quadra de basquete pra mostrar pra vocês!
Quando todos os jogadores já haviam saído, Lucas começou a recolher as coisas jogadas pelo chão e pelos bancos. Quando ouviu um dos armários se fechando atrás dele, com o susto ele se virou.
– V-você de novo?! Gu-Gustavo não é?!
– Ah, já tá sabendo meu nome... Mas, não sabe o que eu tô fazendo aqui?!
– O-O quê?! Por favor, me deixa terminar de fazer o que estou fazendo!
– Me diz uma coisa Lucas, gosta do que está fazendo?!
– Se eu gosto?! Não entendi!
– Gosta ou não gosta?!
– Bem... Eu tinha que fazer alguma coisa para passar em educação física, então...
– Não é isso que estou perguntando! – Gustavo gritou e deu um soco em um armário, deixando Lucas mais assustado. – Eu quero saber se você gosta de estar com estar aqui, no vestiário masculino... Com essas roupas suadas na mão... Ou se preferia estar no vestiário do lado, o feminino!
– N-Não sei por que você quer saber isso... Mas... Não sei... Tanto faz... O que você quer afinal?!
Gustavo se aproximou e o prendeu contra o armário. Lucas nem tentou se defender, só permanecia com medo.
– O que eu quero?! Não sei... – Ele o olhou de cima a baixo e se aproximou mais. – Eu só não suporto olhar para essa sua carinha de medo, quase borrando as calças, quase chorando...
– Me solta! – Gritou Lucas.
– Não grita! – Ordenou Gustavo, segurando-lhe o queixo. – Novato... Você me irrita sabia?! Mas...
Gustavo ia se aproximando cada vez mais do rosto dele, quando alguém chegou e ordenou:
– Solta ele, Gustavo!
– O que você quer aqui Jayme?! Cai fora!
Gustavo se virou e ele e Jayme começaram uma briga. Jayme como sempre, se saía melhor, desviando de quase todos os golpes. Até que ele conseguiu derrubar Gustavo e ameaçou:
– Ou você nos deixa em paz... Ou eu conto pra os seus amiguinhos que você gosta de passar a mão nos meninos...
– Cala essa boca Jayme! Cala essa boca!
Gustavo se levantou e saiu correndo dali. Lucas estava muito nervoso e Jayme o acompanhou até a saída.
– Obrigado Jayme! Eu não sei o que aquele cara faria se você não tivesse aparecido!
– Sabe Lucas, eu também não sei... Pra falar a verdade, eu ainda não sei direito qual é a do Gustavo...
– De qualquer jeito... Obrigado por me defender!
– Que é isso cara... – Jayme pegou em seu ombro. – É claro que eu não ia deixar o Gustavo te fazer nada! – Jayme sorriu e Lucas sorriu junto. – Agora, eu tenho que ir Lucas! Se cuida! Tchau!
Jayme saiu e Lucas ficou olhando para ele. Enquanto ia embora, Jayme não podia ver como Lucas o olhava. Lucas sorria e seus olhos brilhavam. Ele só parou de olhar quando Jayme sumiu ao longe, então, virou-se para ir embora. Mas...
– Pensou mesmo que eu tinha ido embora, Lucas?!
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